Home Acervo Livro de artista de Almandrade realizado em 1977 como versão e releitura visual do poema Brasil Meia Meia, de Wlademir Dias Pino, originalmente concebido em 1966.

Livro de artista de Almandrade realizado em 1977 como versão e releitura visual do poema Brasil Meia Meia, de Wlademir Dias Pino, originalmente concebido em 1966.

Almandrade - Antonio Luiz M Andrade

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Categoria: Poema Processo

Acervo: 04556

Data: 1977

Dimensões: 18,8 x 13 cm

Livro de artista de Almandrade realizado em 1977 como versão e releitura visual do poema Brasil Meia Meia, de Wlademir Dias Pino, originalmente concebido em 1966. O próprio trabalho explicita essa relação na página inicial, onde aparecem a palavra versão, o nome W. Dias Pino e a assinatura gráfica de Almandrade. A obra deve ser compreendida como diálogo entre dois artistas fundamentais para a investigação da linguagem visual no Brasil, articulando procedimentos relacionados ao Poema Processo, à poesia visual, ao poema semiótico, à apropriação, à montagem tipográfica e ao livro de artista.Almandrade não reproduz simplesmente o poema de Wlademir Dias Pino. Ele desenvolve uma nova estrutura a partir dele, convertendo palavras, fragmentos de linguagem, letras, símbolos, formas geométricas e signos provenientes da comunicação cotidiana em sucessivas composições gráficas. As páginas funcionam como unidades visuais independentes e, ao mesmo tempo, como partes de uma sequência de leitura. O significado nasce das relações entre forma, posição, escala, oposição, repetição, fragmentação e deslocamento dos signos.Em uma das composições aparecem os termos objeto, trabalho, vida e uso distribuídos ao redor de uma estrutura circular e triangular. No centro encontra se a palavra ESSO, associada à palavra situação e a fragmentos em inglês como many, one, few e the. O conjunto aproxima vocabulário conceitual e signo comercial, produzindo uma leitura em que consumo, trabalho, objeto, uso e vida passam a ocupar um mesmo campo visual.Outra página organiza letras e fragmentos tipográficos dentro de módulos retangulares e de uma estrutura central semelhante a um losango. Palavras e sílabas são interrompidas, superpostas ou reduzidas a elementos gráficos. A linguagem deixa de funcionar apenas como texto e passa a ser tratada como matéria visual.Em outra composição, grandes letras ocupam estruturas triangulares separadas por um círculo negro central. Fragmentos de palavras aparecem distribuídos em diferentes direções e escalas. A geometria organiza uma leitura descontínua na qual não existe uma frase tradicional a ser percorrida da esquerda para a direita. O leitor precisa reconstruir relações entre os elementos.Uma das páginas mais significativas apresenta a palavra OPÇÃO entre duas formas semicirculares. Na parte superior encontram se letras, fragmentos tipográficos e referências gráficas. Na parte inferior aparecem marcas e nomes ligados ao universo econômico e industrial, entre eles Varig, Ford, Volkswagen e Shell. A incorporação desses signos aproxima poesia visual, publicidade, consumo, indústria, circulação e vida urbana. A palavra opção, colocada no centro dessa constelação de marcas, produz uma tensão crítica sobre escolha, consumo e sistemas de comunicação.Outra página apresenta a palavra posição articulada a fragmentos como alta, baixa e outras unidades verbais dispersas em formas curvas. A própria disposição espacial transforma posição em problema visual. Ler a palavra significa também observar onde cada fragmento está colocado, evidenciando a relação entre significado linguístico e localização gráfica.A composição final apresentada nas imagens estabelece uma relação direta entre erro e acerto. As duas palavras são atravessadas e organizadas por uma grande estrutura circular, um X central e setas orientadas em direções opostas. O trabalho converte conceitos antagônicos em relações espaciais e gráficas. Erro e acerto deixam de constituir apenas palavras e passam a funcionar como posições possíveis dentro de um sistema de escolhas e deslocamentos.O livro demonstra o interesse de Almandrade pela transformação da linguagem verbal em estrutura visual e conceitual. A leitura ocorre por associações e relações entre signos e não por uma narrativa linear. Letras podem funcionar simultaneamente como palavra, fragmento, desenho, direção ou massa gráfica. Círculos, triângulos, setas, linhas e módulos organizam campos de força que determinam como o olhar percorre cada página.Realizada em 1977 a partir de Brasil Meia Meia de Wlademir Dias Pino, esta versão de Almandrade constitui importante documento para o estudo das relações entre Poema Processo, poesia visual brasileira, livro de artista, poema semiótico, arte conceitual, design gráfico experimental e apropriação de signos da cultura de massa durante a década de 1970.Salsa text in EnglishArtist book by Almandrade created in 1977 as a visual version and reinterpretation of the poem Brasil Meia Meia by Wlademir Dias Pino, originally conceived in 1966. The work itself explicitly establishes this relationship on its opening page, where the word versão appears together with the name W. Dias Pino and the graphic signature of Almandrade. The piece can be understood as a dialogue between two important figures in the investigation of visual language in Brazil, connecting procedures associated with Poema Processo, visual poetry, semiotic poetry, appropriation, typographic montage and the artist book.Almandrade does not simply reproduce the poem by Wlademir Dias Pino. He develops a new structure from it, transforming words, fragments of language, letters, symbols, geometric forms and signs taken from everyday communication into successive graphic compositions. Each page functions as an independent visual unit while also forming part of a sequential reading process. Meaning emerges through relationships involving form, position, scale, opposition, repetition, fragmentation and displacement.One composition includes the Portuguese words objeto, trabalho, vida and uso distributed around a circular and triangular structure. At the center appears the word ESSO, associated with the word situação and English fragments such as many, one, few and the. The composition brings conceptual vocabulary together with a commercial sign, creating a visual field in which consumption, work, object, use and life occupy the same space.Another page organizes letters and typographic fragments within rectangular modules and a central diamond shaped structure. Words and syllables are interrupted, superimposed or reduced to graphic elements. Language ceases to function exclusively as text and becomes visual material.Another composition places large letters inside triangular structures separated by a central black circle. Word fragments appear in different directions and scales. Geometry establishes a discontinuous reading process in which there is no conventional sentence to be followed from left to right. The reader must reconstruct relationships among the elements.One of the most significant pages presents the word OPÇÃO between two semicircular forms. The upper section contains letters, typographic fragments and graphic references. The lower section incorporates names and trademarks associated with the economic and industrial environment, including Varig, Ford, Volkswagen and Shell. The incorporation of these signs connects visual poetry with advertising, consumption, industry, circulation and urban life. Positioned at the center of this constellation of commercial references, the word opção creates a critical tension involving choice, consumption and communication systems.Another page presents the word posição articulated with fragments such as alta, baixa and other verbal units dispersed inside curved forms. Spatial organization itself transforms position into a visual problem. Reading the word also requires observing the location of each fragment, emphasizing the relationship between linguistic meaning and graphic placement.The final composition visible in the images establishes a direct relationship between erro and acerto. The two Portuguese words meaning error and correctness are organized through a large circular structure, a central X and arrows directed toward opposite sides. The work transforms opposing concepts into spatial and graphic relationships. Error and correctness cease to exist only as words and become possible positions within a system of choices and movements.The book demonstrates Almandrade's interest in transforming verbal language into visual and conceptual structure. Reading takes place through associations and relationships among signs rather than through linear narrative. Letters can simultaneously operate as words, fragments, drawings, directions or graphic masses. Circles, triangles, arrows, lines and modules create visual fields that determine how the viewer moves through each page.Created in 1977 from Brasil Meia Meia by Wlademir Dias Pino, this version by Almandrade represents an important document for the study of relationships among Poema Processo, Brazilian visual poetry, artist books, semiotic poetry, conceptual art, experimental graphic design and the appropriation of mass culture signs during the 1970s.

Texto de observação em portuguêsLivro de artista de Almandrade datado de 1977 e identificado na própria obra como versão de Brasil Meia Meia, poema de Wlademir Dias Pino originalmente realizado em 1966. A primeira página apresenta a indicação versão, a referência gráfica a BR MEIA MEIA, o nome W. Dias Pino e o nome Almandrade, estabelecendo claramente a relação autoral e conceitual entre o trabalho original e sua posterior interpretação.O conjunto apresentado é composto por uma sequência de páginas em papel claro com composições predominantemente em preto, realizadas por desenho, tipografia, letras transferidas ou impressas, fragmentos gráficos e elementos apropriados da comunicação comercial. A linguagem visual utiliza círculos, semicírculos, triângulos, retângulos, losangos, setas, linhas, grandes letras e palavras fragmentadas.Entre os elementos identificáveis encontram se objeto, trabalho, vida, uso, situação, opção, posição, erro e acerto. Também aparecem signos e marcas relacionados à cultura industrial e ao consumo, incluindo ESSO, Ford, Volkswagen, Varig e Shell. Esses elementos são incorporados à composição não apenas como informação verbal, mas como material gráfico e cultural.As páginas trabalham com relações de contraste entre cheio e vazio, grande e pequeno, centro e periferia, fragmentação e unidade, movimento e estabilidade. A leitura exige a participação visual do observador, que precisa relacionar letras, palavras, símbolos e formas distribuídos espacialmente.A presença de termos como opção, posição, erro e acerto reforça uma investigação sobre escolha, direção, localização e transformação do significado. Setas e estruturas geométricas orientam ou contradizem o percurso do olhar. O X, os círculos e as divisões internas funcionam como signos adicionais dentro desse sistema visual.A página relacionada a opção possui particular interesse por incorporar marcas comerciais como Ford, Volkswagen, Varig e Shell, aproximando o poema do universo da publicidade, do consumo, da indústria e dos meios de comunicação da década de 1970.O exemplar apresentado possui na página final a assinatura manuscrita de Almandrade acompanhada da data 1977, importante elemento material para a identificação e documentação da peça.A obra deve ser indexada em associação a Almandrade, Wlademir Dias Pino, Brasil Meia Meia, 1966, 1977, Poema Processo, poesia visual brasileira, poema semiótico, livro de artista, arte conceitual, poesia experimental, tipografia experimental, comunicação visual, apropriação, cultura de massa, publicidade, design gráfico e arte brasileira da década de 1970.Observation text in EnglishArtist book by Almandrade dated 1977 and identified within the work itself as a version of Brasil Meia Meia, a poem originally created by Wlademir Dias Pino in 1966. The opening page includes the word versão, the graphic reference to BR MEIA MEIA, the name W. Dias Pino and the name Almandrade, clearly establishing the conceptual and authorial relationship between the original work and its later interpretation.The documented set consists of a sequence of light colored paper pages containing predominantly black compositions made with drawing, typography, printed or transferred lettering, graphic fragments and elements appropriated from commercial communication. The visual vocabulary includes circles, semicircles, triangles, rectangles, diamond shapes, arrows, lines, large letters and fragmented words.Identifiable elements include objeto, trabalho, vida, uso, situação, opção, posição, erro and acerto. Signs and trademarks associated with industrial and consumer culture are also incorporated, including ESSO, Ford, Volkswagen, Varig and Shell. These elements function not merely as verbal information but also as graphic and cultural material.The pages explore contrasts between filled and empty space, large and small forms, center and periphery, fragmentation and unity, movement and stability. Reading requires active visual participation as the observer connects letters, words, symbols and forms distributed throughout the page.The presence of terms such as opção, posição, erro and acerto reinforces an investigation into choice, direction, location and transformations of meaning. Arrows and geometric structures guide or contradict the movement of the viewer's eye. The X, circles and internal divisions operate as additional signs within this visual system.The page centered on opção is particularly significant because it incorporates commercial references including Ford, Volkswagen, Varig and Shell, connecting the poem to advertising, consumption, industry and the communication environment of the 1970s.The final page of the documented example carries the handwritten signature of Almandrade together with the date 1977, providing an important material element for the identification and documentation of the work.The work should be indexed in association with Almandrade, Wlademir Dias Pino, Brasil Meia Meia, 1966, 1977, Poema Processo, Brazilian visual poetry, semiotic poetry, artist book, conceptual art, experimental poetry, experimental typography, visual communication, appropriation, mass culture, advertising, graphic design and Brazilian art of the 1970s.


Inglês

Artist book by Almandrade created in 1977 as a visual version and reinterpretation of the poem Brasil Meia Meia by Wlademir Dias Pino, originally conceived in 1966.

Dimensions: 7,4 x 5,1 in

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