Home Acervo Cartão de arte postal intitulado Poema ecológico I, criado por José Anselmo Alves e enviado a Falves Silva.

Cartão de arte postal intitulado Poema ecológico I, criado por José Anselmo Alves e enviado a Falves Silva.

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03734 - 1980 - Cartao

10,5 x 14,2 cm

Cartão de arte postal intitulado Poema ecológico I, criado por José Anselmo Alves e enviado a Falves Silva. A obra integra poesia visual, colagem, apropriação de textos jornalísticos, comunicação postal e crítica ambiental. Sua composição transforma notícias sobre contaminação de rios, lançamento de esgoto, devastação e degradação urbana em uma estrutura circular que sugere um reservatório, uma tubulação, um curso de água ou uma superfície contaminada.\n\nNa parte frontal, fragmentos de jornais foram recortados e distribuídos dentro de uma ampla forma circular delimitada por áreas escuras. Os textos apresentam notícias sobre poluição hídrica e destruição ambiental em diferentes localidades brasileiras. Entre os fragmentos legíveis encontram se referências ao rio Turvo envenenado, ao rio Piracicaba, ao rio Pardo ameaçado por esgoto, ao rio Santo Anastácio, ao Japuí Mirim, à devastação protegida por guardas armados e à redescoberta de um rio durante obras do metrô.\n\nO título Obra do metrô redescobre rio 72 anos depois ocupa uma área central da composição. Ao redor dele, as demais manchetes formam uma espécie de mapa da degradação das águas. A montagem retira as notícias de seus contextos originais e aproxima acontecimentos ocorridos em cidades e rios distintos. Dessa maneira, a obra converte informações jornalísticas dispersas em uma denúncia visual coletiva sobre poluição, ocupação urbana, despejo de resíduos e negligência ambiental.\n\nA organização circular concentra os textos em um campo fechado, produzindo a impressão de acúmulo e confinamento. A borda escura pode ser interpretada como margem, canal, recipiente, mancha ou zona de contaminação. A ausência de uma narrativa linear obriga o observador a percorrer visualmente os fragmentos e reconstruir as relações entre as notícias. O poema é formado por palavras encontradas, títulos tipográficos, mudanças de direção, sobreposições e diferenças de escala.\n\nO verso identifica diretamente o trabalho como poema ecológico I. Também apresenta, em impressão verde, as expressões Mail Art, Arte Postal e Arte Correo. O uso de três idiomas situa o cartão em uma rede internacional de correspondência artística e facilita sua circulação entre diferentes países e comunidades de artistas.\n\nA mensagem manuscrita dirigida a Falves Silva apresenta tom informal e afetuoso. José Anselmo Alves escreve Falves, tudo bom cabra da peste, a chuva está forte se aguente e encerra com um abraço e sua assinatura. A expressão cabra da peste estabelece uma comunicação familiar e regional entre os correspondentes. A referência à chuva também cria uma relação imediata com o tema da água presente na obra.\n\nNa área destinada ao destinatário, aparece o nome Falves Silva e o endereço na Rua José Rocha, número 16, Candelária, Natal, Rio Grande do Norte, com o antigo código postal 59.000. Dois desenhos verdes semelhantes a mãos segurando pequenos impressos acompanham o endereço. Acima dele aparece a palavra Ronaldo, cuja função exata não pode ser determinada apenas pela imagem.\n\nNa margem superior e na lateral direita encontra se a inscrição manuscrita Viva os carteiros do Brasil. A frase homenageia os trabalhadores responsáveis pela circulação material das obras de arte postal. Sua presença evidencia que o sistema dos Correios não era apenas um meio técnico, mas parte conceitual da produção artística, permitindo o contato entre artistas geograficamente distantes.\n\nO remetente é identificado na impressão vertical como José Anselmo Alves, Caixa Postal 166, São Caetano do Sul, código postal 09.500, São Paulo, Brasil. O documento não apresenta data manuscrita claramente legível nas imagens fornecidas. A presença do antigo sistema de códigos postais, a linguagem gráfica e o contexto da correspondência permitem relacionar o cartão às redes brasileiras de arte postal das décadas finais do século vinte, sem que seja possível estabelecer uma data exata apenas com este exemplar.\n\nPoema ecológico I documenta a atuação de José Anselmo Alves no campo da arte postal, da poesia visual e da crítica ambiental. A obra aproxima jornalismo, comunicação, montagem gráfica e consciência ecológica. Ao enviar o cartão a Falves Silva, o artista insere sua denúncia ambiental em uma rede de circulação experimental vinculada à poesia visual, à arte postal e aos desdobramentos do ambiente cultural do Poema Processo.\n\nTEXT FOR THE SALSA PROGRAM IN ENGLISH\n\nMail art postcard entitled Poema ecológico I, created by José Anselmo Alves and sent to Falves Silva. The work combines visual poetry, collage, appropriated newspaper texts, postal communication, and environmental criticism. Its composition transforms reports about polluted rivers, sewage discharge, devastation, and urban degradation into a circular structure suggesting a reservoir, a pipe, a watercourse, or a contaminated surface.\n\nOn the front, newspaper fragments were cut and arranged within a broad circular form bordered by dark areas. The texts report on water pollution and environmental destruction in several Brazilian locations. Legible fragments refer to the poisoned Turvo River, the Piracicaba River, the Pardo River threatened by sewage, the Santo Anastácio River, the Japuí Mirim, devastation protected by armed guards, and the rediscovery of a river during subway construction.\n\nThe headline Obra do metrô redescobre rio 72 anos depois occupies a central area of the composition. Around it, the remaining headlines form a visual map of water degradation. The collage removes the reports from their original contexts and brings together events concerning different cities and rivers. In this way, the work converts dispersed journalistic information into a collective visual denunciation of pollution, urban occupation, waste disposal, and environmental neglect.\n\nThe circular organization concentrates the texts within an enclosed field, producing an impression of accumulation and confinement. The dark border may be understood as a margin, channel, container, stain, or contaminated zone. The absence of a linear narrative requires the viewer to move through the fragments and reconstruct the relationships among the reports. The poem is formed through found words, typographic headlines, directional changes, overlapping elements, and variations in scale.\n\nThe reverse directly identifies the work as poema ecológico I. It also presents the terms Mail Art, Arte Postal, and Arte Correo printed in green. The use of three languages places the postcard within an international artistic correspondence network and supports its circulation among artists from different countries and linguistic communities.\n\nThe handwritten message addressed to Falves Silva has an informal and affectionate tone. José Anselmo Alves writes Falves, how are you, strong fellow, the rain is heavy, hold on, and closes with an embrace and his signature. The regional expression cabra da peste creates a familiar form of communication between the correspondents. The reference to rain also establishes an immediate relationship with the theme of water developed in the artwork.\n\nThe recipient area contains the name Falves Silva and an address on Rua José Rocha, number 16, Candelária, Natal, Rio Grande do Norte, with the former postal code 59.000. Two green drawings resembling hands holding small printed objects accompany the address. The word Ronaldo appears above the name, although its precise function cannot be determined from the image alone.\n\nAlong the upper margin and right side appears the handwritten statement Viva os carteiros do Brasil, meaning long live the postal workers of Brazil. This phrase honors the workers responsible for the physical circulation of mail art. It demonstrates that the postal system was not merely a technical medium but an essential conceptual component of the work, enabling contact among artists separated by great distances.\n\nThe sender is identified in the vertical printed text as José Anselmo Alves, Caixa Postal 166, São Caetano do Sul, postal code 09.500, São Paulo, Brazil. No clearly legible handwritten date appears in the supplied images. The former postal code system, graphic language, and correspondence context connect the card with Brazilian mail art networks of the final decades of the twentieth century, although an exact date cannot be established from this example alone.\n\nPoema ecológico I documents José Anselmo Alves and his involvement in mail art, visual poetry, and environmental criticism. The work brings together journalism, communication, graphic montage, and ecological awareness. By sending the postcard to Falves Silva, the artist introduced his environmental denunciation into an experimental circulation network connected with visual poetry, mail art, and the broader cultural developments surrounding the Process Poem Movement.

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