Devis G. - Devis Granziera - Italia
BIOGRAFIA EM PORTUGUÊSDevis G. é a identificação artística presente em uma obra de colagem, poesia visual e intervenção gráfica enviada a J. Medeiros no Brasil e vinculada ao endereço postal P.O. Box 47, 36060 Spin, VI, Italia. O documento constitui evidência primária de sua inserção em circuitos internacionais de correspondência artística e aproxima sua produção da Mail Art, poesia visual, collage, arte postal, publicação independente e cultura gráfica underground. A peça apresenta repetidamente o nome DEVIS G. e o endereço italiano, combinados com fragmentos de textos, manchas de cor, escrita gestual, apropriação de materiais impressos, objeto aderido e uma pequena composição em papel na parte inferior direita.A pesquisa externa identifica Devis G. como um dos nomes utilizados pelo artista e músico experimental italiano Devis Granziera, ligado à região de Vicenza e Bassano del Grappa. Fontes dedicadas à cultura experimental italiana registram explicitamente Devis Granziera também como Devis G. e documentam sua atuação em projetos de música eletrônica, industrial, noise, experimentação sonora e cultura independente. Entretanto, não foi localizada nas fontes abertas consultadas uma comprovação independente que associe diretamente o endereço P.O. Box 47, 36060 Spin, VI, Italia ao nome completo Devis Granziera. Por rigor de catalogação, o objeto deve ser registrado inicialmente sob o nome documental Devis G., mantendo Devis Granziera como possível identificação a ser confirmada por documentação adicional.A obra enviada a J. Medeiros apresenta forte caráter de assemblage postal. O nome e o endereço do remetente são repetidos verticalmente diversas vezes, criando uma estrutura serial que ultrapassa a função informativa do endereço e passa a funcionar como elemento visual. Essa repetição transforma identidade, localização e sistema postal em matéria gráfica. A caixa postal aparece assim não apenas como dado de contato, mas como signo integrado à composição.Na região esquerda encontra se uma área de colagem sobre tonalidade rosada, formada por pequenos fragmentos de texto recortados e reorganizados verticalmente. Entre as expressões claramente legíveis aparecem libera morte, I sette sigilli e canto di danza. Outros fragmentos apresentam leitura parcial e não devem ser transcritos como frases completas sem documentação de maior resolução. O procedimento aproxima a obra da poesia encontrada, da poesia visual e da montagem verbal, pois palavras originalmente pertencentes a outros contextos são isoladas e transformadas em unidades poéticas autônomas.O fragmento I sette sigilli, correspondente a Os sete selos, introduz uma referência de caráter bíblico e apocalíptico. A expressão libera morte aproxima liberdade e morte em uma construção verbal de forte tensão semântica, enquanto canto di danza introduz a ideia de movimento, ritual e corpo. Essas palavras não formam necessariamente um texto narrativo contínuo, mas funcionam como campos de associação dentro da montagem.A zona central e superior da obra recebe grande intervenção manuscrita em tinta preta, formada por linhas gestuais que atravessam os carimbos ou impressões repetidas do endereço. Na lateral direita aparece uma inscrição numérica manuscrita que parece corresponder a 95. Essa marca pode indicar 1995, interpretação coerente com a cronologia conhecida de Devis G., mas, como não está acompanhada por uma data escrita de maneira inequívoca, a catalogação deve registrar 1995 como data provável indicada no próprio objeto e não como data definitivamente comprovada por documentação postal.Na parte inferior direita está aderido um pequeno retângulo de papel de aparência envelhecida, dobrado e marcado, contendo uma forma curva impressa ou desenhada. A incorporação desse elemento tridimensional reforça a natureza material da obra, aproximando a superfície de uma assemblage. Há também pequeno fragmento figurativo recortado e colado próximo à região inferior central, ampliando a combinação entre texto, imagem, objeto e intervenção manual.O conjunto apresenta procedimentos característicos da Mail Art das décadas finais do século XX. Identidade postal, endereço, repetição tipográfica, fragmentos de textos, colagem, marcas manuais e objetos encontrados são integrados numa composição destinada à circulação. O fato de a peça ter sido enviada a J. Medeiros acrescenta uma dimensão relacional fundamental. A obra não deve ser considerada apenas uma colagem isolada, mas documento de um intercâmbio entre um participante da cena experimental italiana e uma rede brasileira de arte por correspondência.A possível identificação de Devis G. com Devis Granziera encontra respaldo adicional na geografia e na cronologia. Fontes relacionadas à cena musical experimental registram Devis Granziera em Bassano del Grappa, província de Vicenza, e indicam Devis G. como um de seus nomes de atuação. Um projeto denominado Spin, desenvolvido em colaboração entre Devis G. e Stefano Barban, já estava ativo no início da década de 1990, com registro de uma fita intitulada Pout Purri em 1991. Essa coincidência entre o nome Devis G., a referência Spin presente no endereço do documento e a região de Vicenza é significativa, embora não seja suficiente, isoladamente, para transformar a identificação em certeza documental.A partir de 1993, Devis Granziera aparece documentado como integrante fundamental do projeto experimental Teatro Satanico. O site oficial do grupo informa atividade desde 1993 no campo da música eletrônica pós industrial e noise e identifica Devis Granziera em sua formação. Documentação de lançamentos daquele período registra ainda a forma deviLs g. associada explicitamente a Devis Granziera. A trajetória posterior inclui colaboração com Cristiano Deison, que descreve Devis Granziera como um dos nomes históricos da cena experimental industrial italiana.A atuação de Devis Granziera não permaneceu restrita ao som. Em documentação posterior ele aparece também em contextos de artes visuais. Em 2013 participou de BAU Dieci, publicação objeto de cultura contemporânea que reuniu artistas internacionais ligados a gráfica, collage, fotografia, poesia, performance, experimentação sonora e práticas editoriais, ao lado de nomes historicamente associados à Mail Art como Vittore Baroni, Ryosuke Cohen, György Galántai, Ruggero Maggi e Lutz Wohlrab. Em 2019 foi igualmente documentado como curador e autor de trabalho fotográfico em uma exposição que articulava arte visual e experimentação sonora. Esses registros tornam plausível uma continuidade entre atividade visual, postal e sonora, mas não substituem a necessidade de confirmar documentalmente que a peça enviada a J. Medeiros pertence ao mesmo Devis Granziera.A obra preservada permite, independentemente dessa identificação completa, estabelecer com segurança a existência de um artista ou agente experimental identificado como Devis G. em uma rede postal entre Itália e Brasil. Seu endereço P.O. Box 47, 36060 Spin, VI, Italia deve ser indexado como informação documental fundamental. J. Medeiros deve ser relacionado como destinatário e correspondente. Os termos Mail Art, Arte Postal, poesia visual, colagem, assemblage, poesia encontrada, intervenção gráfica, cultura independente, Itália, Vicenza e Brasil são pertinentes para a recuperação semântica do documento.Não foi localizada comprovação de participação de Devis G. no movimento brasileiro Poema Processo. Sua relação com o campo de pesquisa do Salsa ocorre através da correspondência com J. Medeiros e das afinidades com poesia visual, Mail Art, arte conceitual, publicação alternativa e redes internacionais de experimentação. A peça amplia a documentação de conexões entre artistas italianos e brasileiros e constitui fonte primária particularmente importante porque preserva simultaneamente identidade postal, endereço, linguagem visual e evidência material de intercâmbio.
