Home Acervo Carta manuscrita original e texto curatorial de Pete Spence dirigidos ao artista brasileiro Avelino de Araújo, datados de 12 de julho de 1996.

Carta manuscrita original e texto curatorial de Pete Spence dirigidos ao artista brasileiro Avelino de Araújo, datados de 12 de julho de 1996.

Pete Spence - Peter Spence - Australia

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03768 - 12 de Julho de 1996 - Carta Manuscrita

29,7 x 21 cm

Carta manuscrita original e texto curatorial de Pete Spence dirigidos ao artista brasileiro Avelino de Araújo, datados de 12 de julho de 1996. O documento constitui uma evidência primária especialmente importante da relação direta entre o poeta visual e artista postal australiano Pete Spence e Avelino de Araújo, demonstrando que Spence recebeu trabalhos do artista brasileiro, organizou uma exposição com essas obras e posteriormente enviou a Avelino documentação referente à mostra.

Na parte superior da folha encontra se um texto impresso de apresentação intitulado About This Exhibition. Nele Pete Spence descreve o Brasil como um centro de intensa atividade de poesia visual e afirma que a produção brasileira apresenta elevada qualidade. Segundo Spence, essa vitalidade estaria relacionada à existência de numerosas revistas dedicadas à publicação de poesia visual e também ao fato de essa forma literária e artística ter sido aceita e absorvida no país durante várias décadas.

O texto é particularmente relevante por registrar a leitura de um artista australiano sobre o desenvolvimento histórico da poesia visual brasileira. Spence afirma perceber na produção brasileira uma urgência que associa à tradição da poesia concreta no Brasil e considera Avelino de Araújo um exemplo representativo da poesia visual brasileira contemporânea. Sua avaliação confirma que a obra de Avelino era conhecida e apresentada internacionalmente não apenas como produção individual, mas como parte de um campo brasileiro mais amplo de poesia visual e experimentação da linguagem.

A frase final do texto curatorial é especialmente significativa. Pete Spence considera o trabalho de Avelino de Araújo uma amostra representativa da poesia visual brasileira contemporânea. Essa afirmação funciona como testemunho crítico de época e demonstra como Avelino era percebido no exterior durante a década de 1990 por integrantes das redes internacionais de poesia visual e mail art.

Abaixo do texto impresso encontra se a assinatura impressa pete spence e a data manuscrita 12 7 96, correspondente a 12 de julho de 1996. Na metade inferior da folha Spence acrescentou uma mensagem manuscrita diretamente a Avelino.

Na carta, Pete Spence começa dirigindo se a Dear Avelino e reconhece que provavelmente havia tornado difícil para o artista brasileiro responder dentro do prazo estabelecido para seu pedido de obras destinadas a uma pequena exposição. Essa passagem revela que Spence havia solicitado diretamente trabalhos de Avelino para serem apresentados em uma mostra organizada por ele.

Spence informa em seguida que, apesar da limitação de tempo, possuía quantidade suficiente de trabalhos de Avelino para realizar a exposição. Afirma então que estava enviando alguma documentação da mostra ao artista brasileiro. Esse trecho é fundamental porque demonstra que a exposição efetivamente ocorreu e que Pete Spence atuou diretamente na seleção, reunião ou apresentação dos trabalhos de Avelino.

A mensagem termina com Spence declarando que apreciou apresentar a obra de Avelino onde se encontrava e que esperava fazê lo novamente. A formulação confirma que não se tratava apenas de um convite ou projeto não realizado. O próprio organizador declara ter exibido os trabalhos e manifesta intenção de promover novas apresentações no futuro.

O documento não informa de maneira explícita o título oficial da exposição, a instituição, a galeria ou o endereço em que a pequena mostra foi realizada. Por esse motivo esses dados não devem ser preenchidos por suposição. Entretanto, documentação independente confirma que Pete Spence desenvolvia intensa atividade como organizador de exposições de poesia visual na Austrália e que em 1996 esteve relacionado à International Visual Poetry Exhibition realizada no contexto do St Kilda Writers Festival. Essa exposição incluiu vários artistas brasileiros, entre eles Avelino de Araújo, Almandrade, Bianor Paulino, Paulo Bruscky, Geraldo Magela, Hugo Pontes, Neide Dias de Sá e Álvaro de Sá.

A proximidade cronológica entre a carta de 12 de julho de 1996 e a documentação da International Visual Poetry Exhibition de 1996 torna esse contexto particularmente relevante. Contudo, a folha examinada não identifica nominalmente a exposição mencionada por Spence. Assim, sem documentação adicional que estabeleça a correspondência entre os dois registros, é metodologicamente mais seguro afirmar que a carta comprova uma pequena exposição de trabalhos de Avelino organizada ou apresentada por Pete Spence em 1996, enquanto sua identificação exata com a International Visual Poetry Exhibition permanece dependente de confirmação documental.

A atuação curatorial de Spence em exposições internacionais de poesia visual também é confirmada por registros institucionais que documentam uma International Visual Poetry Exhibition no Victorian Writers Centre, Melbourne, organizada por Pete Spence. Sua participação continuada nas redes internacionais também é registrada em 1997, quando circulava uma convocatória para uma International Visual Poetry Exhibition em seu endereço em Ocean Grove, Victoria, Austrália.

A correspondência de julho de 1996 adquire ainda maior importância quando relacionada ao livro de artista Abregement An Essay, também enviado por Pete Spence a Avelino de Araújo em junho de 1996. A dedicatória daquele exemplar estabelece contato direto entre os dois artistas um mês antes desta carta. Considerados conjuntamente, os documentos permitem reconstruir uma sequência precisa de intercâmbio durante 1996. Em junho Pete Spence dedica e envia Abregement An Essay a Avelino. Em julho escreve novamente, comenta o pedido de trabalhos, confirma ter conseguido realizar a exposição e encaminha documentação da apresentação.

A circulação entre Pete Spence e Avelino de Araújo também encontra continuidade na rede de Communicarte, publicação brasileira de Hugo Pontes. Pete Spence já aparecia em Communicarte número 51 em maio de 1995 ao lado de J. Medeiros e outros artistas. Em maio de 1996 participou de Communicarte número 63, juntamente com Fernando Aguiar, Clemente Padín e outros poetas visuais internacionais. Mais tarde, Communicarte número 126 reuniu novamente Pete Spence, Avelino de Araújo e J. Medeiros.

Essa documentação demonstra que o contato entre Pete Spence e Avelino de Araújo não deve ser entendido como episódio isolado. Ele fazia parte de uma rede internacional ativa de poesia visual, publicação independente e mail art que conectava Austrália e Brasil. Avelino possuía desde décadas anteriores ampla participação em redes internacionais de correspondência artística, e documentação de 1982 registra sua presença em circuitos que envolviam artistas do Brasil, Europa, América do Norte, América Latina e outros países.

A carta de 12 de julho de 1996 possui, portanto, valor simultaneamente epistolar, curatorial, crítico e histórico. Como correspondência pessoal, comprova contato direto entre Pete Spence e Avelino de Araújo. Como documento curatorial, registra que trabalhos de Avelino foram solicitados e efetivamente apresentados por Spence. Como texto crítico, conserva uma avaliação contemporânea sobre a poesia visual brasileira e sobre a posição de Avelino dentro desse campo. Como documento de mail art, evidencia o processo internacional de solicitar obras, realizar uma exposição, produzir documentação e devolvê la ao participante por correspondência.

O documento é particularmente relevante para a história da poesia visual brasileira porque registra uma recepção internacional contemporânea à produção de Avelino de Araújo. Pete Spence não apenas reconhece a força do cenário brasileiro, mas situa explicitamente Avelino como representante da poesia visual brasileira de seu tempo. A correspondência documenta assim uma relação concreta entre a produção experimental brasileira e a cena australiana de poesia visual durante a década de 1990.

Text for the Salsa program

Original handwritten letter and curatorial text by Pete Spence addressed to Brazilian artist Avelino de Araújo and dated 12 July 1996. The document is an especially important primary source for establishing the direct relationship between Australian visual poet and mail artist Pete Spence and Avelino de Araújo. It demonstrates that Spence requested works from the Brazilian artist, presented Avelino's work in an exhibition and subsequently sent documentary material concerning that presentation back to him.

The upper section of the sheet contains a printed introductory text entitled About This Exhibition. In it Pete Spence describes Brazil as a centre of intense visual poetry activity and states that Brazilian work is of high quality. According to Spence, this vitality was probably encouraged by the numerous magazines publishing visual poetry in Brazil and by the fact that visual poetry had been accepted and absorbed within Brazilian culture over several decades.

The text is particularly significant because it preserves an Australian artist's contemporary assessment of the development of Brazilian visual poetry. Spence identifies a sense of urgency in Brazilian work and relates it to the country's tradition of concrete poetry. Most importantly, he presents Avelino de Araújo as a representative example of contemporary Brazilian visual poetry.

This assessment functions as a period critical testimony. It demonstrates that Avelino's work was being perceived abroad not simply as an isolated individual practice but as part of a wider Brazilian field of visual poetry and experimental language. Spence's text therefore provides documentary evidence for the international reception of Avelino de Araújo during the 1990s.

Below the printed text appears the printed name pete spence together with the handwritten date 12 7 96. The lower half of the page contains a handwritten personal message addressed directly to Avelino.

Spence begins by acknowledging that he probably made it difficult for Avelino to respond within the time limit he had established when requesting works for a small exhibition. This passage confirms that Spence had directly solicited works from Avelino for an exhibition project.

He then explains that despite the limited response time he had enough of Avelino's work to proceed with the exhibition. Spence states that he is sending documentation of the exhibition to Avelino. This is particularly important because it establishes that the exhibition was not merely proposed but was actually mounted or presented.

The letter concludes with Spence stating that he enjoyed showing Avelino's work where he was and hoped to do so again. This provides direct evidence that Spence considered the presentation successful enough to contemplate further exhibitions of Avelino's work.

The document itself does not identify the official title of the small exhibition, its institution, gallery or precise location. These details should therefore not be supplied through conjecture. Independent documentation does, however, confirm Pete Spence's activity as an organiser of international visual poetry exhibitions in Australia and records a 1996 International Visual Poetry Exhibition associated with the St Kilda Writers Festival. That exhibition included Brazilian participants such as Avelino de Araújo, Almandrade, Bianor Paulino, Paulo Bruscky, Geraldo Magela, Hugo Pontes, Neide Dias de Sá and Álvaro de Sá.

The chronological proximity between the letter dated 12 July 1996 and the documented 1996 International Visual Poetry Exhibition makes this context highly relevant. Nevertheless, the sheet examined does not name that exhibition. Until additional documentary evidence directly links the two records, the safest catalogue description is that the letter confirms a small exhibition of Avelino de Araújo's work organised or presented by Pete Spence in 1996, while its precise identification remains to be confirmed.

Spence's wider curatorial activity is independently documented. An International Visual Poetry Exhibition at the Victorian Writers Centre in Melbourne is recorded as having been organised by Pete Spence. In 1997 an international visual poetry exhibition project also circulated with submissions directed to Pete Spence at Ocean Grove, Victoria, further demonstrating his sustained role as an organiser within international visual poetry networks.

The July 1996 letter becomes still more significant when considered together with the artists book Abregement An Essay, which Pete Spence dedicated to Avelino de Araújo in June 1996. The dedication in that copy establishes direct contact between the two artists approximately one month before this letter. Taken together, the two documents allow a sequence of exchange to be reconstructed. In June Spence dedicated and sent Abregement An Essay to Avelino. In July he wrote again, referred to his request for works, confirmed that he had been able to mount the exhibition and forwarded documentation.

The relationship also continued within the Brazilian publication network Communicarte, edited by Hugo Pontes in Poços de Caldas. Pete Spence appeared in Communicarte number 51 in May 1995 together with J. Medeiros and other international visual poets. In May 1996 he appeared in Communicarte number 63 with Fernando Aguiar, Clemente Padín and others. Later Communicarte number 126 brought Pete Spence, Avelino de Araújo and J. Medeiros together within the same mail art publication.

The July 1996 correspondence should therefore not be interpreted as an isolated episode. It formed part of a sustained international network of visual poetry, independent publishing and mail art connecting Australia and Brazil. Avelino had already participated in extensive international correspondence networks during previous decades, and documentation from 1982 records his connections with artists throughout Brazil, Europe, North America, Latin America and other regions.

The document has simultaneous epistolary, curatorial, critical and historical value. As personal correspondence it establishes direct contact between Pete Spence and Avelino de Araújo. As a curatorial document it confirms that Avelino's works were requested and exhibited. As a critical text it preserves Spence's contemporary assessment of Brazilian visual poetry and Avelino's position within it. As a mail art document it reveals the practical mechanism of the international network through which works were requested by correspondence, exhibited, documented and then communicated back to participating artists.

The letter is therefore an important document for understanding the international reception of Brazilian visual poetry during the 1990s. Pete Spence not only recognises the strength of the Brazilian scene but explicitly positions Avelino de Araújo as a representative practitioner of contemporary Brazilian visual poetry. The correspondence provides material evidence of a direct bridge between Brazilian experimental art and the Australian visual poetry network.