Home Acervo Dailor Varela, Envelope Projeto 1, Não ao Não, Poema Processo, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 1969

Dailor Varela, Envelope Projeto 1, Não ao Não, Poema Processo, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 1969

Dailor Varela

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00313 - 1969 - Envelope Obra de Arte

18,2 x 25,3 cm

Dailor Varela, Envelope Projeto 1, Não ao Não, Poema Processo, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 1969. Conjunto documental e poético experimental associado ao Poema Processo e à produção de Dailor Varela no final da década de 1960. O envelope apresenta a identificação Projeto 1 e o endereço Travessa Extremos, 284, Cidade Alta, Natal, RN, Brasil, funcionando simultaneamente como suporte, elemento editorial e parte integrante da proposição artística. A composição gráfica da capa organiza repetidamente as palavras não, ao e não em grandes caracteres tipográficos, estabelecendo uma estrutura verbal e visual que transforma a negação em matéria de leitura, ritmo e processo. Na lateral aparece a inscrição poema processo de Dailor Varela, identificando explicitamente a obra com o movimento Poema Processo. O conjunto inclui texto datilografado de Moacy Cirne, datado de dezembro de 1969, dedicado à análise da produção de Dailor Varela. No texto, Moacy Cirne relaciona Não ao Não a uma postura crítica diante da arte e da vida, afirmando a necessidade de ruptura com estruturas morais, culturais e estéticas consideradas arcaicas. Cirne define a arte de Dailor Varela como uma experiência baseada no signo e destaca sua plurissignificação entre o ambiental e o estatístico, associando a obra ao desenvolvimento de uma linguagem universal e a uma posição crítica diante de limitações culturais e literárias. Essa análise constitui importante documento histórico por registrar, no próprio momento de atuação do Poema Processo, a interpretação crítica de Moacy Cirne sobre a produção de Dailor Varela. As demais peças do conjunto desenvolvem uma sequência visual e semântica construída por palavras isoladas, imagens e sinais de forte impacto gráfico. A palavra VIOLENT aparece em grandes caracteres tipográficos, aproximando a linguagem portuguesa de uma dimensão internacional ou universal do signo. Outra composição apresenta a onomatopeia BUUUM acompanhada por uma forma gráfica explosiva, produzindo uma tradução visual e sonora da ideia de impacto. A palavra AÇÃO ocupa outra folha em escala monumental, reforçando um dos conceitos fundamentais do conjunto e estabelecendo uma passagem da negação para a violência simbólica e desta para a ação. Uma fotografia impressa mostra uma figura humana em movimento corporal intenso, imagem que amplia a dimensão performativa, gestual e física sugerida pelos textos. A sequência termina ou se articula ainda com a palavra ACOSSADO acompanhada de ponto de interrogação, introduzindo uma condição de perseguição, pressão, ameaça ou confronto. Consideradas em conjunto, as palavras NÃO, VIOLENT, BUUUM, AÇÃO e ACOSSADO formam um campo semântico baseado em recusa, tensão, violência, explosão, movimento e reação. O trabalho ultrapassa a concepção tradicional de poema como texto discursivo e propõe uma leitura por etapas, na qual palavra, tipografia, imagem, espaço gráfico e participação mental do receptor constituem o processo poético. Não ao Não exemplifica princípios centrais do Poema Processo, movimento brasileiro de vanguarda lançado em 1967, no qual o poema deixa de depender exclusivamente da palavra e passa a operar por estruturas visuais, signos, séries, versões, montagens e possibilidades de transformação. O conjunto documenta também o ambiente experimental desenvolvido em Natal, um dos principais polos históricos do Poema Processo, em diálogo com artistas, poetas e teóricos como Moacy Cirne e outros participantes da vanguarda brasileira. A presença do texto crítico datado de dezembro de 1969 permite situar historicamente a obra e reforça sua relevância documental para o estudo do Poema Processo, da poesia visual brasileira, da poesia experimental, da comunicação visual, da arte conceitual e das práticas intermídia desenvolvidas no Brasil durante as décadas de 1960 e 1970.\n\nTEXTO DE OBSERVAÇÃO EM PORTUGUÊS\n\nConjunto original relacionado a Dailor Varela e identificado no próprio suporte como Projeto 1, com endereço na Travessa Extremos, 284, Cidade Alta, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil. A inscrição poema processo de Dailor Varela permite associar diretamente o documento ao contexto do movimento Poema Processo. O conjunto deve ser catalogado preferencialmente como unidade documental composta, preservando a relação entre envelope, texto crítico e peças visuais, pois sua sequência parece constituir parte essencial da leitura processual da obra. O documento de maior relevância histórica complementar é o texto datilografado e assinado nominalmente por Moacy Cirne, datado de dezembro de 1969, no qual o crítico analisa a arte de Dailor Varela e relaciona sua produção à ruptura de estruturas morais, culturais e estéticas, ao uso do signo, à plurissignificação e à linguagem universal. As peças visuais apresentam as palavras Não ao Não, VIOLENT, BUUUM, AÇÃO e ACOSSADO, além de uma imagem fotográfica de uma figura humana em movimento. A articulação entre esses elementos sugere uma narrativa não linear baseada em negação, conflito, impacto, ação e tensão, característica da experimentação semiótica e visual desenvolvida pelo Poema Processo. A data de 1969 informada para o conjunto é reforçada pelo texto de Moacy Cirne de dezembro de 1969, embora cada peça deva manter sua datação individual como circa 1969 quando não houver inscrição direta no suporte. Para fins de pesquisa e indexação, o conjunto deve ser relacionado a Dailor Varela, Moacy Cirne, Não ao Não, Projeto 1, Poema Processo, poema processo brasileiro, poesia visual, poesia experimental, poesia de vanguarda, arte conceitual, semiótica, signo visual, poema objeto, comunicação visual, participação do leitor, estrutura processual, Natal, Rio Grande do Norte, Nordeste brasileiro e vanguarda brasileira dos anos 1960.

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