Solida é uma versão realizada por Falves Silva em 1986 a partir da versão criada por Álvaro de Sá em 1968 para o poema Solida de Wlademir Dias Pino, originalmente concebido em 1962.
Falves Silva
Categoria: Poema Processo
Acervo: 04559
Data: 1986
Dimensões: 69 x 93 cm
Solida é uma versão realizada por Falves Silva em 1986 a partir da versão criada por Álvaro de Sá em 1968 para o poema Solida de Wlademir Dias Pino, originalmente concebido em 1962. A própria prancha inicial documenta essa genealogia de forma explícita por meio da inscrição PROCESSO, WLADEMIR DIAS PINO, VERSÃO 1968, ÁLVARO DE SÁ, VERSÃO 1986, FALVES SILVA. A obra constitui assim um caso particularmente significativo de criação por transformação sucessiva dentro do universo do Poema Processo, no qual uma proposição visual pode gerar novas versões sem perder a memória estrutural do trabalho precedente.O ponto de partida é a palavra SOLIDA, desmembrada por Falves Silva em três unidades, SO, LI e DA. Esses fragmentos são distribuídos diagonalmente em uma grade de nove módulos, ocupando respectivamente a região superior esquerda, o centro e a região inferior direita. A palavra deixa de existir apenas como unidade verbal contínua e passa a ser percebida como sequência espacial.A decomposição SO, LI, DA estabelece uma leitura que depende simultaneamente de linguagem e posição. O leitor reconhece a palavra pela aproximação mental das três partes, mas precisa percorrer visualmente o espaço que as separa. A distância entre as sílabas passa a integrar o significado e transforma a página em campo operativo.A partir dessa matriz verbal, Falves Silva desenvolve uma sequência de nove pranchas nas quais letras e sílabas são progressivamente substituídas por linhas paralelas, retângulos, quadrados, áreas listradas e figuras geométricas. A passagem da palavra para a forma constitui um dos aspectos centrais da obra. A informação inicial não desaparece completamente, mas é convertida em um sistema gráfico capaz de ser lido sem depender exclusivamente da linguagem verbal.Nas primeiras etapas aparecem pequenos conjuntos de linhas horizontais ou verticais posicionados em diferentes regiões do quadrado. Em seguida esses segmentos crescem e estabelecem ângulos, cantos e relações entre horizontalidade e verticalidade. O módulo que antes continha uma sílaba passa a ser representado por estruturas lineares.Outras pranchas introduzem quadrados e formas semelhantes a losangos, alguns vazios e outros parcialmente preenchidos por faixas paralelas. As formas se interceptam, deslocam e sobrepõem, produzindo diferentes relações entre figura e fundo. A leitura deixa de reconstruir apenas a palavra SOLIDA e passa a acompanhar um processo de transformação visual.Em algumas composições as linhas paralelas ocupam grande parte do campo quadrangular. Em outras, grandes áreas listradas são interrompidas por retângulos brancos. O contraste entre preto e branco, cheio e vazio, vertical e horizontal assume função equivalente à diferença anteriormente produzida pelas sílabas.O conjunto transforma a noção de versão em método criativo. Falves Silva trabalha sobre uma versão de Álvaro de Sá que, por sua vez, havia sido desenvolvida sobre o poema de Wlademir Dias Pino. Não se trata simplesmente de copiar uma obra anterior. Cada artista recebe uma estrutura e a reorganiza segundo outro sistema de leitura. A autoria passa a funcionar como continuidade crítica e transformação.Essa lógica é central ao Poema Processo, movimento que valorizou a possibilidade de versões e transformações de um poema por outros participantes. A versão deixa de ser entendida como reprodução secundária e passa a constituir uma nova operação criativa. No caso de Solida, a cadeia Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá e Falves Silva torna visível uma genealogia interna da experimentação brasileira.A sequência também permite compreender a passagem da palavra para um sistema semiótico. SO, LI e DA são inicialmente reconhecíveis como partes de uma palavra. Nas etapas seguintes, a informação passa a ser transmitida por posição, orientação, quantidade de linhas, direção, vazio, sobreposição e contraste. A leitura verbal transforma se progressivamente em leitura visual.A montagem apresentada nas imagens reúne as nove pranchas em uma estrutura de três por três, tornando possível perceber simultaneamente diferentes momentos do processo. A prancha verbal com SO, LI e DA funciona como chave de leitura para as demais. As composições abstratas podem então ser interpretadas como desdobramentos de posições, movimentos e relações existentes na matriz original.A obra constitui um documento especialmente importante para o estudo das relações entre Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá e Falves Silva e para a compreensão do princípio de versão no Poema Processo. Ela demonstra que um poema pode sobreviver não pela conservação imutável de sua forma, mas pela capacidade de gerar outras estruturas.Solida deve ser compreendida como poema visual, poema processo, sistema semiótico, sequência gráfica e obra baseada em transformação. Sua importância reside tanto na construção formal das pranchas quanto na genealogia conceitual que registra. O trabalho conecta três momentos da poesia experimental brasileira, o original de Wlademir Dias Pino de 1962, a versão de Álvaro de Sá de 1968 e a versão de Falves Silva de 1986.Para indexação, a obra deve ser associada a Falves Silva, Solida, 1986, Álvaro de Sá, versão de 1968, Wlademir Dias Pino, Solida, 1962, Poema Processo, poema processo brasileiro, poesia visual, poema visual, poesia experimental, versão, versão de poema, semiótica, linguagem visual, signo, transformação, estrutura modular, linhas paralelas, geometria, comunicação visual, arte conceitual brasileira e poesia brasileira do século vinte.Salsa text in EnglishSolida is a version created by Falves Silva in 1986 from the version made by Álvaro de Sá in 1968 of the poem Solida by Wlademir Dias Pino, originally conceived in 1962. The initial panel explicitly documents this genealogy through the inscription PROCESSO, WLADEMIR DIAS PINO, VERSÃO 1968, ÁLVARO DE SÁ, VERSÃO 1986, FALVES SILVA. The work therefore represents a particularly significant example of creation through successive transformation within Poema Processo, where a visual proposition can generate new versions while preserving the structural memory of the preceding work.The point of departure is the word SOLIDA, divided by Falves Silva into three units, SO, LI and DA. These fragments are distributed diagonally within a grid of nine modules, occupying the upper left area, the center and the lower right area. The word no longer exists only as a continuous verbal unit and instead becomes a spatial sequence.The decomposition into SO, LI and DA establishes a reading process dependent on both language and position. The viewer reconstructs the word mentally from its three parts but must also visually cross the spaces separating them. Distance between syllables becomes part of meaning and transforms the page into an operative field.From this verbal matrix, Falves Silva develops a sequence of nine panels in which letters and syllables are progressively replaced by parallel lines, rectangles, squares, striped areas and geometric figures. The transition from word to form is one of the central aspects of the work. The initial information does not disappear completely but is translated into a graphic system capable of being read without exclusive dependence on verbal language.In the first stages, small groups of horizontal or vertical lines appear in different areas of the square. These segments later expand and create angles, corners and relationships between horizontality and verticality. A module that previously contained a syllable is transformed into a linear structure.Other panels introduce squares and diamond shaped forms, some empty and others partially filled with parallel bands. Forms intersect, shift and overlap, producing different relationships between figure and ground. Reading no longer consists only of reconstructing the word SOLIDA but of following a process of visual transformation.In several compositions, parallel lines occupy a large portion of the square field. In others, broad striped areas are interrupted by white rectangles. Contrast between black and white, fullness and emptiness, vertical and horizontal assumes a function comparable to the differences previously produced by syllables.The ensemble transforms the concept of version into a creative method. Falves Silva works from a version by Álvaro de Sá that had itself been developed from the poem by Wlademir Dias Pino. This is not simply a process of copying an earlier artwork. Each artist receives a structure and reorganizes it through another reading system. Authorship becomes a form of critical continuity and transformation.This principle is central to Poema Processo, which emphasized the possibility of versions and transformations of a poem by other participants. A version is no longer understood as a secondary reproduction but as a new creative operation. In Solida, the sequence Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá and Falves Silva makes an internal genealogy of Brazilian experimentation visible.The sequence also demonstrates the transformation of verbal language into a semiotic system. SO, LI and DA are initially recognizable as fragments of a word. In subsequent stages, information is transmitted through position, orientation, number of lines, direction, emptiness, overlap and contrast. Verbal reading gradually becomes visual reading.The installation documented in the photographs presents nine panels in a three by three structure, allowing different stages of the process to be perceived simultaneously. The verbal panel containing SO, LI and DA functions as a key for reading the remaining compositions. The abstract structures can consequently be interpreted as developments of the positions, movements and relationships established by the original matrix.The work is an especially important document for studying the relationships among Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá and Falves Silva and for understanding the principle of version within Poema Processo. It demonstrates that a poem can survive not through the immutable preservation of its form but through its capacity to generate other structures.Solida should be understood as visual poem, process poem, semiotic system, graphic sequence and transformation based artwork. Its importance resides both in the formal construction of the panels and in the conceptual genealogy they document. The work connects three moments of Brazilian experimental poetry, the 1962 original by Wlademir Dias Pino, the 1968 version by Álvaro de Sá and the 1986 version by Falves Silva.For indexing purposes, the work should be associated with Falves Silva, Solida, 1986, Álvaro de Sá, 1968 version, Wlademir Dias Pino, Solida, 1962, Poema Processo, Brazilian process poetry, visual poetry, visual poem, experimental poetry, version, poem version, semiotics, visual language, sign, transformation, modular structure, parallel lines, geometry, visual communication, Brazilian conceptual art and twentieth century Brazilian poetry.
Texto de observação em portuguêsConjunto atribuído a Falves Silva e identificado como versão de 1986 do poema Solida. A obra documenta uma sequência histórica de transformações formada pelo poema original de Wlademir Dias Pino de 1962, pela versão de Álvaro de Sá de 1968 e pela versão de Falves Silva de 1986.A genealogia está registrada materialmente em uma das pranchas por uma pequena legenda localizada na região inferior direita. Nela podem ser identificados os nomes Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá e Falves Silva, acompanhados das indicações de versão correspondentes a 1968 e 1986. Esse elemento deve ser preservado fotograficamente e transcrito no registro catalográfico por constituir evidência documental da intenção de Falves Silva de explicitar a cadeia de versões.A prancha inicial apresenta uma grade composta por nove campos quadrangulares. Dentro dessa grade aparecem os fragmentos SO na região superior esquerda, LI no centro e DA na região inferior direita. A disposição diagonal permite reconstruir a palavra SOLIDA ao mesmo tempo em que converte suas sílabas em posições espaciais.As demais pranchas substituem progressivamente os elementos verbais por formas geométricas. São observadas séries de linhas paralelas horizontais e verticais, ângulos, quadrados, retângulos, formas inclinadas, campos listrados e áreas vazias.Em uma composição um pequeno conjunto de linhas horizontais ocupa o canto superior esquerdo. Em outra, linhas horizontais e verticais formam uma estrutura angular. Outra prancha amplia essa estrutura e cria um grande percurso em forma de canto.Nas etapas intermediárias surgem quadrados inclinados e sobrepostos a campos de linhas paralelas. Algumas formas permanecem apenas delimitadas pelo contorno, enquanto outras recebem preenchimento listrado. Essa oposição entre contorno e preenchimento torna se parte do sistema visual.Nas composições posteriores, faixas paralelas ocupam regiões maiores da superfície. Uma prancha apresenta uma ampla faixa vertical composta por linhas regulares. Outra estabelece grandes áreas listradas interrompidas por um retângulo branco central. O vazio passa a atuar como elemento tão importante quanto as áreas impressas.O conjunto fotografado apresenta nove pranchas dispostas em três colunas e três linhas. A ordenação permite observar a transformação progressiva do código verbal em código geométrico e deve ser documentada como conjunto, não apenas por meio de imagens isoladas.A relação entre as versões constitui informação essencial para a catalogação. Wlademir Dias Pino fornece a matriz original de Solida em 1962. Álvaro de Sá realiza sua versão em 1968. Falves Silva produz em 1986 uma nova interpretação baseada nessa versão anterior. Trata se portanto de uma versão sobre versão sobre original.Esse procedimento possui importância histórica para a compreensão do Poema Processo, pois demonstra a aplicação prática do conceito de versão como possibilidade de continuidade e transformação de uma obra por outro participante. O trabalho de Falves Silva não elimina as autorias anteriores. Ao contrário, registra explicitamente seus antecedentes e os incorpora à própria identidade da nova obra.A prancha com SO, LI e DA deve receber atenção especial na documentação porque funciona simultaneamente como composição e como chave interpretativa para as demais imagens. A decomposição silábica demonstra como uma palavra pode ser convertida em posições, módulos e posteriormente em formas abstratas.Para conservação, pesquisa e digitalização, recomenda se fotografar individualmente todas as pranchas, frente e verso, registrar suas dimensões, técnica, materiais, sistema de montagem, sequência original e eventuais inscrições. Também deve ser preservada a disposição completa das nove peças, pois as relações entre elas são fundamentais para a compreensão do processo.Para indexação, utilizar Falves Silva, Solida, 1986, Álvaro de Sá, Solida, 1968, Wlademir Dias Pino, Solida, 1962, versão sobre versão, Poema Processo, poesia visual brasileira, poesia experimental, poema semiótico, linguagem visual, sistema gráfico, geometria, linhas paralelas, estrutura modular, transformação, leitura visual, signo e arte brasileira experimental.Observation text in EnglishEnsemble attributed to Falves Silva and identified as his 1986 version of the poem Solida. The work documents a historical sequence of transformations formed by the original poem by Wlademir Dias Pino from 1962, the version by Álvaro de Sá from 1968 and the version by Falves Silva from 1986.This genealogy is materially recorded on one of the panels through a small inscription located in the lower right area. The names Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá and Falves Silva can be identified together with references to the versions of 1968 and 1986. This element should be photographically preserved and transcribed within the catalogue record because it provides documentary evidence of Falves Silva's intention to explicitly identify the chain of versions.The initial panel contains a grid divided into nine square fields. Within this structure appear the fragments SO in the upper left area, LI in the center and DA in the lower right area. Their diagonal arrangement permits reconstruction of the word SOLIDA while simultaneously transforming its syllables into spatial positions.The remaining panels progressively replace verbal elements with geometric forms. Visible structures include series of parallel horizontal and vertical lines, angles, squares, rectangles, inclined forms, striped fields and empty areas.One composition presents a small set of horizontal lines in the upper left corner. Another combines horizontal and vertical lines into an angular structure. A subsequent panel expands this organization and produces a larger corner shaped configuration.Intermediate stages introduce tilted squares overlapping fields of parallel lines. Some forms remain defined only by outlines while others are filled with striped patterns. The opposition between outline and filling becomes part of the visual system.In later compositions, parallel bands occupy increasingly large areas of the surface. One panel presents a broad vertical area constructed from regular lines. Another establishes extensive striped fields interrupted by a central white rectangle. Empty space becomes as significant as printed areas.The photographed ensemble contains nine panels arranged in three columns and three rows. This organization allows the progressive transformation of verbal code into geometric code to be perceived and should be documented as a complete ensemble rather than exclusively through isolated images.The relationship among the versions is essential cataloguing information. Wlademir Dias Pino provides the original matrix of Solida in 1962. Álvaro de Sá creates his version in 1968. Falves Silva produces a new interpretation in 1986 based upon that earlier version. The work can therefore be described as a version upon a version upon an original.This procedure has particular historical importance for understanding Poema Processo because it demonstrates the practical application of the concept of version as a method for continuing and transforming an artwork through another participant. Falves Silva's work does not erase previous authorship. Instead, it explicitly records its precedents and incorporates them into the identity of the new work.The panel containing SO, LI and DA deserves particular attention in documentation because it functions both as a composition and as an interpretive key to the remaining images. The syllabic decomposition demonstrates how a word can be transformed into positions and modules and subsequently into abstract geometric forms.For conservation, research and digitization, each panel should be photographed individually on both front and reverse, with dimensions, technique, materials, mounting system, original sequence and inscriptions recorded whenever possible. The complete arrangement of the nine pieces should also be preserved because the relationships among them are fundamental to understanding the process.For indexing purposes, use Falves Silva, Solida, 1986, Álvaro de Sá, Solida, 1968, Wlademir Dias Pino, Solida, 1962, version upon version, Poema Processo, Brazilian visual poetry, experimental poetry, semiotic poem, visual language, graphic system, geometry, parallel lines, modular structure, transformation, visual reading, sign and experimental Brazilian art.
Inglês
Solida is a version created by Falves Silva in 1986 from the version made by Álvaro de Sá in 1968 of the poem Solida by Wlademir Dias Pino, originally conceived in 1962
Dimensions: 27,2 x 36,6 in
