ETAPA 3 é uma publicação documental e cultural associada a José de Arimathéa Soares Carvalho, ao Clube Literário Inácio Quinaud e ao ambiente experimental de Pirapora, Minas Gerais, vinculada à divulgação do III Festival de Poesia de Pirapora.
José de Arimathéa - José de Arimathéa Soares de carvalho
03647 - 28 de Fevereiro de 1970 - Envelope
22,5 x 16 cm
ETAPA 3 é uma publicação documental e cultural associada a José de Arimathéa Soares Carvalho, ao Clube Literário Inácio Quinaud e ao ambiente experimental de Pirapora, Minas Gerais, vinculada à divulgação do III Festival de Poesia de Pirapora. O exemplar preserva dedicatória manuscrita dirigida a Anchieta Fernandes e constitui importante evidência da circulação direta de publicações entre Pirapora e Natal, conectando dois núcleos relevantes para a história da poesia experimental brasileira e do Poema Processo. Na mensagem manuscrita, José de Arimathéa informa ao destinatário o envio do número 3 de ETAPA e faz referência a uma ideia ou projeto recebido com entusiasmo, revelando uma relação de intercâmbio intelectual e colaboração entre os correspondentes. A publicação apresenta em destaque III Festival de Poesia de Pirapora e a frase Minas também tem praia, visite Pirapora, articulando promoção cultural, identidade regional e experimentação editorial. O regulamento identifica como instituições responsáveis o Clube Literário Inácio Quinaud e a Prefeitura Municipal de Pirapora. O festival estabelecia três categorias competitivas, Poesia, Poema Processo e Interpretação. Na categoria Poesia eram concedidos o Prêmio Cidade de Pirapora, no valor de NCr$ 500,00, o Prêmio Carlos Drummond de Andrade, de NCr$ 300,00, e o Prêmio Guimarães Rosa, de NCr$ 200,00. Na categoria Poema Processo eram concedidos o Prêmio Mário de Andrade, de NCr$ 200,00, o Prêmio Oswald de Andrade, de NCr$ 100,00, e o Prêmio Anita Malfatti, de NCr$ 50,00. Na categoria Interpretação aparecem o Prêmio Inácio Quinaud, destinado à melhor interpretação, além dos prêmios Dóris Álvares e Armando Braga para segundo e terceiro lugares. O regulamento determinava que poderiam concorrer com poemas inéditos de qualquer tendência ou escola poetas de ambos os sexos. Cada autor podia apresentar até três poesias datilografadas em três vias, enquanto os participantes da categoria Poema Processo podiam apresentar até três trabalhos em uma única via. Os poemas deveriam ser remetidos sob pseudônimo à Prefeitura Municipal de Pirapora, na Avenida Rodolfo Mallard, 331, acompanhados de envelope lacrado contendo identificação completa do autor, título do trabalho e pseudônimo. As inscrições foram previstas entre 1 de março e 30 de abril de 1970, enquanto as inscrições para interpretação se estendiam de 1 de março a 20 de maio. O regulamento determinava ainda que os poemas processo, classificados ou não, seriam expostos durante as solenidades do III Festival de Poesia, demonstrando que o evento reconhecia institucionalmente o Poema Processo não apenas como modalidade competitiva, mas também como produção destinada à apresentação pública. Os prêmios seriam entregues em sessão solene no encerramento do festival, em 3 de junho. Três comissões distintas julgariam poesia, poema processo e interpretação, com membros escolhidos pelo Clube Literário Inácio Quinaud. O documento é datado de Pirapora, 28 de fevereiro de 1970, e registra como coordenadores Domingos Diniz, Carlos Luiz Hatem e Luiz Cardoso. A contracapa apresenta anúncio da Companhia de Navegação do São Francisco, promovendo transporte de cargas, lanchas ônibus para passageiros, viagens entre Pirapora e Juazeiro e turismo pelos antigos vapores do Rio São Francisco, situando a publicação no contexto econômico, geográfico e cultural da cidade. ETAPA 3 constitui documento de grande relevância para a história do Poema Processo, pois demonstra a institucionalização e a circulação da poesia experimental em Minas Gerais no início da década de 1970, com uma categoria específica de premiação dedicada ao poema processo. A correspondência com Anchieta Fernandes amplia seu valor arquivístico ao revelar conexões entre José de Arimathéa, Pirapora e o circuito experimental de Natal associado a artistas e intelectuais como Moacy Cirne e outros participantes do movimentoTEXTO PARA O PROGRAMA SALSA ENGLISH: ETAPA 3 is a documentary and cultural publication associated with José de Arimathéa Soares Carvalho, the Clube Literário Inácio Quinaud and the experimental cultural environment of Pirapora, Minas Gerais, connected with the promotion of the Third Pirapora Poetry Festival. The surviving copy contains a handwritten dedication to Anchieta Fernandes and provides significant evidence of the direct circulation of publications between Pirapora and Natal, connecting two important locations within the history of Brazilian experimental poetry and Poema Processo. In the handwritten message, José de Arimathéa informs the recipient that he is sending number 3 of ETAPA and refers to an idea or project that had been received with enthusiasm, revealing an intellectual exchange between the correspondents. The publication prominently announces the Third Pirapora Poetry Festival and presents the phrase Minas também tem praia, visite Pirapora, combining cultural promotion, regional identity and editorial experimentation. The regulations identify the Clube Literário Inácio Quinaud and the Prefeitura Municipal de Pirapora as the institutions associated with the event. The festival established three competitive categories, Poetry, Poema Processo and Interpretation. In the Poetry category, the awards were the Cidade de Pirapora Prize, valued at NCr$ 500.00, the Carlos Drummond de Andrade Prize, valued at NCr$ 300.00, and the Guimarães Rosa Prize, valued at NCr$ 200.00. The Poema Processo category offered the Mário de Andrade Prize, valued at NCr$ 200.00, the Oswald de Andrade Prize, valued at NCr$ 100.00, and the Anita Malfatti Prize, valued at NCr$ 50.00. The Interpretation category included the Inácio Quinaud Prize for best interpretation, as well as the Dóris Álvares and Armando Braga prizes for second and third place. The regulations stated that poets of any tendency or school could submit unpublished works. Each author could enter up to three typed poems in three copies, while participants in the Poema Processo category could submit up to three works in a single copy. Entries were to be submitted under a pseudonym to the Prefeitura Municipal de Pirapora at Avenida Rodolfo Mallard, 331, accompanied by a sealed envelope containing the author's full identification, the title of the work and the pseudonym. Registration was scheduled from March 1 to April 30, 1970, while interpretation entries were accepted from March 1 to May 20. The regulations further specified that all Poema Processo works, regardless of classification, would be exhibited during the ceremonies of the Third Pirapora Poetry Festival, demonstrating the institutional recognition of Poema Processo both as a competitive category and as work intended for public exhibition. Prizes were to be presented at a formal closing session on June 3. Three separate judging commissions would evaluate poetry, Poema Processo and interpretation, with members selected by the Clube Literário Inácio Quinaud. The document is dated Pirapora, February 28, 1970, and identifies Domingos Diniz, Carlos Luiz Hatem and Luiz Cardoso as coordinators. The back cover contains an advertisement for the Companhia de Navegação do São Francisco, promoting freight transportation, passenger launches, travel between Pirapora and Juazeiro and tourism aboard historic steamships of the São Francisco River, situating the publication within the economic, geographical and cultural context of Pirapora. ETAPA 3 is an important document for the history of Poema Processo because it demonstrates the institutionalization and circulation of experimental poetry in Minas Gerais at the beginning of the 1970s through a festival that established a specific award category for process poetry. The dedication to Anchieta Fernandes further enhances its archival significance by documenting connections between José de Arimathéa, Pirapora and the experimental cultural network of Natal associated with Moacy Cirne and other participants in Poema Processo.





