Jornal PXENOKSQ - Juan Pintó e Lubio Cardozo - Venezuela
1. BIOGRAFIA EM PORTUGUÊSK, Periódico Literário, número 2, publicado em agosto e setembro de 1971, em Mérida, Venezuela, é uma publicação independente dedicada à poesia, à literatura experimental, à poesia visual, à crítica literária e à circulação de produções artísticas latino-americanas e internacionais. A edição identifica Juan Pintó e Lubio Cardozo como responsáveis editoriais e reúne trabalhos de escritores, poetas e artistas ligados à experimentação da linguagem, entre eles Alfredo Silva Estrada, Clemente Padín, Wlademir Dias-Pino, Juan Salazar, Joaquim Branco, Juan Pintó e outros participantes. O periódico constitui um documento da circulação de experiências poéticas e visuais na América Latina durante o início da década de 1970, especialmente pelas relações que estabelece com o Poema Processo brasileiro e com a poesia experimental venezuelana e uruguaia.O número 2 de K apresenta uma concepção editorial que integra poemas em diferentes idiomas, traduções, poesia visual, experimentação tipográfica, crítica literária, reprodução de trabalhos gráficos e informações sobre publicações culturais. A diversidade de linguagens reunidas demonstra o interesse dos responsáveis pela revista em estabelecer diálogos entre diferentes tradições literárias e experiências contemporâneas de transformação da escrita.A publicação foi produzida em Mérida, cidade universitária venezuelana que aparece identificada no expediente. O endereço editorial registrado é Apartado 410, Mérida, Venezuela. A presença de correspondências editoriais e referências a periódicos de outros países documenta sua inserção em uma rede de intercâmbio literário que ultrapassava o contexto local.A edição incorpora textos em espanhol, português e francês, além de composições visuais nas quais letras, números, sinais gráficos e imagens assumem funções estruturais. A convivência dessas linguagens permite compreender K como um espaço de experimentação editorial no qual a página impressa participa diretamente da construção poética.Entre os trabalhos apresentados encontra-se Salut, poema de Stéphane Mallarmé, reproduzido em francês e acompanhado por Brindis por Mallarmé y Nosotros, identificado como uma tradução aproximada e circunstanciada do soneto. A presença de Mallarmé estabelece uma referência à tradição de experimentação poética que, desde o final do século XIX, contribuiu para a transformação das relações entre palavra, ritmo, espaço e composição visual.Alfredo Silva Estrada aparece em posição destacada na composição editorial. O nome do poeta venezuelano ocupa a região superior de uma das páginas, associado à presença de poesia em língua francesa e espanhola. Sua participação vincula a publicação ao campo da poesia venezuelana moderna e experimental.Outro trabalho reproduzido é New Map of America del Sur, composição cartográfica de caráter crítico e experimental. A imagem apresenta o contorno da América do Sul preenchido por denominações de empresas, marcas comerciais, instituições e referências norte-americanas. A substituição dos nomes geográficos convencionais por designações comerciais transforma o mapa em comentário visual sobre relações econômicas, culturais e políticas entre a América Latina e os Estados Unidos.O trabalho apresenta os créditos Versión de Luis Canot, según P/Proceso de Jobson Figueiredo. A referência explícita ao Poema Processo constitui um dos elementos documentais mais importantes da edição, pois estabelece uma relação direta entre a publicação venezuelana e a circulação de procedimentos artísticos vinculados ao movimento brasileiro.O Poema Processo surgiu no Brasil em 1967, associado a artistas e poetas como Wlademir Dias-Pino, Álvaro de Sá e Neide de Sá. Suas experiências investigaram a autonomia dos signos visuais, a transformação das estruturas de leitura e as possibilidades de comunicação poética para além da organização verbal convencional. No contexto de K, a reprodução de um trabalho identificado com o Poema Processo demonstra a recepção dessas experiências em um periódico literário venezuelano.A participação de Wlademir Dias-Pino é documentada de maneira ainda mais direta pela reprodução de Numéricos 1960, Anexo 1, identificada com o nome do artista. A composição utiliza algarismos distribuídos em diferentes posições e orientações, organizados como uma estrutura gráfica autônoma. Os números deixam de funcionar apenas como unidades matemáticas e passam a estabelecer relações visuais de repetição, rotação, agrupamento e contraste.Numéricos constitui uma referência importante na trajetória de Wlademir Dias-Pino e em suas pesquisas sobre a linguagem visual. Sua reprodução em K, em 1971, registra a circulação internacional de experiências desenvolvidas pelo artista brasileiro na passagem dos anos 1950 para os anos 1960.Na mesma página aparecem uma composição visual creditada a Charles Correa e o trabalho Consoantes, de Joaquim Branco. A obra de Joaquim Branco articula letras, representação gráfica de pontos de articulação e referências fonéticas. A composição apresenta categorias como bilabiais, labiodentais, alveolares, palatais e velares, relacionando os sons da linguagem à organização visual dos elementos impressos.A presença de Consoantes demonstra o interesse pela investigação das relações entre escrita, corpo, som e imagem. A linguagem deixa de ser apresentada exclusivamente como discurso verbal e passa a incorporar seus mecanismos de produção e articulação.Clemente Padín, poeta e artista uruguaio ligado à poesia experimental e à arte postal, participa da edição com El Visitante, texto acompanhado por uma composição gráfica. O nome do artista aparece na parte inferior da página, associado à indicação de 1968.A participação de Padín é especialmente relevante para compreender a circulação regional da poesia visual latino-americana. O artista esteve ligado às publicações experimentais uruguaias Los Huevos del Plata, Ovum 10 e Ovum, importantes veículos de intercâmbio entre poetas, artistas e editores interessados em novas formas de expressão.A seção Hemos Recibido documenta a comunicação de K com outras revistas e iniciativas editoriais. Entre os periódicos mencionados encontram-se Espiral, de Bogotá, Caracola, da Espanha, Revista de Bellas Artes, do México, Zona Franca, da Venezuela, Ovum 10, de Montevidéu, e publicações da Colômbia, do Peru e de outros países latino-americanos.O registro dessas publicações demonstra que K mantinha contato com uma rede internacional de revistas literárias, muitas delas dedicadas às vanguardas poéticas e à renovação das formas de circulação cultural. As referências a Clemente Padín e a Ovum 10 estabelecem uma conexão documental com o ambiente de intercâmbio que também alimentou a poesia experimental e a arte postal latino-americana.A seção de resenhas, intitulada Recensiones, reúne comentários sobre livros de poesia, estética, crítica literária e estudos culturais. Entre os autores e publicações mencionados aparecem Blas Perozo Naveda, Alfredo Chacón, Gillo Dorfles e trabalhos relacionados à crítica da literatura latino-americana.As resenhas discutem problemas da criação poética, da modernidade artística, da experimentação estética e das relações entre literatura e sociedade. A presença desses textos revela que K não se limitava à publicação de poemas, mas também funcionava como espaço de debate intelectual e acompanhamento da produção editorial contemporânea.Outras páginas apresentam trabalhos de Juan Salazar, Juan Pintó, textos vinculados ao nome Meneses e a composição Páramo, de Sinécio Márquez Sosa. Também aparecem textos de Eddy Pérez, Carlos A. Culleré e autores relacionados à poesia e à literatura venezuelana.A utilização de diferentes orientações tipográficas constitui uma característica importante da edição. Alguns poemas aparecem dispostos verticalmente ou acompanhados por imagens, enquanto outros utilizam contrastes de tamanho, distribuição irregular das palavras e recursos gráficos que alteram a organização convencional da página.Essa experimentação formal aproxima a publicação de procedimentos da poesia concreta, da poesia visual e de outras vertentes da literatura experimental, sem que essas categorias representem necessariamente uma filiação única de todos os autores participantes.A relevância histórica do número 2 de K está particularmente relacionada à reunião de três experiências fundamentais para a compreensão da poesia experimental latino-americana: a reprodução de Numéricos, de Wlademir Dias-Pino, a referência ao Poema Processo no mapa associado a Jobson Figueiredo e Luis Canot, e a participação de Clemente Padín, artista ligado às publicações experimentais uruguaias.Esses registros documentam a circulação de linguagens e propostas artísticas entre Brasil, Venezuela e Uruguai em 1971. A publicação representa um testemunho material das redes de colaboração, leitura, reprodução e intercâmbio editorial que contribuíram para a difusão da poesia visual e das vanguardas experimentais na América Latina.O exemplar constitui uma fonte primária para pesquisas sobre a história da poesia experimental brasileira, venezuelana e uruguaia, a circulação internacional do Poema Processo, a trajetória de Wlademir Dias-Pino, a atuação de Clemente Padín e o papel dos periódicos independentes na formação de redes culturais latino-americanas.
