Manifesto 93, Resposta aos provincianos, texto datilografado e assinado por Anchieta Fernandes em 11 de dezembro de 1993, identificado como marco do 26º ano do Poema Processo.
Anchieta Fernandes
Categoria: Poema Processo
Acervo: 04678
Data: 11 de dezembro de 1993
Dimensões: 31,5 x 21,6 cm
Manifesto 93, Resposta aos provincianos, texto datilografado e assinado por Anchieta Fernandes em 11 de dezembro de 1993, identificado como marco do 26º ano do Poema Processo. Produzido em Natal, Rio Grande do Norte, o documento constitui uma defesa histórica, crítica e teórica do movimento, ao mesmo tempo em que responde a críticas dirigidas ao Poema Processo e à atuação de sua vanguarda. A data de 1993 estabelece uma relação direta com os 26 anos transcorridos desde as primeiras manifestações públicas do movimento em 1967.
Anchieta Fernandes inicia afirmando que o Poema Processo possui a singularidade de comemorar seus aniversários em Natal. Em seguida organiza sua resposta a partir de seis procedimentos que atribui aos opositores do movimento: humor barato, inverdades, omissões, contradições, falta de informação histórica e pretensão. Essa estrutura transforma o manifesto em uma argumentação sistemática destinada a responder ponto por ponto às críticas recebidas.
Ao tratar do humor barato, Anchieta Fernandes contesta referências depreciativas à idade dos participantes históricos do movimento. O texto menciona expressões utilizadas contra os integrantes da vanguarda e argumenta que os 26 anos de existência do Poema Processo representavam ainda uma trajetória jovem. O autor acrescenta que o envelhecimento dos criadores não reduz a validade de uma produção artística e utiliza Picasso como referência de permanência criativa em idade avançada.
No tópico dedicado às inverdades, Anchieta Fernandes rebate a afirmação de que o Poema Processo continuaria desconhecido ou sem registro no Rio Grande do Norte e no restante do Brasil. Como evidência de sua presença na historiografia e na circulação editorial, menciona o volume 6 da série Poetas do Modernismo, publicado em 1972 pelo Instituto Nacional do Livro, com organização e introdução do professor Leodegário A. de Azevedo Filho. O autor também registra que seu poema processo Olho teria sido publicado em três livros didáticos de circulação nacional, fato que, segundo sua argumentação, permitiu que estudantes de Natal e de outras regiões brasileiras tivessem contato com o Poema Processo.
Ainda contra a ideia de desconhecimento do movimento fora dos grandes centros, o manifesto enumera cidades do interior brasileiro que receberam exposições do Poema Processo ou nas quais surgiram participantes e experiências relacionadas ao movimento. São mencionadas Pirapora, Cataguases, Guaxupé, Oliveira, Divinópolis e Uberaba, em Minas Gerais, Franca, em São Paulo, Campina Grande, na Paraíba, e Mossoró, no Rio Grande do Norte. O registro é importante para documentar a circulação territorial do movimento e sua presença além de Natal e do Rio de Janeiro.
Anchieta Fernandes também contesta a caracterização do Poema Processo como discurso abstrato. Para demonstrar a materialidade das experiências do movimento, menciona Pão Poema Processo, realizado em Recife em 1970, e recorda os biscoitos poemas apresentados na primeira exposição do movimento em 1967. Essas referências evidenciam experiências nas quais o poema ultrapassava a página escrita e assumia formas materiais, comestíveis e participativas.
No tópico dedicado às omissões, Anchieta Fernandes discute relações entre diferentes movimentos de vanguarda. O autor afirma que referências ao Futurismo, ao Dadaísmo e a nomes associados à renovação poética moderna já haviam sido consideradas em livros, artigos e manifestos ligados ao Poema Processo. Sua crítica é dirigida à tentativa de apresentar essas relações históricas como se fossem desconhecidas ou ignoradas pelos participantes do movimento.
Ao tratar das contradições, o manifesto desenvolve uma reflexão sobre palavra, imagem e escrita. Anchieta Fernandes responde à ideia de que o Poema Processo representaria um retrocesso a um estágio no qual a escrita ainda funcionaria como imagem. Para o autor, esse argumento ignora que a própria palavra escrita possui dimensão visual, pois as letras são desenhos, imagens, convenções formais e signos construídos pela linguagem humana. O trecho é particularmente significativo para compreender a fundamentação semiótica e visual defendida pelo autor.
Essa argumentação também reafirma um princípio importante do Poema Processo, a valorização do processo criativo e da possibilidade de construção de um processo novo a cada novo poema. Assim, a imagem não aparece simplesmente como substituição da palavra, mas como parte de uma investigação sobre códigos, signos, estrutura, visualidade e comunicação.
Na seção sobre falta de informação histórica, Anchieta Fernandes retorna à controvérsia sobre uma suposta tentativa de queima da obra de Luís da Câmara Cascudo. O autor rejeita a afirmação de que a vanguarda do Poema Processo teria tentado queimar a obra de Câmara Cascudo e considera essa interpretação resultado de uma confusão histórica e crítica. Também questiona a associação dessa discussão com as possibilidades criativas da oralidade, observando que Câmara Cascudo não foi poeta ou cantor e desenvolveu principalmente produção em prosa.
O último eixo de sua resposta é a pretensão. Anchieta Fernandes comenta a afirmação de um crítico de que qualquer linguagem que um morador de favela não compreenda deveria ser rejeitada. O autor questiona essa posição ao observar que o próprio texto jornalístico utilizado para atacar o Poema Processo recorria a referências como Cavalo de Troia, Jack London, Guerra Fria, Pedro o Grande e arma de persuasão. Dessa forma, demonstra a contradição de exigir compreensão imediata do Poema Processo enquanto o discurso crítico empregava referências históricas e culturais igualmente dependentes de conhecimento prévio.
O manifesto combate ainda a ideia de que o povo seria incapaz de compreender o Poema Processo. Anchieta Fernandes considera essa afirmação preconceituosa e recorda outro crítico que teria afirmado que qualquer criança de dez anos seria capaz de produzir um poema processo. Para o autor, as duas críticas se contradizem, pois uma apresenta o movimento como incompreensível e outra como excessivamente simples.
Para sustentar sua defesa da recepção popular do movimento, Anchieta Fernandes apresenta exemplos históricos. Recorda que, durante a primeira exposição do Poema Processo no Rio de Janeiro em 1967, um operário teria rompido um poema exposto e feito um comentário relacionando a obra à extensão de um livro de quinhentas páginas. O episódio é utilizado para mostrar que a recepção do poema poderia ocorrer por associação direta e interpretação própria, sem depender necessariamente dos códigos tradicionais da literatura.
Outro exemplo refere se a 1970, quando uma vendedora de roupas em Pirapora teria realizado uma versão de um poema processo. O documento registra ainda que, em 1973, durante entrevista ao jornal natalense O Poti, o camponês Apolinário Ferreira de Carvalho teria elogiado o Poema Processo, seu impacto e sua necessidade para o homem que vivia envolvido pela máquina. Esses exemplos possuem especial valor documental por registrarem formas de recepção do movimento fora dos circuitos especializados de crítica, universidade e instituições artísticas.
Manifesto 93 encerra com a identificação Poema Processo, a data 11 de dezembro de 1993, a indicação 26º ano e a assinatura manuscrita de Anchieta Fernandes. O documento constitui fonte primária relevante para pesquisas sobre a memória e a historiografia do Poema Processo, sua recepção crítica, sua circulação pelo interior brasileiro, seus fundamentos visuais e semióticos e sua relação com diferentes grupos sociais.
O texto possui especial importância para estudos sobre Anchieta Fernandes, Poema Processo, Natal, Rio Grande do Norte, 1967, 1970, 1972, 1973 e 1993, Álvaro de Sá, Leodegário A. de Azevedo Filho, Instituto Nacional do Livro, poema Olho, Pirapora, Cataguases, Guaxupé, Oliveira, Divinópolis, Uberaba, Franca, Campina Grande, Mossoró, Recife, Pão Poema Processo, biscoitos poemas, Câmara Cascudo, O Poti, Apolinário Ferreira de Carvalho, poesia visual, poesia experimental, semiótica, poema objeto, comunicação visual, participação popular, vanguarda brasileira e história cultural do Nordeste.
Salsa text in English
Manifesto 93, Resposta aos provincianos, is a typewritten text signed by Anchieta Fernandes on 11 December 1993 and identified as marking the 26th year of Poema Processo. Produced in Natal, Rio Grande do Norte, the document constitutes a historical, critical and theoretical defense of the movement while responding to criticism directed at Poema Processo and its avant garde activities. The 1993 date establishes a direct relationship with the 26 years that had passed since the first public manifestations of the movement in 1967.
Anchieta Fernandes begins by stating that Poema Processo has the singular characteristic of celebrating its anniversaries in Natal. He then organizes his response around six procedures that he attributes to opponents of the movement: cheap humor, false statements, omissions, contradictions, lack of historical information and pretension. This structure turns the manifesto into a systematic argument designed to answer the criticism point by point.
In discussing cheap humor, Anchieta Fernandes rejects derogatory references to the age of the historical participants in the movement. He argues that 26 years of Poema Processo still represented a relatively young trajectory and that the aging of its creators could not invalidate their artistic production. Picasso is mentioned as an example of creative vitality continuing into advanced age.
In the section devoted to false statements, Anchieta Fernandes challenges the claim that Poema Processo remained unknown or undocumented in Rio Grande do Norte and elsewhere in Brazil. As evidence of its presence in literary history and publishing, he cites volume 6 of the series Poetas do Modernismo, published in 1972 by Instituto Nacional do Livro and organized with an introduction by Professor Leodegário A. de Azevedo Filho. He also states that his process poem Olho appeared in three nationally distributed school textbooks, enabling students in Natal and other parts of Brazil to become familiar with Poema Processo.
The manifesto also disputes the idea that the movement was unknown outside major cultural centers. Anchieta Fernandes lists several Brazilian inland cities where Poema Processo exhibitions took place or where poets and creative experiences connected with the movement emerged. These include Pirapora, Cataguases, Guaxupé, Oliveira, Divinópolis and Uberaba in Minas Gerais, Franca in São Paulo, Campina Grande in Paraíba and Mossoró in Rio Grande do Norte. This information documents the territorial circulation of the movement beyond Natal and Rio de Janeiro.
Anchieta Fernandes also rejects the characterization of Poema Processo as an abstract discourse. To demonstrate the material nature of its experiments, he refers to Pão Poema Processo, produced in Recife in 1970, and recalls edible biscuit poems associated with the first exhibition of the movement in 1967. These references demonstrate practices in which poetry moved beyond the written page and assumed material, edible and participatory forms.
In the section concerning omissions, Anchieta Fernandes discusses connections among different avant garde movements. He argues that references to Futurism, Dadaism and important figures associated with modern poetic experimentation had already appeared in books, articles and manifestos connected with Poema Processo. His criticism is directed against attempts to present these historical relationships as if participants in the movement had ignored them.
When addressing contradictions, the manifesto develops a reflection on words, images and writing. Anchieta Fernandes responds to the claim that Poema Processo represented a regression to a period when writing still functioned as image. He argues that this criticism overlooks the visual dimension of written language itself because written words consist of drawings, images, formal conventions and signs created within human language.
This argument also reaffirms a fundamental principle of Poema Processo, the importance of process and the possibility of constructing a new process with each new poem. Image therefore does not simply replace the word but becomes part of an investigation into codes, signs, structure, visuality and communication.
In the section devoted to lack of historical information, Anchieta Fernandes returns to the controversy concerning an alleged attempt to burn the works of Luís da Câmara Cascudo. He rejects the assertion that the Poema Processo avant garde tried to burn Cascudo's work and describes this interpretation as the result of historical and critical confusion. He also questions the association of this argument with creative possibilities of oral culture, observing that Câmara Cascudo was not primarily a poet or singer and wrote mainly in prose.
The final category of his response concerns pretension. Anchieta Fernandes comments on a critic's statement suggesting that any language not understood by a resident of a favela should be rejected. He challenges this position by noting that the same newspaper text attacking Poema Processo employed references such as the Trojan Horse, Jack London, the Cold War, Peter the Great and persuasive weapons. His argument exposes the contradiction of demanding immediate comprehension from Poema Processo while using historical and cultural references that themselves require prior knowledge.
The manifesto also rejects the idea that ordinary people were incapable of understanding Poema Processo. Anchieta Fernandes describes this claim as prejudiced and recalls another critic who argued that any ten year old child could produce a process poem. The two criticisms become contradictory because one presents the movement as incomprehensible while the other presents it as excessively simple.
To support his defense of popular reception, Anchieta Fernandes presents historical examples. He recalls that during the first Poema Processo exhibition in Rio de Janeiro in 1967, a worker interacted with one of the exhibited poems and produced his own interpretation relating the work to the content of an extensive book. The episode is used to demonstrate how a process poem could generate direct associations without requiring conventional literary interpretation.
Another example concerns 1970, when a clothing seller in Pirapora created a version of a process poem. The document also records that in 1973, during an interview with the Natal newspaper O Poti, the rural worker Apolinário Ferreira de Carvalho praised Poema Processo, its impact and its relevance to people living within an increasingly mechanized world. These references have particular documentary importance because they record the reception of experimental poetry outside specialized artistic, academic and critical circles.
Manifesto 93 concludes with the identification Poema Processo, the date 11 December 1993, the designation 26th year and the handwritten signature of Anchieta Fernandes. The document is a significant primary source for research into the memory and historiography of Poema Processo, its critical reception, its circulation throughout inland Brazil, its visual and semiotic foundations and its relationship with different social groups.
The text is particularly relevant to research on Anchieta Fernandes, Poema Processo, Natal, Rio Grande do Norte, 1967, 1970, 1972, 1973 and 1993, Álvaro de Sá, Leodegário A. de Azevedo Filho, Instituto Nacional do Livro, the poem Olho, Pirapora, Cataguases, Guaxupé, Oliveira, Divinópolis, Uberaba, Franca, Campina Grande, Mossoró, Recife, Pão Poema Processo, edible poems, Câmara Cascudo, O Poti, Apolinário Ferreira de Carvalho, visual poetry, experimental poetry, semiotics, poem objects, visual communication, popular participation, Brazilian avant garde and the cultural history of Northeastern Brazil.
Documento original datilografado intitulado Manifesto 93, com o subtítulo Resposta aos provincianos, relacionado ao Poema Processo e assinado por Anchieta Fernandes. O encerramento registra Poema Processo, 11 de dezembro de 1993, 26º ano, seguido da assinatura manuscrita do autor. Essa indicação permite relacionar diretamente o documento à memória dos 26 anos do movimento iniciado em 1967.
A folha inicial estrutura a argumentação em seis categorias críticas claramente identificadas por Anchieta Fernandes: humor barato, inverdades, omissões, contradições, falta de informação histórica e pretensão. Essa organização deve ser preservada na descrição documental porque revela a estrutura intelectual do manifesto e permite compreender seu caráter de resposta a críticas anteriores.
O documento contém dados relevantes para reconstrução da circulação histórica do Poema Processo. Entre eles está a referência ao volume 6 de Poetas do Modernismo, publicado em 1972 pelo Instituto Nacional do Livro, com organização e introdução de Leodegário A. de Azevedo Filho. Também merece destaque a afirmação de que o poema processo Olho, de Anchieta Fernandes, esteve presente em três livros didáticos de circulação nacional.
Outro núcleo documental importante é a enumeração de cidades relacionadas a exposições, poetas ou propostas criativas do Poema Processo. Anchieta Fernandes menciona Pirapora, Cataguases, Guaxupé, Oliveira, Divinópolis, Uberaba, Franca, Campina Grande e Mossoró. Essa relação amplia a geografia conhecida do movimento e demonstra a preocupação do autor em contestar interpretações excessivamente concentradas nas capitais.
As referências a Pão Poema Processo, Recife, 1970, e aos biscoitos poemas da primeira exposição em 1967 documentam dimensões materiais, experimentais e participativas do movimento. Esses registros são relevantes para estudos sobre poema objeto, poesia comestível, livro objeto, arte conceitual, participação do público e expansão do poema para além do suporte verbal tradicional.
O debate sobre palavra e imagem constitui outro aspecto central. Anchieta Fernandes afirma que as palavras escritas são também desenhos, imagens, convenções formais e signos. O trecho é particularmente relevante para pesquisas sobre semiótica, visualidade, poesia visual e fundamentos teóricos do Poema Processo.
O documento também preserva a versão de Anchieta Fernandes sobre a controvérsia envolvendo uma suposta queima da obra de Câmara Cascudo. Segundo o manifesto, o Poema Processo não tentou queimar a obra do pesquisador. Como se trata de uma declaração do próprio autor dentro de uma polêmica histórica, a informação deve ser catalogada como posição de Anchieta Fernandes expressa no documento, evitando apresentá la isoladamente como comprovação definitiva do episódio.
A parte final apresenta testemunhos utilizados pelo autor para argumentar em favor da capacidade de recepção popular do Poema Processo. São mencionados um trabalhador relacionado à primeira exposição no Rio de Janeiro em 1967, uma vendedora de roupas de Pirapora que teria criado uma versão de um poema processo em 1970 e o camponês Apolinário Ferreira de Carvalho, entrevistado pelo jornal O Poti em 1973.
Essas referências tornam Manifesto 93 particularmente relevante para pesquisas sobre recepção social da arte experimental, circulação fora das instituições culturais, relações entre arte e cultura popular, pedagogia, comunicação e democratização das linguagens visuais.
O documento apresenta dobras, marcas de manuseio, envelhecimento do papel e assinatura manuscrita, elementos materiais que devem integrar sua descrição arquivística. A presença simultânea de texto datilografado e assinatura autógrafa reforça seu caráter de documento autoral.
Para indexação e recuperação digital, recomenda se relacionar o item a Anchieta Fernandes, Manifesto 93, Resposta aos provincianos, 11 de dezembro de 1993, 26º ano do Poema Processo, Poema Processo, Natal, Rio Grande do Norte, Álvaro de Sá, poema Olho, Leodegário A. de Azevedo Filho, Instituto Nacional do Livro, Poetas do Modernismo, Pão Poema Processo, Recife, 1970, primeira exposição do Poema Processo, 1967, Câmara Cascudo, O Poti, Apolinário Ferreira de Carvalho, Pirapora, Cataguases, Guaxupé, Oliveira, Divinópolis, Uberaba, Franca, Campina Grande, Mossoró, poesia visual, poesia experimental, poema objeto, poesia comestível, semiótica, comunicação visual, recepção popular, vanguarda brasileira e cultura experimental do Nordeste.
Observation text in English
Original typewritten document entitled Manifesto 93 with the subtitle Resposta aos provincianos, connected with Poema Processo and signed by Anchieta Fernandes. The closing section records Poema Processo, 11 December 1993, 26th year, followed by the handwritten signature of the author. This information directly connects the document with the commemoration of 26 years since the beginning of the movement in 1967.
The first sheet structures the argument around six critical categories explicitly identified by Anchieta Fernandes: cheap humor, false statements, omissions, contradictions, lack of historical information and pretension. This organization should be preserved in documentary description because it reveals the intellectual structure of the manifesto and its character as a response to previous criticism.
The document contains important information for reconstructing the historical circulation of Poema Processo. Among these references is volume 6 of Poetas do Modernismo, published in 1972 by Instituto Nacional do Livro, with organization and introduction by Leodegário A. de Azevedo Filho. Particularly significant is the statement that Anchieta Fernandes's process poem Olho appeared in three nationally distributed school textbooks.
Another important documentary section lists cities associated with exhibitions, poets or creative proposals related to Poema Processo. Anchieta Fernandes mentions Pirapora, Cataguases, Guaxupé, Oliveira, Divinópolis, Uberaba, Franca, Campina Grande and Mossoró. This list expands the geographical documentation of the movement and demonstrates the author's intention to challenge interpretations centered exclusively on major capitals.
References to Pão Poema Processo in Recife in 1970 and to edible biscuit poems associated with the first exhibition in 1967 document the material, experimental and participatory dimensions of the movement. These records are relevant to research on poem objects, edible poetry, artist books, conceptual art, audience participation and the expansion of poetry beyond conventional verbal formats.
The discussion of words and images is another central element. Anchieta Fernandes argues that written words are themselves drawings, images, formal conventions and signs. This passage is especially important for research into semiotics, visuality, visual poetry and the theoretical foundations of Poema Processo.
The document also preserves Anchieta Fernandes's position concerning the controversy over an alleged attempt to burn the works of Câmara Cascudo. According to the manifesto, the Poema Processo movement did not attempt to burn Cascudo's work. Since this statement appears within a historical controversy and represents the author's own position, it should be catalogued as Anchieta Fernandes's account rather than treated independently as definitive proof of the event.
The final portion presents examples used by the author to defend the capacity of ordinary people to engage with Poema Processo. These include a worker associated with the first exhibition in Rio de Janeiro in 1967, a clothing seller in Pirapora who reportedly produced a version of a process poem in 1970 and the rural worker Apolinário Ferreira de Carvalho, interviewed by the newspaper O Poti in 1973.
These references make Manifesto 93 particularly valuable for studies of the social reception of experimental art, circulation beyond cultural institutions, relationships between art and popular culture, education, communication and democratization of visual languages.
The document displays folds, handling marks, paper aging and a handwritten signature, material characteristics that should be included in its archival description. The combination of typewritten text and autograph signature reinforces its status as an authorial document.
For documentary indexing and digital retrieval, the item should be associated with Anchieta Fernandes, Manifesto 93, Resposta aos provincianos, 11 December 1993, 26th year of Poema Processo, Poema Processo, Natal, Rio Grande do Norte, Álvaro de Sá, the poem Olho, Leodegário A. de Azevedo Filho, Instituto Nacional do Livro, Poetas do Modernismo, Pão Poema Processo, Recife, 1970, the first Poema Processo exhibition, 1967, Câmara Cascudo, O Poti, Apolinário Ferreira de Carvalho, Pirapora, Cataguases, Guaxupé, Oliveira, Divinópolis, Uberaba, Franca, Campina Grande, Mossoró, visual poetry, experimental poetry, poem objects, edible poetry, semiotics, visual communication, popular reception, Brazilian avant garde and experimental culture in Northeastern Brazil.
Inglês
Manifesto 93, Resposta aos provincianos, is a typewritten text signed by Anchieta Fernandes on 11 December 1993 and identified as marking the 26th year of Poema Processo.
Dimensions: 12,4 x 8,5 in


