Home Acervo Miroljub Todorovi Revista Signal números 6 e 7Revista internacional para pesquisas signalistasBelgrado, IugosláviaSetembro, outubro e novembro de 1972Poesia visual, poesia gestual, arte sonora, performance, arte conceitual e publicação experimental

Miroljub Todorovi Revista Signal números 6 e 7Revista internacional para pesquisas signalistasBelgrado, IugosláviaSetembro, outubro e novembro de 1972Poesia visual, poesia gestual, arte sonora, performance, arte conceitual e publicação experimental

MIROLJUB TODOROVIC - Signal

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01201 - 1972 - Revista

29,5 x 21,2 cm

Texto para o programa Salsa

Miroljub Todorovi

Revista Signal números 6 e 7

Revista internacional para pesquisas signalistas

Belgrado, Iugoslávia

Setembro, outubro e novembro de 1972

Poesia visual, poesia gestual, arte sonora, performance, arte conceitual e publicação experimental

Edição dupla da revista Signal, números 6 e 7, publicada em Belgrado nos meses de setembro, outubro e novembro de 1972, sob a direção de Miroljub Todorovi

. A publicação apresenta trabalhos de Marina Abramovi

, Vlada Stojiljkovi

e do próprio Todorovi

, articulando arte sonora, poesia visual, poesia gestual, performance, fotografia, tipografia e investigação conceitual.

Signal foi criada como revista internacional para pesquisas signalistas e funcionou como o principal veículo editorial do Signalismo. O movimento, organizado por Miroljub Todorovi

, procurava integrar poesia, artes visuais, ciência, tecnologia, comunicação, semiótica e novas formas de comportamento artístico.

O expediente visível informa o endereço Dobrinjska 3, 11000 Beograd, Yugoslavia. Miroljub Todorovi

aparece como editor principal e responsável. Também é indicado o telefone da redação, 657 927. Esses dados situam a publicação dentro da rede postal e editorial organizada a partir de Belgrado.

Na primeira página reproduzida aparece Marina Abramovi

com o trabalho Zvu

ni ambijent Belo, apresentado em inglês como Sound Environment White. A composição reúne uma fotografia da artista em ação e a imagem de um gravador de fita de rolo aberto.

Na fotografia superior, Marina Abramovi

aparece inclinada sobre o próprio corpo, com um dos braços projetado para baixo. A posição sugere esforço, concentração e escuta corporal. O corpo não funciona apenas como tema visual, mas como elemento ativo de uma experiência espacial e sonora.

A presença do gravador de fita indica que o trabalho envolvia reprodução ou organização de som gravado. O equipamento aparece como parte integrante da obra, estabelecendo uma relação entre presença física, registro técnico, duração e ambiente.

O título Sound Environment White sugere um campo sonoro construído como espaço perceptivo. A palavra white pode indicar silêncio, ruído branco, neutralidade, vazio, luminosidade ou uma condição abstrata para a recepção do som. O documento não apresenta informação suficiente para determinar com precisão o conteúdo da gravação.

A publicação é especialmente relevante para a trajetória inicial de Marina Abramovi

. A obra pertence ao período em que a artista desenvolvia experiências com som, espaço, objetos, corpo e comportamento antes da consolidação internacional de suas performances posteriores.

A segunda página apresenta Upper Case lower case, de Vlada Stojiljkovi

. A composição é organizada por círculos concêntricos semelhantes a um alvo, disco, lente ou campo de observação.

No centro há uma estrutura circular dividida em duas áreas. Na parte superior aparecem formas tipográficas e padrões pontilhados. Na parte inferior surgem sequências de letras minúsculas organizadas em linhas ondulantes e repetitivas.

O título estabelece um contraste entre letras maiúsculas e minúsculas. Essa oposição é explorada visualmente por meio de diferenças de escala, densidade, legibilidade e organização espacial.

A obra transforma convenções tipográficas em matéria poética. As letras deixam de funcionar apenas como unidades de palavras e passam a formar texturas, ritmos e camadas visuais.

Os círculos externos conduzem o olhar para a região central, como se a linguagem estivesse sendo observada por uma lente ou transmitida por um sistema de sinais. A composição também pode ser associada a discos, ondas, aparelhos de gravação e mecanismos de comunicação.

A terceira página apresenta Mese

ev znak, traduzido como Lunar Sign, de Miroljub Todorovi

. O trabalho é identificado como poesia gestual signalista.

A composição reúne três fotografias realizadas em um espaço urbano movimentado. Um grande sinal circular com uma faixa horizontal clara aparece suspenso sobre a rua ou manipulado diante da câmera.

A forma circular lembra um signo de trânsito, uma lua, um alvo ou um símbolo abstrato. O objeto desloca a sinalização de seu uso cotidiano e a transforma em elemento poético.

Nas imagens inferiores, Todorovi

aparece segurando ou apresentando o signo diante do espaço urbano. O gesto do artista ativa a obra e modifica temporariamente a leitura da paisagem.

A rua, os edifícios, os veículos e os pedestres tornam se partes do poema. A obra não se limita ao objeto circular ou às fotografias. Ela inclui ação, deslocamento, espaço público, observação e registro.

Lunar Sign demonstra como o Signalismo ampliava o conceito de poesia para além da página. O poema passa a ser constituído por corpo, objeto, ambiente, gesto, tempo e documentação fotográfica.

A quarta página contém um texto teórico de Miroljub Todorovi

intitulado Gestual Signalist Poetry, apresentado em inglês e sérvio. O texto define a poesia gestual como parte de um conjunto mais amplo de manifestações poéticas contemporâneas.

Todorovi

aproxima a poesia gestual da poesia de ação, da poesia em processo, dos acontecimentos e de outras formas em que o poema é produzido por comportamento, movimento e presença física.

Segundo o texto, o poeta gestual cria livremente no espaço utilizando diferentes elementos. Os componentes verbais e visuais deixam de ser unidades estáticas e passam a participar de ações concretas e dinâmicas.

O corpo do poeta, sua posição, seus movimentos e suas relações com objetos e ambientes integram a estrutura informativa do poema. A poesia deixa de depender exclusivamente da palavra escrita e passa a ocupar o espaço real.

Todorovi

afirma que, como forma autônoma de comunicação, a poesia gestual não pode ser compreendida apenas por categorias linguísticas tradicionais. Sua interpretação exige abordagens mais amplas, incluindo análises visuais, comportamentais e semióticas.

A página inclui ainda uma imagem publicitária de mobiliário e aparelhos domésticos. Essa justaposição aproxima o discurso experimental da revista dos sistemas de reprodução industrial, da cultura material e da comunicação visual do cotidiano.

A edição números 6 e 7 demonstra a amplitude das pesquisas reunidas por Signal em 1972. Arte sonora, performance, poesia visual, poesia gestual, fotografia e teoria aparecem como partes de um mesmo campo experimental.

A presença de Marina Abramovi

, Vlada Stojiljkovi

e Miroljub Todorovi

revela a proximidade entre diferentes núcleos da vanguarda artística de Belgrado. A revista funcionava como lugar de encontro entre artistas visuais, poetas, performers, editores e pesquisadores.

No contexto de um arquivo relacionado ao Poema Processo, esta edição permite observar aproximações entre o Signalismo e as experiências brasileiras que também procuraram romper com o poema discursivo, transformar a leitura em processo e ampliar a poesia para objetos, ações, sinais e sistemas de comunicação.

English

Text for the Salsa program

Miroljub Todorovi

Signal magazine numbers 6 and 7

International review for Signalist research

Belgrade, Yugoslavia

September, October and November 1972

Visual poetry, gestural poetry, sound art, performance, conceptual art and experimental publishing

Double issue of Signal magazine, numbers 6 and 7, published in Belgrade during September, October and November 1972 under the direction of Miroljub Todorovi

. The issue presents works by Marina Abramovi

, Vlada Stojiljkovi

and Todorovi

himself, connecting sound art, visual poetry, gestural poetry, performance, photography, typography and conceptual research.

Signal was created as an international review for Signalist research and became the principal editorial platform of Signalism. The movement organized by Miroljub Todorovi

sought to integrate poetry, visual art, science, technology, communication, semiotics and new forms of artistic behaviour.

The visible publication information gives the address Dobrinjska 3, 11000 Beograd, Yugoslavia. Miroljub Todorovi

is identified as editor in chief and responsible editor. The editorial telephone number is also printed as 657 927. These details locate the magazine within the postal and editorial network organized from Belgrade.

The first reproduced page presents Marina Abramovi

with the work Zvu

ni ambijent Belo, translated into English as Sound Environment White. The composition combines a photograph of the artist in action with an image of an open reel tape recorder.

In the upper photograph, Marina Abramovi

appears bent over her own body with one arm extending downward. The position suggests effort, concentration and bodily listening. The body functions not merely as a visual subject but as an active element within a spatial and acoustic experiment.

The tape recorder indicates that the work involved recorded sound or the technical organization of sound. The machine appears as an integral component of the work, establishing a relationship among physical presence, mechanical recording, duration and environment.

The title Sound Environment White suggests an acoustic field conceived as a perceptual space. The word white may evoke silence, white noise, neutrality, emptiness, light or an abstract condition for listening. The document does not provide enough information to determine the precise contents of the recording.

The page is particularly relevant to the early career of Marina Abramovi

. The work belongs to the period in which she was exploring sound, space, objects, body and behaviour before the international consolidation of her later performance practice.

The second page presents Upper Case lower case by Vlada Stojiljkovi

. The composition is organized through concentric circles resembling a target, record, lens or field of observation.

At the centre is a circular structure divided into two areas. The upper section contains typographic forms and dotted patterns. The lower section contains sequences of lowercase letters arranged in repetitive and undulating lines.

The title establishes a contrast between uppercase and lowercase letters. This opposition is explored visually through differences in scale, density, legibility and spatial organization.

The work transforms typographic conventions into poetic material. Letters cease to function only as components of words and become textures, rhythms and visual layers.

The outer circles direct attention toward the centre, as though language were being observed through a lens or transmitted through a signal system. The composition may also evoke records, waves, recording devices and communication mechanisms.

The third page presents Mese

ev znak, translated as Lunar Sign, by Miroljub Todorovi

. The work is identified as Signalist gestural poetry.

The composition contains three photographs made in a busy urban environment. A large circular sign with a light horizontal band appears suspended over the street or held in front of the camera.

The circular form resembles a traffic sign, moon, target or abstract symbol. The object is removed from ordinary signage and transformed into a poetic element.

In the lower photographs, Todorovi

appears holding or presenting the sign within the urban space. The artist gesture activates the work and temporarily changes the reading of the surrounding landscape.

The street, buildings, vehicles and pedestrians become components of the poem. The work is not limited to the circular object or to the photographs. It includes action, movement, public space, observation and documentation.

Lunar Sign demonstrates how Signalism expanded poetry beyond the printed page. The poem is formed through body, object, environment, gesture, time and photographic record.

The fourth page contains a theoretical text by Miroljub Todorovi

entitled Gestual Signalist Poetry, printed in English and Serbian. The text defines gestural poetry as part of a broader group of contemporary poetic manifestations.

Todorovi

connects gestural poetry with action poetry, poetry in process, happenings and other practices in which the poem is produced through behaviour, movement and physical presence.

According to the text, the gestural poet creates freely in space using a variety of elements. Verbal and visual components cease to be static units and become involved in concrete and dynamic actions.

The body of the poet, physical position, movements and relationships with objects and environments become part of the informational structure of the poem. Poetry no longer depends exclusively on written language and begins to occupy real space.

Todorovi

argues that gestural poetry, as an autonomous form of communication, cannot be interpreted only through traditional linguistic categories. It requires broader visual, behavioural and semiotic approaches.

The page also includes an advertisement showing furniture and domestic electronic equipment. This juxtaposition places the experimental discourse of the magazine beside industrial production, material culture and the visual communication of everyday life.

Issues 6 and 7 demonstrate the breadth of the research presented by Signal in 1972. Sound art, performance, visual poetry, gestural poetry, photography and theory appear as components of a shared experimental field.

The presence of Marina Abramovi

, Vlada Stojiljkovi

and Miroljub Todorovi

reveals the proximity of different sections of the Belgrade avant garde. Signal functioned as a meeting point for visual artists, poets, performers, editors and researchers.

Within an archive connected with Poema Processo, this issue provides evidence of affinities between Signalism and Brazilian experiments that also sought to move beyond discursive poetry, transform reading into process and expand poetry into objects, actions, signs and communication systems.

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