Home Acervo Miroljub Todorovi Signalisti ka pesma Ugljen BiljePoema Signalista Carbono FloraBelgrado, Iugoslávia1969 e 1970Poesia visual, poesia científica, poesia signalista, desenho e publicação experimental

Miroljub Todorovi Signalisti ka pesma Ugljen BiljePoema Signalista Carbono FloraBelgrado, Iugoslávia1969 e 1970Poesia visual, poesia científica, poesia signalista, desenho e publicação experimental

MIROLJUB TODOROVIC - Signal

-Miroljub+Todorovic+,+Encarte+de+Poema+Signalista+.+Signalisticka+Pesma+Ugljen-Bilje,+1970+,+1a.jpg

03844 - 1969-1970 - Poster

26,5 x 37 cm

Miroljub Todorovi

Signalisti

ka pesma Ugljen Bilje

Poema Signalista Carbono Flora

Belgrado, Iugoslávia

1969 e 1970

Poesia visual, poesia científica, poesia signalista, desenho e publicação experimental

Encarte de Miroljub Todorovi

com o poema visual Signalisti

ka pesma Ugljen Bilje, título que pode ser compreendido como Poema Signalista Carbono Flora ou Poema Signalista Vegetação de Carbono. A composição pertence às pesquisas iniciais do Signalismo realizadas em Belgrado no final da década de 1960 e no começo da década de 1970.

Miroljub Todorovi

foi o fundador e principal teórico do Signalismo, movimento de neovanguarda surgido na antiga Iugoslávia durante a década de 1960. O movimento procurou renovar a literatura e as artes por meio da aproximação entre poesia, imagem, ciência, matemática, tecnologia, semiótica e sistemas de comunicação. O Signalismo incorporou símbolos científicos, fórmulas, diagramas, estruturas visuais e procedimentos experimentais como elementos constitutivos da linguagem artística.

Ugljen Bilje organiza uma paisagem imaginária formada por estruturas celulares, fórmulas químicas, letras e partículas. A obra apresenta um ambiente no qual substâncias, organismos e sinais pertencem a um mesmo processo de transformação.

Na primeira página aparece o título Signalisti

ka pesma Ugljen Bilje. Abaixo dele, letras isoladas de carbono, hidrogênio e nitrogênio, representadas por C, H e N, aparecem distribuídas pelo espaço. Também são visíveis partículas, pontos, formas semelhantes a células e duas ocorrências da fórmula CO2, correspondente ao dióxido de carbono.

Na metade inferior, uma grande forma esférica ocupa o centro da composição. Sua superfície é construída por centenas de pequenos módulos curvos, organizados em movimentos espiralados. A estrutura pode lembrar uma semente, um fruto, uma célula, um planeta ou um organismo microscópico.

A esfera encontra se apoiada sobre uma superfície densamente preenchida por formas semelhantes a flores, células e unidades moleculares. Dentro desse campo aparecem áreas brancas irregulares contendo a fórmula H2O, correspondente à água.

A distribuição das fórmulas cria uma representação poética de processos naturais. Água, dióxido de carbono, carbono, hidrogênio e nitrogênio aparecem como componentes de um ecossistema visual. A imagem sugere germinação, alimentação, troca de matéria, crescimento e transformação energética.

Todorovi

não apresenta uma ilustração científica convencional. Os símbolos químicos não explicam um fenômeno de maneira didática. Eles são deslocados para dentro da estrutura poética e passam a funcionar simultaneamente como informação, palavra, imagem e matéria gráfica.

A esfera central parece absorver ou produzir os elementos espalhados ao redor. Seu desenho em espiral sugere circulação, movimento e concentração. A repetição das unidades curvas cria um ritmo visual próximo de padrões celulares, tecidos orgânicos e formações minerais.

A segunda página amplia o universo representado na primeira. Uma grande estrutura vertical ocupa a região direita e se ramifica em três extensões laterais. A forma pode ser interpretada como tronco, organismo vegetal, sistema vascular, coluna ou arquitetura molecular.

A superfície do tronco e de seus ramos é formada pelos mesmos módulos curvos utilizados na esfera. Em diferentes pontos aparecem estruturas circulares semelhantes a flores, células, núcleos ou órgãos reprodutivos.

À esquerda encontra se uma construção vertical mais estreita, semelhante a uma planta, torre ou instrumento científico. No alto aparece uma forma floral ligada a uma haste. A base se abre em uma estrutura triangular ou cônica.

Entre essas figuras, palavras e fragmentos de frases são distribuídos em linhas curvas, diagonais e semicirculares. A linguagem verbal acompanha o crescimento das formas e abandona a organização tradicional em linhas horizontais.

Entre os fragmentos legíveis aparecem Ugljen Bilje, prirodni, materija, organizam, kretanje, rast, seme,

elija e

ivot. Esses termos remetem a carvão ou carbono, vegetação, natureza, matéria, organismo, movimento, crescimento, semente, célula e vida.

As palavras não constituem uma explicação contínua. Elas funcionam como unidades semânticas espalhadas em torno das estruturas desenhadas. O leitor precisa construir relações entre matéria, organismo, semente, célula, crescimento e vida.

A composição propõe um ciclo no qual a matéria mineral se aproxima da matéria orgânica. O carbono deixa de ser apenas elemento químico e torna se fundamento visual de uma vegetação imaginária. A obra apresenta uma natureza reconstruída por fórmulas, sinais, células e linguagem.

O título Ugljen Bilje combina dois campos aparentemente distintos. Ugljen pode indicar carvão ou carbono, enquanto bilje corresponde a plantas, vegetação ou flora. A associação produz a ideia de uma flora de carbono, uma vegetação tecnológica ou uma forma de vida nascida da transformação da matéria.

Essa combinação corresponde ao interesse signalista pela criação de uma poesia adequada à civilização científica e tecnológica. Todorovi

defendia a redução da palavra ao signo e a incorporação de símbolos matemáticos e científicos capazes de ampliar a comunicação para além dos idiomas nacionais.

O poema também questiona a separação entre ciência e imaginação. Elementos provenientes da química e da biologia são empregados para criar uma paisagem impossível. A precisão das fórmulas convive com formas orgânicas inventadas e com uma sintaxe visual aberta.

O encarte deve ser compreendido como poema visual de duas páginas e como unidade contínua. A primeira página apresenta um campo molecular e uma estrutura esférica em processo de formação. A segunda apresenta o crescimento vertical de formas que podem ser interpretadas como organismos vegetais.

A passagem de uma página para a outra sugere uma narrativa visual. Partículas e substâncias parecem organizar se inicialmente em uma esfera. Em seguida, a matéria transforma se em estrutura ramificada, aproximando química, célula, semente e planta.

A obra não estabelece uma única ordem de leitura. O olhar pode começar pelo título, pelas fórmulas, pela esfera, pelas formas florais, pelas palavras ou pelas estruturas verticais. Cada percurso produz uma relação diferente entre ciência, linguagem e imagem.

Ugljen Bilje integra a fase inicial da produção signalista de Todorovi

, marcada pela investigação de poesia científica, poesia visual, poesia tecnológica e linguagem interdisciplinar. O Signalismo procurava superar a expressão exclusivamente verbal e desenvolver formas de comunicação baseadas na interação entre signos visuais e sonoros.

O currículo enviado por Todorovi

a Álvaro de Sá em 1972 registra Coal Flora como poema cartaz de 1969. Essa designação inglesa apresenta correspondência conceitual direta com Ugljen Bilje e pode identificar a mesma composição ou uma versão relacionada. A data de 1970 fornecida para este encarte deve ser preservada como informação do exemplar, mas acompanhada do registro de que uma obra intitulada Coal Flora aparece documentada pelo artista com a data de 1969.

A diferença entre 1969 e 1970 pode corresponder ao momento da criação, da impressão, da publicação ou da circulação do encarte. As imagens apresentadas não contêm data impressa claramente visível, por isso não é possível resolver a divergência apenas pelo exame visual.

O conjunto possui relevância para a história da poesia visual europeia por demonstrar como Todorovi

transformou conceitos científicos em matéria poética. A obra não utiliza a ciência apenas como tema. Sua estrutura gráfica imita processos de organização, repetição, crescimento e transformação encontrados na natureza.

No contexto do arquivo relacionado ao Poema Processo, Ugljen Bilje permite estabelecer uma aproximação histórica entre duas experiências independentes. Signalismo e Poema Processo investigaram a autonomia do signo, a leitura não linear, a transformação da página em campo visual e a construção de poemas por meio de estruturas, códigos e processos.

A relação entre Todorovi

e o Brasil também foi construída pela circulação de revistas, poemas, cartas e publicações. A partir de 1970, o artista manteve contatos regulares com poetas e artistas internacionais e desenvolveu uma rede de comunicação postal associada à revista Signal e ao Centro de Documentação Signalista.

English

Text for the Salsa program

Miroljub Todorovi

Signalisti

ka pesma Ugljen Bilje

Signalist Poem Coal Flora

Belgrade, Yugoslavia

1969 and 1970

Visual poetry, scientific poetry, Signalist poetry, drawing and experimental publishing

Insert by Miroljub Todorovi

containing the visual poem Signalisti

ka pesma Ugljen Bilje, a title that may be understood as Signalist Poem Coal Flora or Signalist Poem Carbon Flora. The composition belongs to the early Signalist research developed in Belgrade during the late 1960s and early 1970s.

Miroljub Todorovi

was the founder and principal theoretician of Signalism, a neo avant garde movement that emerged in the former Yugoslavia during the 1960s. The movement sought to renew literature and art by connecting poetry, image, science, mathematics, technology, semiotics and communication systems. Signalism incorporated scientific symbols, formulas, diagrams, visual structures and experimental procedures as constitutive elements of artistic language.

Ugljen Bilje organizes an imaginary landscape formed by cellular structures, chemical formulas, letters and particles. The work presents an environment in which substances, organisms and signs belong to a shared process of transformation.

The first page bears the title Signalisti

ka pesma Ugljen Bilje. Beneath it, isolated letters representing carbon, hydrogen and nitrogen, shown as C, H and N, are distributed across the space. Particles, dots, cell like forms and two occurrences of the formula CO2, corresponding to carbon dioxide, are also visible.

A large spherical form occupies the centre of the lower half of the composition. Its surface is constructed from hundreds of small curved modules organized into spiral movements. The structure may resemble a seed, fruit, cell, planet or microscopic organism.

The sphere rests upon a densely filled surface composed of forms resembling flowers, cells and molecular units. Irregular white areas containing the formula H2O, corresponding to water, appear within this field.

The distribution of the formulas creates a poetic representation of natural processes. Water, carbon dioxide, carbon, hydrogen and nitrogen appear as components of a visual ecosystem. The image suggests germination, nourishment, exchange of matter, growth and energetic transformation.

Todorovi

does not present a conventional scientific illustration. The chemical symbols do not explain a phenomenon in a didactic manner. They are displaced into a poetic structure and begin to function simultaneously as information, word, image and graphic matter.

The central sphere appears to absorb or produce the elements distributed around it. Its spiral design suggests circulation, movement and concentration. The repetition of curved units creates a visual rhythm related to cellular patterns, organic tissue and mineral formations.

The second page expands the universe represented on the first. A large vertical structure occupies the right side and branches into three lateral extensions. It may be interpreted as a trunk, plant organism, vascular system, column or molecular architecture.

The surfaces of the trunk and branches are formed from the same curved modules used in the sphere. Circular structures resembling flowers, cells, nuclei or reproductive organs appear at different points.

A narrower vertical construction appears on the left, resembling a plant, tower or scientific instrument. A floral form connected to a stem is positioned at the top. Its base opens into a triangular or conical structure.

Words and sentence fragments are distributed between the figures in curved, diagonal and semicircular lines. Verbal language follows the growth of the forms and abandons the traditional organization of horizontal lines.

Among the legible fragments are Ugljen Bilje, prirodni, materija, organizam, kretanje, rast, seme,

elija and

ivot. These terms refer to coal or carbon, vegetation, nature, matter, organism, movement, growth, seed, cell and life.

The words do not constitute a continuous explanation. They function as semantic units dispersed around the drawn structures. The reader must construct relationships among matter, organism, seed, cell, growth and life.

The composition proposes a cycle in which mineral matter approaches organic matter. Carbon ceases to be merely a chemical element and becomes the visual foundation of an imaginary vegetation. The work presents nature reconstructed through formulas, signs, cells and language.

The title Ugljen Bilje combines two apparently distinct fields. Ugljen may indicate coal or carbon, while bilje means plants, vegetation or flora. Their association produces the idea of carbon flora, technological vegetation or a form of life born from the transformation of matter.

This combination corresponds to the Signalist interest in creating poetry appropriate to scientific and technological civilization. Todorovi

advocated the reduction of the word to the sign and the incorporation of mathematical and scientific symbols capable of expanding communication beyond national languages.

The poem also questions the separation between science and imagination. Elements derived from chemistry and biology are used to create an impossible landscape. The precision of formulas coexists with invented organic forms and an open visual syntax.

The insert should be understood as a two page visual poem and as a continuous unit. The first page presents a molecular field and a spherical structure in formation. The second presents the vertical growth of forms that may be interpreted as plant organisms.

The transition from one page to the other suggests a visual narrative. Particles and substances initially appear to organize themselves within a sphere. Matter then transforms into a branching structure, connecting chemistry, cell, seed and plant.

The work does not establish a single reading order. The viewer may begin with the title, formulas, sphere, floral forms, words or vertical structures. Each path produces a different relationship among science, language and image.

Ugljen Bilje belongs to the early Signalist phase of Todorovi

s production, marked by research into scientific poetry, visual poetry, technological poetry and interdisciplinary language. Signalism sought to overcome exclusively verbal expression and develop forms of communication based on the interaction of visual and sonic signs.

A curriculum sent by Todorovi

to Álvaro de Sá in 1972 records Coal Flora as a poster poem dated 1969. This English designation corresponds directly with the concept of Ugljen Bilje and may identify the same composition or a related version. The date 1970 supplied for this insert should be preserved as information concerning the copy, together with the record that a work entitled Coal Flora was documented by the artist with the date 1969.

The difference between 1969 and 1970 may correspond to creation, printing, publication or circulation. No clearly visible printed date appears in the supplied images, and the discrepancy cannot therefore be resolved through visual examination alone.

The work is important to the history of European visual poetry because it demonstrates how Todorovi

transformed scientific concepts into poetic matter. Science is not used merely as a subject. The graphic structure imitates processes of organization, repetition, growth and transformation found in nature.

Within an archive related to the Process Poem Movement, Ugljen Bilje makes it possible to establish a historical comparison between two independent experiments. Signalism and the Process Poem Movement investigated the autonomy of the sign, nonlinear reading, the transformation of the page into a visual field and the construction of poems through structures, codes and processes.

The relationship between Todorovi

and Brazil was also established through the circulation of magazines, poems, letters and publications. From around 1970, the artist maintained regular contact with international poets and artists and developed a postal communication network associated with Signal magazine and the Signalist Documentation Centre.

-Miroljub+Todorovic+,+Encarte+de+Poema+Signalista+.+Signalisticka+Pesma+Ugljen-Bilje,+1970+,+1a.jpg -Miroljub+Todorovic+,+Encarte+de+Poema+Signalista+.+Signalisticka+Pesma+Ugljen-Bilje,+1970+,+1b.jpg