Home Acervo Poesia visual original de Pete Spence, assinada e datada de 1994, construída a partir de letras, formas geométricas, linhas, pontos, círculos, percursos e uma palavra isolada.

Poesia visual original de Pete Spence, assinada e datada de 1994, construída a partir de letras, formas geométricas, linhas, pontos, círculos, percursos e uma palavra isolada.

Pete Spence - Peter Spence - Australia

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01176 - 1994 - Impressão Gráfica Offset Sobre Papel

25,5 x 21 cm

Poesia visual original de Pete Spence, assinada e datada de 1994, construída a partir de letras, formas geométricas, linhas, pontos, círculos, percursos e uma palavra isolada. A obra pertence ao campo da poesia visual e da poesia experimental e evidencia o interesse de Spence pela transformação da linguagem em estrutura gráfica, aproximando escrita, desenho, diagrama e composição espacial.

A organização da folha é marcada por um núcleo central formado por linhas horizontais e verticais que se cruzam, criando uma estrutura semelhante a um sistema gráfico ou esquema de orientação. Sobre e ao redor desse eixo aparecem letras isoladas, formas geométricas e sinais que substituem qualquer sequência verbal convencional.

Entre os elementos mais claramente identificáveis estão as letras R e A, além de uma grande forma curva na região inferior esquerda que pode ser percebida como caractere ou elemento gráfico independente. Também aparecem pequenos quadrados, círculos preenchidos, círculos vazados e linhas de diferentes espessuras.

Na região superior direita encontra se a palavra nixe, apresentada verticalmente junto a uma linha reta. A leitura do termo é relativamente clara na imagem, mas seu significado específico dentro da composição não pode ser estabelecido com segurança apenas a partir do documento. Por esse motivo, deve ser preservado como elemento textual original sem interpretação semântica definitiva.

Uma longa linha curva ocupa a região superior direita e termina próxima ao centro da composição. Na região inferior direita aparece um percurso pontilhado ou tracejado que descreve uma curva descendente. Esses diferentes tipos de linha introduzem no trabalho ideias de direção, movimento e trajetória.

Os pequenos círculos também funcionam como pontos de conexão. Alguns aparecem sobre os eixos principais. Outros surgem próximos às letras e às linhas curvas. Essa distribuição transforma a composição em uma espécie de sistema de relações, no qual letras, sinais e formas parecem possuir posições específicas dentro de uma rede.

O grande R situado na parte inferior central é um dos elementos de maior peso visual. A letra está parcialmente integrada às linhas que estruturam a composição e aproxima linguagem e arquitetura gráfica. Nesse contexto, a letra deixa de funcionar somente como signo fonético ou alfabético e passa a atuar como construção visual.

Acima do R aparece uma forma semelhante à letra A ou a uma estrutura triangular aberta. Próximo dela há um círculo de contorno interrompido e um ponto negro. O conjunto reforça a presença simultânea de formas provenientes da tipografia e da geometria.

No lado esquerdo, uma forma horizontal de contorno espesso termina em um pequeno círculo vazado. Acima dela passa uma linha mais fina, enquanto na parte superior se encontra uma barra vertical negra com efeito de gradação ou perda progressiva de densidade. Uma estrutura semelhante aparece horizontalmente à direita, produzindo equilíbrio entre os eixos da composição.

Essa variação de densidade é um aspecto importante da obra. As barras negras não apresentam preenchimento completamente uniforme. Em determinadas extremidades elas se dissolvem gradualmente em partículas mais claras, produzindo um efeito de transição entre matéria sólida e desaparecimento gráfico.

A composição inteira pode ser compreendida como um diagrama poético, mas essa classificação deve ser entendida formalmente e não como descrição de um sistema técnico real. A obra utiliza recursos visuais normalmente associados a diagramas e esquemas, mas não apresenta legenda, chave ou instrução capaz de transformar os sinais em informação objetiva.

A ausência de uma frase completa é fundamental. Pete Spence trabalha com fragmentação e deslocamento de linguagem. Letras e palavras aparecem isoladas de sua função habitual e são reorganizadas de acordo com relações de escala, posição, distância e direção.

O espaço branco ocupa a maior parte da folha e funciona ativamente na composição. A distância entre os elementos cria pausas e permite que cada sinal seja percebido separadamente. A leitura depende do movimento do olhar entre linhas, letras, círculos e formas.

A obra também apresenta uma relação importante entre estabilidade e movimento. As linhas ortogonais centrais criam uma estrutura rígida, enquanto a grande curva superior e o percurso tracejado inferior sugerem deslocamento. O resultado é uma tensão entre geometria e fluxo.

No canto inferior direito encontra se a assinatura manuscrita Pete Spence acompanhada da indicação 94 e de um pequeno sinal gráfico. Essa anotação permite estabelecer 1994 como data segura da obra.

A técnica exata não pode ser determinada somente pela imagem. A composição apresenta características compatíveis com montagem tipográfica e processos de reprodução gráfica em preto e branco, mas não é possível afirmar sem exame físico se se trata de fotocópia, impressão, colagem, xerografia ou combinação desses procedimentos.

Dentro da produção de Pete Spence, esta obra de 1994 reforça seu interesse pela desarticulação da escrita linear e pela criação de sistemas visuais nos quais letras, palavras, linhas e sinais se comportam como unidades espaciais. Ela pertence ao mesmo universo de investigação presente em outros trabalhos do artista nos quais o sentido se constrói pela relação entre linguagem e imagem.

No contexto dos documentos de Pete Spence preservados em redes brasileiras de poesia visual e mail art, a obra também possui valor histórico. Outros materiais documentam intercâmbios de Spence com Avelino de Araújo, Bianor Paulino, Falves Silva e J. Medeiros. A presença desta peça de 1994 nesse contexto ajuda a documentar a circulação internacional da poesia visual australiana e sua conexão com artistas brasileiros.

Text for the Salsa program

Original visual poetry work by Pete Spence, signed and dated 1994, constructed from letters, geometric forms, lines, dots, circles, trajectories and an isolated word. The work belongs to the fields of visual poetry and experimental poetry and demonstrates Spence's interest in transforming language into graphic structure, bringing writing, drawing, diagram and spatial composition together.

The page is organised around a central nucleus formed by intersecting horizontal and vertical lines, creating a structure resembling a graphic system or diagram of orientation. Around this axis appear isolated letters, geometric forms and signs rather than any conventional verbal sequence.

Among the most clearly identifiable elements are the letters R and A, together with a large curved form in the lower left area that may be perceived either as a character or as an autonomous graphic element. Small squares, filled circles, outlined circles and lines of different weights also appear throughout the composition.

In the upper right region appears the word nixe, positioned vertically beside a straight line. The reading of the word is relatively clear in the image, but its specific meaning within the composition cannot be established securely from the surviving document. It should therefore be preserved as an original textual element without assigning a definitive semantic interpretation.

A long curved line occupies the upper right area and terminates near the centre of the composition. In the lower right section a dotted or broken trajectory follows a descending curve. These different line types introduce concepts of direction, movement and route.

Small circles function as points of connection. Some appear directly on the principal axes, while others occur near letters and curved lines. Their placement transforms the composition into a system of relationships in which letters, signs and geometric forms seem to occupy specific positions within a network.

The large R in the lower central area is one of the strongest visual elements. It is partially integrated into the lines structuring the composition and brings language into direct contact with graphic architecture. The letter therefore ceases to function solely as an alphabetic or phonetic sign and becomes a visual construction.

Above the R appears a form resembling the letter A or an open triangular structure. Nearby is a partially outlined circle together with a black dot. These elements reinforce the simultaneous presence of typographic and geometric forms.

On the left, a thick outlined horizontal shape terminates in a small outlined circle. A thinner line passes above it, while a vertical black bar in the upper area appears to fade gradually in density. A comparable horizontal structure appears to the right, creating a visual balance between the main axes.

This variation in density is an important feature of the work. The black bars are not completely uniform. At certain ends they progressively dissolve into lighter particles, creating a transition between solid graphic matter and disappearance.

The composition may be understood formally as a poetic diagram, although this should not be confused with a real technical system. The work employs visual conventions associated with diagrams and schematics but provides no legend, key or instruction that would convert the signs into objective information.

The absence of a complete sentence is fundamental. Pete Spence works through fragmentation and displacement of language. Letters and words are removed from their usual functions and reorganised according to scale, position, distance and direction.

White space occupies most of the sheet and is an active part of the work. The distance between elements creates pauses and allows each sign to be perceived independently. Reading depends upon the movement of the eye among lines, letters, circles and shapes.

The work also establishes a tension between stability and movement. The central orthogonal lines create a rigid framework, while the large upper curve and lower dotted trajectory suggest displacement. The result is a balance between geometry and flow.

Pete Spence's handwritten signature appears in the lower right corner together with the notation 94 and a small graphic mark. This provides secure dating of the work to 1994.

The exact technique cannot be determined from the image alone. The work displays characteristics consistent with typographic montage and black and white graphic reproduction, but it is not possible to establish securely whether the object is a photocopy, print, collage, xerographic work or a combination of these processes without direct examination.

Within Pete Spence's wider practice, this 1994 work reinforces his interest in dismantling linear writing and creating visual systems in which letters, words, lines and signs operate as spatial units. It belongs to the same field of investigation visible in other works by Spence where meaning develops through the relationship between language and image.

Within the documentary context of Pete Spence material preserved through Brazilian visual poetry and mail art networks, the work also possesses historical value. Other documents record his exchanges with Avelino de Araújo, Bianor Paulino, Falves Silva and J. Medeiros. The presence of this 1994 piece within that context contributes to documenting the international circulation of Australian visual poetry and its connections with Brazilian artists.

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