Poesia Viva, projeto de Paulo Bruscky e Unhandeijara Lisboa, Recife, 14 de março de 1977, Dia Nacional da Poesia
Paulo Bruscky
Categoria: Exposição Coletiva Internacional
Acervo: 04652
Data: 14 de março de 1977
Dimensões: 29 x 21,5 cm
Poesia Viva, projeto de Paulo Bruscky e Unhandeijara Lisboa, Recife, 14 de março de 1977, Dia Nacional da Poesia. Documento manifesto ligado à poesia experimental brasileira e às ações de arte e comunicação desenvolvidas em Recife durante a década de 1970. A folha apresenta no cabeçalho a expressão POESIA VIVA formada por figuras humanas que sustentam as letras, seguida da identificação Projeto de Paulo Bruscky & Unhandeijara Lisboa. O texto propõe que a poesia seja entendida como experiência cotidiana e coletiva, presente no corpo, nos gestos, no silêncio, na rua, na fala popular e nas manifestações espontâneas da sociedade. Os autores afirmam que somos a própria obra, as letras móveis e o chão das páginas, defendendo uma poesia que ultrapassa os limites institucionais dos cursos de Letras e dos suplementos literários. O manifesto convoca a poesia viva no meio da rua, no anúncio da cantoria, no grito do camelô, nas pregações religiosas, nas vozes dos repentistas e na súplica teatral dos pedintes. O documento registra ainda uma extensa relação de participantes e colaboradores, entre eles Lea, Ângela, Arnaldo Tobias, Cavani Rosas, Marconi Notaro, Leonhard Duch, Jomard Muniz de Britto, Carlos Cordeiro, Daniel Santiago, Sérgio Bernardo, Paulo Bruscky, Unhandeijara Lisboa, Jack Bezerra, Alberto da Cunha Melo e Marcos Cordeiro. Datado de Recife, Brasil, 14 de março de 1977, o documento integra o contexto histórico do projeto Poesia Viva e do conjunto Viva Viva, 1967 1977, Poema Processo 10 anos, sendo relevante para pesquisas sobre Paulo Bruscky, Unhandeijara Lisboa, Poema Processo, poesia visual, poesia experimental, arte conceitual, performance, intervenção urbana, arte participativa, comunicação alternativa e vanguardas artísticas brasileiras.
Salsa text in English
Poesia Viva, a project by Paulo Bruscky and Unhandeijara Lisboa, Recife, 14 March 1977, National Poetry Day in Brazil. Manifesto document connected with Brazilian experimental poetry and with artistic and communication actions developed in Recife during the 1970s. The sheet features the words POESIA VIVA at the top, formed by human figures holding the individual letters, followed by the identification Project by Paulo Bruscky & Unhandeijara Lisboa. The text proposes poetry as an everyday and collective experience present in the body, gestures, silence, streets, popular speech and spontaneous forms of social expression. The authors state that people themselves are the work, the moving letters and the ground of the pages, advocating a form of poetry that exceeds the institutional limits of literature courses and literary supplements. The manifesto calls for living poetry in the street, in popular singing, in the cries of street vendors, in religious preaching, in the voices of improvised folk poets and in the theatrical appeals of beggars. The document also records a broad group of participants and collaborators, including Lea, Ângela, Arnaldo Tobias, Cavani Rosas, Marconi Notaro, Leonhard Duch, Jomard Muniz de Britto, Carlos Cordeiro, Daniel Santiago, Sérgio Bernardo, Paulo Bruscky, Unhandeijara Lisboa, Jack Bezerra, Alberto da Cunha Melo and Marcos Cordeiro. Dated Recife, Brazil, 14 March 1977, the document belongs to the historical context of the Poesia Viva project and the Viva Viva, 1967 1977, Poema Processo 10 years group of materials. It is relevant to research on Paulo Bruscky, Unhandeijara Lisboa, Poema Processo, visual poetry, experimental poetry, conceptual art, performance, urban intervention, participatory art, alternative communication and Brazilian artistic avant gardes.
Texto de observação em português
Documento do Projeto Poesia Viva concebido por Paulo Bruscky e Unhandeijara Lisboa para o Dia Nacional da Poesia, realizado em Recife em 14 de março de 1977. O texto inicia perguntando ao leitor se sabia que aquele dia era o Dia Nacional da Poesia e contrapõe essa celebração a outras datas comemorativas populares, propondo que a poesia também seja reconhecida como experiência pública e cotidiana. O acontecimento é apresentado como uma homenagem escrita no corpo, falada nos gestos, amorosamente construída no silêncio e percorrida no cotidiano. A formulação transforma corpo, ação, espaço urbano e comportamento em suportes poéticos, aproximando o projeto das práticas de performance, intervenção, poesia visual, arte conceitual e experimentação coletiva características da produção de Paulo Bruscky e de outros artistas ligados às redes alternativas da década de 1970.
O manifesto rejeita uma concepção restrita da poesia como produto exclusivamente literário. Ao afirmar que os participantes são a própria obra, as letras móveis e o chão das páginas, o texto desloca a poesia do livro para a vida. A convocação Faça alguma coisa, ou pelo menos o mínimo que estiver ao seu alcance, dirige se diretamente ao público e reforça o caráter participativo do projeto. A poesia é localizada no meio da rua, na cantoria, no pregão do camelô, nas manifestações religiosas, nas vozes dos repentistas e na representação dos pedintes, integrando cultura popular, oralidade, comunicação urbana e gesto artístico.
Ao final aparece uma relação de pessoas associadas ao acontecimento, incluindo Lea, Ângela, Arnaldo Tobias, Cavani Rosas, Marconi Notaro, Leonhard Duch, Marilene, Jomard Muniz de Britto, Carlos Cordeiro, Daniel Santiago, Sérgio Bernardo, Paulo Bruscky, Unhandeijara Lisboa, Jack Bezerra, Alberto da Cunha Melo e Marcos Cordeiro, além de outros nomes manuscritos de leitura menos segura no documento. A presença de artistas, escritores e agentes culturais amplia a importância da folha como registro de uma rede experimental ativa em Recife. A indicação final Recife, Brasil, 14 de março de 1977, Dia Nacional da Poesia, estabelece com precisão o local, a data e a circunstância da ação. Associado ao conjunto Viva Viva, 1967 1977, Poema Processo 10 anos, este documento constitui fonte primária relevante para a história da poesia experimental brasileira, do Poema Processo, das práticas intermídia, da arte participativa e das redes de vanguarda em Pernambuco e no Brasil.
Observation text in English
Document from the Poesia Viva Project conceived by Paulo Bruscky and Unhandeijara Lisboa for National Poetry Day and carried out in Recife on 14 March 1977. The text begins by asking the reader whether they knew that the date was National Poetry Day and compares this celebration with other popular commemorative dates, proposing that poetry should also be recognized as a public and everyday experience. The event is presented as a tribute written on the body, spoken through gestures, constructed through silence and experienced in daily life. This formulation transforms the body, action, urban space and behavior into poetic supports, connecting the project with performance, intervention, visual poetry, conceptual art and collective experimentation characteristic of the work of Paulo Bruscky and other artists active in alternative networks during the 1970s.
The manifesto rejects a restricted understanding of poetry as an exclusively literary product. By declaring that the participants themselves are the work, the moving letters and the ground of the pages, the text transfers poetry from the book into life. Its call for the public to do something, or at least the minimum within their reach, reinforces the participatory character of the project. Poetry is located in the street, in popular singing, in the cries of street vendors, in religious expression, in the voices of improvised folk poets and in the theatrical gestures of beggars, combining popular culture, orality, urban communication and artistic action.
The final section records people associated with the event, including Lea, Ângela, Arnaldo Tobias, Cavani Rosas, Marconi Notaro, Leonhard Duch, Marilene, Jomard Muniz de Britto, Carlos Cordeiro, Daniel Santiago, Sérgio Bernardo, Paulo Bruscky, Unhandeijara Lisboa, Jack Bezerra, Alberto da Cunha Melo and Marcos Cordeiro, together with additional handwritten names whose reading is less certain in the surviving document. The presence of artists, writers and cultural agents strengthens the importance of the sheet as evidence of an experimental network active in Recife. The concluding identification Recife, Brazil, 14 March 1977, National Poetry Day precisely establishes the place, date and context of the action. Associated with the Viva Viva, 1967 1977, Poema Processo 10 years group of materials, this document is an important primary source for the history of Brazilian experimental poetry, Poema Processo, intermedia practices, participatory art and avant garde networks in Pernambuco and Brazil.
Inglês
Poesia Viva, a project by Paulo Bruscky and Unhandeijara Lisboa, Recife, 14 March 1977, National Poetry Day in Brazil.
Dimensions: 11,4 x 8,5 in
