Home Acervo Poesia visual original de Pete Spence, poeta, artista postal e editor australiano ligado à poesia visual, poesia concreta, poesia experimental e às redes internacionais de mail art.

Poesia visual original de Pete Spence, poeta, artista postal e editor australiano ligado à poesia visual, poesia concreta, poesia experimental e às redes internacionais de mail art.

Pete Spence - Peter Spence - Australia

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03772 - - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

29,6 x 21 cm

Poesia visual original de Pete Spence, poeta, artista postal e editor australiano ligado à poesia visual, poesia concreta, poesia experimental e às redes internacionais de mail art. A obra apresenta uma composição em preto e branco baseada na combinação de fragmentos tipográficos, texto impresso, sinais gráficos, imagem de uma mão, notação musical e uma grande forma central semelhante ao símbolo arroba. O conjunto transforma elementos provenientes de diferentes sistemas de comunicação em uma estrutura visual autônoma.

A composição ocupa a região central da folha e é construída sobre um campo negro de contorno irregular. Dentro desse campo surgem elementos provenientes de linguagens distintas. Há fragmentos de texto impresso, caracteres isolados, sinais gráficos, uma imagem de mão, um trecho de pauta musical e a palavra End. Esses componentes não formam uma narrativa convencional. Pete Spence os reorganiza segundo relações de forma, escala, direção e contraste.

O elemento dominante é uma grande estrutura curvilínea formada por texto impresso. Visualmente ela se aproxima do símbolo arroba, embora também possa ser percebida como espiral, circuito ou forma caligráfica. O interior dessa estrutura permanece negro enquanto sua superfície branca é preenchida por pequenas linhas de texto. A palavra escrita deixa assim de ser apenas conteúdo verbal e passa a construir fisicamente uma figura.

Esse procedimento é particularmente significativo dentro da poesia visual. O texto não ocupa simplesmente uma área da composição. Ele produz a própria forma visual. A leitura convencional das palavras torna se secundária diante do movimento circular e da força gráfica criada pela massa tipográfica.

Na parte inferior esquerda surge a imagem branca de uma mão sobre o fundo negro. A mão introduz uma referência direta ao corpo humano e ao gesto. Sua presença pode ser relacionada ao ato de tocar, escrever, enviar, receber ou produzir uma obra, embora nenhuma interpretação específica possa ser considerada definitiva apenas a partir da imagem.

Próxima à mão encontra se a palavra End, claramente legível. A palavra funciona como elemento verbal isolado dentro da composição. Sua posição junto à borda inferior do campo negro pode sugerir encerramento, limite ou conclusão, mas Pete Spence não fornece uma sequência narrativa capaz de definir um único significado. A palavra permanece simultaneamente linguagem e objeto gráfico.

Na parte inferior direita aparece um fragmento de notação musical com linhas de pauta e notas. A inserção de música amplia a diversidade de códigos presentes na obra. Linguagem verbal, sinal gráfico, corpo humano e escrita musical coexistem sem hierarquia evidente. Essa associação produz uma espécie de montagem intersemiótica em que diferentes sistemas de leitura são fragmentados e recombinados.

Outro pequeno elemento apresenta uma forma semelhante a uma folha, asa ou superfície curva preenchida por linhas paralelas muito próximas. Sua textura contrasta com os campos tipográficos e reforça a variedade de materiais visuais reunidos por Spence.

No canto superior esquerdo do campo negro aparecem sinais brancos ornamentais ou tipográficos. No canto superior direito há um pequeno agrupamento vertical de marcas brancas parcialmente interrompidas. Esses elementos acentuam o caráter fragmentário da composição e sugerem que a obra foi construída a partir de recortes, impressos ou materiais gráficos provenientes de diferentes origens.

As bordas irregulares do campo negro têm papel importante. Elas afastam a composição da geometria rígida da página impressa e aproximam o trabalho da linguagem da colagem. A superfície parece ter sido recortada ou reproduzida a partir de um original montado manualmente. Entretanto, não é possível determinar com segurança, apenas pela imagem, se o exemplar corresponde a colagem original, fotocópia, reprodução gráfica ou combinação desses procedimentos.

A obra apresenta assinatura manuscrita Pete Spence na região inferior direita da folha. Ao lado da assinatura aparece uma pequena marca ou sinal gráfico. Não há data claramente identificável. Portanto, o trabalho deve permanecer catalogado como sem data determinada até que outra documentação permita estabelecer uma cronologia segura.

A escolha de uma forma semelhante ao símbolo arroba adquire interesse especial quando observada no contexto das redes de arte postal e comunicação. A arroba tornou se posteriormente um símbolo associado à comunicação eletrônica, mas já possuía longa existência tipográfica anterior. Sem data confirmada para a obra, não é possível atribuir ao elemento uma referência específica à internet ou ao correio eletrônico. O registro museológico deve limitar se à descrição formal de uma grande forma semelhante ao símbolo arroba construída por fragmentos de texto.

A composição evidencia um aspecto central da prática de Pete Spence. O artista trabalha com linguagem já existente, fragmenta sua legibilidade e reorganiza palavras, letras, sinais e imagens em novas estruturas. Essa operação aproxima sua produção da poesia visual internacional e da lógica da mail art, na qual impressos de baixo custo, colagens, fotocópias, cartas, cartões e imagens reproduzíveis circulavam entre artistas de diferentes países.

No conjunto documental relacionado à circulação de Pete Spence no Brasil, a obra também ganha valor histórico. Outros documentos preservados no mesmo contexto registram seu intercâmbio com Avelino de Araújo, Bianor Paulino, Falves Silva e J. Medeiros. A presença desta poesia visual em um arquivo brasileiro deve portanto ser compreendida não apenas como conservação de uma obra individual, mas como testemunho material de uma rede internacional de poesia visual e arte postal entre Austrália e Brasil.

Text for the Salsa program

Original visual poetry work by Pete Spence, Australian poet, mail artist and editor associated with visual poetry, concrete poetry, experimental poetry and international mail art networks. The work presents a black and white composition combining typographic fragments, printed text, graphic signs, the image of a hand, musical notation and a large central form resembling the at sign. Elements originating from different systems of communication are transformed into an autonomous visual structure.

The composition occupies the central area of the sheet and is constructed upon an irregular black field. Within this field are elements belonging to different languages of representation. Printed text fragments, isolated characters, graphic symbols, the image of a hand, a fragment of musical notation and the word End appear together without forming a conventional narrative.

The dominant element is a large curving structure composed of printed text. Visually it resembles the at sign, although it can also be perceived as a spiral, circuit or calligraphic form. Its interior remains dark while its white surface is filled with small lines of printed language. Written text therefore ceases to function only as verbal information and physically constructs the visual form itself.

This procedure is central to the logic of visual poetry. Text does not merely occupy part of the composition. It creates the image. Conventional reading becomes secondary to the circular movement and graphic force generated by the typographic mass.

In the lower left section appears the white image of a human hand against the black background. The hand introduces a direct reference to the body and gesture. It may evoke touching, writing, sending, receiving or making, although no single interpretation can be established securely from the image alone.

Near the hand appears the clearly legible word End. It operates as an isolated verbal element within the composition. Its position close to the lower edge of the black field may suggest closure, boundary or conclusion, but the work provides no conventional narrative sequence capable of fixing a single meaning. The word remains simultaneously language and graphic object.

A fragment of musical notation appears in the lower right area, including staff lines and notes. The presence of music expands the number of codes assembled within the work. Verbal language, graphic signs, the human body and musical writing coexist without an obvious hierarchy.

Another element resembles a leaf, wing or curved surface filled with tightly spaced parallel lines. Its texture differs from both the typographic material and the broad black areas and contributes another level of visual contrast.

Small ornamental or typographic signs appear in the upper left corner of the black field. A separate vertical group of partially interrupted white marks appears in the upper right. These fragments reinforce the montage character of the composition and suggest that the work may have been constructed from diverse printed or graphic sources.

The irregular edges of the black field are visually important. They move the work away from the rigid geometry of conventional printed layout and bring it closer to collage. The image appears to derive from material that may have been manually cut, assembled or reproduced. However, the available photograph does not permit a secure determination of whether the surviving object is an original collage, a photocopy, another form of graphic reproduction or a combination of processes.

The work bears Pete Spence's handwritten signature in the lower right area of the sheet. A small handwritten graphic mark appears beside the signature. No clearly legible date is visible, and the work should therefore remain catalogued as undated until further documentary evidence is located.

The large form resembling the at sign is particularly interesting in the context of communication networks. The at sign later became strongly associated with electronic communication, although it had a much longer typographic history. Because the work is undated, it would be inappropriate to claim a specific reference to email or the internet. A museum record should therefore restrict itself to describing a large text based form visually resembling the at sign.

The composition demonstrates an important aspect of Pete Spence's practice. Existing language is fragmented, deprived of stable legibility and reorganised together with images and signs into new graphic structures. This approach connects his work with international visual poetry and with the material culture of mail art, in which inexpensive printed matter, collage, photocopying, correspondence and reproducible images circulated among artists in different countries.

Within the Brazilian archival context associated with Pete Spence, the work also acquires historical value. Other documents from the same network record his exchanges with Avelino de Araújo, Bianor Paulino, Falves Silva and J. Medeiros. The presence of this visual poem in a Brazilian archive can therefore be understood not only as the preservation of an individual artwork but also as material evidence of an international network of visual poetry and mail art connecting Australia and Brazil.