Manifesto de mail art de autoria conjunta dos artistas italianos Marco Sansoni e Mario Giavino, produzido no contexto das redes internacionais de arte postal e comunicação artística experimental.
Marco Sansoni e Mario Giavino - Italia
Categoria: Mail Art
Acervo: 04573
Dimensões: 29,7 x 21 cm
Manifesto de mail art de autoria conjunta dos artistas italianos Marco Sansoni e Mario Giavino, produzido no contexto das redes internacionais de arte postal e comunicação artística experimental. O documento apresenta o título Che cos è Mail Art e propõe uma definição aberta da mail art a partir de uma sequência de afirmações sobre comunicação, troca, linguagem, imagem, participação, liberdade criativa e funcionamento das redes postais.
O manifesto começa com uma referência a John Cage. A citação apresenta a ideia de uma disciplina que, em troca da aceitação de determinadas regras, permite raros momentos de êxtase e conduz o participante a realizar aquilo que faz. A presença de John Cage situa o texto em um campo conceitual marcado por experimentação, processo, acaso, participação e revisão das formas tradicionais de criação artística.
Marco Sansoni e Mario Giavino definem a mail art como uma comunicação personalizada. Essa formulação é central porque desloca a obra do campo da comunicação de massa para uma relação direta entre remetente e destinatário. O valor artístico passa a estar também na relação estabelecida entre pessoas, na circulação da mensagem e na possibilidade de resposta.
O texto afirma que a mail art ocorre no espírito de uma troca de experiências e não apenas de objetos manufaturados. A distinção revela que o intercâmbio postal não deve ser entendido somente como envio físico de obras, cartões, impressos ou colagens. O que circula é também experiência, ideia, gesto, informação, participação e vínculo entre artistas.
Outra proposição afirma que o destinatário pode devolver ao remetente aquilo que não lhe agrada. Essa possibilidade transforma o receptor em agente ativo do processo. O destinatário não é simples ponto final da circulação, mas participante capaz de selecionar, responder, recusar e continuar a comunicação.
O manifesto também define a obra de mail art como uma mensagem orientada para uma finalidade de comunicação e não como um fim em si mesma. Isso significa que o objeto postal não deve ser compreendido isoladamente. Seu significado depende do envio, da recepção, do percurso postal, do contexto da rede e da relação entre os participantes.
Sansoni e Giavino afirmam ainda que a mail art é essencialmente imagem. Essa formulação aproxima o manifesto da poesia visual, da colagem, dos carimbos, da fotografia, do cartão postal, da tipografia experimental e de outras linguagens gráficas frequentemente utilizadas pelas redes de arte postal.
O texto procura diferenciar a mail art da poesia tradicional ao afirmar que a poética da mail art não é simplesmente a poesia. Essa distinção demonstra a tentativa de reconhecer uma linguagem própria para a arte postal, definida não apenas pelo conteúdo de uma obra, mas pelo conjunto formado por criação, envio, circulação, recepção e interação.
Uma das formulações conceitualmente mais importantes do manifesto estabelece a diferença entre Arte Postale e Arte più Posta. Os autores afirmam que arte postal não corresponde simplesmente a uma obra de arte acrescida do ato de postagem. O correio, o endereço, o remetente, o destinatário, o deslocamento, o tempo de circulação e a comunicação passam a integrar a própria estrutura artística.
O documento declara explicitamente que a mail art possui uma linguagem específica. Essa linguagem é apresentada como pertencente a todos, livremente interpretável por qualquer pessoa e aberta a todos. Ao mesmo tempo, Sansoni e Giavino observam que essa abertura aparente e a ausência de regras rígidas não significam que tudo seja necessariamente válido.
O manifesto discute, portanto, uma tensão fundamental da mail art entre liberdade e critério. Os autores defendem a liberdade criativa, mas rejeitam um relativismo absoluto no qual toda produção possuiria automaticamente o mesmo valor.
Também aparece no texto a ideia de um sistema seletivo capaz de restringir e ao mesmo tempo estimular o campo da arte. Essa formulação sugere uma reflexão crítica sobre como redes abertas de participação podem desenvolver seus próprios mecanismos de avaliação, reconhecimento e circulação.
Outra passagem define a mail art como atividade lúdica, mas não simplesmente como jogo. O caráter experimental e participativo é reconhecido, porém a prática não é reduzida a entretenimento ou passatempo.
O texto se encerra com a pergunta Mail Art rimane uguale a se stessa. A formulação questiona se a mail art permanece igual a si mesma e sugere que sua identidade é necessariamente mutável. À medida que novos artistas, meios, técnicas e sistemas de circulação entram na rede, a própria definição da prática se transforma.
Ao final do manifesto aparecem os nomes Marco Sansoni e Mario Giavino, acompanhados por assinaturas manuscritas, confirmando a autoria conjunta do documento. Intervenções gráficas em vermelho sublinham o título, a referência a John Cage e os nomes dos autores, acrescentando uma dimensão visual ao texto datilografado.
A obra constitui documento importante para compreender a reflexão teórica produzida dentro da própria rede italiana de mail art. Sansoni e Giavino não apenas participaram de um sistema de circulação postal, mas procuraram definir sua especificidade e discutir conceitos como comunicação personalizada, troca de experiências, imagem, linguagem, liberdade, seleção, participação e transformação contínua.
O manifesto deve ser relacionado a Marco Sansoni, Mario Giavino, John Cage, mail art italiana, arte postal, poesia visual, poesia experimental, arte conceitual, comunicação artística, redes alternativas, correspondência de artista e circulação internacional de arte.
Salsa text in English
Mail art manifesto jointly authored by the Italian artists Marco Sansoni and Mario Giavino within the context of international postal art networks and experimental artistic communication. The document bears the title Che cos è Mail Art and proposes an open definition of mail art through a sequence of statements concerning communication, exchange, language, image, participation, creative freedom and the functioning of postal networks.
The manifesto begins with a reference to John Cage. The quotation presents the idea of a discipline that, in exchange for accepting certain rules, allows rare moments of ecstasy and leads the participant toward doing what they do. The presence of John Cage places the text within a conceptual field characterized by experimentation, process, chance, participation and the reconsideration of traditional forms of artistic creation.
Marco Sansoni and Mario Giavino define mail art as personalized communication. This formulation is central because it moves the work away from mass communication and toward a direct relationship between sender and recipient. Artistic value is located not only in the object but also in the relationship established between people, the circulation of the message and the possibility of response.
The text states that mail art takes place in the spirit of an exchange of experiences rather than merely an exchange of manufactured objects. This distinction reveals that postal exchange should not be understood only as the physical sending of artworks, postcards, printed matter or collages. What circulates is also experience, idea, gesture, information, participation and connection between artists.
Another proposition states that the recipient may return to the sender what they do not like. This possibility transforms the receiver into an active agent within the process. The addressee is not simply the final point of circulation but a participant capable of selecting, responding, refusing and continuing the communication.
The manifesto also defines the mail art work as a message directed toward a communicational purpose rather than an end in itself. This means that the postal object should not be understood in isolation. Its meaning depends on sending, receiving, the postal journey, the context of the network and the relationship among participants.
Sansoni and Giavino further state that mail art is essentially image. This formulation connects the manifesto with visual poetry, collage, rubber stamps, photography, postcards, experimental typography and other graphic languages frequently employed by mail art networks.
The text seeks to distinguish mail art from conventional poetry by stating that the poetics of mail art is not simply poetry. This distinction demonstrates an attempt to recognize a specific language for postal art, defined not only by the content of an artwork but by the complete structure of creation, sending, circulation, reception and interaction.
One of the most conceptually significant formulations in the manifesto establishes a distinction between Arte Postale and Arte più Posta. The authors argue that postal art is not simply an artwork plus the act of mailing. The postal system, address, sender, recipient, displacement, circulation time and communication all become part of the artistic structure itself.
The document explicitly states that mail art possesses a specific language. This language is described as belonging to everyone, freely interpretable by anyone and open to all. At the same time, Sansoni and Giavino observe that this apparent openness and absence of rigid rules does not mean that everything is necessarily valid.
The manifesto therefore addresses a fundamental tension within mail art between freedom and criteria. The authors defend creative freedom while rejecting absolute relativism in which every production would automatically possess the same value.
The text also introduces the idea of a selective system capable of simultaneously restricting and stimulating the field of art. This suggests a critical reflection on how open participatory networks may develop their own mechanisms of evaluation, recognition and circulation.
Another passage describes mail art as a playful activity but not simply a game. Its experimental and participatory nature is recognized, yet the practice is not reduced to entertainment or diversion.
The text concludes with the question Mail Art rimane uguale a se stessa. The formulation asks whether mail art remains equal to itself and suggests that its identity is necessarily mutable. As new artists, media, techniques and circulation systems enter the network, the definition of the practice itself changes.
At the bottom of the manifesto appear the names Marco Sansoni and Mario Giavino together with handwritten signatures, confirming the collaborative authorship of the document. Graphic interventions in red underline the title, the reference to John Cage and the authors names, adding a visual dimension to the typed text.
The work is an important document for understanding theoretical reflection produced within the Italian mail art network itself. Sansoni and Giavino did not simply participate in a postal circulation system but attempted to define its specificity and discuss concepts such as personalized communication, exchange of experiences, image, language, freedom, selection, participation and continuous transformation.
The manifesto should be associated with Marco Sansoni, Mario Giavino, John Cage, Italian mail art, postal art, visual poetry, experimental poetry, conceptual art, artistic communication, alternative networks, artists correspondence and international art circulation.
Texto de observação em português
Manifesto original de mail art atribuído conjuntamente a Marco Sansoni e Mario Giavino. O documento apresenta texto em italiano datilografado ou reproduzido mecanicamente sobre folha de papel clara, com intervenções manuscritas ou gráficas em vermelho e assinaturas dos dois autores na parte inferior.
O título Che cos è Mail Art aparece no alto da página e encontra se destacado por um sublinhado vermelho. O documento é estruturado como sequência de proposições destinadas a responder à pergunta sobre a natureza da mail art.
Na abertura aparece uma citação atribuída a John Cage, cujo nome também foi destacado em vermelho. A escolha dessa referência situa o texto dentro de uma tradição experimental preocupada com acaso, processo, disciplina, participação e transformação das relações convencionais entre artista, obra e público.
Uma das primeiras formulações determina que aquilo que não agrada ao destinatário pode ser reenviado ao remetente. Essa ideia é relevante porque reconhece o receptor como participante ativo da rede e não apenas como receptor passivo de uma obra.
O manifesto define mail art como comunicação personalizada e como troca de experiências em vez de simples troca de objetos manufaturados. Essa distinção ajuda a compreender a prioridade concedida à relação entre artistas sobre a materialidade isolada dos objetos circulados.
Outra frase descreve a obra postal como mensagem finalizada e não como fim em si mesma. A importância do trabalho estaria, portanto, no processo comunicacional estabelecido por sua circulação.
Os autores também afirmam que mail art é essencialmente imagem. A formulação relaciona o documento à presença predominante de fotografia, carimbo, colagem, desenho, tipografia, cartão postal e poesia visual nas redes internacionais de arte postal.
A declaração de que a poética da mail art não é a poesia procura estabelecer uma diferença conceitual entre arte postal e poesia tradicional. O meio postal e a relação comunicacional constituem parte indispensável da definição.
O manifesto contém a formulação Arte Postale diverso da Arte più Posta. Essa distinção é central para o entendimento do documento. Sansoni e Giavino rejeitam a ideia de que mail art seja apenas uma obra convencional posteriormente colocada no correio. O sistema de envio constitui parte da obra.
O texto define ainda a mail art como linguagem específica, pertencente a todos, aberta à interpretação e aparentemente sem regras rígidas. Logo em seguida, entretanto, os autores afirmam que isso não significa que tudo seja válido.
Essa passagem apresenta uma reflexão crítica sobre liberdade e relativismo. A rede pode ser aberta e democrática sem eliminar completamente o julgamento ou os critérios artísticos.
O documento menciona um sistema seletivo destinado simultaneamente a restringir e estimular o campo artístico. Essa proposição mostra que os autores estavam refletindo sobre os mecanismos internos de funcionamento da própria rede.
A mail art é definida também como atividade lúdica mas não como jogo. A diferença preserva o caráter experimental da prática sem reduzir sua dimensão artística e comunicacional.
A pergunta final Mail Art rimane uguale a se stessa permanece sem resposta definitiva. O encerramento aberto sugere que a transformação contínua faz parte da própria identidade da mail art.
Na parte inferior aparecem impressos os nomes Marco Sansoni e Mario Giavino. Ambos foram sublinhados em vermelho e acompanhados por assinaturas manuscritas, elemento que reforça a identificação autoral do documento.
A imagem não apresenta data, local de produção, editora, tiragem ou destinatário identificáveis. Esses dados devem permanecer não identificados na catalogação até que outra documentação permita confirmação.
O manifesto deve ser catalogado como obra conjunta, manifesto de mail art, documento teórico, publicação experimental e registro histórico da rede italiana de arte postal. Possui interesse particular para pesquisas sobre teoria da mail art, comunicação entre artistas, poesia visual, arte conceitual e redes internacionais alternativas.
Observation text in English
Original mail art manifesto jointly attributed to Marco Sansoni and Mario Giavino. The document consists of Italian text typed or mechanically reproduced on a light colored sheet of paper, with handwritten or graphic interventions in red and signatures by both authors at the bottom.
The title Che cos è Mail Art appears at the top of the page and is emphasized by a red underline. The document is structured as a sequence of propositions intended to answer the question of what mail art is.
The opening contains a quotation attributed to John Cage, whose name is also highlighted in red. This reference places the text within an experimental tradition concerned with chance, process, discipline, participation and the transformation of conventional relationships between artist, artwork and public.
One of the first propositions states that material disliked by the recipient can be sent back to the sender. This idea is significant because it recognizes the receiver as an active participant in the network rather than merely a passive recipient of an artwork.
The manifesto defines mail art as personalized communication and as an exchange of experiences rather than simply an exchange of manufactured objects. This distinction helps explain the priority given to relationships among artists over the isolated materiality of the objects being circulated.
Another sentence describes the postal work as a message with a purpose rather than an end in itself. The significance of the work therefore lies in the communicational process created through its circulation.
The authors also state that mail art is essentially image. This formulation connects the document with the predominant use of photography, rubber stamps, collage, drawing, typography, postcards and visual poetry within international mail art networks.
The statement that the poetics of mail art is not poetry attempts to establish a conceptual distinction between postal art and conventional poetry. The postal medium and communicational relationship are indispensable parts of the definition.
The manifesto contains the formulation Arte Postale diverso da Arte più Posta. This distinction is central to understanding the document. Sansoni and Giavino reject the idea that mail art is simply a conventional artwork subsequently placed in the postal system. The system of sending itself forms part of the artwork.
The text further defines mail art as a specific language belonging to everyone, open to interpretation and apparently without rigid rules. Immediately afterward, however, the authors state that this does not mean that everything is valid.
This passage presents a critical reflection on freedom and relativism. The network may be open and democratic without completely eliminating artistic judgment or criteria.
The document refers to a selective system intended simultaneously to restrict and stimulate the artistic field. This proposition demonstrates that the authors were reflecting on the internal mechanisms through which the network itself operated.
Mail art is also described as a playful activity but not as a game. The distinction preserves the experimental character of the practice without reducing its artistic and communicational dimension.
The final question Mail Art rimane uguale a se stessa remains deliberately unanswered. The open ending suggests that continuous transformation is part of mail art's identity.
At the bottom appear the printed names Marco Sansoni and Mario Giavino. Both names are underlined in red and accompanied by handwritten signatures, reinforcing the authorship of the document.
The image does not provide an identifiable date, place of production, publisher, edition size or recipient. These details should remain unidentified in the catalogue until additional documentation allows them to be confirmed.
The manifesto should be catalogued as a collaborative work, mail art manifesto, theoretical document, experimental publication and historical record of the Italian mail art network. It is particularly relevant for research on mail art theory, artistic communication, visual poetry, conceptual art and international alternative networks.
Inglês
Mail art manifesto jointly authored by the Italian artists Marco Sansoni and Mario Giavino within the context of international postal art networks and experimental artistic communication.
Dimensions: 11,7 x 8,3 in
