Pat Tavenner - California - USA
Patricia Tavenner, conhecida também como Pat Tavenner e pela identidade artística Mail Queen, foi uma artista norte americana sediada em Oakland, Califórnia, cuja produção esteve ligada à arte postal, aos selos de artista, à colagem, à publicação independente, à arte feminista e às experiências associadas ao Bay Area Dada. Sua atuação ganhou destaque a partir do início da década de 1970, período no qual participou da expansão internacional da Mail Art como sistema descentralizado de criação, correspondência, intercâmbio e circulação de obras fora dos canais convencionais do mercado e das instituições artísticas. A documentação consultada não informa de maneira segura sua data e seu local de nascimento, formação acadêmica ou professores. Fontes relacionadas à sua trajetória registram seu falecimento em Oakland, Califórnia, em 10 de maio de 2013, mas essa data aparece em testemunhos publicados após sua morte e deve ser confrontada com documentação civil ou obituário institucional antes de ser tratada como registro definitivo.A artista adotou a identidade Mail Queen no contexto de sua produção postal e de seu interesse pela história das mulheres artistas. Sua utilização de uma persona artística integrava práticas recorrentes da Mail Art, nas quais nomes alternativos, títulos simbólicos, carimbos, selos fictícios e identidades performáticas eram empregados como parte da obra. O título Mail Queen relacionava sua produção à autoridade simbólica do sistema postal, ao mesmo tempo em que construía uma identidade feminina, autônoma e crítica dentro de redes artísticas frequentemente organizadas de maneira informal.Em 1971 e 1972, Patricia Tavenner publicou de forma independente o jornal Mail Order Art. A publicação articulava correspondência, circulação gráfica, edição de artista e comunicação em rede. Posteriormente, desenvolveu livros e materiais impressos por meio da Eternal Press, denominação editorial associada à sua produção. A combinação entre jornal, cartão postal, livro de artista, formulário, selo, carimbo, fotografia, colagem e material encontrado tornou sua prática inseparável dos meios de distribuição escolhidos. A obra não era apenas enviada pelo correio, mas concebida a partir da linguagem, das dimensões, das marcas e dos procedimentos do próprio sistema postal.Em 1972, Patricia Tavenner participou da fundação do Northern California Women?s Caucus for Art. Também esteve envolvida em protestos contra instituições museológicas ao lado de outras ativistas feministas da região da Baía de São Francisco. Sua atuação uniu produção artística, organização coletiva, educação e reflexão sobre a exclusão histórica das mulheres do campo das artes visuais. Nesse período, começou a lecionar cursos sobre a história pouco reconhecida das mulheres artistas, contexto diretamente relacionado à adoção de sua identidade Mail Queen.A produção de Tavenner foi associada ao Bay Area Dada, ambiente experimental formado por artistas que retomaram estratégias do dadaísmo, do Fluxus, da performance, da colagem, da poesia visual, da arte conceitual e da comunicação postal. Seus cartões frequentemente reuniam fotografias de artistas, cenas de encontros, textos irônicos, imagens apropriadas, selos, etiquetas, carimbos e montagens gráficas. A repetição de formatos postais não resultava em obras idênticas. Cada envio podia receber intervenções, destinatários, adesivos, inscrições e marcas de circulação diferentes, transformando cada exemplar em documento singular dentro de uma produção seriada.Entre os trabalhos documentados encontram se cartões de 1972 com etiquetas em cianotipia, materiais de 1973 produzidos com cartões de desconto em folha de pagamento, cupons, selos e etiquetas, o cartão Mail Queen de 1973, Decca Dance After Image de 1974, The Royal Tour Fluxus East Visits The Eternal City de 1974, Living Letters de 1975, cartões de fim de ano de 1974 e 1977, a série Change of Address Requested registrada em 1978 e o formulário editorial The Eternal Press Four Years and More de 1979. A continuidade da Eternal Press também é documentada por um carimbo aplicado sobre cartão em 1984. Esses registros demonstram uma produção sustentada por mais de uma década e baseada em circulação postal, publicação independente, montagem fotográfica e experimentação gráfica.A relação de Patricia Tavenner com Anna Banana está documentada no ambiente artístico da Califórnia e nas redes de arte postal. Anna Banana aparece em uma fotografia utilizada por Tavenner no cartão The Royal Tour Fluxus East Visits The Eternal City, de 1974, juntamente com Bill Gaglione, Opal L. Nations, Monte Cazazza, Tjeerd Deelstra e Irene Dogmatic. Esse registro associa Tavenner a uma comunidade de artistas que transformou encontros, performances, pseudônimos, publicações e correspondências em matéria artística.A designação Irene Doucette presente no cartão enviado a Falves Silva deve ser registrada com cautela. A documentação institucional consultada utiliza o nome Irene Dogmatic em uma obra de Patricia Tavenner de 1974. Não foi possível confirmar, com as fontes disponíveis, se Irene Doucette e Irene Dogmatic são a mesma pessoa, variantes de identificação ou participantes distintas. A grafia visível no cartão deve ser preservada no registro específico da obra, enquanto a possível relação entre os nomes permanece não confirmada.A ligação com Fletcher Copp, May Wilson e John Evans está documentada pelo cartão Oakland to New York Sideways número 5, cuja inscrição editorial apresenta Pat Tavenner ao lado desses nomes e de Anna Banana e Irene Doucette. A presença conjunta indica relação editorial, artística, social ou colaborativa no contexto da obra, mas o cartão não especifica a contribuição individual de cada participante. Portanto, os nomes devem ser relacionados à peça e à rede de circulação, sem atribuir automaticamente autoria compartilhada integral.May Wilson esteve ligada à arte por correspondência e a ambientes experimentais de Nova York, enquanto John Evans desenvolveu por décadas uma prática cotidiana de colagem e manteve intercâmbio postal com artistas como Anna Banana. O Archives of American Art preserva correspondências enviadas por Anna Banana a John Evans, demonstrando a continuidade dessa rede de relações e trocas postais.O cartão Oakland to New York Sideways número 5 apresenta data editorial de 1974 e foi enviado em 1977 a Falves Silva, em Natal, Rio Grande do Norte, Brasil. A frente contém uma fotomontagem em preto e branco formada por rostos, figuras humanas, objetos, sobreposições e alterações de escala. No verso aparecem o título da série, a identificação do número 5, o nome de Pat Tavenner e os nomes Fletcher Copp, Irene Doucette, May Wilson, Anna Banana e John Evans. Uma pequena fotografia de criança foi aplicada à área de mensagem. O cartão recebeu selo norte americano de correio aéreo e carimbo postal da Filadélfia, aparentemente datado de maio de 1977.O envio a Falves Silva constitui um registro direto da inserção de Patricia Tavenner nas redes internacionais de Mail Art que alcançaram o Brasil durante a década de 1970. Falves Silva estava ligado ao Poema Processo, à poesia visual, à produção gráfica experimental e à arte postal em Natal. A correspondência evidencia o contato entre um circuito experimental norte americano relacionado a Oakland, Nova York e Filadélfia e uma rede brasileira vinculada ao Poema Processo.Essa conexão não significa que Patricia Tavenner tenha integrado formalmente o movimento Poema Processo. Sua relação com o movimento ocorre por meio da correspondência enviada a Falves Silva e da proximidade conceitual entre arte postal, participação, reprodução gráfica, circulação alternativa, colagem, poesia visual e crítica às estruturas tradicionais de legitimação artística. A Mail Art internacional cresceu a partir da década de 1960 por meio de listas de endereços, convocatórias, publicações, cartões e intercâmbios diretos, formando uma rede global que incluía artistas da América do Norte, América Latina, Europa e outras regiões.A relevância histórica de Patricia Tavenner está na articulação entre arte postal, identidade performática, publicação independente e ativismo feminista. Sua produção transformou materiais cotidianos do correio em dispositivos de criação e relacionamento. Ao utilizar cartões, selos, fotografias, formulários, etiquetas e carimbos, construiu uma obra que circulava fisicamente entre pessoas, cidades e países. Seu legado permanece associado à democratização dos meios de produção e circulação artística, à presença das mulheres nas redes experimentais e à documentação de comunidades que atuaram fora das estruturas centrais do sistema de arte.
