Home Acervo Panna vierge hlas voix é uma obra de poesia concreta e poesia visual de Ji í Valoch, concebida em 1964 e 1965, período inicial e decisivo de sua investigação com máquina de escrever, estruturas verbais mínimas, tradução, repetição e espacialização da linguagem.

Panna vierge hlas voix é uma obra de poesia concreta e poesia visual de Ji í Valoch, concebida em 1964 e 1965, período inicial e decisivo de sua investigação com máquina de escrever, estruturas verbais mínimas, tradução, repetição e espacialização da linguagem.

Jiri Valoch - Tchecoslováquia

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00551 - 1964-1965 - Envelope Obra de Arte

10 x 30 cm

TEXTO PARA O SALSA EM PORTUGUÊS

Panna vierge hlas voix é uma obra de poesia concreta e poesia visual de Ji

í Valoch, concebida em 1964 e 1965, período inicial e decisivo de sua investigação com máquina de escrever, estruturas verbais mínimas, tradução, repetição e espacialização da linguagem. A folha apresentada possui aproximadamente formato A4 e reúne diversos núcleos tipográficos distribuídos pelo espaço do papel. Na parte inferior aparecem de maneira claramente legível as expressões panna vierge e hlas voix, acompanhadas da identificação datilografada jiri valoch 1964 65, da assinatura manuscrita do artista e da indicação x 200. Essa última inscrição constitui forte evidência de que o exemplar pertenceu a uma edição de duzentos exemplares, embora a publicação ou edição específica responsável por essa tiragem não tenha sido identificada com segurança nas fontes consultadas.

Panna e vierge constituem uma equivalência linguística entre uma palavra de origem tcheca ou eslovaca e a palavra francesa para virgem. Hlas e voix estabelecem uma segunda equivalência, correspondendo a voz. A obra transforma equivalências entre idiomas em material poético. Em vez de utilizar tradução apenas como transferência de significado, Valoch converte palavras, letras, repetições, apagamentos, deslocamentos e intervalos em estruturas gráficas. A página passa a funcionar simultaneamente como campo de leitura, mapa linguístico e composição visual.

Na região superior esquerda observa se uma sequência vertical formada por diferentes combinações de letras. Na região superior direita há outra construção tipográfica em forma descendente e escalonada. Na região central esquerda, a repetição de caracteres associados à palavra panna forma uma estrutura expandida, aproximadamente losangular, construída pelo crescimento e posterior redução da quantidade de letras. No centro direito há outro agrupamento de caracteres organizado espacialmente. A disposição demonstra que o conteúdo da obra não está apenas nas palavras reconhecíveis, mas também nos processos de decomposição, repetição, transformação e reconstrução do signo.

O acervo Poema Processo identifica esta composição como panna vierge / hlas = voix, registro 00552, de Ji

í Valoch, Tchecoslováquia, com datação 1964 66, técnica xerox e dimensões de 30 x 21 cm. A própria folha apresentada, entretanto, contém a inscrição datilografada jiri valoch 1964 65. Para catalogação museológica, essa diferença deve ser preservada. A data inscrita no objeto constitui evidência material de 1964 65, enquanto o registro digital atualmente publicado utiliza o intervalo 1964 66.

Outra documentação independente registra uma obra intitulada Panna vierge, hlas voix, datada de 1964 5, com 30 x 21 cm, pertencente a um conjunto de trabalhos originais enviados por Ji

í Valoch ao pesquisador e artista Tjeerd Deelstra em 1967. Esse exemplar é descrito como assinado e datado posteriormente em 27 de outubro de 1967. A existência de outro exemplar ou versão confirma que a composição circulou internacionalmente e reforça a necessidade de distinguir versões datilografadas, cópias, xerox e exemplares de edição.

A indicação x 200 observável no exemplar ligado a Álvaro de Sá é particularmente importante. Ela sugere que esta folha não deve ser tratada automaticamente como exemplar único. O documento pode pertencer a uma edição, publicação, suplemento ou conjunto gráfico produzido em duzentos exemplares. Nas fontes consultadas não foi possível determinar com segurança o título da publicação na qual essa edição teria sido inserida. Por isso, a existência da tiragem de duzentos pode ser registrada a partir do objeto, mas a identificação editorial deve permanecer como informação a pesquisar.

A documentação é acompanhada por um envelope institucional do Suplemento Literário de Minas Gerais, Belo Horizonte, com a indicação Impressos, endereço editorial na Avenida Augusto de Lima, 273, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, selo postal brasileiro e endereçamento para Álvaro de Sá no então Estado da Guanabara, Rio de Janeiro. O envelope apresenta marcas de circulação, rasuras, desgaste, perdas nas bordas e a anotação posterior Jiri Valoch em tinta vermelha. Esse conjunto fornece um dado de proveniência excepcional, pois associa materialmente uma obra inicial de Valoch ao arquivo de Álvaro de Sá, poeta, artista e formulador central do Poema Processo brasileiro.

A presença da folha no conjunto documental de Álvaro de Sá acrescenta uma evidência importante às relações internacionais entre Ji

í Valoch e o ambiente brasileiro de poesia experimental. Valoch participava do campo internacional da poesia visual desde 1964. Seus primeiros trabalhos utilizavam a máquina de escrever para criar estruturas visuais não semânticas e experiências em que propriedades mecânicas, ópticas e rítmicas da datilografia substituíam a poesia linear convencional.

Panna vierge hlas voix deve ser compreendida como documento relevante da primeira fase de Ji

í Valoch, quando tradução, linguagem internacional, máquina de escrever e estrutura visual se combinavam em uma poética de redução e transformação. A relação material com Álvaro de Sá e a preservação do conjunto no Brasil tornam o documento especialmente importante para reconstruir as conexões entre a poesia experimental da Tchecoslováquia e as redes brasileiras que desembocariam no Poema Processo a partir de 1967. Essa relação não demonstra que Valoch tenha sido integrante formal do movimento brasileiro, mas fornece evidência documental concreta de circulação de sua produção no ambiente de Álvaro de Sá.

SALSA TEXT IN ENGLISH

Panna vierge hlas voix is a concrete and visual poetry work by Ji

í Valoch conceived in 1964 and 1965, during a decisive early phase of his investigations with the typewriter, minimal verbal structures, translation, repetition and the spatial organization of language. The sheet shown is approximately A4 in format and contains several typographic groups distributed across the paper. Near the bottom, the expressions panna vierge and hlas voix are clearly visible together with the typewritten identification jiri valoch 1964 65, the artists handwritten signature and the notation x 200. This final notation provides strong material evidence that the sheet belonged to an edition of two hundred copies, although the specific publication or edition responsible for this print run has not been securely identified in the sources consulted.

Panna and vierge establish a linguistic equivalence between a Czech or Slovak term and the French word for virgin. Hlas and voix establish a second equivalence corresponding to voice. Valoch transforms equivalence between languages into poetic material. Translation is no longer simply a transfer of meaning but becomes a system involving words, letters, repetition, deletion, displacement and interval. The page functions simultaneously as a reading field, a linguistic map and a visual composition.

In the upper left area there is a vertical sequence constructed through changing combinations of letters. In the upper right area another typographic structure develops in a descending stepped formation. In the central left area repeated characters associated with panna form an expanded approximately diamond shaped structure through an increase and subsequent reduction in the quantity of letters. Another spatial grouping of characters appears toward the center right. These arrangements demonstrate that the work resides not only in recognizable words but also in processes of decomposition, repetition, transformation and reconstruction of linguistic signs.

The Poema Processo archive identifies the composition as panna vierge / hlas = voix, registration number 00552, by Ji

í Valoch, Czechoslovakia, dated 1964 66, xerox, measuring 30 x 21 cm. The physical sheet presented here, however, carries the typewritten inscription jiri valoch 1964 65. For museological cataloguing this discrepancy should be preserved. The inscription on the object provides material evidence for 1964 65, while the currently published digital record uses the broader date range 1964 66.

Independent documentation records another work titled Panna vierge, hlas voix, dated 1964 5 and measuring 30 x 21 cm, included among original works sent by Ji

í Valoch to artist and researcher Tjeerd Deelstra in 1967. That example is described as signed and subsequently dated 27 October 1967. The existence of another example or version confirms the international circulation of the composition and makes it especially important to distinguish original typescripts, copies, xerox versions and editioned examples.

The notation x 200 visible on the example associated with Álvaro de Sá is particularly significant. It indicates that this sheet should not automatically be described as a unique object. It may have belonged to an edition, publication, supplement or graphic portfolio produced in two hundred examples. The sources consulted did not securely identify the publication in which this edition appeared. The edition of two hundred can therefore be recorded on the basis of the physical object, while the exact publishing context should remain an open research question.

The work is accompanied by an institutional envelope from the Suplemento Literário de Minas Gerais in Belo Horizonte. The envelope bears the designation Impressos, the editorial address Avenida Augusto de Lima, 273, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil, a Brazilian postage stamp and an address to Álvaro de Sá in the former State of Guanabara, Rio de Janeiro. It also preserves postal wear, crossed out address information, losses along the edges and a later handwritten identification Jiri Valoch in red ink. Together these elements provide exceptional provenance evidence by materially associating an early Valoch work with the archive of Álvaro de Sá, one of the central artists and theorists of the Brazilian Process Poem Movement.

The presence of the sheet within Álvaro de Sás documentary material adds important evidence to the international relationship between Ji

í Valoch and Brazilian experimental poetry. Valoch had been active in visual poetry since 1964. His earliest works used the typewriter to construct non semantic visual structures in which mechanical, optical and rhythmic properties displaced conventional linear poetic writing.

Panna vierge hlas voix should therefore be understood as an important document from the first phase of Ji

í Valochs practice, when translation, international language, typewriting and visual structure were combined into a poetics of reduction and transformation. Its material association with Álvaro de Sá and its preservation in Brazil make the document especially significant for reconstructing connections between Czechoslovak experimental poetry and Brazilian networks that would become associated with the Process Poem Movement from 1967 onward. This relationship does not demonstrate that Valoch formally joined the Brazilian movement, but it provides concrete documentary evidence of the circulation of his work within Álvaro de Sás environment.

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