Livro de artista e documento de arte postal de Jean Marc Rastorfer relacionado ao projeto Invitation for a Mail Art Event, produzido no contexto de sua atuação entre Lausanne, Suíça, e a rede internacional de Mail Art.
Jean Marc Rastorfer - França
03783 - 1997 - Livro de Artista
10,5 x 8,5 cm
Livro de artista e documento de arte postal de Jean Marc Rastorfer relacionado ao projeto Invitation for a Mail Art Event, produzido no contexto de sua atuação entre Lausanne, Suíça, e a rede internacional de Mail Art. O conjunto apresentado reúne textos manuscritos em francês e inglês, relatos pessoais, instruções de participação e uma convocatória para criação de selos de artista destinados a uma exposição filatélica em Lausanne. O material revela de maneira particularmente clara a articulação entre livro de artista, correspondência, Artistamps, filatelia experimental e circulação internacional que caracteriza a produção de Rastorfer.
Uma das páginas traz o título Timbres d'artistes, acompanhado das expressões un nouveau projet de Mail art e Art postal. Rastorfer explica que, com o objetivo de contribuir para uma exposição filatélica em Lausanne, pediu a seus correspondentes que lhe enviassem duas modalidades possíveis de participação. A primeira consistia no envio de 100 exemplares de um selo postal criado pelo próprio participante. A segunda consistia na elaboração de um projeto de selo postal para um país fictício ou real. A convocatória transforma o selo, tradicionalmente um instrumento oficial de circulação postal, em campo de criação artística, ficção geográfica e comunicação em rede.
A versão em inglês reforça o caráter internacional do convite. O texto solicita que o destinatário e seus amigos enviem 100 cópias ou mais de um ou vários selos de sua autoria, ou um projeto de selo para uma nação real ou imaginária, podendo também enviar ambas as modalidades. Rastorfer acrescenta que cada participante receberia uma impressão comemorativa e pede que a mensagem fosse repassada aos amigos. O endereço indicado para envio do material é Rastorfer J. M., Case 54, Bergières, CH 1000 Lausanne 22, Suisse, Switzerland.
O caráter viral e descentralizado da convocatória aparece na própria instrução para que cada receptor reproduzisse e repassasse a mensagem. A rede de Mail Art torna se assim mecanismo de expansão do projeto. O convite não depende de galerias ou instituições para chegar aos participantes. Cada artista é simultaneamente receptor, possível participante e agente de redistribuição da informação.
A página intitulada Exposition de timbres d'artistes fornece o contexto da exposição. Rastorfer relata que os dirigentes da SLT, responsáveis por organizar exposições das coleções de seus membros, já haviam recebido por intermédio dele diversos objetos incomuns provenientes de seus álbuns. Segundo o relato, a surpresa aumentou quando ele conseguiu fazer com que os selos de artista fossem efetivamente expostos. O público que compareceu ao Palais de Beaulieu teria demonstrado interesse e surpresa com a qualidade e variedade dos trabalhos, desde especialistas em Helvetia até visitantes não especializados. O texto apresenta a mostra como descoberta de um universo novo e livre.
A documentação bibliográfica confirma a realização em Lausanne de uma Exposition de Timbres d'artistes em 7 de dezembro de 1980, no Palais de Beaulieu, organizada pela Société lausannoise de timbrologie, com catálogo de Jean Marc Rastorfer. A Bibliothèque nationale de France registra a publicação relacionada à exposição, enquanto arquivos especializados conservam chamadas em francês e inglês solicitando o envio de selos de artista para o evento.
O interesse de Rastorfer pelos Artistamps não se encerrou nessa primeira experiência. O Musée d'art et d'histoire de Genève conserva Karenni des artistes et des timbres 200 mail artists create postage stamps, publicado em Lausanne em 1990, reunindo aproximadamente 200 artistas de Mail Art em torno da criação de selos postais de artista. A mesma instituição conserva também Timbres d'artistes II Art postal Mail art, de Jean Marc Rastorfer, em edição de Lausanne de 1995. Esses registros demonstram a continuidade de uma investigação de pelo menos quinze anos sobre selos de artista e arte postal.
As páginas seguintes do conjunto combinam a convocatória artística com textos autobiográficos e de viagem. Em Train direct, Rastorfer descreve uma partida de Heidelberg e uma viagem ferroviária em direção ao sul, passando por trajetos europeus e posteriormente por uma experiência de deslocamento na Ásia. O relato inclui observações sobre trens, ônibus, cidades, turistas e relações humanas, transformando acontecimentos cotidianos em matéria narrativa.
Outro texto menciona a continuação da viagem pela Birmânia, atual Myanmar, incluindo deslocamento até Xio Kien e posteriormente em direção a Dali, junto ao lago Erhai. Rastorfer descreve alojamentos, restaurantes, habitantes locais e a experiência de viajar em regiões pouco familiares. O tom combina diário pessoal, observação cultural e memória de viagem.
Em outra passagem ele relata dificuldades de comunicação e tentativas de obter informações sobre povos e identidades locais. Aparecem referências aos Kayah e a contatos com pessoas capazes de auxiliá lo em suas pesquisas. Esses fragmentos aproximam o livreto de outros trabalhos de Rastorfer relacionados a Myanmar, aos Karenni e aos Kayah, temas que aparecem também em suas publicações posteriores.
A presença simultânea de textos sobre Artistamps e relatos de viagem é importante para compreender a produção do artista. Rastorfer não separa rigidamente a atividade postal da experiência pessoal. Correspondência, pesquisa cultural, viagem, escrita autobiográfica, livro de artista e organização de exposições aparecem integradas em um mesmo sistema de produção.
Documentação da University of Notre Dame preserva correspondência de Jean Marc Rastorfer proveniente de Yangon e ligada a projetos de Mail Art nos anos 1990. O registro inclui convites, pequenos cadernos manuscritos e carimbos relacionados a Mail Art Events, Editions Daobadao, Invitation from Myanmar, Souvenirs en vrac e First True Mail Art Booklet, confirmando que Rastorfer continuava utilizando o formato de pequenos impressos e cadernos distribuídos internacionalmente como parte essencial de sua prática.
A denominação Editions Tlidgafo de Dao Badao também aparece associada às publicações históricas de Rastorfer. A documentação da Bibliothèque nationale de France registra o catálogo da exposição de Lausanne de 1980 sob essa chancela, e fontes bibliográficas posteriores documentam novamente a editora em obras dedicadas aos selos de artista.
O conjunto deve ser entendido como um documento híbrido. Ele não é somente um convite, nem apenas um livro de artista, nem apenas correspondência. Reúne convocatória internacional, instruções para participação, documentação de exposição, reflexão sobre Artistamps, memória autobiográfica e relato de viagem. Essa combinação corresponde à lógica da Mail Art, na qual o objeto artístico não precisa obedecer a uma única categoria material ou institucional.
A peça é especialmente relevante para a história dos Artistamps porque documenta diretamente o processo de construção de uma coleção internacional de selos de artista por Rastorfer. Os participantes eram convidados a produzir múltiplos, imaginar países reais ou fictícios e colocar essas imagens em circulação. O selo deixava de representar apenas a autoridade postal de um Estado e passava a funcionar como microobra, território imaginário e manifestação de identidade artística.
Este exemplar constitui portanto importante registro da trajetória de Jean Marc Rastorfer e de sua participação na formação de redes internacionais dedicadas a Mail Art e Artistamps. Relaciona Lausanne, Palais de Beaulieu, Société lausannoise de timbrologie, Timbres d'artistes, Jean Marc Rastorfer, Editions Tlidgafo de Dao Badao, Artistamps, arte postal, livro de artista, filatelia experimental, Myanmar, viagens e redes internacionais de correspondência artística.
Text for the Salsa program
Artist book and Mail Art document by Jean Marc Rastorfer related to the project Invitation for a Mail Art Event, produced within the context of his activities between Lausanne, Switzerland, and the international Mail Art network. The material presented here combines handwritten texts in French and English, personal narratives, participation instructions and a call for artist designed postage stamps intended for a philatelic exhibition in Lausanne. It clearly demonstrates the intersection of artist books, correspondence, Artistamps, experimental philately and international circulation that characterizes Rastorfer's practice.
One page bears the title Timbres d'artistes together with the expressions un nouveau projet de Mail art and Art postal. Rastorfer explains that, in order to contribute to a philatelic exhibition in Lausanne, he asked his correspondents to send one of two possible forms of participation. The first consisted of 100 copies of a postage stamp of their own creation. The second consisted of a design for a postage stamp for either a fictional or a real country. The invitation transforms the stamp, traditionally an official instrument of postal circulation, into a field for artistic creation, imaginary geography and networked communication.
The English version reinforces the international character of the project. Recipients and their friends are asked to send 100 copies or more of one or several of their own postage stamps, or a design for a stamp for a real or imaginary nation, or both. Rastorfer states that every participant would receive a souvenir print and asks recipients to pass the message to their friends. The address given for submissions is Rastorfer J. M., Case 54, Bergières, CH 1000 Lausanne 22, Suisse, Switzerland.
The decentralized character of the invitation is evident in the instruction to circulate the message further. The Mail Art network itself becomes the mechanism through which the project expands. The invitation does not depend exclusively on galleries or institutions to reach participants. Each artist becomes simultaneously a recipient, a potential contributor and an agent for redistributing information.
The page entitled Exposition de timbres d'artistes provides the exhibition context. Rastorfer writes that the leaders of the SLT, who organized exhibitions of their members' collections, had already received from him a number of unusual objects from his albums. Their surprise reportedly became even greater when he succeeded in having artist stamps exhibited. According to his account, the public attending the Palais de Beaulieu was satisfied and impressed by the quality and variety of the stamps presented, from specialists in Helvetia philately to general visitors and younger audiences. Rastorfer describes the experience as the discovery of a new and free world.
Bibliographic documentation confirms an Exposition de Timbres d'artistes held at the Palais de Beaulieu in Lausanne on December 7, 1980, organized by the Société lausannoise de timbrologie, with a catalogue prepared by Jean Marc Rastorfer. The Bibliothèque nationale de France records the publication connected with the exhibition, while specialized archives preserve French and English calls requesting artist stamp submissions for the event.
Rastorfer's interest in Artistamps continued well beyond this initial project. The Musée d'art et d'histoire de Genève preserves Karenni des artistes et des timbres 200 mail artists create postage stamps, published in Lausanne in 1990 and involving approximately 200 Mail Art artists in the creation of artist designed postage stamps. The same institution also preserves Jean Marc Rastorfer's Timbres d'artistes II Art postal Mail art, published in Lausanne in 1995. These records demonstrate the continuity of an investigation into artist stamps and postal art extending over at least fifteen years.
The following pages combine this artistic call with autobiographical and travel writing. In Train direct, Rastorfer describes leaving Heidelberg and travelling south by train, observing railway routines, fellow passengers and changing landscapes. The narrative later moves toward Asian journeys and includes descriptions of buses, towns, tourists and everyday encounters. Ordinary travel becomes material for autobiographical writing.
Another passage refers to travel through Burma, now Myanmar, including movement toward Xio Kien and subsequently Dali near Lake Erhai. Rastorfer records accommodations, restaurants, local residents and the experience of travelling through unfamiliar environments. The tone combines personal diary, cultural observation and memory.
Elsewhere he describes difficulties of communication and attempts to obtain information about local peoples and identities. References to the Kayah and to people who might assist his research appear within these pages. These fragments establish continuity with other works by Rastorfer concerning Myanmar, the Karenni and Kayah peoples.
The coexistence of texts about Artistamps and personal travel narratives is essential to understanding Rastorfer's practice. Postal activity and personal experience are not treated as separate fields. Correspondence, cultural research, travel, autobiographical writing, artist books and exhibition organization operate together within a single creative system.
The University of Notre Dame preserves correspondence from Jean Marc Rastorfer sent from Yangon and associated with Mail Art projects during the 1990s. The archival description includes invitations, small handwritten booklets and stamps connected with Mail Art Events, Editions Daobadao, Invitation from Myanmar, Souvenirs en vrac and First True Mail Art Booklet. This confirms Rastorfer's continuing use of small printed and handwritten publications distributed internationally as a fundamental component of his artistic practice.
The publishing name Editions Tlidgafo de Dao Badao is also associated with Rastorfer's historical publications. Bibliographic documentation from the Bibliothèque nationale de France records the catalogue of the 1980 Lausanne exhibition under this imprint, and later sources document the same publishing context in works devoted to artist stamps.
The material should therefore be understood as a hybrid document. It is not merely an invitation, an artist book or correspondence. It combines an international call, instructions for participation, exhibition documentation, reflection on Artistamps, autobiographical memory and travel writing. Such a combination corresponds closely to the logic of Mail Art, in which the artistic object does not need to conform to a single material or institutional category.
The work is especially important for the history of Artistamps because it directly documents Rastorfer's process of building an international collection of artist stamps. Participants were invited to produce multiples, imagine real or fictional countries and circulate these images through correspondence. The postage stamp ceased to represent only the authority of a state postal system and became a miniature artwork, an imaginary territory and a statement of artistic identity.
This example is therefore an important record of Jean Marc Rastorfer's career and his participation in international networks devoted to Mail Art and Artistamps. It connects Lausanne, Palais de Beaulieu, Société lausannoise de timbrologie, Timbres d'artistes, Jean Marc Rastorfer, Editions Tlidgafo de Dao Badao, Artistamps, postal art, artist books, experimental philately, Myanmar, travel and international correspondence networks.




