Miroljub Todorovi Revista Signal número 1Revista internacional para pesquisas signalistasBelgrado, IugosláviaSetembro, outubro e novembro de 1970Poesia visual, poesia concreta, poesia computacional, arte conceitual e publicação experimental
MIROLJUB TODOROVIC - Signal
03841 - Setembro , Outubro , Novembro de 1970 - Revista
17 x 24 cm
Miroljub Todorovi
Revista Signal número 1
Revista internacional para pesquisas signalistas
Belgrado, Iugoslávia
Setembro, outubro e novembro de 1970
Poesia visual, poesia concreta, poesia computacional, arte conceitual e publicação experimental
Primeiro número da revista Signal, publicação criada e dirigida por Miroljub Todorovi
em Belgrado como principal veículo editorial do Signalismo. A edição corresponde aos meses de setembro, outubro e novembro de 1970 e apresenta o subtítulo Revista internacional para pesquisas signalistas. Publicada pela Beogradska Signalisti
ka Grupa, Grupo Signalista de Belgrado, a revista estabeleceu um espaço internacional para poesia visual, poesia concreta, poesia computacional, arte conceitual, experimentação verbal, pesquisa semiótica e novas formas de comunicação artística.
Miroljub Todorovi
aparece como editor principal e responsável pela orientação intelectual da publicação. Poeta, artista e teórico nascido em Skoplje em 1940, Todorovi
foi o fundador do Signalismo, movimento interdisciplinar que aproximou literatura, artes visuais, ciência, matemática, tecnologia, sistemas de informação e comunicação. A revista Signal tornou possível a expansão do movimento para além da Iugoslávia, reunindo autores da Europa, América do Norte, América do Sul e Ásia.
A capa apresenta, em vermelho, o emblema gráfico da revista. No centro encontra se a letra S dentro de dois círculos concêntricos. Ao redor, oito setas apontam para diferentes direções, quatro delas acompanhadas pela palavra Signal e quatro contendo pequenos signos que lembram antenas, transmissores ou satélites. A estrutura circular e multidirecional funciona como representação visual da propagação de sinais e da comunicação planetária defendida pelo movimento.
A composição da capa também transforma a identidade editorial da revista em um poema visual. A palavra Signal pode ser lida em diferentes orientações, obrigando o observador a girar mentalmente o objeto ou modificar a direção da leitura. O emblema relaciona linguagem, alvo, diagrama, transmissão e circulação, sintetizando a proposta signalista de ultrapassar a leitura linear e integrar elementos verbais, gráficos e tecnológicos.
O expediente identifica o endereço editorial como Dobrinjska 3, 11000 Beograd, Yugoslavia. O editor é Miroljub Todorovi
. O conselho editorial é formado por Dobrivoje Jevti
, Tamara Jankovi
, Vlada Stojiljkovi
, Marina Abramovi
, Miroljub Todorovi
e Zoran Popovi
. Essa composição demonstra a participação de poetas, artistas visuais e pesquisadores ligados à cena experimental de Belgrado.
As traduções foram realizadas por Irina Suboti
, Sveta Jankovi
e Vlada Stojiljkovi
. A revista informa que seria publicada trimestralmente. A impressão foi executada pelo serviço da União das Associações de Juristas da Iugoslávia, localizado na Proleterskih Brigada 74, em Belgrado. O expediente também registra que a impressão do primeiro número foi viabilizada com apoio financeiro da revista literária Gradina.
A contracapa apresenta uma relação internacional de participantes, acompanhados por seus respectivos países. Essa listagem funciona como índice da rede artística reunida pela primeira edição e revela a intenção de aproximar experiências produzidas em diferentes contextos culturais.
Entre os participantes aparecem Raoul Hausmann, S. J. Schmidt, Biljana Tomi
, Shimizu Toshihiko, Zoran Popovi
, Heimrad Bäcker, Slobodan Vukanovi
, Branko Andri
, Augusto de Campos, Miroljub Todorvi
, Godehard Schramm, Tamara Jankovi
, Josef Hir
al, Bohumila Grögerová, Vlada Stojiljkovi
, Clemente Padín, Ne
a Paripovi
, Michele Perfetti, Hans Clavin, Giulia Niccolai, B. P. Nichol, Mile
or
evi
, Adriano Spatola, Edgardo Antonio Vigo, Dobrivoje Jevti
, Ji
í Valoch, Arrigo Lora Totino, Julien Blaine, Jean François Bory, Bogdanka Poznanovi
, Jean Claude Moineau, Jochen Gerz, Sarenco, Zoltán Ladik, Ugo Carrega, Giusi Coppini, Slavko Matkovi
, Eugenio Miccini, Marina Abramovi
, Paul de Vree e Simon Mil
i
.
A presença de Raoul Hausmann conecta a revista à herança histórica do Dadaísmo. Augusto de Campos representa a poesia concreta brasileira. Clemente Padín e Edgardo Antonio Vigo aproximam a edição das redes experimentais latino americanas. Adriano Spatola, Michele Perfetti, Sarenco, Ugo Carrega, Eugenio Miccini, Giulia Niccolai e Arrigo Lora Totino representam importantes vertentes da poesia visual italiana. B. P. Nichol amplia a rede em direção ao Canadá, enquanto Ji
í Valoch, Josef Hir
al e Bohumila Grögerová documentam a produção experimental da antiga Tchecoslováquia.
O número inaugural publicou uma seleção de poetas concretos e visuais estrangeiros juntamente com integrantes do Signalismo iugoslavo. Seu programa editorial estava voltado para a afirmação de novas ideias na literatura e na arte, tratando a publicação não apenas como revista literária, mas como plataforma de pesquisa interdisciplinar e circulação internacional.
Augusto de Campos é o representante brasileiro indicado na contracapa. Sua presença no primeiro número constitui uma ligação direta entre o Signalismo de Belgrado e a poesia concreta brasileira. A edição também reúne Clemente Padín, do Uruguai, e Edgardo Antonio Vigo, da Argentina, estabelecendo uma conexão precoce entre a neovanguarda iugoslava e as experiências visuais e conceituais da América Latina.
A participação de Marina Abramovi
deve ser compreendida dentro do contexto inicial de sua atuação na cena artística de Belgrado. Seu nome aparece tanto na relação internacional de participantes quanto no conselho editorial. O documento registra, portanto, uma fase anterior à consolidação internacional de sua produção performática, quando ela estava inserida no ambiente experimental e interdisciplinar associado ao Signalismo.
A revista Signal foi fundamental para a transformação do Signalismo em uma rede internacional. Por meio da publicação, Todorovi
estabeleceu contato permanente com poetas e artistas de numerosos países, recebeu obras, textos, manifestos, revistas e documentação, e criou um circuito de intercâmbio que posteriormente se expandiu para a arte postal. O próprio artista situou o início mais sistemático de suas atividades postais por volta de 1970, no mesmo período da fundação da revista.
Entre 1970 e 1973 foram publicados nove números, organizados em cinco edições, correspondentes aos números 1, 2 e 3, 4 e 5, 6 e 7, 8 e 9. A revista retornou em uma segunda fase editorial entre 1995 e 2004. O primeiro número permanece como documento fundador da publicação e como registro essencial das relações internacionais estabelecidas pelo Signalismo no início da década de 1970.
A edição possui importância histórica para o estudo da poesia experimental, pois reúne em uma mesma publicação autores ligados ao Dadaísmo, à poesia concreta, à poesia visual, à poesia sonora, à arte conceitual e às primeiras pesquisas com computadores. Sua estrutura editorial apresenta a arte como sistema aberto, coletivo e internacional, baseado na transmissão, na recepção e na transformação contínua de sinais.
No contexto do arquivo relacionado ao Poema Processo, a revista permite compreender a proximidade conceitual entre as pesquisas de Miroljub Todorovi
e as experiências brasileiras de Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Neide de Sá, Moacy Cirne, Falves Silva e outros participantes do movimento. Embora Signalismo e Poema Processo tenham origens e formulações próprias, ambos investigaram a autonomia do signo, a comunicação visual, a participação do observador, a ruptura da sintaxe discursiva e a construção de linguagens apropriadas à sociedade tecnológica.
English
Text for the Salsa program
Miroljub Todorovi
Signal magazine number 1
International review for Signalist research
Belgrade, Yugoslavia
September, October and November 1970
Visual poetry, concrete poetry, computer poetry, conceptual art and experimental publishing
First issue of Signal, the magazine created and directed by Miroljub Todorovi
in Belgrade as the principal editorial platform of Signalism. The issue covers September, October and November 1970 and carries the subtitle International Review for Signalist Research. Published by the Belgrade Signalist Group, the magazine established an international space for visual poetry, concrete poetry, computer poetry, conceptual art, verbal experimentation, semiotic research and new forms of artistic communication.
Miroljub Todorovi
is identified as editor and as the principal figure responsible for the intellectual direction of the publication. A poet, artist and theoretician born in Skoplje in 1940, Todorovi
founded Signalism as an interdisciplinary movement connecting literature, visual art, science, mathematics, technology, information systems and communication. Signal enabled the movement to expand beyond Yugoslavia by bringing together authors from Europe, North America, South America and Asia.
The cover presents the graphic emblem of Signal printed in red. At its centre is the letter S placed inside two concentric circles. Eight arrows extend in different directions. Four contain the word Signal and four include small signs resembling antennas, transmitters or satellites. The circular and multidirectional structure visually represents the propagation of signals and the planetary communication proposed by the movement.
The cover composition also transforms the magazine identity into a visual poem. The word Signal appears in different orientations, requiring the viewer to alter the direction of reading. The emblem combines language, target, diagram, transmission and circulation, summarizing the Signalist proposal to move beyond linear reading and integrate verbal, graphic and technological elements.
The publication information identifies the editorial address as Dobrinjska 3, 11000 Beograd, Yugoslavia. Miroljub Todorovi
is named as editor. The editorial board consists of Dobrivoje Jevti
, Tamara Jankovi
, Vlada Stojiljkovi
, Marina Abramovi
, Miroljub Todorovi
and Zoran Popovi
. This group reflects the participation of poets, visual artists and researchers associated with the experimental scene in Belgrade.
Translations were prepared by Irina Suboti
, Sveta Jankovi
and Vlada Stojiljkovi
. Signal is described as a quarterly publication. Printing was carried out by the service of the Union of Associations of Yugoslav Jurists at Proleterskih Brigada 74 in Belgrade. The publication information also records that the printing of the first issue was made possible through financial assistance from the literary journal Gradina.
The back cover contains an international list of contributors together with their respective countries. This list functions as an index to the artistic network assembled by the inaugural issue and demonstrates the intention to connect experiments produced in different cultural contexts.
The contributors include Raoul Hausmann, S. J. Schmidt, Biljana Tomi
, Shimizu Toshihiko, Zoran Popovi
, Heimrad Bäcker, Slobodan Vukanovi
, Branko Andri
, Augusto de Campos, Miroljub Todorovi
, Godehard Schramm, Tamara Jankovi
, Josef Hir
al, Bohumila Grögerová, Vlada Stojiljkovi
, Clemente Padín, Ne
a Paripovi
, Michele Perfetti, Hans Clavin, Giulia Niccolai, B. P. Nichol, Mile
or
evi
, Adriano Spatola, Edgardo Antonio Vigo, Dobrivoje Jevti
, Ji
í Valoch, Arrigo Lora Totino, Julien Blaine, Jean François Bory, Bogdanka Poznanovi
, Jean Claude Moineau, Jochen Gerz, Sarenco, Zoltán Ladik, Ugo Carrega, Giusi Coppini, Slavko Matkovi
, Eugenio Miccini, Marina Abramovi
, Paul de Vree and Simon Mil
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The presence of Raoul Hausmann connects the publication with the historical legacy of Dada. Augusto de Campos represents Brazilian concrete poetry. Clemente Padín and Edgardo Antonio Vigo connect the issue with Latin American experimental networks. Adriano Spatola, Michele Perfetti, Sarenco, Ugo Carrega, Eugenio Miccini, Giulia Niccolai and Arrigo Lora Totino represent important currents within Italian visual poetry. B. P. Nichol extends the network to Canada, while Ji
í Valoch, Josef Hir
al and Bohumila Grögerová document experimental practices in former Czechoslovakia.
The inaugural issue published a selection of foreign concrete and visual poets together with members of Yugoslav Signalism. Its editorial program sought to affirm new ideas in literature and art, positioning the publication not only as a literary magazine but also as a platform for interdisciplinary research and international circulation.
Augusto de Campos is identified on the back cover as the Brazilian participant. His presence in the first issue establishes a direct connection between Signalism in Belgrade and Brazilian concrete poetry. The same edition includes Clemente Padín from Uruguay and Edgardo Antonio Vigo from Argentina, creating an early link between the Yugoslav neo avant garde and Latin American visual and conceptual experimentation.
The participation of Marina Abramovi
belongs to the early context of her activities within the Belgrade art scene. Her name appears both in the list of contributors and on the editorial board. The document therefore records a period before the international consolidation of her performance practice, when she participated in the interdisciplinary experimental environment associated with Signalism.
Signal was fundamental to the transformation of Signalism into an international network. Through the publication, Todorovi
maintained contact with poets and artists from many countries, received artworks, texts, manifestos, magazines and documentation, and established an exchange circuit that later expanded into mail art. Todorovi
situated the beginning of his sustained mail art activity around 1970, the same period in which Signal was founded.
Between 1970 and 1973, nine numbers were published in five physical issues, consisting of numbers 1, 2 and 3, 4 and 5, 6 and 7, and 8 and 9. Signal returned in a second publishing period between 1995 and 2004. The first issue remains the founding document of the magazine and an essential record of the international relationships established by Signalism during the early 1970s.
The issue is historically important for the study of experimental poetry because it brings together authors connected with Dada, concrete poetry, visual poetry, sound poetry, conceptual art and early computer based research. Its editorial structure presents art as an open, collective and international system based on the transmission, reception and continuous transformation of signals.
Within an archive connected with Poema Processo, the magazine helps explain the conceptual proximity between the research of Miroljub Todorovi
and the Brazilian experiments of Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Neide de Sá, Moacy Cirne, Falves Silva and other participants in the movement. Although Signalism and Poema Processo had distinct origins and theoretical formulations, both investigated the autonomy of signs, visual communication, viewer participation, the disruption of discursive syntax and the creation of languages appropriate to technological society.



