Home Acervo Cartão postal de Jean François Bory datado de 1967, pertencente ao período inicial e decisivo de sua atuação na poesia concreta, poesia visual e experimentação intermedia francesa.

Cartão postal de Jean François Bory datado de 1967, pertencente ao período inicial e decisivo de sua atuação na poesia concreta, poesia visual e experimentação intermedia francesa.

Jean François Bory - França

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Categoria: Mail Art

Acervo: 04566

Data: 1967

Dimensões: 14,3 x 10 cm

Cartão postal de Jean François Bory datado de 1967, pertencente ao período inicial e decisivo de sua atuação na poesia concreta, poesia visual e experimentação intermedia francesa. O documento combina uma reprodução de obra de Bory com uma mensagem manuscrita dirigida a amigos ou colaboradores de uma publicação, registrando diretamente o funcionamento das redes internacionais de intercâmbio entre poetas, artistas e editores durante a segunda metade da década de 1960.

Na face ilustrada aparece uma composição fotográfica em preto e branco formada por grandes estruturas tridimensionais semelhantes a letras, signos e fragmentos tipográficos. As formas são verticalizadas, sobrepostas e parcialmente reconhecíveis como caracteres, produzindo uma espécie de escultura da linguagem. Essa solução visual corresponde às pesquisas desenvolvidas por Jean François Bory naquele período, quando letras e palavras deixavam de ser apenas elementos destinados à leitura e passavam a funcionar como objetos, volumes e estruturas espaciais.

A identificação impressa no próprio cartão apresenta N° 71, J. F. Bory, contre histoire e a referência musée d art moderne biennale 67. Esses elementos vinculam a imagem ao contexto da produção de Bory apresentada em torno da Biennale de Paris de 1967, período em que o artista realizava grandes letras tridimensionais, poemas objeto e experiências que deslocavam a poesia da página para o espaço físico.

O cartão também está relacionado ao contexto editorial em que Jean François Bory preparava e difundia sua produção internacional, incluindo o projeto Once Again, associado à nova poesia concreta e visual e posteriormente publicado pela New Directions. A reprodução visual presente no cartão dialoga diretamente com essa fase de exploração de letras tridimensionais, objetos poéticos e novas formas de organização espacial da linguagem.

No verso, Jean François Bory escreve em francês uma mensagem especialmente cordial. Dirige se aos destinatários como chers amis e agradece pela revista recebida, qualificando a publicação como maravilhosa. Em seguida pede que lhe enviem os outros trabalhos ou novos materiais quando forem publicados. Finaliza cordialmente e assina J. F. Bory.

A mensagem demonstra que o cartão fazia parte de uma troca editorial efetiva. Bory havia recebido uma revista dos correspondentes, agradecia o envio e solicitava explicitamente a continuidade da circulação, desejando receber futuras publicações e trabalhos. O documento registra, portanto, um mecanismo fundamental das vanguardas experimentais dos anos 1960, baseado em correspondência, permuta de revistas, envio de poemas, publicações independentes e formação de redes internacionais.

O cartão constitui fonte primária para o estudo da atividade de Jean François Bory em 1967 e documenta simultaneamente sua produção visual, sua participação no ambiente da Biennale de Paris, sua atuação editorial e sua inserção em circuitos internacionais de poesia experimental. Também ajuda a compreender como revistas e cartões postais funcionavam como instrumentos para estabelecer contatos, trocar trabalhos e acompanhar a produção de artistas e poetas de outros países.

A peça deve ser relacionada à poesia concreta, poesia visual, poesia experimental, poema objeto, escultura tipográfica, publicação de artista, arte postal, comunicação artística e redes alternativas de circulação dos anos 1960. No contexto brasileiro, esses mecanismos de intercâmbio são particularmente relevantes para compreender as conexões entre artistas europeus como Jean François Bory e as redes em que também circulavam poesia concreta brasileira, Poema Processo e outras experiências latino americanas.

Salsa text in English

Postcard by Jean François Bory dated 1967, belonging to the early and decisive period of his activity in concrete poetry, visual poetry and French intermedia experimentation. The document combines a reproduction of a work by Bory with a handwritten message addressed to friends or collaborators associated with a publication, directly documenting the international exchange networks connecting poets, artists and editors during the second half of the 1960s.

The illustrated side presents a black and white photographic composition constructed from large three dimensional structures resembling letters, signs and typographic fragments. The forms are vertical, overlapping and partially recognizable as characters, producing a kind of sculpture of language. This visual solution corresponds to the investigations developed by Jean François Bory during this period, when letters and words ceased to function only as elements to be read and became objects, volumes and spatial structures.

The printed identification on the postcard includes N° 71, J. F. Bory, contre histoire and the reference musée d art moderne biennale 67. These elements connect the image with the context of Bory's production around the 1967 Biennale de Paris, a period in which the artist produced large three dimensional letters, poem objects and experiments that displaced poetry from the page into physical space.

The postcard is also associated with the editorial context in which Jean François Bory was preparing and circulating his international work, including Once Again, a project connected with the new concrete and visual poetry and subsequently published by New Directions. The visual reproduction on the card belongs to the same period of investigation into three dimensional letters, poetic objects and new spatial organizations of language.

On the reverse, Jean François Bory writes a particularly cordial message in French. He addresses the recipients as chers amis and thanks them for the magazine they had sent him, describing it as wonderful. He then asks them to send their other works or future materials when they appear. The message closes cordially and is signed J. F. Bory.

The text demonstrates that the postcard formed part of an active editorial exchange. Bory had received a magazine from his correspondents, thanked them for it and explicitly requested continued circulation, expressing his desire to receive future publications and works. The document therefore records one of the fundamental mechanisms of the experimental avant gardes of the 1960s, based on correspondence, exchange of magazines, circulation of poems, independent publishing and the construction of international networks.

The postcard is a primary source for the study of Jean François Bory's activity in 1967 and simultaneously documents his visual production, his connection with the Biennale de Paris context, his editorial activity and his participation in international experimental poetry networks. It also helps explain how magazines and postcards functioned as practical instruments for establishing contacts, exchanging works and following the production of artists and poets in other countries.

The piece should be associated with concrete poetry, visual poetry, experimental poetry, poem objects, typographic sculpture, artists publications, mail art, artistic communication and alternative circulation networks of the 1960s. Within the Brazilian context, these mechanisms of exchange are particularly relevant for understanding connections between European artists such as Jean François Bory and networks in which Brazilian concrete poetry, the Process Poem Movement and other Latin American experiments also circulated.

Texto de observação em português

Cartão postal de Jean François Bory de 1967, impresso com reprodução fotográfica em preto e branco de uma composição tridimensional formada por estruturas que remetem a letras e signos tipográficos. A identificação impressa na peça registra N° 71, J. F. Bory, contre histoire e musée d art moderne biennale 67.

Essa identificação é documentalmente importante porque permite associar diretamente a imagem ao contexto da Biennale de Paris de 1967 e à pesquisa de Jean François Bory sobre a transformação das letras em objetos tridimensionais. Em vez de construir um poema exclusivamente por meio de palavras alinhadas sobre a página, Bory utiliza caracteres ampliados como volumes físicos, criando uma poesia que ocupa o espaço.

A fotografia apresenta formas altas e estreitas concentradas verticalmente contra um fundo escuro. Algumas estruturas parecem derivar de letras ampliadas, mas sua sobreposição impede uma leitura verbal convencional. A percepção acontece primeiramente como imagem e objeto, procedimento característico das pesquisas de Bory sobre a materialidade da linguagem.

No verso encontra se mensagem manuscrita em tinta azul. Jean François Bory começa dirigindo se aos destinatários como chers amis. Agradece pela revista recebida e escreve que ela é maravilhosa. Em seguida solicita que os correspondentes enviem seus outros trabalhos quando forem publicados. A mensagem termina com uma saudação cordial e a assinatura J. F. Bory.

O conteúdo permite identificar o cartão como documento de intercâmbio editorial e artístico. Não se trata apenas de um cartão promocional preservado sem uso. A mensagem demonstra uma circulação concreta entre Bory e outros participantes de uma rede de publicações experimentais.

O pedido para receber trabalhos futuros é particularmente significativo. Ele demonstra que a relação não estava restrita a uma única remessa. Bory manifesta interesse em acompanhar continuamente a produção dos correspondentes, procedimento característico das redes internacionais de poesia concreta, poesia visual e posteriormente arte postal.

A própria combinação entre reprodução de obra, identificação editorial, mensagem pessoal e circulação postal aproxima a peça da lógica que seria amplamente desenvolvida pela mail art. O cartão funciona simultaneamente como reprodução artística, instrumento de comunicação, documento de relacionamento e objeto material de uma rede internacional.

A indicação contre histoire impressa junto ao nome de Bory deve ser preservada na catalogação como elemento original da peça. Da mesma forma, a referência musée d art moderne biennale 67 fornece uma importante informação histórica sobre o contexto da imagem reproduzida.

O cartão pertence à fase em que Jean François Bory desenvolvia trabalhos com poesia concreta, letras tridimensionais, objetos poéticos e experiências visuais e editoriais. É também o período de projetos como Approches, das relações com Julien Blaine e Jochen Gerz e da preparação de publicações internacionais como Once Again.

A partir das imagens fornecidas, não é possível identificar com segurança os destinatários originais do cartão, pois a área apresentada contém a mensagem mas não revela de maneira inequívoca nome e endereço do receptor. A catalogação não deve atribuir um destinatário sem documentação complementar.

O documento possui especial valor para pesquisas sobre Jean François Bory, Biennale de Paris 1967, contre histoire, Once Again, poesia concreta francesa, poesia visual, poesia experimental, poema objeto, escultura tipográfica, revistas experimentais, publicações de artista, correspondência artística e redes internacionais de circulação das vanguardas dos anos 1960.

Observation text in English

Postcard by Jean François Bory from 1967, printed with a black and white photographic reproduction of a three dimensional composition formed by structures resembling letters and typographic signs. The printed identification records N° 71, J. F. Bory, contre histoire and musée d art moderne biennale 67.

This identification is historically significant because it directly connects the reproduced image with the context of the 1967 Biennale de Paris and with Jean François Bory's investigation into the transformation of letters into three dimensional objects. Rather than constructing a poem exclusively through words arranged on a page, Bory uses enlarged characters as physical volumes, creating poetry that occupies space.

The photograph presents tall and narrow forms concentrated vertically against a dark background. Some structures appear to derive from enlarged letters, but their overlapping prevents conventional verbal reading. Perception therefore begins with image and object rather than with a linguistic sequence, a procedure characteristic of Bory's investigation into the materiality of language.

The reverse contains a handwritten message in blue ink. Jean François Bory begins by addressing the recipients as chers amis. He thanks them for the magazine they sent and describes it as wonderful. He then asks the correspondents to send their other works when they appear. The message ends cordially and is signed J. F. Bory.

The content identifies the postcard as a document of editorial and artistic exchange. It is not merely an unused promotional card. The handwritten message demonstrates actual circulation between Bory and other participants in an experimental publishing network.

The request to receive future works is particularly important. It demonstrates that the relationship was not limited to a single exchange. Bory expresses an interest in following the continuing production of his correspondents, a practice characteristic of international concrete poetry, visual poetry and later mail art networks.

The combination of an artwork reproduction, printed identification, personal message and postal circulation places the object close to the communication strategies later extensively developed through mail art. The postcard simultaneously functions as an art reproduction, communication instrument, relational document and material object within an international network.

The printed designation contre histoire should be preserved in the catalogue as an original element of the object. Likewise, the reference musée d art moderne biennale 67 provides important historical information concerning the context of the reproduced image.

The postcard belongs to the period in which Jean François Bory was developing concrete poetry, three dimensional lettering, poetic objects and visual and editorial experiments. It is also associated with the period of projects such as Approches, his relationships with Julien Blaine and Jochen Gerz and the preparation of international publications such as Once Again.

From the images provided, the original recipients of the postcard cannot be securely identified because the visible area contains the message but does not reveal an unequivocal recipient name and address. No recipient should therefore be assigned in the catalogue without additional documentation.

The document has particular value for research on Jean François Bory, Biennale de Paris 1967, contre histoire, Once Again, French concrete poetry, visual poetry, experimental poetry, poem objects, typographic sculpture, experimental magazines, artists publications, artistic correspondence and international avant garde circulation networks of the 1960s.


Inglês

Postcard by Jean François Bory dated 1967, belonging to the early and decisive period of his activity in concrete poetry, visual poetry and French intermedia experimentation.

Dimensions: 5,6 x 3,9 in

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