Conjunto de duas partituras textuais experimentais de Georges Aperghis, compositor francês de origem grega, identificado nas folhas pela assinatura tipográfica G. APERGHIS.
Georges Aperghis - França
Categoria: Partitura para Voz e Percussão
Acervo: 04590
Data: 1968
Dimensões: 29,7 x 21 cm
Conjunto de duas partituras textuais experimentais de Georges Aperghis, compositor francês de origem grega, identificado nas folhas pela assinatura tipográfica G. APERGHIS. As duas peças são intituladas PIECE POUR VOIX e PIECE POUR PERCUSSIONS e estão relacionadas ao ano de 1968. O conjunto, produzido na França, apresenta aparência de datiloscrito original, cópia carbono ou reprodução datilográfica de época. As folhas constituem documentação importante da fase inicial da produção de Aperghis e registram uma investigação sobre voz, som, ruído, improvisação, linguagem, gesto e participação anterior à consolidação de seu trabalho em teatro musical durante a década de 1970.
PIECE POUR VOIX é construída inteiramente por instruções verbais. Não há pentagrama nem notação musical convencional. A execução é determinada por um conjunto de proposições que orienta o intérprete a escolher uma canção qualquer e progressivamente alterar suas características. A primeira indicação solicita cantar uma melodia, qualquer uma. Em seguida propõe modificar determinadas notas, prolongar uma nota durante muito tempo, cantar muito rapidamente e depois desacelerar gradualmente, além de executar determinados trechos rapidamente e outros lentamente.
A partitura solicita ainda que o intérprete transforme o timbre de sua própria voz. Entre os procedimentos indicados estão colocar a mão diante da boca e tampar o nariz com as mãos. A folha também propõe imitar o cantor ou cantora preferido do participante. Dessa maneira, Aperghis utiliza ações corporais extremamente simples para modificar a emissão vocal, convertendo boca, nariz, mãos e respiração em elementos diretamente relacionados à produção musical.
Outro trecho afirma que, em todos os cantos cujos intervalos não sejam excessivamente grandes e cujas notas não sejam demasiado rápidas, seria possível cantar facilmente sem forçar nem prejudicar a voz. A passagem apresenta aspecto simultaneamente instrutivo e conceitual, relacionando execução musical, percepção corporal e reflexão sobre as características físicas do canto.
Caso a canção escolhida possua palavras e o intérprete ainda se recorde delas, a partitura instrui a cantar utilizando o texto original, mas substituindo determinadas notas por outras, mesmo quando essas alterações não correspondam ao ritmo ou à duração da melodia. O texto passa assim a operar independentemente da estrutura musical originalmente associada a ele.
A peça contém ainda a indicação SUCCESSION DE SONS TELLEMENT ORDONNES SELON LES LOIS DU RYTHME ET DE LA MODULATION QUELLE FORME UN SENS AGREABLE A LOREILLE. A formulação funciona como comentário sobre a definição de música e aparece dentro da própria sequência performativa, criando tensão entre definição normativa e liberdade experimental.
Aperghis solicita também que o canto seja acompanhado por ruídos improvisados realizados com objetos disponíveis no local. Essa instrução transforma qualquer objeto cotidiano em potencial instrumento e aproxima a obra de práticas de música experimental, performance, improvisação e expansão do conceito tradicional de instrumento musical.
No centro da partitura aparece a indicação CONCERT DE NUIT EN PLEIN AIR SOUS LES FENETRES DE QUELQUN. A frase introduz uma possível situação performática fora do espaço convencional de concerto, sugerindo uma ação noturna ao ar livre sob as janelas de alguém. A dimensão espacial e comportamental torna se parte da composição e amplia a obra para além da execução exclusivamente vocal.
Na sequência, o intérprete é orientado a continuar as palavras da canção depois de seu término, improvisando novas palavras sobre a mesma melodia ou sobre outra melodia escolhida livremente. Outra possibilidade é continuar apenas o texto, abandonando a melodia e acompanhando as palavras com ruídos improvisados. Caso tenha continuado o texto cantado, a instrução determina interromper a ação e refletir sobre aquilo que acabou de realizar.
A partitura acrescenta que o participante deve agir de acordo com sua reação ao que fez. Em seguida aparece uma formulação segundo a qual a música moderna possui diversas espécies de melodias, cada uma adequada a determinadas formas de dança que recebem delas seu nome. A presença dessas definições e observações dentro da partitura cria um jogo entre linguagem descritiva, instrução, memória cultural e ação sonora.
O intérprete é ainda orientado a introduzir no texto frases conhecidas de cartazes publicitários, paredes, livros ou peças de teatro. Depois deve dirigir a palavra a alguém utilizando essas frases e escrevê las em um muro ou em outro lugar, desde que tenha condições de apagá las no dia seguinte. Nesse ponto a composição deixa o domínio estritamente musical e transforma se em proposta de ação, escrita, comunicação e intervenção no espaço cotidiano.
A peça termina com a instrução de esquecer tudo e recomeçar o jogo quando houver vontade. Essa conclusão confirma o caráter aberto, reiterável e não linear da proposta. A execução não depende de uma sequência sonora fixada definitivamente, mas de decisões tomadas pelo participante dentro de uma estrutura de instruções.
PIECE POUR PERCUSSIONS utiliza estratégia semelhante, mas constrói sua matéria a partir de palavras e definições relacionadas a choque, ruído, repercussão, queda, fuga, contato físico, vibração e percepção auditiva. A composição é apresentada como texto espacialmente organizado na página, com alterações de alinhamento e posição que atribuem também dimensão visual ao documento.
A folha inicia com a expressão Qui donne un choc en retour. Em seguida aparecem frases referentes a um disparo cujo eco repercute, gira e rola, ao ruído curto e ao ruído surdo da queda. A linguagem descreve fenômenos acústicos e físicos que podem ser percebidos como equivalentes verbais de acontecimentos percussivos.
Outro segmento afirma que movimentos de descida geralmente possuem terminações bruscas e repercussivas, embora os choques possam ser muito suavizados. O texto transforma conceitos de movimento e impacto em matéria potencialmente musical.
Mais adiante surge uma referência à primeira entrada de cada uma das partes de uma fuga, seja quando apresentam o sujeito, seja quando contêm a resposta. Esse vocabulário de técnica composicional tradicional é deslocado para dentro de uma estrutura textual experimental, estabelecendo contraste entre conceitos históricos de composição musical e uma partitura sem notação musical convencional.
A folha apresenta também a frase CET HOMME NAIME PAS LE BRUIT SIL NE LE FAIT, seguida de descrição de uma linha perpendicular no ponto de contato que passa pelo centro de gravidade comum de dois corpos que se chocam. Outra passagem explica que, ao bater nas paredes de uma cavidade corporal, seria possível reconhecer lesões das partes contidas nessa cavidade. Assim, definições relacionadas a física, acústica, medicina e percepção corporal são justapostas como materiais poéticos e sonoros.
Na parte inferior encontra se a expressão BOURDONNEMENT QUON PERCOIT SANS QUIL AIT AUCUN BRUIT EXTERIEUR, seguida por uma definição do ruído percebido ao aplicar uma concha univalve contra a orelha. A própria descrição do fenômeno auditivo converte percepção, memória e experiência corporal em conteúdo da composição.
As duas folhas demonstram uma concepção de partitura baseada em linguagem e instrução em lugar de notação musical tradicional. PIECE POUR VOIX concentra se em canto, transformação do timbre, memória musical, improvisação verbal, ruído, objetos cotidianos, ação pública e escrita. PIECE POUR PERCUSSIONS trabalha com choque, repercussão, eco, impacto, ruído interno e externo, corpo e conceitos retirados de diferentes campos do conhecimento.
O conjunto é particularmente significativo porque documenta pesquisas iniciais de Georges Aperghis em 1968 sobre procedimentos que posteriormente se tornariam fundamentais em sua produção. Voz, linguagem, gesto, comportamento, improvisação, teatralidade e transformação de situações cotidianas já aparecem articulados nessas partituras textuais.
Do ponto de vista da poesia experimental, as folhas também apresentam interesse direto. A palavra deixa de servir apenas para transmitir uma mensagem e passa a determinar ações sonoras e corporais. Na partitura de percussão, a disposição espacial do texto acrescenta uma dimensão visual. Assim, as obras podem ser estudadas em diálogo com poesia sonora, poesia visual, poesia experimental, partituras verbais, arte conceitual, performance, música experimental e práticas intermedia do final da década de 1960.
Não há nas imagens apresentadas informação editorial, número de edição, tiragem, instituição produtora ou indicação de publicação comercial. Também não é possível determinar apenas pela reprodução fotográfica se as folhas são os datiloscritos matriz, cópias carbono ou reproduções datilográficas de época. Para catalogação museológica segura, recomenda se registrar a técnica como datiloscrito, cópia carbono ou reprodução datilográfica, a confirmar mediante exame físico do papel, impressão e verso das folhas.
O conjunto deve ser indexado pelos termos Georges Aperghis, G. Aperghis, PIECE POUR VOIX, PIECE POUR PERCUSSIONS, 1968, França, partitura textual, partitura verbal, experimental score, text score, música experimental, teatro musical, poesia sonora, performance vocal, improvisação, percussão, voz, ruído, linguagem, gesto, participação, intermedia e composição experimental.
Salsa text in English
Set of two experimental textual scores by Georges Aperghis, the French composer of Greek origin, identified on the sheets by the typographic credit G. APERGHIS. The two works are titled PIECE POUR VOIX and PIECE POUR PERCUSSIONS and are associated with the year 1968. Produced in France, the documents have the appearance of original typescripts, carbon copies or period typewritten reproductions. The ensemble provides important documentation of Aperghis's early work and records investigations into voice, sound, noise, improvisation, language, gesture and participation before the consolidation of his musical theatre practice during the 1970s.
PIECE POUR VOIX is constructed entirely through verbal instructions. It contains no staff notation or conventional musical notation. Performance is determined through a sequence of propositions directing the performer to choose any song and progressively alter its characteristics. The first instruction asks the participant to sing any tune. Further instructions propose changing certain notes, sustaining one note for a very long time, singing very rapidly and then gradually slowing down, and performing certain passages quickly and others slowly.
The score also asks the performer to transform the timbre of the voice. Suggested procedures include placing a hand in front of the mouth and closing the nose with the hands. It also proposes imitating the performer's favorite singer. Through these elementary physical actions Aperghis turns the mouth, nose, hands and breathing into components directly involved in musical production.
Another passage discusses songs whose intervals are not excessively large and whose notes are not too rapid, suggesting that such material can be sung easily without forcing or damaging the voice. The statement is simultaneously instructional and conceptual, relating musical performance to bodily perception and the physical conditions of singing.
If the chosen song contains words and the performer still remembers them, the score instructs the singer to use those words while replacing certain notes with others even when these substitutions do not correspond to the original rhythm or melodic duration. Text therefore begins to function independently from the musical structure with which it was originally associated.
The score also contains the statement SUCCESSION DE SONS TELLEMENT ORDONNES SELON LES LOIS DU RYTHME ET DE LA MODULATION QUELLE FORME UN SENS AGREABLE A LOREILLE. The phrase operates as a commentary on definitions of music while appearing within the performance instructions themselves, producing tension between normative description and experimental freedom.
Aperghis further instructs the performer to accompany the song with improvised noises made with objects available nearby. Any everyday object can therefore become a potential instrument, connecting the work with experimental music, performance, improvisation and the expansion of traditional concepts of musical instrumentation.
At the center of the score appears the phrase CONCERT DE NUIT EN PLEIN AIR SOUS LES FENETRES DE QUELQUN. This introduces the possibility of a performance outside the conventional concert environment, suggesting a nocturnal outdoor action beneath someone's windows. Spatial and behavioral circumstances consequently become part of the composition.
The performer is then instructed to continue the words of the song after the original text has ended by improvising additional words over the same melody or another freely chosen tune. Another possibility is to continue the text without the melody, accompanying the words only with improvised sounds. If the performer has continued the sung text, the instructions call for stopping and considering what has just been done.
The score subsequently asks the participant to act according to this reaction. It also introduces a statement concerning modern music and different kinds of airs associated with forms of dance. Such definitions and observations create a play between descriptive language, instructions, cultural memory and sonic action.
The performer is further directed to insert familiar phrases taken from advertising posters, walls, books or theatrical plays into the text. The participant should then address someone using these constructed phrases and write them on a wall or elsewhere, provided they can be erased the following day. At this stage the composition leaves the strictly musical field and becomes an action involving writing, communication and intervention within everyday space.
The piece concludes by instructing the participant to forget everything and begin the game again whenever desired. This ending confirms the open, repeatable and nonlinear nature of the work. Performance does not depend upon a permanently fixed sequence of sounds but upon decisions taken by the participant within a framework of verbal instructions.
PIECE POUR PERCUSSIONS uses a related strategy but constructs its material from words and definitions involving impact, noise, repercussion, falling, fugue, physical contact, vibration and auditory perception. The text is spatially arranged across the page, with changing alignments and positions that add a visual dimension to the document.
The sheet begins with the phrase Qui donne un choc en retour. It then presents references to a gunshot whose echo reverberates, turns and rolls, together with a short noise and the dull sound of a fall. Language describes acoustic and physical phenomena that can be understood as verbal equivalents of percussive events.
Another passage states that downward movements usually have abrupt and repercussive endings although impacts can be greatly softened. Concepts of motion and collision are thus transformed into potentially musical material.
Elsewhere the score refers to the first entry of each part in a fugue, whether presenting the subject or containing the answer. Vocabulary associated with traditional compositional technique is displaced into an experimental textual structure without conventional notation, creating a contrast between historical musical terminology and verbal score practice.
The sheet also contains the statement CET HOMME NAIME PAS LE BRUIT SIL NE LE FAIT, followed by a description of a perpendicular line at the point of contact passing through the common center of gravity of two colliding bodies. Another passage explains that striking the walls of a bodily cavity can reveal lesions in the parts contained within it. Definitions derived from physics, acoustics, medicine and bodily perception are therefore juxtaposed as poetic and sonic materials.
Near the bottom appears BOURDONNEMENT QUON PERCOIT SANS QUIL AIT AUCUN BRUIT EXTERIEUR, followed by a definition of the sound perceived when placing a univalve shell against the ear. The description of auditory phenomena transforms perception, memory and bodily experience into the content of the composition.
Together the two sheets demonstrate a conception of musical notation based on language and instruction rather than conventional staff notation. PIECE POUR VOIX focuses on singing, alteration of vocal timbre, musical memory, verbal improvisation, noise, everyday objects, public action and writing. PIECE POUR PERCUSSIONS deals with impact, repercussion, echo, collision, internal and external noise, the body and terminology drawn from different areas of knowledge.
The ensemble is particularly significant because it documents early investigations by Georges Aperghis in 1968 into procedures that would later become fundamental to his practice. Voice, language, gesture, behavior, improvisation, theatricality and the transformation of everyday situations are already interconnected in these textual scores.
From the perspective of experimental poetry, the sheets are also significant. Words cease to function merely as carriers of information and instead determine sonic and bodily actions. In the percussion score, the spatial organization of language introduces an additional visual dimension. These works can therefore be studied in dialogue with sound poetry, visual poetry, experimental poetry, verbal scores, conceptual art, performance, experimental music and intermedia practices of the late 1960s.
The images contain no visible information concerning publisher, edition number, print run, producing institution or commercial publication. The photographs alone are also insufficient to establish whether the surviving sheets are master typescripts, carbon copies or period typewritten reproductions. For rigorous museum cataloguing, the technique should therefore be recorded provisionally as typescript, carbon copy or typewritten reproduction pending physical examination of the paper, impressions and reverse sides.
The ensemble should be indexed through Georges Aperghis, G. Aperghis, PIECE POUR VOIX, PIECE POUR PERCUSSIONS, 1968, France, textual score, verbal score, experimental score, experimental music, musical theatre, sound poetry, vocal performance, improvisation, percussion, voice, noise, language, gesture, participation, intermedia and experimental composition.
Texto de observação em português
Conjunto formado por duas folhas datilografadas atribuídas e identificadas no próprio documento como obras de G. APERGHIS. Os títulos apresentados são PIECE POUR VOIX e PIECE POUR PERCUSSIONS. As peças são relacionadas ao ano de 1968 e constituem partituras textuais experimentais nas quais instruções, definições, fragmentos linguísticos e disposição gráfica substituem a notação musical convencional.
PIECE POUR VOIX apresenta uma sequência extensa de instruções para execução vocal. A primeira orientação determina que o participante cante uma melodia qualquer. Em seguida são propostos procedimentos de alteração de notas, mudanças de velocidade, prolongamento de sons, modificação do timbre da voz, obstrução da boca e do nariz com as mãos e imitação de um cantor ou cantora escolhido pelo próprio intérprete.
A peça prossegue com instruções para utilizar as palavras de uma canção conhecida enquanto se alteram suas notas, ritmo ou duração. O canto pode ser acompanhado por ruídos improvisados produzidos com objetos presentes no local. A inclusão de objetos cotidianos amplia o campo instrumental e transforma o ambiente imediato em parte da execução.
A expressão CONCERT DE NUIT EN PLEIN AIR SOUS LES FENETRES DE QUELQUN introduz uma situação de performance noturna ao ar livre, sob as janelas de outra pessoa. A partitura propõe ainda prolongar as palavras depois do final da canção, criar novas frases, abandonar a melodia, manter apenas o texto e acompanhá lo com ruídos improvisados.
O participante é instruído a refletir sobre aquilo que acabou de realizar e agir de acordo com sua própria reação. Posteriormente deve incorporar frases reconhecidas em publicidade, paredes, livros ou teatro, dirigir essas frases a outra pessoa e eventualmente escrevê las em um muro ou outro suporte, desde que possam ser apagadas no dia seguinte.
A conclusão da partitura determina esquecer tudo e recomeçar o jogo quando houver vontade. A formulação indica uma obra aberta e reiterável, dependente das escolhas individuais do intérprete.
PIECE POUR PERCUSSIONS é igualmente textual, mas emprega fragmentos relacionados a choque, eco, repercussão, ruído, queda, movimento, contato entre corpos, fuga musical, lesões corporais e fenômenos auditivos. O texto é organizado espacialmente pela máquina de escrever e algumas frases aparecem deslocadas, centralizadas ou ampliadas através de espaçamento tipográfico.
A peça inclui uma referência à primeira entrada das partes de uma fuga, ao sujeito e à resposta, estabelecendo contato com terminologia musical tradicional dentro de uma estrutura radicalmente distinta da partitura convencional.
Outras passagens abordam o choque entre corpos e seus centros de gravidade, a produção de sons através de percussão sobre cavidades corporais e o zumbido percebido mesmo sem ruído exterior. A referência à concha colocada junto ao ouvido encerra a folha com um fenômeno auditivo reconhecível transformado em matéria textual.
As duas peças mostram que Aperghis já trabalhava, em 1968, com relações entre música, palavra, voz, corpo, gesto, improvisação e ação. PIECE POUR VOIX aproxima composição e comportamento performático. PIECE POUR PERCUSSIONS transforma definições de fenômenos sonoros e físicos em uma organização verbal e visual.
A técnica material não pode ser determinada definitivamente apenas pelas fotografias. As folhas apresentam aspecto compatível com datiloscrito original, cópia carbono ou reprodução datilográfica de época. A identificação definitiva exige exame presencial das características do papel, da pressão das letras, da tinta, do verso e de eventuais marcas produzidas pelo processo de cópia.
Não são visíveis indicação de tiragem, número de exemplar, editor, editora ou instituição produtora. Também não aparece dedicatória ou destinatário nas faces apresentadas. Esses campos devem permanecer sem atribuição até que documentação complementar seja localizada.
Para cadastro recomenda se registrar o conjunto como Georges Aperghis, PIECE POUR VOIX e PIECE POUR PERCUSSIONS, 1968, França, conjunto de duas partituras textuais experimentais, datiloscrito, cópia carbono ou reprodução datilográfica a confirmar. Palavras associadas incluem música experimental, partitura verbal, text score, experimental score, voz, percussão, improvisação, ruído, gesto, performance, poesia sonora, poesia experimental, arte intermedia e teatro musical.
Observation text in English
Ensemble consisting of two typewritten sheets attributed to and identified directly on the documents as works by G. APERGHIS. The titles are PIECE POUR VOIX and PIECE POUR PERCUSSIONS. The works are associated with the year 1968 and constitute experimental textual scores in which instructions, definitions, linguistic fragments and graphic arrangement replace conventional musical notation.
PIECE POUR VOIX presents an extended sequence of instructions for vocal performance. The opening direction asks the participant to sing any tune. Subsequent procedures involve changing notes, altering speed, prolonging sounds, modifying vocal timbre, obstructing the mouth and nose with the hands and imitating a singer chosen by the performer.
The work continues by instructing the performer to use the words of a familiar song while altering notes, rhythm or duration. Singing can be accompanied by improvised noises produced with objects found nearby. The inclusion of ordinary objects expands the instrumental field and incorporates the immediate environment into the performance.
The phrase CONCERT DE NUIT EN PLEIN AIR SOUS LES FENETRES DE QUELQUN introduces the possibility of a nocturnal outdoor performance beneath someone's windows. The score further proposes continuing the words after the song has ended, inventing additional phrases, abandoning the melody, retaining only the text and accompanying it with improvised noises.
The participant is instructed to reflect upon what has just been performed and to act according to that reaction. Later the performer should incorporate phrases encountered in advertising, on walls, in books or in theatre, address someone through these constructed phrases and potentially write them on a wall or another surface provided they can be erased the following day.
The score concludes by instructing the performer to forget everything and begin the game again whenever desired. This formulation establishes the work as open, repeatable and dependent upon individual decisions by the performer.
PIECE POUR PERCUSSIONS is similarly textual but employs fragments relating to impact, echo, repercussion, noise, falling, movement, physical contact, musical fugue, bodily injury and auditory phenomena. The text is spatially organized through typewriting and several phrases are displaced, centered or emphasized through typographic spacing.
The work includes a reference to the first entry of the parts of a fugue, together with the concepts of subject and answer, bringing vocabulary from traditional musical composition into a structure radically different from conventional notation.
Other passages concern collisions between bodies and their centers of gravity, the production of sounds through percussion on bodily cavities and a buzzing sensation perceived without external noise. The reference to a shell placed against the ear concludes the sheet by transforming a familiar auditory phenomenon into textual material.
Together the two works demonstrate that Aperghis was already investigating relationships among music, words, voice, body, gesture, improvisation and action in 1968. PIECE POUR VOIX connects composition with performative behavior. PIECE POUR PERCUSSIONS transforms definitions of sonic and physical phenomena into verbal and visual organization.
The material technique cannot be definitively established from photographs alone. The sheets appear consistent with an original typescript, carbon copy or period typewritten reproduction. Definitive identification requires physical examination of the paper, type impressions, ink, reverse sides and possible traces produced by the copying process.
No edition statement, copy number, publisher or producing institution is visible. No dedication or recipient appears on the documented faces. These fields should remain unattributed until additional documentary evidence is located.
For cataloguing purposes the recommended identification is Georges Aperghis, PIECE POUR VOIX and PIECE POUR PERCUSSIONS, 1968, France, set of two experimental textual scores, typescript, carbon copy or typewritten reproduction to be confirmed. Related indexing terms include experimental music, verbal score, text score, experimental score, voice, percussion, improvisation, noise, gesture, performance, sound poetry, experimental poetry, intermedia art and musical theatre.
Inglês
Set of two experimental textual scores by Georges Aperghis, the French composer of Greek origin, identified on the sheets by the typographic credit G. APERGHIS.
Dimensions: 11,7 x 8,3 in


