Home Acervo Cartão de arte postal produzido por Rosie Thompson e enviado ao artista brasileiro J. Medeiros. O documento está datado de 26 de março de 1979 e registra uma relação direta de correspondência entre a artista e o participante brasileiro das redes internacionais de poesia visual, arte postal e publicação experimental.

Cartão de arte postal produzido por Rosie Thompson e enviado ao artista brasileiro J. Medeiros. O documento está datado de 26 de março de 1979 e registra uma relação direta de correspondência entre a artista e o participante brasileiro das redes internacionais de poesia visual, arte postal e publicação experimental.

Rosie Thompson - USA

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03899 - 26 de Março de 1979 - Cartao

14 x 21,5 cm

Cartão de arte postal produzido por Rosie Thompson e enviado ao artista brasileiro J. Medeiros. O documento está datado de 26 de março de 1979 e registra uma relação direta de correspondência entre a artista e o participante brasileiro das redes internacionais de poesia visual, arte postal e publicação experimental.

A frente apresenta uma composição gráfica construída sobre papel de tonalidade clara. Na região superior aparece a palavra PROCESSOR em letras maiúsculas pretas. A inscrição pode funcionar como título, identidade do projeto, comentário sobre processamento de imagens e informações ou referência à transformação do corpo e da fotografia por meios gráficos.

Uma intervenção circular em tinta vermelha atravessa parte da palavra PROCESSOR. O círculo destaca a região final da inscrição e introduz um elemento manual sobre a impressão tipográfica. Essa combinação entre palavra impressa e gesto gráfico aproxima o cartão da poesia visual e das experiências conceituais com linguagem.

Na região direita encontra se uma reprodução fotográfica em preto e branco. A imagem apresenta uma pessoa em posição invertida, com o rosto orientado para baixo em relação ao enquadramento original. A figura utiliza vestimenta escura e apresenta um pequeno coração aplicado ou desenhado sobre a região do peito.

A inversão da fotografia altera a leitura convencional do retrato. O corpo deixa de ser apenas representação de uma pessoa e passa a funcionar como imagem manipulada, sinal visual e elemento de estranhamento. A posição invertida também dialoga com a ideia de processo sugerida pela palavra PROCESSOR.

A reprodução possui textura granulada e contraste intenso, características associadas a fotocópia, impressão de baixo custo, reprodução gráfica e publicações alternativas. Esses recursos eram frequentemente utilizados na arte postal por permitirem multiplicação, circulação e intervenção direta sobre a imagem.

Na área esquerda aparecem diversas impressões de dedos ou digitais em tinta preta. As marcas formam uma sequência diagonal e irregular que atravessa a superfície do cartão. As impressões relacionam corpo, identidade, presença física e registro individual.

A impressão digital funciona como assinatura corporal e como evidência de contato. Diferentemente de uma assinatura escrita, ela registra diretamente uma parte do corpo da pessoa que realizou a intervenção. No contexto da arte postal, esse gesto reforça a dimensão pessoal e material da correspondência.

No canto inferior esquerdo aparece um coração vermelho cercado por diversos corações menores. O elemento possui aparência de adesivo ou imagem aplicada. A repetição dos corações estabelece uma relação com afeto, amizade, proximidade e comunicação pessoal.

Outro pequeno coração vermelho aparece sobre a fotografia, na região do peito da figura. Essa repetição conecta a imagem fotográfica ao elemento decorativo localizado no lado esquerdo. O coração transforma se em signo de afeição e também em recurso de organização visual.

Abaixo da fotografia encontra se a inscrição manuscrita 5.25 PM EST 3.26.79. A anotação registra a hora, o fuso horário e a data de produção ou finalização da obra. EST corresponde ao horário padrão da região leste dos Estados Unidos.

A informação cronológica indica que o cartão foi registrado às cinco horas e vinte e cinco minutos da tarde de 26 de março de 1979. A precisão da hora transforma o momento de criação em parte do conteúdo da obra e aproxima o documento de práticas conceituais baseadas em tempo, presença e acontecimento.

O verso apresenta uma mensagem manuscrita em tinta vermelha dirigida a J. Medeiros. A leitura principal é

J. Medeiros

Melhores desejos hoje e sempre

Rosie Thompson

A mensagem possui caráter afetivo e demonstra que o cartão foi preparado especificamente para o artista brasileiro. A expressão hoje e sempre estabelece uma continuidade simbólica entre o momento do envio e a relação mantida por correspondência.

A assinatura Rosie Thompson confirma a autoria do cartão. Não aparecem no verso endereço, selo postal, carimbo de circulação ou informações sobre o local de origem. O exemplar pode ter circulado dentro de outro envelope ou ter sido entregue como parte de um conjunto de correspondências.

O cartão integra fotografia, poesia visual, impressão digital, adesivo, desenho, escrita manuscrita e registro temporal. Esses elementos transformam uma mensagem pessoal em objeto artístico e demonstram o caráter híbrido da mail art.

O uso da palavra PROCESSOR pode ser relacionado à ideia de processamento de imagens, mensagens e identidades. O cartão registra um corpo fotografado, impressões corporais, símbolos afetivos e uma mensagem individual, reunindo diferentes formas de presença em um mesmo suporte.

A obra constitui uma fonte primária sobre Rosie Thompson e sua ligação com J. Medeiros. O documento confirma que a relação entre ambos não se limitava à participação em exposições coletivas, pois existiu também uma comunicação direta e personalizada.

J. Medeiros participou de redes de poesia visual, arte postal e publicações experimentais a partir de Natal, Rio Grande do Norte. O cartão de Rosie Thompson demonstra a inserção do artista brasileiro em um circuito internacional de correspondência durante a década de 1970.

Não há elementos suficientes no cartão para determinar a nacionalidade, a cidade de residência ou a formação de Rosie Thompson. Também não é possível identificar com segurança a pessoa representada na fotografia. Essas informações não devem ser completadas por suposição.

A obra deve ser relacionada à arte postal, mail art, poesia visual, fotografia experimental, fotocópia, impressão digital, escrita manuscrita, arte conceitual, comunicação afetiva, cartão de artista, múltiplo e correspondência internacional.

TEXT FOR THE SALSA PROGRAM IN ENGLISH

Mail art postcard created by Rosie Thompson and sent to the Brazilian artist J. Medeiros. The document is dated 26 March 1979 and records a direct relationship between the artist and a Brazilian participant in international networks of visual poetry, mail art and experimental publishing.

The front presents a graphic composition made on light colored paper. The word PROCESSOR appears in large black capital letters across the upper section. The inscription may function as a title, project identity, comment on the processing of images and information or reference to the graphic transformation of the body and photograph.

A red circular intervention crosses part of the word PROCESSOR. The circle emphasizes the final section of the inscription and introduces a handmade gesture over the printed typography. This combination of printed language and graphic intervention connects the postcard with visual poetry and conceptual experiments involving words.

A black and white photographic reproduction occupies the right side. It shows a person in an inverted position, with the face oriented downward in relation to the conventional direction of the portrait. The figure wears dark clothing and displays a small heart applied or drawn over the chest.

The inverted photograph changes the conventional reading of portraiture. The body functions not only as a representation of an individual but also as a manipulated image, visual sign and element of estrangement. Its reversed position also relates to the idea of processing suggested by the word PROCESSOR.

The reproduction has a pronounced grain and strong contrast associated with photocopying, inexpensive printing, graphic reproduction and alternative publications. Such processes were frequently used in mail art because they allowed images to be multiplied, circulated and directly altered.

Several black fingerprints or finger impressions appear on the left side. They form an irregular diagonal sequence across the surface. These marks connect the body with identity, physical presence and personal registration.

The fingerprint functions as a bodily signature and evidence of direct contact. Unlike a written signature, it records a physical trace of the person who made the intervention. Within mail art, this gesture reinforces the personal and material nature of correspondence.

A large red heart surrounded by smaller hearts appears in the lower left corner. The element resembles a sticker or applied printed image. The repeated hearts evoke affection, friendship, closeness and personal communication.

A smaller red heart also appears over the photograph near the chest of the represented figure. This repetition connects the photographic image with the decorative element on the left and makes the heart both an emotional sign and a device for organizing the composition.

Below the photograph is the handwritten inscription 5.25 PM EST 3.26.79. It records the hour, time zone and date of the production or completion of the work. EST refers to Eastern Standard Time in the United States.

The inscription indicates five twenty five in the afternoon on 26 March 1979. Recording the exact time makes the moment of creation part of the artwork and connects the postcard with conceptual practices involving time, presence and event.

The reverse contains a handwritten message in red ink addressed to J. Medeiros. Its principal reading is

J. Medeiros

Best wishes today and always

Rosie Thompson

The message has an affectionate character and demonstrates that the postcard was prepared specifically for the Brazilian artist. The expression today and always creates a symbolic continuity between the moment of mailing and the relationship maintained through correspondence.

The signature Rosie Thompson confirms the authorship of the postcard. No sender address, postage stamp, postal cancellation or place of origin is visible. The work may have circulated inside another envelope or as part of a larger group of correspondence.

The postcard combines photography, visual poetry, fingerprints, applied hearts, drawing, handwriting and temporal notation. These elements transform a personal message into an artistic object and demonstrate the hybrid nature of mail art.

The word PROCESSOR may relate to the processing of images, messages and identities. The work brings together a photographed body, bodily impressions, symbols of affection and an individual message, presenting several forms of presence on the same support.

The postcard is a primary source concerning Rosie Thompson and her connection with J. Medeiros. It confirms that their relationship extended beyond participation in shared group exhibitions and included direct and personalized communication.

J. Medeiros participated in networks of visual poetry, mail art and experimental publishing from Natal, Rio Grande do Norte. Rosie Thompson postcard demonstrates the inclusion of the Brazilian artist within an international correspondence circuit during the 1970s.

The object does not provide enough information to establish Rosie Thompson nationality, city of residence or education. The person represented in the photograph also cannot be securely identified. These details should not be completed through speculation.

The work should be associated with mail art, visual poetry, experimental photography, photocopy, fingerprints, handwriting, conceptual art, affectionate communication, artists postcards, multiples and international correspondence.

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