Home Acervo Projeto 3, Poema Processo, conjunto documental e publicação experimental reunindo obras e proposições de Anchieta Fernandes, Dailor Varela, Falves Silva e Nei Leandro de Castro, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, circa 1970.

Projeto 3, Poema Processo, conjunto documental e publicação experimental reunindo obras e proposições de Anchieta Fernandes, Dailor Varela, Falves Silva e Nei Leandro de Castro, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, circa 1970.

Anchieta Fernandes

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03628 - 1970 - Envelope Obra de Arte

18 x 24,7 cm

Projeto 3, Poema Processo, conjunto documental e publicação experimental reunindo obras e proposições de Anchieta Fernandes, Dailor Varela, Falves Silva e Nei Leandro de Castro, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, circa 1970. O envelope original identifica Projeto 3 e registra o endereço Travessa Extremos, Cidade Alta, Natal, RN, Brasil, apresentando uma correção manuscrita do número 274 para 284. A capa relaciona nominalmente poemas processo de Anchieta Fernandes, Dailor Varela, Falves da Silva e Nei Leandro e apresenta como princípio programático a formulação fundar probabilidades criativas, estabelecer condições que permitam o desencadeamento de versões, consciência crítica. Essa declaração sintetiza aspectos fundamentais da teoria e da prática do Poema Processo, especialmente a substituição da ideia de obra fechada por uma estrutura aberta capaz de gerar versões, transformações e novas possibilidades de leitura e participação. O conjunto reúne trabalhos produzidos em diferentes datas, indicando que o Projeto 3 funciona como núcleo editorial ou documental de apresentação coletiva e não necessariamente como data única de criação de todas as peças. Entre os documentos encontra se Terceira Mundial, de Nei Leandro, datada de 1968 e identificada como objeto poema. A obra apresenta uma forma tridimensional semelhante a um dado ou objeto cúbico, marcada por impressões circulares, sobre um campo de linhas horizontais paralelas. A combinação entre objeto, representação gráfica e repetição transforma a página em campo visual e propõe uma leitura situada entre poesia, objeto e estrutura. A designação objeto poema é especialmente significativa para compreender a ampliação do conceito de poesia promovida pelo Poema Processo, no qual a organização material e visual pode assumir função equivalente ou superior à palavra. Duas proposições identificadas como Falves da Silva, 1970, exploram estruturas geométricas, diagonais, linhas paralelas, planos e sobreposições. Em uma delas, um campo de faixas horizontais e verticais é atravessado por formas triangulares que alteram a orientação espacial da composição. Em outra, figuras angulares e superfícies listradas avançam sobre um campo retangular, produzindo uma estrutura visual dinâmica que sugere deslocamento, dobradura, rotação e transformação. Essas obras evidenciam o interesse do Poema Processo pelas relações entre estrutura, direção, sequência, operação e possibilidade de versões. Outra peça é identificada como poema processo de Dailor Varela, janeiro de 1968, e apresenta uma chave léxica formada pelos conceitos incomunicabilidade e comunicabilidade, representados respectivamente por quadrados vazios e quadrados preenchidos. A composição desenvolve séries de formas geométricas que se aproximam, se sobrepõem, se separam e transformam suas áreas de contato. O poema converte os conceitos de comunicação e incomunicação em um sistema visual, permitindo que relações abstratas sejam lidas por meio da posição e interação dos signos. Essa estrutura representa de maneira exemplar a substituição da sintaxe verbal por uma sintaxe gráfica e operacional. Outra obra atribuída a Dailor Varela e datada de 1970 utiliza recortes e fragmentos tipográficos de imprensa em uma composição de caráter crítico. Expressões como Sem Saídas, O futuro bem amargo, Nunca force a salvação, Antes de ligar a TV, Da Violência, algo de novo surgirá, a arma universal contra nosso computador eletrônico e depois de usado formam um campo fragmentário no qual notícias, publicidade e linguagem dos meios de comunicação são reorganizadas poeticamente. A apropriação da tipografia jornalística converte o discurso cotidiano da imprensa em matéria crítica e visual, produzindo uma leitura relacionada à violência, tecnologia, comunicação de massa, futuro, sociedade e crise. Outra composição realizada por colagem reúne palavras e fragmentos de textos impressos em diferentes direções, escalas e orientações, construindo um campo visual de leitura descontínua. A distribuição espacial das palavras rompe a linearidade convencional e exige do observador escolhas de percurso, estabelecendo uma experiência de leitura aberta e processual. O conjunto inclui ainda uma obra de Anchieta Fernandes datada de 1967, estruturada como sequência de oito módulos quadrangulares. Linhas, pontos e formas geométricas modificam progressivamente suas posições, transformando a estrutura inicial ao longo da sequência. O último módulo incorpora uma forma circular envolvendo parte da composição, sugerindo desenvolvimento, transformação e possibilidade de continuidade. A obra constitui importante exemplo da lógica serial e processual em que o significado não está isolado em uma única imagem, mas emerge das alterações verificadas entre diferentes estados da estrutura. Considerado em sua totalidade, o Projeto 3 documenta a produção experimental desenvolvida em Natal por Anchieta Fernandes, Dailor Varela, Falves Silva e Nei Leandro de Castro e demonstra diferentes possibilidades do Poema Processo, incluindo objeto poema, poema visual, estrutura geométrica, sequência, sistema de signos, colagem tipográfica, apropriação da imprensa, comunicação, incomunicabilidade, participação e geração de versões. A formulação presente no envelope sobre fundar probabilidades criativas e estabelecer condições para o desencadeamento de versões constitui uma chave conceitual fundamental para interpretar o conjunto. O objetivo não é apresentar uma forma definitiva e imutável, mas criar estruturas capazes de produzir outras estruturas e estimular a consciência crítica do receptor. Projeto 3 é um documento relevante para a história do Poema Processo, da poesia visual brasileira, da poesia experimental, da arte conceitual, da comunicação visual e das práticas intermídia desenvolvidas no Nordeste brasileiro entre o final da década de 1960 e o início da década de 1970. A reunião de obras de Anchieta Fernandes, Dailor Varela, Falves Silva e Nei Leandro de Castro registra de maneira material a existência de uma rede de criação coletiva em Natal e sua contribuição para uma das experiências mais radicais de renovação da linguagem poética e visual no Brasil.\n\nTEXTO DE OBSERVAÇÃO EM PORTUGUÊS\n\nConjunto documental original identificado como Projeto 3 e associado ao núcleo do Poema Processo em Natal, Rio Grande do Norte. O envelope relaciona nominalmente Anchieta Fernandes, Dailor Varela, Falves da Silva e Nei Leandro e registra a formulação conceitual fundar probabilidades criativas, estabelecer condições que permitam o desencadeamento de versões, consciência crítica. Essa inscrição deve ser considerada parte fundamental da documentação, pois explicita uma concepção central do Poema Processo baseada na criação de estruturas abertas à transformação e à produção de versões. O endereço impresso apresenta Travessa Extremos, número originalmente impresso como 274 e aparentemente corrigido à mão para 284, Cidade Alta, Natal, RN, Brasil, aspecto que deve ser registrado na catalogação física do documento. Embora o conjunto seja associado a 1970, as peças apresentam datas distintas e devem conservar suas datações individuais. A obra Terceira Mundial, de Nei Leandro, está identificada como objeto poema e datada de 1968. Uma estrutura visual de Dailor Varela apresenta a indicação janeiro de 1968 e utiliza uma chave léxica que relaciona quadrado vazio à incomunicabilidade e quadrado preenchido à comunicabilidade. Outras obras de Falves da Silva estão datadas de 1970 e exploram construções geométricas e relações entre planos e linhas. Uma composição de colagem tipográfica atribuída a Dailor Varela também apresenta data de 1970. A obra de Anchieta Fernandes é datada de 1967 e desenvolve uma sequência modular de transformações geométricas. Essas diferenças cronológicas indicam que o Projeto 3 deve ser compreendido como reunião, apresentação ou circulação de trabalhos produzidos em momentos distintos dentro de uma mesma experiência coletiva. A coexistência de objeto poema, estruturas geométricas, sistemas de comunicação e incomunicação, sequências visuais e colagens de imprensa demonstra a diversidade de linguagens exploradas pelo grupo e a rejeição de uma fórmula estética única. O conjunto possui especial importância para a documentação do núcleo potiguar do Poema Processo e para o estudo das relações entre Anchieta Fernandes, Dailor Varela, Falves Silva e Nei Leandro de Castro. Recomenda se que envelope e todas as folhas internas permaneçam catalogados como unidade documental relacionada, preservando simultaneamente a autoria e a data individual de cada obra. Para pesquisa e indexação, o conjunto deve ser associado a Anchieta Fernandes, Dailor Varela, Falves Silva, Falves da Silva, Nei Leandro, Nei Leandro de Castro, Projeto 3, Poema Processo, Process Poem, Terceira Mundial, objeto poema, poesia visual, poesia experimental, poema visual, arte conceitual, comunicação, incomunicabilidade, comunicabilidade, versões, participação, consciência crítica, estrutura, semiótica, signo visual, colagem, imprensa, tipografia, poesia de vanguarda, Natal, Cidade Alta, Rio Grande do Norte, Nordeste brasileiro, vanguarda brasileira, 1967, 1968 e 1970.

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