Miroljub Todorovi Revista Signal números 2 e 3Revista internacional para pesquisas signalistasBelgrado, IugosláviaSetembro de 1971Poesia visual, poesia concreta, poesia computacional, Signalismo, arte conceitual e comunicação postal
MIROLJUB TODOROVIC - Signal
03842 - Setembro de 1971 - Revista
17 x 24 cm
Miroljub Todorovi
Revista Signal números 2 e 3
Revista internacional para pesquisas signalistas
Belgrado, Iugoslávia
Setembro de 1971
Poesia visual, poesia concreta, poesia computacional, Signalismo, arte conceitual e comunicação postal
Edição dupla da revista Signal, números 2 e 3, publicada em Belgrado em setembro de 1971 sob a direção de Miroljub Todorovi
. A publicação foi o principal veículo editorial do Signalismo, movimento internacional de neovanguarda fundado por Todorovi
para aproximar poesia, artes visuais, ciência, tecnologia, semiótica, comunicação, experimentação tipográfica e sistemas de informação.
A revista Signal foi criada em Belgrado em 1970 com o subtítulo Revista internacional para pesquisas signalistas. Seu programa defendia a renovação radical da literatura e das artes mediante a utilização de signos verbais e não verbais, imagens, números, fórmulas científicas, estruturas gráficas, procedimentos combinatórios e recursos tecnológicos. A publicação desempenhou papel decisivo na expansão internacional do Signalismo e na formação de uma rede de intercâmbio entre artistas da Iugoslávia, Europa, América Latina e outros territórios.
A edição reúne poesia visual, poesia concreta, poesia experimental, projetos conceituais, textos teóricos e documentação sobre práticas de comunicação artística. O fac símile conservado pelo Arquivo Histórico de Belgrado identifica a edição como Signal números 2 e 3, publicada em setembro de 1971.
A contracapa apresenta a relação de participantes desta edição. Entre os nomes impressos encontram se Miroljub Todorovi
, Nahl Nucha, Marina Abramovi
, Michele Perfetti, Vujica Re
in Tuci
, Michael Gibbs, Maurizio Nannucci, Branko Aleksi
, Pierre Vandrepote, G. J. de Rook, Bálint Szombathy, Zvonimir Kosti
Palanski, Maurizio Spatola, Jean François Bory, Peter Finch, Ivo Vroom, Robert Joseph, Luciano Caruso, Angioletta Fernandes, Obrad Jovanovi
, Hans Clavin, Herman Damen, László Sáma, Dobrivoje Jevti
, Bob Cobbing, Guillermo Deisler,
arko Ro
ulj, John Furnival, Friedrich Hahn, Zoran Popovi
, Paul de Vree e Vlada Stojiljkovi
.
A lista demonstra a extensão geográfica da rede editorial de Signal. Participam artistas e poetas da Iugoslávia, Países Baixos, Itália, Inglaterra, França, Bélgica, Chile e Áustria. A seleção aproxima integrantes do Signalismo iugoslavo de representantes reconhecidos da poesia visual, poesia sonora, poesia concreta, arte conceitual e edição experimental.
Marina Abramovi
aparece novamente no circuito editorial de Signal durante o período inicial de sua trajetória em Belgrado. Michele Perfetti, Maurizio Nannucci, Luciano Caruso, Maurizio Spatola e Angioletta Fernandes representam diferentes vertentes da poesia visual e experimental italiana. Bob Cobbing, John Furnival, Peter Finch e Michael Gibbs relacionam a edição às experiências britânicas de poesia concreta, sonora e visual. Guillermo Deisler estabelece uma conexão direta com a produção experimental latino americana.
Uma das páginas reproduzidas documenta a Signalisti
ka manifestacija 1, correspondente à Primeira Manifestação Signalista, organizada por Miroljub Todorovi
em Belgrado e datada de 20 de março de 1971. O trabalho é apresentado como um novo tipo de comunicação e utiliza como elemento fundamental um cartão usado de computador IBM.
O texto informa que, no lado vazio do cartão, eram datilografados o nome do remetente, a data e o lugar de origem da informação, o nome do destinatário e a designação da informação transmitida. Depois de preparado, o cartão era colocado em um envelope e enviado pelo correio ao destinatário.
A ação transforma um suporte técnico de armazenamento de dados em unidade de comunicação poética e artística. O cartão IBM deixa de servir exclusivamente ao processamento mecânico da informação e passa a atuar como poema, mensagem, documento, objeto conceitual e elemento de circulação postal.
A Primeira Manifestação Signalista aproxima poesia computacional, arte conceitual e arte postal. Sua realização em 1971 demonstra que Todorovi
já investigava sistematicamente a transmissão artística por correio, utilizando a infraestrutura postal para estabelecer contatos internacionais e distribuir obras produzidas com materiais da cultura tecnológica.
A manifestação não se limitava à apresentação de um objeto em espaço expositivo. Ela dependia do envio, da distância, do percurso, do recebimento e da participação de diferentes destinatários. O processo de comunicação constituía a própria obra. O cartão perfurado funcionava simultaneamente como suporte material, signo tecnológico e evidência do acontecimento.
A página registra os destinatários da primeira manifestação, divididos entre participantes estrangeiros e iugoslavos. Entre os destinatários internacionais aparecem Heimrad Bäcker, Augusto de Campos, Josef Hir
al, Clemente Padín, Michele Perfetti, Hans Clavin, B. P. Nichol, Edgardo Antonio Vigo, Ji
í Valoch, Arrigo Lora Totino, Julien Blaine, Jean François Bory, Jean Claude Moineau, Jochen Gerz, Sarenco, Ugo Carrega, Eugenio Miccini, Paul de Vree, Godehard Schramm, Luciano Caruso, Maurizio Nannucci, Henri Chopin, G. J. de Rook, John Furnival, Friedrich Hahn, Michael Gibbs, Bob Cobbing, Ivo Vroom, Herman Damen, Pierre Vandrepote, Dick Higgins, Ben Vautier e outros participantes do circuito internacional de vanguarda.
A presença de Augusto de Campos demonstra a ligação de Todorovi
com a poesia concreta brasileira. Clemente Padín, do Uruguai, e Edgardo Antonio Vigo, da Argentina, relacionam a manifestação às redes latino americanas de poesia experimental, arte conceitual e comunicação postal.
A inclusão de Dick Higgins e Ben Vautier aproxima a ação do ambiente Fluxus e das experiências intermídia. Henri Chopin representa a poesia sonora. Bob Cobbing e John Furnival conectam a iniciativa às pesquisas britânicas. Ugo Carrega, Eugenio Miccini, Sarenco, Michele Perfetti, Luciano Caruso e Arrigo Lora Totino documentam a forte presença italiana na rede organizada por Todorovi
.
Entre os destinatários iugoslavos aparecem Du
an Mati
, Dejan e Bogdanka Poznanovi
, Marko Risti
, Oskar Davi
o, Petar D
ad
i
, Eli Finci, Zoran Glu
evi
, Dobrivoje Jevti
, Rade Konstantinovi
, Bora
osi
, Branimir Donat, Radojica Tautovi
, Lazar Trifunovi
, Ostoja Kisi
, Oto Bihalji Merin, Sveta Luki
, Steva Rai
kovi
, Jovan Hristi
, Rade Vojvodi
, Novica Petkovi
, Svetlana Velmar Jankovi
, Roksa Njegu
, Milorad Pavi
, Toma
Brejc, Vera Horvat Pintari
, Franci Zagori
nik, Vlada Stojiljkovi
, Radoslav Putar, Bo
o Bek, Taras Kermauner,
elimir Ko
evi
, Petar Milosavljevi
, Vlada Ili
Serdar, Luka Pro
i
e Veselin Ili
.
A amplitude dessa relação demonstra que o projeto buscava atingir poetas, escritores, críticos, historiadores da arte, artistas conceituais, editores e pesquisadores. A manifestação produzia uma comunidade temporária articulada pelo envio de um mesmo modelo de informação artística.
A Primeira Manifestação Signalista ocupa posição importante na história da arte postal de Todorovi
. O próprio artista situou o início sistemático de suas atividades postais por volta de 1970. A publicação da documentação em Signal transformou uma ação inicialmente distribuída por correspondência em registro editorial permanente.
A revista também contribuiu para a circulação de informações sobre publicações, exposições, manifestos e experiências internacionais. Signal não funcionava apenas como periódico literário. Era simultaneamente arquivo, catálogo, plataforma teórica, exposição impressa e dispositivo de comunicação.
A edição números 2 e 3 possui especial importância para o estudo das relações entre Signalismo, poesia concreta brasileira, Poema Processo e arte experimental latino americana. Embora os movimentos tivessem formulações próprias, compartilhavam o interesse pela autonomia do signo, pela transformação visual da escrita, pela participação do leitor, pelos processos de comunicação e pela ruptura com o poema discursivo tradicional.
No contexto do acervo de Álvaro de Sá, este exemplar documenta a circulação brasileira da revista e o contato entre o Signalismo de Belgrado e as experiências do Poema Processo. A presença de artistas latino americanos na publicação demonstra que essa aproximação não foi ocasional, mas integrou uma estratégia internacional de intercâmbio promovida por Todorovi
.
English
Text for the Salsa program
Miroljub Todorovi
Signal magazine numbers 2 and 3
International review for Signalist research
Belgrade, Yugoslavia
September 1971
Visual poetry, concrete poetry, computer poetry, Signalism, conceptual art and postal communication
Double issue of Signal magazine, numbers 2 and 3, published in Belgrade in September 1971 under the direction of Miroljub Todorovi
. Signal was the principal editorial platform of Signalism, an international neo avant garde movement founded by Todorovi
to connect poetry, visual art, science, technology, semiotics, communication, typographic experimentation and information systems.
Signal was established in Belgrade in 1970 with the subtitle International Review for Signalist Research. Its program advocated a radical renewal of literature and art through verbal and nonverbal signs, images, numbers, scientific formulas, graphic structures, combinatory procedures and technological resources. The magazine played a decisive role in the international expansion of Signalism and in the creation of an exchange network connecting artists from Yugoslavia, Europe, Latin America and other regions.
The issue brings together visual poetry, concrete poetry, experimental poetry, conceptual projects, theoretical texts and documentation concerning artistic communication. The facsimile preserved by the Historical Archives of Belgrade identifies the publication as Signal numbers 2 and 3, issued in September 1971.
The back cover contains a list of contributors to the issue. The printed names include Miroljub Todorovi
, Nahl Nucha, Marina Abramovi
, Michele Perfetti, Vujica Re
in Tuci
, Michael Gibbs, Maurizio Nannucci, Branko Aleksi
, Pierre Vandrepote, G. J. de Rook, Bálint Szombathy, Zvonimir Kosti
Palanski, Maurizio Spatola, Jean François Bory, Peter Finch, Ivo Vroom, Robert Joseph, Luciano Caruso, Angioletta Fernandes, Obrad Jovanovi
, Hans Clavin, Herman Damen, László Sáma, Dobrivoje Jevti
, Bob Cobbing, Guillermo Deisler,
arko Ro
ulj, John Furnival, Friedrich Hahn, Zoran Popovi
, Paul de Vree and Vlada Stojiljkovi
.
The list demonstrates the geographical reach of the Signal editorial network. Artists and poets from Yugoslavia, the Netherlands, Italy, England, France, Belgium, Chile and Austria are represented. The selection brings Yugoslav Signalists into contact with prominent figures associated with visual poetry, sound poetry, concrete poetry, conceptual art and experimental publishing.
Marina Abramovi
appears again within the Signal editorial circuit during the early period of her career in Belgrade. Michele Perfetti, Maurizio Nannucci, Luciano Caruso, Maurizio Spatola and Angioletta Fernandes represent different areas of Italian visual and experimental poetry. Bob Cobbing, John Furnival, Peter Finch and Michael Gibbs connect the publication with British experiments in concrete, sound and visual poetry. Guillermo Deisler establishes a direct connection with Latin American experimental production.
One of the reproduced pages documents Signalisti
ka manifestacija 1, the First Signalist Manifestation, organized by Miroljub Todorovi
in Belgrade and dated 20 March 1971. The project is presented as a new type of communication and uses a discarded IBM computer card as its fundamental element.
The text explains that the name of the sender, the date and place of origin of the information, the name of the recipient and the designation of the transmitted information were typed on the blank side of the computer card. The prepared card was then placed in an envelope and sent by post to the recipient.
The action transforms a technical data storage support into a unit of poetic and artistic communication. The IBM card no longer serves only mechanical information processing. It becomes a poem, message, document, conceptual object and element of postal circulation.
The First Signalist Manifestation connects computer poetry, conceptual art and mail art. Its realization in 1971 demonstrates that Todorovi
was already systematically investigating artistic transmission through the postal system and using technological materials to establish international contacts.
The manifestation was not limited to the presentation of an object within an exhibition space. It depended on sending, distance, transit, reception and the participation of multiple recipients. The communication process constituted the artwork itself. The punched card operated simultaneously as material support, technological sign and evidence of the event.
The page records the recipients of the first manifestation and separates them into foreign and Yugoslav participants. International recipients include Heimrad Bäcker, Augusto de Campos, Josef Hir
al, Clemente Padín, Michele Perfetti, Hans Clavin, B. P. Nichol, Edgardo Antonio Vigo, Ji
í Valoch, Arrigo Lora Totino, Julien Blaine, Jean François Bory, Jean Claude Moineau, Jochen Gerz, Sarenco, Ugo Carrega, Eugenio Miccini, Paul de Vree, Godehard Schramm, Luciano Caruso, Maurizio Nannucci, Henri Chopin, G. J. de Rook, John Furnival, Friedrich Hahn, Michael Gibbs, Bob Cobbing, Ivo Vroom, Herman Damen, Pierre Vandrepote, Dick Higgins, Ben Vautier and other figures from the international avant garde network.
The presence of Augusto de Campos demonstrates Todorovi
's connection with Brazilian concrete poetry. Clemente Padín from Uruguay and Edgardo Antonio Vigo from Argentina connect the manifestation with Latin American networks of experimental poetry, conceptual art and postal communication.
The inclusion of Dick Higgins and Ben Vautier relates the action to Fluxus and intermedia practices. Henri Chopin represents sound poetry. Bob Cobbing and John Furnival connect the project with British research. Ugo Carrega, Eugenio Miccini, Sarenco, Michele Perfetti, Luciano Caruso and Arrigo Lora Totino document the strong Italian presence in the network organized by Todorovi
.
Yugoslav recipients include Du
an Mati
, Dejan and Bogdanka Poznanovi
, Marko Risti
, Oskar Davi
o, Petar D
ad
i
, Eli Finci, Zoran Glu
evi
, Dobrivoje Jevti
, Rade Konstantinovi
, Bora
osi
, Branimir Donat, Radojica Tautovi
, Lazar Trifunovi
, Ostoja Kisi
, Oto Bihalji Merin, Sveta Luki
, Steva Rai
kovi
, Jovan Hristi
, Rade Vojvodi
, Novica Petkovi
, Svetlana Velmar Jankovi
, Roksa Njegu
, Milorad Pavi
, Toma
Brejc, Vera Horvat Pintari
, Franci Zagori
nik, Vlada Stojiljkovi
, Radoslav Putar, Bo
o Bek, Taras Kermauner,
elimir Ko
evi
, Petar Milosavljevi
, Vlada Ili
Serdar, Luka Pro
i
and Veselin Ili
.
The scope of the list demonstrates that the project was directed toward poets, writers, critics, art historians, conceptual artists, editors and researchers. The manifestation produced a temporary community connected through the distribution of a shared model of artistic information.
The First Signalist Manifestation occupies an important position in the history of Todorovi
's mail art. The artist placed the systematic beginning of his postal activities around 1970. Publication of the documentation in Signal transformed an action originally distributed through correspondence into a permanent editorial record.
The magazine also circulated information about publications, exhibitions, manifestos and international experiments. Signal did not function only as a literary periodical. It was simultaneously an archive, catalogue, theoretical platform, printed exhibition and communication device.
Issues 2 and 3 are particularly important for the study of relations among Signalism, Brazilian concrete poetry, Poema Processo and Latin American experimental art. Although these movements developed their own theories, they shared an interest in the autonomy of the sign, the visual transformation of writing, reader participation, communication processes and the rejection of the traditional discursive poem.
Within the archive of Álvaro de Sá, this copy documents the circulation of Signal in Brazil and the contact between Belgrade Signalism and Poema Processo. The presence of Latin American artists in the magazine demonstrates that this connection was not incidental, but formed part of the international exchange strategy developed by Todorovi
.


