Ámago do Ômega é uma obra de Haroldo de Campos datada de 1956, composta por uma estrutura tipográfica distribuída sobre um amplo campo negro.
Haroldo de Campos
03178 - 1956 - Colagem Diversas
28,7 x 22 cm
1. Título oficial
Ámago do Ômega
Observação catalográfica: o título foi fornecido pelo usuário como Ámago do Ômega. A grafia apresentada na composição visual inclui as formas âmago e ômega no interior do poema.
2. Tipo
Obra visual
Poema visual
Colagem tipográfica
Poesia experimental
3. Texto principal para Salsa em português
Ámago do Ômega é uma obra de Haroldo de Campos datada de 1956, composta por uma estrutura tipográfica distribuída sobre um amplo campo negro. O trabalho articula palavras, sílabas e fragmentos textuais em uma composição espacial aberta, explorando simultaneamente leitura verbal e percepção visual.
A obra desenvolve procedimentos de condensação semântica, fragmentação linguística e organização espacial da escrita, características fundamentais das pesquisas experimentais realizadas por Haroldo de Campos na década de 1950. O poema apresenta o núcleo verbal formado pelas palavras âmago e ômega, desdobradas em associações e derivações textuais que sugerem relações entre interioridade, origem, fim, vazio e centro.
Entre os elementos legíveis encontram-se expressões como um olho, um ouro, um osso, pétala, pálpebra, do vazio pecíolo: a coisa, cristalino, fechado em seu alvor, ex-nihilo e o agrupamento final em torno da letra Z, criando uma estrutura de leitura não linear e de forte densidade visual.
A composição insere-se no contexto pioneiro da poesia visual brasileira anterior ao Poema Processo, constituindo importante antecedente das investigações verbo visuais que posteriormente influenciaram a arte conceitual, a poesia experimental, os livros de artista e as redes internacionais de arte experimental.
A obra evidencia a passagem da palavra do campo estritamente literário para o campo visual e espacial, transformando o texto em objeto perceptivo e semiótico.Ámago do Ômega is a work by Haroldo de Campos dated 1956, composed of a typographic structure distributed across a large black field. The work articulates words, syllables and textual fragments in an open spatial composition, simultaneously exploring verbal reading and visual perception.
The piece develops procedures of semantic condensation, linguistic fragmentation and spatial organization of writing, all fundamental characteristics of the experimental investigations carried out by Haroldo de Campos during the 1950s. The poem presents a verbal nucleus formed by the words âmago and ômega, unfolded into textual associations and derivations that suggest relationships between interiority, origin, ending, emptiness and center.
Among the legible elements are expressions such as um olho, um ouro, um osso, pétala, pálpebra, do vazio pecíolo: a coisa, cristalino, fechado em seu alvor, ex-nihilo and the final grouping around the letter Z, creating a non linear reading structure of considerable visual density.
The composition belongs to the pioneering context of Brazilian visual poetry that precedes Poema Processo and constitutes an important antecedent to the verbo visual investigations that later influenced conceptual art, experimental poetry, artist books and international networks of experimental art.
The work demonstrates the transition of the word from the strictly literary field into the visual and spatial field, transforming text into a perceptual and semiotic object.
