AVA Gallery - New Hampshire - EUA
A AVA Gallery and Art Center é uma instituição cultural sem fins lucrativos dedicada às artes visuais, à formação artística, à realização de exposições e ao apoio à comunidade criativa da região de Upper Valley, área situada entre New Hampshire e Vermont, nos Estados Unidos. A instituição teve origem em 1973, quando a então Community Gallery realizou sua primeira exposição em um celeiro pertencente ao casal Robert Nye, em Norwich, Vermont. Em 1974, Emmabelle Egbert e Elizabeth Lili Mayor estabeleceram uma sede permanente para a galeria em Hanover, New Hampshire. A organização recebeu reconhecimento como entidade sem fins lucrativos em 1976 e, em 1978, passou a adotar o nome AVA, correspondente a Alliance for the Visual Arts.Nas décadas seguintes, a AVA ampliou suas atividades expositivas e educacionais. Em 1988, seu programa de educação artística foi expandido para atender artistas e públicos de diferentes idades. Em 1990, a instituição transferiu suas atividades para o edifício da antiga fábrica H. W. Carter and Sons, localizado na Eleven Bank Street, Lebanon, New Hampshire 03766. A nova sede possuía pisos de madeira, pé direito elevado, áreas para exposições, espaços de ensino e ateliês ocupados por artistas. Foi nesse contexto institucional e espacial que a AVA Gallery and Art Center realizou, em 1994, a exposição Artists Stamps International Mail Art Exhibition.Artists Stamps International Mail Art Exhibition foi uma exposição coletiva internacional de arte postal apresentada na AVA Gallery and Art Center, em Lebanon, New Hampshire, Estados Unidos, entre 22 de abril e 21 de maio de 1994. A mostra foi dedicada aos selos de artista, modalidade também conhecida internacionalmente como artistamps, que utiliza a forma visual, gráfica e simbólica do selo postal como suporte para criação artística, circulação independente, crítica institucional, construção de identidades fictícias e comunicação entre integrantes das redes internacionais de Mail Art.O projeto foi coordenado por Crackerjack Kid, identidade artística utilizada pelo artista postal norte americano Chuck Welch. O convite estabeleceu o dia 1 de março de 1994 como prazo para recebimento das contribuições. As obras deveriam ser enviadas a Crackerjack Kid aos cuidados da AVA Gallery, na Eleven Bank Street, Lebanon, New Hampshire 03766. O regulamento determinava que todos os trabalhos recebidos seriam apresentados, que as obras não seriam devolvidas e que a documentação da exposição seria distribuída aos participantes. O cartão também solicitava que os destinatários copiassem e distribuíssem a convocatória entre amigos da rede, procedimento característico da expansão descentralizada dos projetos internacionais de arte postal.A documentação preservada registra que a exposição reuniu uma comunidade internacional de artistas relacionados à Mail Art, aos selos de artista, à poesia visual, à arte conceitual, às publicações alternativas e às práticas de comunicação em rede. Uma edição da publicação Netshaker, editada por Crackerjack Kid em Hanover, New Hampshire, apresentou a lista de participantes, reproduções de obras e um texto sobre a exposição. Entre os artistas documentados nessa publicação encontram se Edgardo Antonio Vigo, Ashley Parker Owens, Rosz Craig, Anna Banana, James Warren Felter, Michel Hosszu, Vanci Stirnemann, Klaus Rupp, Julio Paz, Anna Boschi, Partho Guha, Serge Segay, Pere Sousa, Rea Nikonova, Crackerjack Kid, Howard McCalebb, Ray Johnson, Clemente Padín, Adriano Bonari e Marilyn Rosenberg. A publicação também registrou Chuck Welch como curador e apresentou uma folha de selos dedicada aos participantes.O exemplar documental relacionado ao Brasil foi enviado pela AVA Gallery and Art Center a Falves Silva, identificado no endereço postal também como Silva Post. O destinatário estava localizado na Rua Engenheiro José Rocha, número 3401, bairro Candelária, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, CEP 59000. O envio por correio aéreo demonstra que Falves Silva integrava o campo de circulação e contato da convocatória internacional. Entretanto, o cartão, isoladamente, comprova o recebimento do convite e não é suficiente para confirmar que uma obra de Falves Silva tenha sido efetivamente enviada ou exibida. Essa participação deve ser registrada como confirmada somente mediante localização do nome do artista na lista integral de participantes, em documentação institucional da AVA ou em correspondência complementar.A composição visual do convite utiliza uma paleta amarela e preta, tipografia formada por caracteres irregulares, representações de selos postais, carimbos, envelopes e fragmentos gráficos ligados à cultura da arte postal. Expressões como All work shown, No returns, Documentation e Theme Postage Stamps sintetizam o modelo de participação. O documento funciona simultaneamente como convocatória, peça gráfica, correspondência internacional e vestígio material de uma rede artística baseada na circulação postal.A exposição relaciona a AVA Gallery and Art Center a um momento de expansão e documentação institucional da Mail Art durante a década de 1990. A utilização de uma galeria e centro de arte como espaço de recepção pública permitiu transferir para o ambiente expositivo trabalhos que haviam sido concebidos para circular pelo correio. Artists Stamps articulou comunicação postal, produção gráfica, selos de artista, colaboração internacional e documentação compartilhada, princípios essenciais das redes alternativas de arte do final do século vinte.A relação com Falves Silva aproxima a exposição da história brasileira do Poema Processo, da poesia visual e da arte postal. Falves Silva desenvolveu uma produção baseada na experimentação gráfica, no poema visual, na comunicação alternativa e na circulação de obras e publicações pelo correio. O convite enviado a Silva Post documenta uma conexão entre a AVA Gallery, a rede internacional de Mail Art organizada por Crackerjack Kid e o circuito experimental brasileiro sediado em Natal.Posteriormente, a AVA consolidou sua permanência em Lebanon. A instituição adquiriu o edifício da Eleven Bank Street em 2003, concluiu sua renovação em 2007 e passou a denominá lo Carter Kelsey Building. Atualmente, mantém galerias, ateliês, espaços de ensino, oficinas, programas comunitários e atividades destinadas a artistas e diferentes públicos. A trajetória institucional confirma a continuidade de sua atuação em exposições, educação artística e formação de comunidades criativas.
