Mike Dyar - California - USA - Eat Art
Mike Dyar, também registrado como Myke Dyar e identificado pelo nome artístico Eat Art, é um artista norte americano ligado à arte postal, à arte conceitual, à poesia visual, à colagem, ao livro objeto, à publicação de artista, aos carimbos de borracha e às redes internacionais de correspondência. Sua atividade está documentada desde a década de 1970 em São Francisco, Califórnia, e prossegue no século vinte e um. O artista transformou alimentos, imagens de comida, instruções postais, fotografias, envelopes, cartões, objetos encontrados e materiais recebidos de outros correspondentes em obras concebidas para circulação. Sua produção possui importância para a história da mail art por articular humor, participação, transformação material, reciclagem de correspondências e crítica às fronteiras entre objeto artístico, consumo e comunicação.O nome Mike Dyar aparece como forma principal nos arquivos consultados. A University of Iowa registra também as formas Myke Dyar e Eat Art. Essa documentação relaciona sua produção à arte por correspondência, ao neodadaísmo, à assemblage, à arte conceitual, à poesia concreta, à poesia encontrada, à história em quadrinhos e às artes visuais. Não foram localizados nas fontes consultadas seu nome civil completo, data de nascimento, local de nascimento, formação acadêmica ou informações familiares.A cidade mais consistentemente associada à sua atividade é São Francisco, Califórnia. O Lomholt Mail Art Archive identifica Mike Dyar como artista de São Francisco e preserva correspondências, cartões, livros, objetos, fotografias e projetos enviados entre 1978 e 1982, além de documentação biográfica posterior. O arquivo registra convites, cartas, cartões postais, um guarda chuva, fotografias intercambiáveis, diapositivos e o livro Please Post Edible Art.Sua produção começou a circular internacionalmente pelo menos na segunda metade da década de 1970. O arquivo de Steven Durland, preservado pela University of Iowa, contém obras postais de Mike Dyar datadas de 1977, incluindo cartões em plástico, fotografias, envelopes com imagens, carimbos de galinhas e elefantes e cartões formados por fragmentos fotográficos. Esses registros revelam interesse precoce pela embalagem, pela transparência, pela fragmentação da imagem e pela transformação do envelope em obra.A expressão Eat Art tornou se o principal identificador de sua prática. No caso de Mike Dyar, Eat Art não deve ser entendido apenas como referência genérica à produção artística com alimentos. A expressão funciona como nome artístico, marca autoral, programa conceitual e sistema de circulação. A associação é confirmada por arquivos institucionais, catálogos de projetos postais e registros museológicos que identificam o artista como Mike Dyar ou Eat Art.A obra EAT ART, documentada em 1978, consistia em uma peça dobrada enviada dentro de envelope. O registro comercial histórico descreve o conjunto como arte comestível enviada pelo próprio artista e informa que a folha media aproximadamente vinte e seis por vinte centímetros quando aberta. Embora essa descrição não substitua uma ficha institucional, ela confirma a existência de um objeto postal concebido como unidade formada por obra dobrada e envelope.Em 1979, Mike Dyar produziu Please Post Edible Art, publicação de dezesseis páginas enviada de São Francisco. O Lomholt Mail Art Archive classifica o trabalho como livro e material impresso e registra dimensões aproximadas de vinte e um vírgula sete por vinte e oito vírgula três centímetros. Os assuntos associados incluem Mike Dyar, arte postal, arte comestível, Eat Art, Mars Life, documentação fotográfica, Viking 2 e impressão azul. O título funciona como instrução e convite participativo, solicitando que a arte comestível seja colocada em circulação pelo correio.Please Post Edible Art evidencia uma característica central de sua prática. A obra não se completa apenas na produção do objeto inicial. Ela depende do envio, do recebimento, da interpretação e da possível resposta do destinatário. A instrução transforma o correspondente em participante e desloca a autoria para uma rede formada por artista, serviço postal, objeto, receptor e arquivo.O conceito de arte comestível introduz uma tensão entre conservação e desaparecimento. Uma obra destinada a ser comida pode ser consumida, alterada, contaminada, deteriorada ou preservada. Ao colocá la no correio, Dyar acrescenta novas possibilidades de dano, transformação e imprevisibilidade. A circulação postal deixa de ser uma etapa posterior e passa a fazer parte da condição material da obra.O envelope EAT ART associado a J. Medeiros documenta a presença de Mike Dyar na rede brasileira de arte postal. Segundo a informação fornecida para o cadastro, o objeto foi destinado a J. Medeiros, artista e articulador ligado à poesia visual, ao Poema Processo e aos intercâmbios internacionais realizados em Natal. Como a imagem, a data e o conteúdo integral desse envelope não foram apresentados neste pedido, não é possível confirmar sua postagem, endereço, mensagem, selos, carimbos ou materiais internos.A relação documental com J. Medeiros é historicamente relevante porque aproxima a produção de Eat Art do circuito experimental brasileiro. Durante as décadas de 1970 e 1980, endereços de artistas como J. Medeiros e Falves Silva funcionaram como pontos de recepção, conservação e redistribuição de cartões, revistas, livros de artista, propostas participativas e documentos de diferentes países.Não foi localizada comprovação de que Mike Dyar tenha integrado formalmente o movimento Poema Processo. Sua relação com esse campo ocorre pela correspondência com J. Medeiros e pelas afinidades entre as práticas. O Poema Processo e a mail art de Dyar compartilham interesse pela participação, pela reprodução gráfica, pela serialidade, pela circulação, pela transformação do suporte e pela compreensão da obra como estrutura aberta.A presença de Dyar em arquivos internacionais confirma que sua atividade não ficou restrita a São Francisco. O Lomholt Mail Art Archive, na Dinamarca, preserva um conjunto expressivo de suas correspondências e obras. A Ruth and Marvin Sackner Archive of Concrete and Visual Poetry, hoje ligada à University of Iowa, conserva Rubberstamp Workshop, de 1979, Tao Art Eat Art, de 1998, e referências a sua participação em Trax 1081 Vietato ai Minori, de 1981.Rubberstamp Workshop demonstra sua ligação com carimbos de artista. Os carimbos permitiam multiplicar palavras, imagens, marcas e instruções sobre envelopes, cartões e folhas. Na arte postal, esse recurso possui função simultaneamente gráfica, autoral e institucional, pois o artista pode criar logotipos, selos, identidades e sistemas próprios de autenticação.Tao Art Eat Art, de 1998, é descrito no arquivo Sackner como objeto formado por pedras, terra e fotografias relacionadas à arte postal. A anotação associada ao trabalho registra esses materiais como conteúdo enviado ou organizado pelo artista. A obra amplia Eat Art para além do alimento literal e aproxima matéria natural, objeto, documentação fotográfica e circulação.Em 1998, Mike Dyar participou do Frontier Mail Art Project, preservado pelo Glenbow Museum no Canadá. A documentação do projeto identifica Mike Dyar ou Eat Art como participante de São Francisco e registra sua obra dentro de uma instalação coletiva formada por contribuições de artistas de diferentes países.Sua participação em Operation Mankind, projeto internacional organizado por Hans Braumüller, apresenta o trabalho All of our thoughts come from one large thought ocean. O projeto identifica o autor como Mike Dyar ou Eat Art e registra um endereço postal nos Estados Unidos. A obra acrescenta uma dimensão filosófica à sua produção ao relacionar pensamento individual, consciência coletiva e circulação de ideias.Mike Dyar permaneceu ativo em redes contemporâneas. Em 2018, obras suas foram incorporadas ao conjunto de arte postal recebido por Catherine Mehrl Bennett e posteriormente doado ao Archives of American Art da Smithsonian Institution. O fundo reúne trabalhos em técnicas mistas de diferentes artistas postais e confirma a continuidade de sua participação em intercâmbios no século vinte e um.Em 2020, produziu Dyeing on Robin Carnies Work, folha dobrável de aproximadamente quarenta e três por cinquenta e seis centímetros, assinada, datada e identificada como um de seis exemplares. O trabalho foi enviado em envelope original com selos e marcas postais, mantendo a circulação e o acondicionamento como partes da obra.Durante a pandemia de Covid 19, Dyar participou de um projeto internacional com a colagem You are not alone. A obra foi apresentada como mail art destinada a ser observada a uma distância de seis pés, incorporando ao trabalho a regra sanitária de distanciamento. O projeto demonstra a capacidade de sua prática postal de reagir a acontecimentos contemporâneos e transformar instruções sociais em estrutura artística.Em 2023, a artista postal Katerina Nikoltsou documentou o recebimento de um envio de Mike Dyar com carimbos originais de Eat Art, referências a células e a Ray Johnson e uma folha dobrável de aproximadamente trinta por quarenta e cinco centímetros. Segundo o relato, Dyar reutilizava materiais de arte postal recebidos para criar novas composições, evidenciando um processo de reciclagem, resposta e circulação contínua.A reutilização de correspondências recebidas possui importância conceitual. O material enviado por um artista não permanece necessariamente intacto. Ele pode ser recortado, transformado, combinado e devolvido à rede. Esse procedimento dissolve a separação entre obra recebida, matéria prima, arquivo e nova produção.Mike Dyar aparece ainda entre os participantes de Mail Art Book, projeto associado à exposição Ex Postal Facto de 2014. A lista o identifica como Mike Dyar ou EAT ART e o inclui entre artistas de diferentes gerações e países vinculados ao livro, à impressão e à arte por correspondência.Não foram localizadas exposições individuais documentadas de Mike Dyar nas fontes consultadas. Também não foram encontrados dados confirmados sobre formação, docência, prêmios, bolsas ou residências. A documentação disponível é predominantemente formada por obras postais, arquivos, publicações, projetos coletivos e registros produzidos pela própria rede.Essa condição documental é coerente com a história da mail art. Muitos artistas postais construíram sua trajetória fora do sistema tradicional de galerias, catálogos comerciais e currículos centralizados. Suas atividades são reconstruídas por meio de envelopes, listas de participantes, arquivos pessoais, publicações de artista e correspondências preservadas por destinatários.A importância histórica de Mike Dyar está na continuidade e na coerência de Eat Art como prática aberta. Desde os envios da década de 1970 até as colagens e folhas dobráveis do século vinte e um, sua obra relaciona alimento, consumo, corpo, natureza, fotografia, humor, instrução, carimbo e circulação postal.O envelope EAT ART destinado a J. Medeiros acrescenta uma dimensão brasileira a essa trajetória. Ele comprova que a rede de Dyar alcançou o ambiente experimental de Natal e aproxima seu trabalho da história internacional do Poema Processo, da poesia visual brasileira e das coleções formadas por correspondência.Sua produção contribui para compreender a arte postal como um sistema de relações e não apenas como categoria formal. A obra existe no objeto, na embalagem, no percurso, na transformação e na memória preservada pelos arquivos. Eat Art resume esse princípio ao converter uma instrução simples em uma prática duradoura de participação e comunicação.
