Miroljub Todorovi AlphabetPoema cartaz signalista número 4Cartaz de divulgação da revista SignalBelgrado, Iugoslávia1974Poesia visual, poesia concreta, Signalismo, arte postal e publicação experimental
MIROLJUB TODOROVIC - Signal
01137 - 1974 - Poster
34 x 20,6 cm
Miroljub Todorovi
Alphabet
Poema cartaz signalista número 4
Cartaz de divulgação da revista Signal
Belgrado, Iugoslávia
1974
Poesia visual, poesia concreta, Signalismo, arte postal e publicação experimental
Cartaz de dupla face de Miroljub Todorovi
relacionado à revista Signal e às pesquisas visuais do Signalismo. Uma das faces apresenta uma convocação internacional para colaboração com a revista. A outra reproduz Alphabet, identificado pelo próprio impresso como poema cartaz signalista número 4.
Miroljub Todorovi
foi o fundador e principal teórico do Signalismo, movimento experimental surgido na Iugoslávia durante a década de 1960. Sua proposta aproximava poesia, artes visuais, ciência, matemática, tecnologia, semiótica, comunicação e sistemas de informação. A revista Signal, fundada em Belgrado em 1970, tornou se o principal veículo editorial do movimento e reuniu autores de diferentes países ligados à poesia concreta, poesia visual, arte conceitual, poesia sonora e experimentação tecnológica.
A face institucional apresenta o emblema gráfico de Signal em grandes dimensões. No centro encontra se a letra S inserida em círculos concêntricos. Oito setas partem da estrutura central e apontam para diferentes direções. Quatro setas contêm a palavra Signal e quatro apresentam pequenos signos semelhantes a antenas ou transmissores.
A organização radial converte a identidade visual da revista em um diagrama de circulação. As setas representam emissão, expansão, deslocamento e recepção de informações. O emblema sintetiza a ideia de uma rede internacional na qual os sinais artísticos poderiam atravessar fronteiras geográficas, linguísticas e políticas.
A palavra Signal aparece em orientações diferentes e rompe a direção convencional da leitura. Para acompanhar integralmente a composição, o observador precisa modificar seu ponto de vista ou girar mentalmente a imagem. Essa estrutura multidirecional corresponde aos princípios da poesia visual signalista, que defendia leituras abertas e realizadas em várias direções.
Abaixo do emblema aparecem o nome Signal e sua definição em sérvio e inglês como revista internacional para pesquisas signalistas. O endereço editorial informado é Dobrinjska 3, 11000 Beograd, Yugoslavia.
A parte inferior contém uma convocação em inglês para que artistas, poetas, editores e pesquisadores colaborassem com Signal. A revista solicitava o envio de livros, cartazes, gravações de poesia sonora, catálogos e outros materiais para serem comentados em suas resenhas.
Essa solicitação demonstra que Signal funcionava como centro internacional de recebimento, seleção, documentação e redistribuição de informações. A revista não era apenas um periódico destinado à leitura. Ela também atuava como arquivo, exposição impressa, plataforma crítica e núcleo de uma rede de correspondência.
O endereço Dobrinjska 3 tornou se um ponto de contato entre Todorovi
e artistas da Europa, América Latina, América do Norte e outras regiões. Publicações, poemas, cartas, catálogos, discos e projetos enviados a Belgrado alimentavam o conteúdo editorial da revista e ampliavam a rede signalista.
A circulação desse cartaz também possuía uma função prática. Ele divulgava a revista, apresentava sua identidade gráfica, comunicava seu endereço e estimulava o envio de novas colaborações. Como material distribuído internacionalmente, aproxima se das práticas da arte postal e da comunicação artística em rede.
A outra face apresenta Alphabet, título em inglês impresso em grandes caracteres. Logo abaixo, a obra é identificada em sérvio e inglês como poema cartaz signalista número 4.
A composição é construída por grandes formas semelhantes a letras ou fragmentos de alfabetos. Essas estruturas são preenchidas por centenas de pequenos círculos que reproduzem visualmente as perfurações dos cartões utilizados nos primeiros sistemas de processamento de dados.
As formas superiores sugerem caracteres monumentais formados por faixas negras perfuradas. Na parte inferior aparecem outros dois módulos inseridos em campos retangulares escuros. O contraste entre preto e branco torna as perfurações o principal elemento gráfico da composição.
Alphabet não apresenta o alfabeto como uma sequência tradicional de letras reconhecíveis. Todorovi
reorganiza a ideia de escrita por meio de formas parcialmente identificáveis, códigos, vazios, repetições e estruturas semelhantes a dados mecanicamente processados.
A obra estabelece uma relação entre linguagem humana e linguagem da máquina. A letra deixa de ser somente unidade fonética ou elemento de uma palavra e passa a funcionar como imagem, matriz, código e configuração espacial.
Os pequenos pontos podem ser interpretados como unidades mínimas de informação. Cada perfuração possui pouco significado quando observada isoladamente, mas sua repetição produz desenhos, ritmos, densidades e possíveis caracteres. O poema é construído pela acumulação e pela organização dessas unidades.
A composição também inverte a relação entre fundo e figura. Em algumas áreas, os pontos claros aparecem sobre formas negras. Em outras, pontos escuros ocupam estruturas brancas inseridas em campos negros. Essa alternância aproxima a obra dos sistemas binários e das operações de presença e ausência utilizadas pela computação.
O título Alphabet amplia a leitura da composição. A obra propõe um alfabeto tecnológico no qual letras, imagens e dados pertencem ao mesmo sistema. Em vez de representar a linguagem existente, Todorovi
procura construir as condições de uma nova linguagem visual adequada à civilização científica e eletrônica.
Registros documentais da revista Signal números 2 e 3, publicada em 1971, já identificam Alphabet como poema cartaz signalista número 4. Isso demonstra que a obra existia e circulava antes de 1974. Portanto, a data de 1974 informada para este exemplar pode corresponder à impressão, distribuição, recebimento ou incorporação específica do cartaz ao arquivo, e não necessariamente à criação original da composição.
O número 4 impresso junto ao título refere se à posição de Alphabet dentro da série de poemas cartaz de Todorovi
. Não deve ser confundido automaticamente com o número 4 da revista Signal.
O conjunto das duas faces une obra e dispositivo de comunicação. De um lado, Alphabet apresenta uma investigação sobre letras, perfurações, códigos e sistemas de leitura. Do outro, a revista convida o destinatário a participar de uma rede internacional por meio do envio de publicações e documentos.
Essa combinação transforma o cartaz em obra visual, anúncio editorial, formulário aberto de colaboração e instrumento de arte postal. O objeto não apenas representa o Signalismo. Ele coloca em funcionamento sua proposta de circulação internacional dos sinais.
No contexto do acervo relacionado a Álvaro de Sá e ao Poema Processo, o cartaz documenta a aproximação entre experiências desenvolvidas na Iugoslávia e no Brasil. Signalismo e Poema Processo possuíam histórias e formulações próprias, mas compartilhavam o interesse pela autonomia do signo, pela transformação visual da linguagem, pela ruptura da leitura linear e pela criação de novos processos de comunicação.
English
Text for the Salsa program
Miroljub Todorovi
Alphabet
Signalist poster poem number 4
Promotional poster for Signal magazine
Belgrade, Yugoslavia
1974
Visual poetry, concrete poetry, Signalism, mail art and experimental publishing
Double sided poster by Miroljub Todorovi
connected with Signal magazine and the visual investigations of Signalism. One side presents an international call for collaboration with the magazine. The other reproduces Alphabet, identified in the printed text as Signalist poster poem number 4.
Miroljub Todorovi
was the founder and principal theoretician of Signalism, an experimental movement that emerged in Yugoslavia during the 1960s. Its program connected poetry, visual art, science, mathematics, technology, semiotics, communication and information systems. Signal magazine, founded in Belgrade in 1970, became the principal editorial platform of the movement and brought together international authors associated with concrete poetry, visual poetry, conceptual art, sound poetry and technological experimentation.
The institutional side presents the Signal emblem on a large scale. At the centre is the letter S placed inside concentric circles. Eight arrows extend outward from the central structure. Four arrows contain the word Signal and four display small signs resembling antennas or transmitters.
The radial organization transforms the visual identity of the magazine into a diagram of circulation. The arrows suggest transmission, expansion, movement and reception of information. The emblem summarizes the idea of an international network through which artistic signals could cross geographical, linguistic and political boundaries.
The word Signal appears in different orientations and disrupts conventional reading direction. To follow the entire composition, the viewer must change position or mentally rotate the image. This multidirectional structure corresponds to Signalist visual poetry, which proposed open reading processes extending in several directions.
Below the emblem are the name Signal and its definition in Serbian and English as an international review for Signalist research. The editorial address is given as Dobrinjska 3, 11000 Beograd, Yugoslavia.
The lower section contains an invitation in English for artists, poets, editors and researchers to collaborate with Signal. The magazine requested books, posters, recordings of sound poetry, catalogues and other materials that could be discussed in its reviews.
This invitation demonstrates that Signal operated as an international centre for receiving, selecting, documenting and redistributing information. It was not simply a periodical intended for reading. It also functioned as an archive, printed exhibition, critical platform and centre of a correspondence network.
Dobrinjska 3 became a point of contact between Todorovi
and artists in Europe, Latin America, North America and other regions. Publications, poems, letters, catalogues, records and projects sent to Belgrade supplied material for the magazine and expanded the Signalist network.
The circulation of the poster also had a practical purpose. It promoted the magazine, presented its visual identity, communicated its address and encouraged new contributions. As material distributed internationally, it was closely related to mail art and network based artistic communication.
The other side presents the title Alphabet in large printed characters. Below it, the work is identified in Serbian and English as Signalist poster poem number 4.
The composition consists of large forms resembling letters or fragments of alphabets. These structures are filled with hundreds of small circles that visually reproduce the perforations found in cards used by early data processing systems.
The upper forms suggest monumental characters constructed from perforated black bands. Two additional modules appear below within dark rectangular fields. The contrast between black and white makes the perforation pattern the central graphic element of the composition.
Alphabet does not present an alphabet as a traditional sequence of recognizable letters. Todorovi
reorganizes the idea of writing through partially identifiable forms, codes, empty spaces, repetition and structures resembling mechanically processed data.
The work establishes a relationship between human language and machine language. The letter ceases to function only as a phonetic unit or as part of a word. It becomes image, matrix, code and spatial configuration.
The small dots may be interpreted as minimal units of information. Each perforation contains little meaning when seen individually, but their repetition produces designs, rhythms, densities and possible characters. The poem emerges from the accumulation and organization of these units.
The composition also reverses the relationship between figure and ground. In some areas, light points appear within black forms. In others, dark points occupy white structures placed inside black fields. This alternation evokes binary systems and the operations of presence and absence used in computing.
The title Alphabet expands the interpretation of the composition. The work proposes a technological alphabet in which letters, images and data belong to the same system. Instead of representing an existing language, Todorovi
attempts to construct the conditions of a new visual language suited to scientific and electronic civilization.
Documentary records from Signal magazine numbers 2 and 3, published in 1971, already identify Alphabet as Signalist poster poem number 4. This demonstrates that the work existed and circulated before 1974. The date 1974 associated with this copy may therefore refer to its printing, distribution, receipt or incorporation into the archive rather than to the original creation of the composition.
The number 4 printed with the title refers to the position of Alphabet within Todorovi
's poster poem series. It should not automatically be interpreted as a reference to issue number 4 of Signal magazine.
Together, the two sides unite artwork and communication device. Alphabet investigates letters, perforations, codes and reading systems. The reverse invites the recipient to participate in an international network by sending publications and documents.
This combination transforms the poster into a visual work, editorial announcement, open collaboration form and mail art instrument. The object does not merely represent Signalism. It activates the movement's proposal for the international circulation of signs.
Within an archive related to Álvaro de Sá and Poema Processo, the poster documents the relationship between experiments developed in Yugoslavia and Brazil. Signalism and Poema Processo had distinct histories and theoretical formulations, but both investigated the autonomy of the sign, the visual transformation of language, the disruption of linear reading and the creation of new communication processes.





