Home Acervo Obra de poesia visual do artista australiano Pete Spence, realizada em 1994 e identificada pelo próprio artista por assinatura manuscrita e data no canto inferior direito.

Obra de poesia visual do artista australiano Pete Spence, realizada em 1994 e identificada pelo próprio artista por assinatura manuscrita e data no canto inferior direito.

Pete Spence - Peter Spence - Australia

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01194 - 1994 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

26,2 x 21 cm

Pete Spence Poesia Visual 8 1994

Obra de poesia visual do artista australiano Pete Spence, realizada em 1994 e identificada pelo próprio artista por assinatura manuscrita e data no canto inferior direito. A composição é construída por meio da articulação espacial de letras, sinais tipográficos e formas geométricas, transformando elementos da escrita em estrutura visual. No alto da obra aparecem caracteres como p, f, q, z e e distribuídos em diferentes posições ao redor de uma forma vertical negra. Essa estrutura prolonga se em direção à parte inferior da folha, onde encontra uma figura triangular vazada semelhante a uma seta ou dispositivo gráfico, acompanhada pelas letras d e e e por pequenos sinais tipográficos.

A obra exemplifica procedimentos característicos da poesia visual e da poesia concreta internacional, nos quais a leitura deixa de depender exclusivamente da sequência convencional das palavras e passa a ocorrer também através da posição, escala, orientação, contraste e relacionamento entre letras e formas. Pete Spence utiliza a tipografia como matéria plástica. Letras isoladas deixam de funcionar apenas como unidades linguísticas e tornam se componentes de uma construção gráfica que pode ser lida simultaneamente como poema, desenho e estrutura abstrata.

O espaço branco possui papel fundamental na composição. A extensa área vazia ao redor dos elementos gráficos cria tensão entre presença e ausência e acentua o percurso vertical da obra. A disposição das letras sugere fragmentação da linguagem e permite diferentes possibilidades de associação fonética, visual e semântica. A forma triangular localizada na parte inferior introduz uma direção espacial e reforça o caráter de movimento presente na composição.

Pete Spence nasceu na Austrália em 1946 e desenvolveu atividade internacional nos campos da poesia visual, poesia experimental, Mail Art, publicação independente e cinema experimental. Iniciou sua participação em redes de Mail Art em 1983 e durante as décadas de 1980 e 1990 organizou exposições de poesia visual. Também esteve ligado à revista de poesia visual Ligne e criou em 1984 a Post Neo Publications, responsável pela publicação de trabalhos de diferentes autores ligados à poesia experimental internacional. Sua produção circulou amplamente pelas redes internacionais de correspondência artística e por revistas e publicações dedicadas à poesia concreta e visual.

A presença de Pete Spence em circuitos internacionais também alcançou o Brasil. Trabalhos do artista foram publicados em diversas edições de Communicarte, publicação coordenada por Hugo Pontes em Poços de Caldas, ao lado de artistas e poetas visuais como Almandrade, Fernando Aguiar, J. Medeiros e outros participantes da rede internacional de poesia visual e Mail Art. Essa circulação documenta a conexão entre a produção experimental australiana e as redes brasileiras e latino americanas de poesia visual durante as décadas de 1990 e 2000.

A obra Poesia Visual 8, de 1994, deve ser compreendida dentro desse contexto internacional de experimentação entre linguagem e imagem. O trabalho evidencia a investigação de Pete Spence sobre as possibilidades materiais da letra, a fragmentação da palavra, a disposição espacial do signo e a transformação da página em campo visual. É um documento significativo da produção australiana de poesia visual dos anos 1990 e da trajetória de um artista que participou ativamente das redes internacionais de poesia experimental e Mail Art.

ENGLISH

Pete Spence Visual Poetry 8 1994

Visual poetry work by Australian artist Pete Spence, produced in 1994 and identified by the artist through a handwritten signature and date in the lower right corner. The composition is constructed through the spatial articulation of letters, typographic signs and geometric forms, transforming elements of writing into a visual structure. Characters including p, f, q, z and e appear in the upper section and are positioned around an elongated black vertical form. This structure extends downward toward an open triangular figure resembling an arrow or graphic device, accompanied by the letters d and e and additional small typographic signs.

The work demonstrates procedures associated with international visual poetry and concrete poetry in which reading no longer depends exclusively on the conventional sequence of words. Meaning is also generated through position, scale, orientation, contrast and the relationship between letters and forms. Pete Spence treats typography as visual material. Individual letters cease to operate only as linguistic units and become components of a graphic construction that can simultaneously be perceived as poem, drawing and abstract structure.

White space plays an essential role in the composition. The extensive empty field surrounding the graphic elements produces tension between presence and absence and emphasizes the vertical trajectory of the work. The arrangement of isolated letters suggests the fragmentation of language and creates multiple possibilities for phonetic, visual and semantic association. The triangular element positioned near the bottom introduces spatial direction and reinforces the sense of movement within the composition.

Pete Spence was born in Australia in 1946 and developed an international practice encompassing visual poetry, experimental poetry, Mail Art, independent publishing and experimental film. He began participating in Mail Art networks in 1983 and during the 1980s and early 1990s curated several visual poetry exhibitions. He was also associated with the visual poetry magazine Ligne and founded Post Neo Publications in 1984, publishing works by several figures connected to international experimental poetry. His work circulated extensively through international correspondence networks and publications devoted to concrete and visual poetry.

Pete Spence also established connections with Brazilian experimental poetry networks. His works appeared in several issues of Communicarte, edited by Hugo Pontes in Poços de Caldas, Brazil, together with artists and visual poets including Almandrade, Fernando Aguiar, J. Medeiros and other participants in the international networks of visual poetry and Mail Art. This circulation provides documentary evidence of exchanges between Australian experimental poetry and Brazilian and Latin American visual poetry networks during the 1990s and 2000s.

Visual Poetry 8, produced in 1994, can therefore be understood within this broader international context of experimentation between language and image. The work demonstrates Pete Spence's investigation of the material possibilities of letters, fragmentation of language, spatial organization of signs and transformation of the page into a visual field. It constitutes an important document of Australian visual poetry from the 1990s and of the trajectory of an artist deeply involved with international networks of experimental poetry and Mail Art.

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