Home Acervo Poema/Processo e Projeto Ideológico é uma separata de texto de Moacy Cirne publicada na revista Vozes em dezembro de 1972 e posteriormente enviada pelo próprio autor a Anchieta Fernandes.

Poema/Processo e Projeto Ideológico é uma separata de texto de Moacy Cirne publicada na revista Vozes em dezembro de 1972 e posteriormente enviada pelo próprio autor a Anchieta Fernandes.

Anchieta Fernandes

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Categoria: Poema Processo

Acervo: 04680

Data: 1972

Dimensões: 23,2 x 16 cm

Poema/Processo e Projeto Ideológico é uma separata de texto de Moacy Cirne publicada na revista Vozes em dezembro de 1972 e posteriormente enviada pelo próprio autor a Anchieta Fernandes. A capa da separata apresenta o nome Moacy Cirne e o título Poema/Processo e Projeto Ideológico. No verso há dedicatória manuscrita de Moacy Cirne a Anchieta Fernandes e a anotação de que se trata da separata do documento publicado na Vozes em dezembro de 1972. O exemplar reúne as páginas numeradas de 16 a 20, correspondentes às páginas 772 a 776 da publicação original.

O texto constitui documento teórico fundamental para compreender o Poema Processo no momento imediatamente posterior à fase de maior expansão pública iniciada em 1967. Moacy Cirne afirma que o Poema Processo, mais do que a poesia concreta e a poesia práxis, revelou uma posição programática desde seu surgimento, vinculando essa posição à radicalidade estrutural e criativa de cada poema e à radicalidade social do período de 1967 e 1968.

Segundo Cirne, do processo estético informacional ao processo histórico, o Poema Processo baseou se em uma criticidade de grande alcance metodológico, procurando criar probabilidades criativas e instaurar uma nova forma de realismo. A questão central deixa de ser apenas a realização individual de poemas e passa a envolver um programa ideológico e político de atuação artística.

Moacy Cirne afirma que o projeto ideológico do Poema Processo ultrapassava a concepção inicial de um título programa e se espalhava pela teoria do movimento, promovendo uma prática criativa baseada no poema entendido como realidade semiológica e social. Nessa concepção, cada poema processo poderia funcionar como projeto em potencial e corresponder a uma determinada ideologia por meio da versão, da opção, da série, da matriz e de outras formas de construção.

Um dos conceitos centrais do documento é a versão. Para Cirne, a versão pode assumir caráter material, gráfico, ambiental, sonoro e outras possibilidades. Ela deveria possuir sentido democratizante desde os princípios teóricos até os resultados imediatos, explorando a potencialidade criadora de cada leitor, consumidor ou participante. O autor enfatiza que o problema não é apenas quantitativo, mas envolve consciência crítica estabelecida por meio da leitura.

O texto propõe uma leitura criativa e produtiva na qual o poema processo funcione como objeto articulado. A leitura desejada deveria provocar participação, criatividade, versões e séries. O movimento seria aberto à participação, mas sem depender de chaves semânticas predeterminadas.

Cirne afirma que, quando já não existissem condições objetivas para a permanência de um programa projeto, o próprio movimento do Poema Processo perderia seu significado histórico enquanto ação organizada. Ainda assim, o processo não desapareceria. Segundo o texto, continuaria até ser superado dialeticamente por uma nova forma poética e por um novo processo, que não seria simplesmente um neopocesso.

O documento esclarece ainda que o texto apresentado havia sido elaborado pela frente pernambucana do movimento e aprovado pela maioria dos participantes das diversas frentes regionais, caracterizando se como um texto projeto. Essa informação é importante para compreender que o artigo não representa apenas uma reflexão individual de Moacy Cirne, mas registra formulações compartilhadas dentro da rede do Poema Processo.

Na seção Poema/Processo: Parada Opção Tática, o texto apresenta uma discussão sobre as estratégias do movimento. Segundo Cirne, o Poema Processo havia sido lançado de maneira planejada como forma de conscientização pública, antecipando uma oposição de ideias ao estruturalismo. Diante desse contexto, existiriam inicialmente duas possibilidades fundamentais, informação e comunicação.

A opção pela informação consistiria em divulgar a leitura do processo como conquista científica, promovendo circulação em intervalos maiores e privilegiando trabalhos que inaugurassem processos informacionais. A opção pela comunicação significaria buscar abertura mais ampla, educativa e coletiva, utilizando como critério a intenção do poeta ao optar pela vanguarda.

Moacy Cirne registra que a escolha pela abertura total levou o movimento a descentralizar se. A diversidade dos repertórios, as possibilidades econômicas, os diferentes níveis de desenvolvimento regional e as diferentes idades dos participantes tornaram necessária uma atuação baseada em exposições, publicações, manifestações coletivas e diálogos públicos. O objetivo era permitir que diferentes frentes desenvolvessem ações próprias e, ao mesmo tempo, estabelecer um nivelamento informacional.

Na seção Atitudes, o documento apresenta estratégias de nivelamento nacional. Cirne discute o uso urbano de meios tecnológicos sofisticados, mencionando laser, canais eletrônicos, cinema e computador. Entretanto, alerta que uma utilização exclusivamente tecnológica poderia criar novos centros privilegiados e retardar o desenvolvimento da pesquisa do Poema Processo.

Outra posição descrita é a recusa de inaugurar conceitos e práticas exclusivamente em nível informacional. Também é registrada a recusa de utilizar a disponibilidade publicitária dos meios de comunicação dos grandes centros como principal mecanismo de divulgação. O objetivo seria evitar que o processo se transformasse em mera ilustração de publicidade ou complemento visual da propaganda.

Na seção Posicionamento Internacional, o texto sintetiza uma diferença entre processo, poema e resultado. O processo é apresentado como situado em qualquer nível dentro da invenção informacional. O poema aparece como veículo transitório da função dialética. O resultado, entendido como estrutura acabada ou objeto mesmo aberto, é colocado em xeque. Essa formulação evidencia a prioridade concedida ao processo sobre o objeto final.

Na mesma página há uma nota de grande importância documental referente a Anchieta Fernandes. O texto informa que Olho, de Anchieta Fernandes, despontou em 1967 como um dos primeiros poemas do movimento Poema Processo. A partir de um ponto e de uma linha vertical, Anchieta Fernandes, identificado como poeta da frente do Rio Grande do Norte do Poema Processo, teria construído um dos mais sólidos e criativos produtos da vanguarda literária brasileira, destacando a simplicidade estrutural e a força comunicacional do trabalho. O texto acrescenta que o próprio Anchieta realizou em 1968 uma versão gráfica de Olho denominada Olho número dois.

Esse registro de 1972 é particularmente relevante para a historiografia de Anchieta Fernandes porque documenta, ainda muito próximo dos acontecimentos originais, o reconhecimento de Olho como obra inicial e significativa do Poema Processo e identifica explicitamente Anchieta com a frente do Rio Grande do Norte.

Na seção seguinte, Moacy Cirne aborda os conceitos de projeto, versão, contra estilo e estilo. Projeto e versão aparecem como opção prática do participante. O contra estilo procura apagar a memória do estilo, enquanto o estilo é definido como escolha estatística e preferencial dentro das estruturas armazenadas. Segundo o documento, essas contribuições radicalizam o conceito de vanguarda.

Na seção Tática, é descrita uma linha articuladora formada por Rio de Janeiro, Minas Gerais e Nordeste, acompanhada por frentes autônomas em Brasília, Santa Catarina e Mato Grosso. Essa formulação revela a organização territorial pretendida pelo Poema Processo e demonstra que o movimento buscava articular diferentes centros brasileiros sem reduzi los a uma única direção cultural.

O documento registra também problemas encontrados na tentativa de expandir o movimento. Em determinados locais, possíveis frentes exigiam maior sustentação teórica, tempo e recursos financeiros. Outras não foram abertas oficialmente porque havia o risco de se transformarem em exposições de visitantes passageiros ou em publicações contemplativas sem radicalidade. O texto menciona ainda a preocupação em evitar modelos de apropriação centralizadora associados historicamente a São Paulo.

A página dedicada ao desenvolvimento afirma que a igualdade de repertórios havia criado inicialmente uma centralização dos participantes, seguida pelo aparecimento de novos pontos autônomos de irradiação de trabalhos. Com essa descentralização, a ação organizada deveria encerrar se quando sua função histórica estivesse cumprida.

O texto rejeita uma sucessão baseada em gerações, pois isso destruiria o princípio de simultaneidade. Também declara que não houve cisão, apresentando os cinco anos iniciais como projeto contínuo de vanguarda. Por fim, afirma que o processo constitui uma conquista irreversível no campo da informação e que poemas processo continuariam sendo produzidos.

A nota final esclarece ainda a relação do artigo com outro documento do movimento, Parada Opção Tática, utilizado para complementar e aprofundar determinadas questões. O conjunto revela que o pensamento teórico do Poema Processo não estava limitado à descrição formal das obras, mas envolvia leitura, participação, comunicação, descentralização, estratégia cultural, organização regional, circulação da informação, política de vanguarda e crítica aos mecanismos de centralização artística.

O exemplar possui valor adicional por sua proveniência. A dedicatória manuscrita de Moacy Cirne a Anchieta Fernandes documenta uma relação direta entre dois participantes históricos do ambiente do Poema Processo. A anotação manuscrita confirmando que se trata da separata do documento publicado na Vozes em dezembro de 1972 estabelece a origem editorial do material e transforma este exemplar em documento de circulação pessoal dentro da rede do movimento.

Poema/Processo e Projeto Ideológico constitui fonte primária para pesquisas sobre Moacy Cirne, Anchieta Fernandes, Poema Processo, poema Olho, Olho número dois, revista Vozes, dezembro de 1972, frente do Rio Grande do Norte, frente pernambucana, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Nordeste, Brasília, Santa Catarina, Mato Grosso, poesia experimental, poesia visual, semiótica, comunicação, informação, participação, versão, matriz, série, projeto, contra estilo, vanguarda brasileira, descentralização cultural e história da poesia experimental brasileira.

Salsa text in English

Poema/Processo e Projeto Ideológico is an offprint of a text by Moacy Cirne published in the journal Vozes in December 1972 and subsequently sent by the author to Anchieta Fernandes. The cover displays the name Moacy Cirne and the title Poema/Processo e Projeto Ideológico. On the reverse there is a handwritten dedication from Moacy Cirne to Anchieta Fernandes and a manuscript note identifying the item as an offprint of the document published in Vozes in December 1972. The surviving copy contains pages numbered 16 through 20, corresponding to pages 772 through 776 of the original publication.

The text is an important theoretical document for understanding Poema Processo during the period immediately following its major phase of public expansion that began in 1967. Moacy Cirne argues that Poema Processo, more than Concrete Poetry and Poesia Práxis, revealed a programmatic position from its emergence, connecting this position with the structural and creative radicalism of each poem and with the social radicalism of the period of 1967 and 1968.

According to Cirne, from the aesthetic informational process to the historical process, Poema Processo was based on a broad methodological criticality intended to create new creative possibilities and establish a renewed form of realism. The central issue therefore extended beyond the production of individual poems and involved an ideological and political program of artistic action.

Moacy Cirne states that the ideological project of Poema Processo exceeded the initial concept of a title program and spread throughout the theoretical structure of the movement, promoting creative practice based on the poem understood as a semiological and social reality. Within this conception, each process poem could function as a potential project and correspond to a particular ideology through version, option, series, matrix and other forms of construction.

One of the central concepts in the document is version. According to Cirne, a version could assume material, graphic, environmental, sound based and other forms. It should possess a democratizing function from its theoretical principles through its immediate results, exploring the creative potential of each reader, consumer or participant. The author emphasizes that the issue is not simply quantitative but concerns the development of critical consciousness through reading.

The text proposes a creative and productive form of reading in which the process poem operates as an articulated object. Such reading should stimulate participation, creativity, versions and series. The movement is described as open to participation without depending on predetermined semantic keys.

Cirne argues that when objective conditions no longer existed for the continuation of a program project, the organized movement of Poema Processo would lose its historical meaning as an organized action. The process itself, however, would not disappear. It would continue until dialectically surpassed by a new poetic form and a new process, rather than merely becoming a neo process.

The document further explains that the text had been prepared by the Pernambuco front of the movement and approved by the majority of participants from the different regional fronts, characterizing it as a project text. This information is important because it indicates that the article represents not only an individual reflection by Moacy Cirne but also theoretical formulations circulating within the wider Poema Processo network.

In the section Poema/Processo: Parada Opção Tática, the document discusses strategies adopted by the movement. According to Cirne, Poema Processo was launched in a planned manner as a form of public awareness and as an opposition of ideas to structuralism. Within this context, two principal alternatives were initially identified, information and communication.

The information option consisted in disseminating the reading of process as a scientific conquest, with circulation at longer intervals and an emphasis on poems that introduced informational processes. The communication option meant seeking a broader educational and collective opening, using as a criterion the poet's intention when choosing participation in the avant garde.

Moacy Cirne records that the choice for total openness led the movement toward decentralization. Differences in repertories, economic possibilities, stages of regional development and the ages of the participants made it necessary to work through exhibitions, publications, collective manifestations and public dialogues. The objective was to enable different fronts to develop their own activities while producing informational exchange.

In the section Atitudes, the document discusses strategies for national leveling. Cirne considers the urban use of sophisticated technological media, mentioning laser, electronic channels, cinema and computers. He warns, however, that exclusively technological approaches could create privileged centers and delay the development of Poema Processo research.

Another position described in the document is the rejection of concepts and practices operating exclusively at the informational level. It also records a refusal to depend on the advertising power of mass media concentrated in major cultural centers. The objective was to prevent the process from becoming merely an illustration for advertising or a visual complement to commercial communication.

In the section Posicionamento Internacional, the text distinguishes process, poem and result. Process is situated at any level of informational invention. The poem is described as a transitory vehicle of dialectical function. The result, understood as a completed structure or even an open object, is placed under critical examination. This formulation demonstrates the priority assigned to process over the final artistic object.

On the same page appears an important documentary note concerning Anchieta Fernandes. The text states that Olho by Anchieta Fernandes emerged in 1967 as one of the first poems of the Poema Processo movement. Beginning from a point and a vertical line, Anchieta Fernandes, identified as a poet from the Rio Grande do Norte front of Poema Processo, created what the publication describes as one of the most solid and creative products of the Brazilian literary avant garde, marked by structural simplicity and powerful communication. The text further records that Anchieta himself produced a graphic version of Olho in 1968 entitled Olho número dois.

This 1972 reference is particularly important for the historiography of Anchieta Fernandes because it documents, close to the original events, the recognition of Olho as an early and significant work of Poema Processo and explicitly identifies Anchieta Fernandes with the movement's Rio Grande do Norte front.

The following section discusses the concepts of project, version, counter style and style. Project and version are presented as practical options of the participant. Counter style is intended to erase the memory of style, while style is defined as a statistical and preferential choice among stored structures. According to the document, these contributions radicalize the concept of avant garde.

In the section Tática, the text describes an articulating line involving Rio de Janeiro, Minas Gerais and the Northeast, accompanied by autonomous fronts in Brasília, Santa Catarina and Mato Grosso. This formulation reveals the territorial organization envisioned by Poema Processo and demonstrates the intention to coordinate different Brazilian centers without reducing them to a single cultural direction.

The document also records difficulties encountered during the expansion of the movement. In some locations, potential fronts required greater theoretical support, time and financial resources. Other fronts were not officially opened because they risked becoming exhibitions by temporary visitors or contemplative publications lacking radicality. The text also demonstrates concern with avoiding models of cultural centralization.

The section Desenvolvimento states that an initial equality of repertories created a certain centralization among the first participants, followed by the emergence of autonomous centers for the dissemination of new works. With increasing decentralization, organized action would eventually conclude after fulfilling its historical function.

The text rejects succession organized by generations because this would destroy the principle of simultaneity. It also declares that no split occurred, describing the initial five years as a continuous avant garde project. Finally, it states that process represents an irreversible conquest in the field of information and that process poems would continue to be produced.

The final note clarifies the relationship between the article and another movement document, Parada Opção Tática, used to complement and expand particular theoretical questions. Taken together, the text demonstrates that the theoretical thought of Poema Processo extended beyond formal descriptions of artworks to encompass reading, participation, communication, decentralization, cultural strategy, regional organization, circulation of information, avant garde politics and criticism of cultural centralization.

This particular copy has additional significance because of its provenance. Moacy Cirne's handwritten dedication to Anchieta Fernandes documents a direct relationship between two historical participants in the Poema Processo environment. The handwritten statement identifying the item as the offprint of the document published in Vozes in December 1972 establishes its editorial origin and transforms the copy into evidence of personal circulation within the movement's network.

Poema/Processo e Projeto Ideológico is therefore a primary source for research on Moacy Cirne, Anchieta Fernandes, Poema Processo, the poem Olho, Olho número dois, the journal Vozes, December 1972, the Rio Grande do Norte front, the Pernambuco front, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Northeastern Brazil, Brasília, Santa Catarina, Mato Grosso, experimental poetry, visual poetry, semiotics, communication, information, participation, version, matrix, series, project, counter style, Brazilian avant garde, cultural decentralization and the history of Brazilian experimental poetry.

Separata original do artigo Poema/Processo e Projeto Ideológico, de Moacy Cirne, publicado na revista Vozes em dezembro de 1972. O conjunto preservado compreende as páginas 16 a 20 da separata, correspondentes às páginas 772 a 776 da publicação. O exemplar apresenta sinais de uso, dobras, rasgos, perfurações e perdas nas margens, características que devem integrar sua descrição de conservação.

No verso da folha inicial encontram se duas inscrições manuscritas fundamentais para estabelecer a proveniência do exemplar. Uma delas corresponde a dedicatória de Moacy Cirne a Anchieta Fernandes. A outra informa explicitamente que o objeto é a separata do documento publicado na Vozes em dezembro de 1972. Essas inscrições documentam o envio pessoal do texto de Moacy Cirne a Anchieta Fernandes e sua circulação entre participantes da rede do Poema Processo.

O artigo possui relevância teórica porque formula relações entre Poema Processo, projeto ideológico, realidade semiológica, participação, leitura, versão, série, matriz, democratização da criação e consciência crítica. O poema é entendido não somente como resultado formal, mas como dispositivo capaz de gerar novos processos e novas respostas do participante.

A seção Poema/Processo: Parada Opção Tática registra o debate interno entre informação e comunicação e ajuda a compreender as estratégias utilizadas pelo movimento para sua expansão. A escolha pela abertura e descentralização aparece associada à formação de frentes regionais, exposições, publicações, manifestações coletivas, diálogos públicos e intercâmbio de informações.

O texto também registra uma geografia do movimento. São mencionados Rio de Janeiro, Minas Gerais e Nordeste como linha articuladora, além de frentes autônomas em Brasília, Santa Catarina e Mato Grosso. A formulação constitui fonte importante para pesquisas sobre a estrutura regional e a descentralização do Poema Processo no Brasil.

A nota dedicada a Anchieta Fernandes possui excepcional valor documental. O artigo afirma que Olho, de Anchieta Fernandes, surgiu em 1967 como um dos primeiros poemas do movimento Poema Processo. Anchieta é identificado explicitamente como poeta da frente do Rio Grande do Norte. O texto destaca a construção de Olho a partir de um ponto e de uma linha vertical, sua simplicidade estrutural e sua força comunicacional, e registra ainda que Anchieta Fernandes realizou em 1968 uma versão gráfica denominada Olho número dois.

Por ter sido publicado em 1972, apenas cinco anos depois de 1967, esse testemunho constitui registro contemporâneo aos primeiros anos do movimento e deve ser relacionado diretamente à documentação histórica de Anchieta Fernandes, Olho, Olho número dois e à frente do Rio Grande do Norte do Poema Processo.

O documento diferencia processo, poema e resultado e apresenta o processo como elemento central da invenção informacional. Também registra propostas de utilização crítica de meios tecnológicos como laser, canais eletrônicos, cinema e computador, ao mesmo tempo em que questiona dependência dos grandes meios publicitários e da centralização cultural.

A discussão sobre projeto, versão, contra estilo e estilo amplia o valor do documento para estudos sobre teoria da vanguarda, semiótica, comunicação, participação e estética experimental. O conceito de contra estilo, associado ao apagamento da memória do estilo, é apresentado como instrumento de radicalização da linguagem de vanguarda.

A seção Desenvolvimento registra a passagem de uma estrutura inicialmente mais centralizada para a constituição de pontos autônomos de irradiação. O texto rejeita a sucessão geracional e afirma a continuidade do processo como conquista no campo da informação, mesmo diante do encerramento da ação organizada do movimento.

A proveniência Anchieta Fernandes também torna esta separata relevante para reconstruir relações pessoais e intelectuais no interior do Poema Processo. Não se trata apenas de uma reprodução de periódico, mas de exemplar enviado e dedicado por Moacy Cirne a outro participante diretamente citado no próprio artigo.

Para indexação e recuperação digital, recomenda se relacionar o item a Moacy Cirne, Anchieta Fernandes, Poema/Processo e Projeto Ideológico, revista Vozes, dezembro de 1972, Poema Processo, Olho, Olho número dois, 1967, 1968, frente do Rio Grande do Norte, frente pernambucana, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Nordeste, Brasília, Santa Catarina, Mato Grosso, projeto ideológico, opção tática, informação, comunicação, descentralização, versão, matriz, série, contra estilo, participação, semiótica, poesia visual, poesia experimental, comunicação visual, vanguarda brasileira e história do Poema Processo.

Observation text in English

Original offprint of the article Poema/Processo e Projeto Ideológico by Moacy Cirne, published in the journal Vozes in December 1972. The surviving group comprises pages 16 through 20 of the offprint, corresponding to pages 772 through 776 of the original publication. The copy shows handling marks, folds, tears, perforations and marginal losses that should be recorded as part of its conservation description.

Two handwritten inscriptions on the reverse of the opening sheet are fundamental for establishing the provenance of the copy. One is a dedication from Moacy Cirne to Anchieta Fernandes. The other explicitly identifies the object as an offprint of the document published in Vozes in December 1972. These inscriptions document the personal transmission of the text from Moacy Cirne to Anchieta Fernandes and its circulation among participants in the Poema Processo network.

The article has significant theoretical value because it formulates relationships among Poema Processo, ideological project, semiological reality, participation, reading, version, series, matrix, democratization of creation and critical consciousness. The poem is understood not merely as a formal result but as a device capable of generating new processes and new responses from participants.

The section Poema/Processo: Parada Opção Tática records an internal debate between information and communication and helps explain strategies used for the expansion of the movement. The choice for openness and decentralization is associated with regional fronts, exhibitions, publications, collective manifestations, public dialogues and exchanges of information.

The text also records a geography of the movement. Rio de Janeiro, Minas Gerais and Northeastern Brazil are identified as an articulating line, while autonomous fronts in Brasília, Santa Catarina and Mato Grosso are also mentioned. This formulation is an important source for research into the regional organization and decentralization of Poema Processo in Brazil.

The note devoted to Anchieta Fernandes has exceptional documentary value. The article states that Olho by Anchieta Fernandes emerged in 1967 as one of the first poems of the Poema Processo movement. Anchieta is explicitly identified as a poet from the Rio Grande do Norte front. The text emphasizes the construction of Olho from a point and a vertical line, its structural simplicity and communicational power, and also records that Anchieta Fernandes produced a graphic version in 1968 entitled Olho número dois.

Because the article was published in 1972, only five years after 1967, this statement provides contemporary documentation of the first years of the movement and should be directly associated with the historical record of Anchieta Fernandes, Olho, Olho número dois and the Rio Grande do Norte front of Poema Processo.

The document distinguishes process, poem and result and places process at the center of informational invention. It also records proposals for critical use of technological media such as laser, electronic channels, cinema and computers while questioning dependence on mass advertising media and cultural centralization.

The discussion of project, version, counter style and style increases the importance of the document for studies of avant garde theory, semiotics, communication, participation and experimental aesthetics. The concept of counter style, associated with erasing the memory of style, is presented as an instrument for radicalizing avant garde language.

The section Desenvolvimento records the movement from an initially more centralized structure toward autonomous centers for the dissemination of new works. The text rejects generational succession and affirms the continuity of process as a conquest in the field of information even after the conclusion of organized movement activity.

The provenance from Anchieta Fernandes also makes this offprint important for reconstructing personal and intellectual relationships within Poema Processo. It is not simply a periodical reproduction but a copy sent and dedicated by Moacy Cirne to another participant who is directly discussed in the article itself.

For documentary indexing and digital retrieval, the item should be associated with Moacy Cirne, Anchieta Fernandes, Poema/Processo e Projeto Ideológico, Vozes, December 1972, Poema Processo, Olho, Olho número dois, 1967, 1968, Rio Grande do Norte front, Pernambuco front, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Northeastern Brazil, Brasília, Santa Catarina, Mato Grosso, ideological project, tactical option, information, communication, decentralization, version, matrix, series, counter style, participation, semiotics, visual poetry, experimental poetry, visual communication, Brazilian avant garde and the history of Poema Processo.

Proveniência

Coleção Anchieta Fernandes

Inglês

Poema/Processo e Projeto Ideológico is an offprint of a text by Moacy Cirne published in the journal Vozes in December 1972 and subsequently sent by the author to Anchieta Fernandes.

Dimensions: 9,1 x 6,3 in

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