Home Acervo Carta do Department of State dos Estados Unidos, datada de 27 de julho de 1978, em Washington DC, contendo informações oficiais sobre a prisão dos artistas uruguaios Clemente Padín e Jorge Caraballo González durante a ditadura civil militar do Uruguai.Cabaret Voltaire

Carta do Department of State dos Estados Unidos, datada de 27 de julho de 1978, em Washington DC, contendo informações oficiais sobre a prisão dos artistas uruguaios Clemente Padín e Jorge Caraballo González durante a ditadura civil militar do Uruguai.Cabaret Voltaire

Geoffrey Cook - USA

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03810 - 27 de Julho 1978 - Carta Datilografia e assinatura manuscrita sobre papel

28 x 21 cm

Carta do Department of State dos Estados Unidos, datada de 27 de julho de 1978, em Washington DC, contendo informações oficiais sobre a prisão dos artistas uruguaios Clemente Padín e Jorge Caraballo González durante a ditadura civil militar do Uruguai. O documento foi produzido em resposta a uma consulta encaminhada ao governo norte americano e registra informações obtidas pela Embaixada dos Estados Unidos em Montevidéu junto à Oficina Central de Información de Personas, OCIP, órgão uruguaio responsável por informações relativas a pessoas consideradas de interesse pelas autoridades do regime.

A carta informa que Jorge Caraballo González havia sido preso no final de agosto de 1977 e acusado de atacar a moral e a reputação do Exército uruguaio. Segundo o Department of State, Caraballo havia sido recentemente libertado mediante fiança e encontrava se em liberdade na data do documento.

O texto fornece informações particularmente importantes sobre Clemente Padín. Registra que o artista foi preso em 23 de agosto de 1977 e formalmente acusado em 20 de outubro de 1977 também sob a alegação de atacar a moral e a reputação do Exército. Em julho de 1978 Padín continuava detido em um centro civil de detenção. O documento indica como possibilidades o Penal de Libertad ou a prisão de Punta Carretas.

A correspondência registra ainda que, segundo informações atribuídas ao governo uruguaio, Clemente Padín era considerado ativo no Partido Comunista del Uruguay, PCU, e na Unión de la Juventud Comunista, UJC. Esta informação deve ser entendida dentro do contexto documental e político da repressão uruguaia, pois a carta relata a posição transmitida pelas autoridades governamentais do período e não constitui por si só uma comprovação independente de filiação política.

A defesa de Clemente Padín estava sendo conduzida pelo defensor oficial Dr. Juan Barbe. A carta relata também manifestação do Coronel Maynard, identificado como alto funcionário da Oficina Central de Información de Personas. Segundo ele, devido à semelhança entre os casos de Jorge Caraballo e Clemente Padín, havia expectativa de que Padín também fosse libertado mediante fiança em um futuro próximo.

O documento está dirigido a Mr. Burton e menciona uma correspondência anterior datada de 28 de junho de 1978, demonstrando que existia uma mobilização internacional e uma sequência de contatos com autoridades norte americanas para obtenção de informações sobre a situação dos dois artistas uruguaios.

Na parte inferior da folha existe uma intervenção manuscrita associada a Geoffrey Cook. A anotação solicita que sejam enviadas cartas ao Presidente da República Oriental do Uruguai, Dr. Aparicio Méndez, na Casa de Gobierno, Plaza Independencia, Montevidéu, pedindo que utilizasse seus poderes constitucionais para assegurar a rápida libertação de Clemente Padín mediante fiança. Geoffrey Cook aparece acompanhado de endereço postal em San Francisco, Califórnia, Estados Unidos.

A inscrição FREE CLEMENTE PADIN em grandes letras vermelhas transforma o documento administrativo em material de campanha política, solidariedade internacional e circulação cultural. A peça relaciona diretamente arte postal, ativismo, redes internacionais de artistas, defesa dos direitos humanos e resistência às ditaduras latino americanas durante a década de 1970.

Clemente Padín e Jorge Caraballo foram figuras fundamentais da poesia experimental, poesia visual, arte conceitual e arte postal no Uruguai. A prisão dos dois artistas em 1977 provocou ampla mobilização internacional entre artistas, escritores, organizações culturais e participantes das redes de Mail Art. Este documento constitui importante evidência material dessa campanha de solidariedade e demonstra como correspondência diplomática, comunicação postal e redes artísticas internacionais se cruzaram na defesa da liberdade de expressão e da libertação de artistas perseguidos politicamente.

Documento relacionado a Clemente Padín, Jorge Caraballo González, Geoffrey Cook, Department of State, United States Department of State, Embaixada dos Estados Unidos em Montevidéu, Oficina Central de Información de Personas, OCIP, Aparicio Méndez, Juan Barbe, Coronel Maynard, Partido Comunista del Uruguay, PCU, Unión de la Juventud Comunista, UJC, ditadura uruguaia, direitos humanos, presos políticos, liberdade de expressão, arte postal, Mail Art, poesia visual, poesia experimental, arte conceitual, solidariedade internacional, Uruguai, Estados Unidos, Montevidéu, Washington DC e San Francisco.

Documento de grande relevância histórica para o estudo da perseguição política sofrida por Clemente Padín e Jorge Caraballo no Uruguai e da mobilização internacional formada em defesa dos artistas. A carta oficial do Department of State dos Estados Unidos, datada de 27 de julho de 1978, registra dados específicos sobre as prisões, acusações, situação judicial e condições de detenção dos dois artistas.

Jorge Caraballo González aparece como preso no final de agosto de 1977, acusado de atacar a moral e a reputação do Exército e posteriormente libertado mediante fiança. Clemente Padín aparece como preso em 23 de agosto de 1977, acusado formalmente em 20 de outubro do mesmo ano e ainda detido em julho de 1978. O documento menciona o Penal de Libertad e Punta Carretas como possíveis locais de sua detenção.

A informação sobre suposta atividade de Padín no Partido Comunista del Uruguay e na Unión de la Juventud Comunista é apresentada na carta como posição do governo uruguaio e deve ser catalogada preservando essa atribuição histórica, evitando tratá la como fato independente comprovado.

A anotação manuscrita atribuída a Geoffrey Cook amplia o significado da peça ao transformar uma resposta diplomática em instrumento de mobilização. Cook pede que sejam enviadas cartas ao presidente uruguaio Aparicio Méndez solicitando a rápida libertação de Clemente Padín mediante fiança. A inscrição FREE CLEMENTE PADIN confirma a utilização do documento dentro de uma campanha internacional de solidariedade.

A peça é especialmente importante para pesquisas sobre Clemente Padín, Jorge Caraballo, arte postal uruguaia, Mail Art latino americana, poesia experimental, poesia visual, censura, repressão política, direitos humanos, redes de solidariedade artística, relações entre arte e política e circulação internacional de documentos durante as ditaduras do Cone Sul.