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Jornal de Letras, janeiro de 1978, página 4, artigo Nos dez anos do Poema Processo, de Pedro Lyra.

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Categoria: Jornal

Acervo: 04654

Data: janeiro de 1978

Dimensões: 29,7 x 39,5 cm

Jornal de Letras, janeiro de 1978, página 4, artigo Nos dez anos do Poema Processo, de Pedro Lyra. Documento histórico e crítico publicado no momento em que o Poema Processo completava dez anos de existência na cultura brasileira. O texto constitui uma reflexão de época sobre a formação, a expansão, os princípios teóricos, as experiências coletivas e o significado histórico do movimento iniciado em 1967, reunindo informações sobre poesia experimental brasileira, poesia visual, comunicação, semiótica, vanguarda e produção artística nas décadas de 1960 e 1970.

Pedro Lyra inicia o artigo registrando que acompanhou de perto o desenvolvimento do Poema Processo, embora não tenha integrado formalmente o grupo original. Relata que participou, no final de 1968, do Segundo Congresso de Literatura Portuguesa da então Universidade do Estado da Guanabara, no Rio de Janeiro, onde teve contato direto com produções do grupo. O autor recorda sua posição crítica diante de determinados aspectos do movimento, ao mesmo tempo em que reconhece sua importância como experiência de renovação da linguagem.

O artigo também recupera episódios da circulação do Poema Processo fora do eixo Rio de Janeiro. Pedro Lyra menciona sua ida ao Rio Grande do Norte no início da década de 1970, contatos em Natal com participantes ligados ao movimento e a realização de atividades experimentais. Entre os nomes citados aparecem Dailor Varela, Nei Leandro de Castro e outros agentes envolvidos na expansão das experiências processuais no Nordeste brasileiro. O relato menciona happenings, manifestações públicas, novas edições e formas de circulação que ajudaram a ampliar a presença do movimento.

Pedro Lyra registra ainda o papel da correspondência e da circulação postal, observando que, apesar da censura exercida sobre os Correios durante o período da ditadura militar brasileira, os intercâmbios prosseguiram paralelamente às ações públicas e editoriais. O texto relaciona esse circuito de comunicação a exposições internacionais de edições de vanguarda e ao contato com experiências realizadas em outros países da América Latina.

Na avaliação histórica apresentada pelo autor, o Poema Processo deve ser compreendido dentro de uma transformação mais ampla da cultura brasileira. Pedro Lyra discute especialmente a ruptura com a concepção tradicional de literatura e poesia. Para ele, o movimento colocou em primeiro plano relações entre palavra, imagem, objeto, signo, estrutura, comunicação e participação do receptor, contribuindo para deslocar o poema do campo exclusivamente verbal para uma dimensão visual, material, semiótica e comunicacional.

O artigo identifica três conceitos fundamentais na reflexão sobre essa transformação. O primeiro é o aspecto de sedução ou novidade dos seres que estão no mundo. O segundo corresponde a um estado de disposição ou inclinação para o ato criador, que estaria no poeta. O terceiro corresponde à materialização do processo em um objeto estético, situado no próprio poema. A discussão procura distinguir o poema como realização material da poesia entendida como possibilidade mais ampla de criação.

Pedro Lyra observa que o Poema Processo rompe com a dependência exclusiva da palavra e procura trabalhar com diversos sistemas de signos. Essa expansão aproxima poesia, artes visuais, comunicação, semiótica e práticas experimentais, permitindo que o poema seja construído por elementos verbais e não verbais. O autor discute o poema processo como produto de comunicação e como objeto semiótico, destacando sua abertura para diferentes linguagens.

No campo teórico, o artigo registra quatro conceitos associados ao Poema Processo. O conceito de processo aparece como núcleo da criação. O conceito de versão surge como solução para o consumo. O conceito de projeto funciona como matriz para a versão. O conceito de contra estilo atua como estratégia de construção de soluções. Esses princípios permitem compreender a obra processual como estrutura aberta, sujeita a transformações, versões e participação ativa do receptor.

O texto também associa o movimento a uma mudança na relação entre autoria, obra e público. A versão torna possível que uma estrutura inicial seja modificada, recriada ou desenvolvida por outros participantes. Dessa maneira, o poema deixa de ser entendido apenas como objeto fechado e definitivo e passa a funcionar como proposição capaz de gerar novas realizações.

Pedro Lyra reconhece ainda uma dimensão política importante no Poema Processo e relaciona essa característica à conjuntura brasileira marcada pela ditadura militar. Entre obras e autores mencionados no artigo aparecem Ave, de Wlademir Dias Pino, Não ao Não, de Dailor Varela, 1822, de Nei Leandro, Poema para ser queimado, de Moacy Cirne, 12x9, de Álvaro de Sá, Liberdade, de Ronaldo Werneck, Fome, de José de Arimatheia e trabalhos de Joaquim Branco ligados a Consumito. O conjunto é apresentado como exemplo da articulação entre experimentação formal, comunicação e posicionamento crítico.

O artigo cita ainda a discussão desenvolvida por Pedro Lyra em Vanguarda Europeia e Modernismo Brasileiro, publicado pela Editora Vozes em 1972, situando o Poema Processo dentro da história das vanguardas e das transformações da cultura moderna brasileira.

Ao avaliar os dez anos do movimento, Pedro Lyra afirma que o Poema Processo abriu uma nova perspectiva artística para a poesia brasileira e reconhece seu caráter revolucionário dentro da literatura e da comunicação estética. O autor considera que o movimento realizou uma experiência linguística capaz de atingir diferentes linguagens e formas de expressão, da pintura e escultura ao cinema, televisão, música e outras manifestações contemporâneas.

O artigo registra também o encerramento programado da fase histórica do Poema Processo. Pedro Lyra observa que, após aproximadamente dez anos de atividade, o movimento havia cumprido uma etapa de sua trajetória e caminhava para uma interrupção enquanto movimento organizado. Essa perspectiva faz do texto um testemunho contemporâneo do momento em que os próprios participantes e críticos começavam a transformar a experiência histórica do Poema Processo em objeto de balanço, memória e interpretação.

Nos dez anos do Poema Processo, publicado no Jornal de Letras em janeiro de 1978, constitui assim uma fonte documental relevante para o estudo do Poema Processo, da poesia visual brasileira, da poesia experimental, da arte de vanguarda, da semiótica, da comunicação visual e das redes culturais brasileiras e latino americanas dos anos 1960 e 1970. O documento registra nomes, obras, conceitos, acontecimentos e interpretações produzidas no próprio período histórico do movimento, tornando se referência para pesquisas sobre Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Dailor Varela, Moacy Cirne, Nei Leandro, Ronaldo Werneck, José de Arimatheia, Joaquim Branco, Pedro Lyra e a história internacional da poesia experimental.

Salsa text in English

Jornal de Letras, January 1978, page 4, article Nos dez anos do Poema Processo by Pedro Lyra. This is a historical and critical document published when Poema Processo was completing ten years of activity in Brazilian culture. The article provides a contemporary assessment of the formation, expansion, theoretical principles, collective experiments and historical significance of the movement initiated in 1967, bringing together important information on Brazilian experimental poetry, visual poetry, communication, semiotics, avant garde practices and artistic production during the 1960s and 1970s.

Pedro Lyra begins by recording that he closely followed the development of Poema Processo, although he was not formally part of its original group. He recalls participating at the end of 1968 in the Second Congress of Portuguese Literature at the institution then known as the University of the State of Guanabara in Rio de Janeiro, where he came into direct contact with works produced by members of the movement. Lyra records his critical position toward certain aspects of the group while simultaneously acknowledging its importance as an experiment in the renewal of artistic and poetic language.

The article also reconstructs episodes in the circulation of Poema Processo beyond Rio de Janeiro. Pedro Lyra recalls his activities in Rio Grande do Norte at the beginning of the 1970s, contacts in Natal with participants associated with the movement and experimental cultural activities organized in the Brazilian Northeast. Among the figures mentioned are Dailor Varela, Nei Leandro de Castro and other participants involved in expanding process based experimentation in the region. His account refers to happenings, public manifestations, editions and alternative forms of circulation that contributed to the geographical expansion of the movement.

Lyra also records the importance of correspondence and postal circulation. He notes that despite censorship affecting the Brazilian postal system during the military dictatorship, exchanges continued in parallel with public activities and experimental publications. The article relates this communication circuit to international exhibitions of avant garde editions and to contacts with experimental practices elsewhere in Latin America.

In Pedro Lyra's historical assessment, Poema Processo should be understood as part of a broader transformation of Brazilian culture. He discusses its break with traditional definitions of literature and poetry and emphasizes the relationships it created between word, image, object, sign, structure, communication and audience participation. These procedures displaced the poem from an exclusively verbal field toward visual, material, semiotic and communicational dimensions.

The article discusses three fundamental aspects related to poetic creation. The first concerns the aspect of seduction or novelty presented by beings and things in the world. The second concerns the state of disposition or inclination toward the creative act located in the poet. The third corresponds to the materialization of that process in an aesthetic object, located in the poem itself. This argument distinguishes poetry as a broad creative possibility from the poem as its concrete realization.

Pedro Lyra observes that Poema Processo broke with exclusive dependence on the word and sought to operate through multiple systems of signs. This expansion connected poetry, visual art, communication, semiotics and experimental practices, allowing the poem to be constructed through verbal and nonverbal elements. The author analyzes the process poem as a product of communication and as a semiotic object open to different languages.

At the theoretical level, the article records four concepts associated with Poema Processo. Process is identified as the nucleus of creation. Version is presented as a solution for consumption. Project functions as the matrix for the version. Counter style operates as a strategy for constructing solutions. Together these principles define the process work as an open structure capable of transformation, reinterpretation and active participation by the receiver.

The article consequently describes a change in the relationship between author, work and public. The principle of version makes it possible for an initial structure to be altered, recreated or developed by other participants. The poem therefore ceases to function exclusively as a closed and definitive object and becomes a proposition capable of generating further realizations.

Pedro Lyra also recognizes an important political dimension in Poema Processo and connects it with the Brazilian historical context of military dictatorship. Works and artists mentioned in the article include Ave by Wlademir Dias Pino, Não ao Não by Dailor Varela, 1822 by Nei Leandro, Poema para ser queimado by Moacy Cirne, 12x9 by Álvaro de Sá, Liberdade by Ronaldo Werneck, Fome by José de Arimatheia and works by Joaquim Branco associated with Consumito. These examples demonstrate the connection between formal experimentation, communication and political or social criticism.

The article also refers to ideas developed by Pedro Lyra in Vanguarda Europeia e Modernismo Brasileiro, published by Editora Vozes in 1972, placing Poema Processo within the history of the avant garde and the transformations of modern Brazilian culture.

In evaluating the first ten years of the movement, Lyra states that Poema Processo opened a new artistic perspective within Brazilian poetry and recognizes its revolutionary character in relation to literature and aesthetic communication. He considers the movement a linguistic experiment capable of reaching different expressive languages, including painting, sculpture, cinema, television and music.

The article also documents the planned conclusion of the historical phase of Poema Processo. Pedro Lyra observes that after approximately ten years of activity the movement had completed an important stage and was approaching an interruption as an organized movement. For this reason the text is a significant contemporary testimony to the period when participants and critics began transforming the historical experience of Poema Processo into an object of memory, evaluation and historiographic interpretation.

Nos dez anos do Poema Processo, published in Jornal de Letras in January 1978, is therefore an important primary source for research on Poema Processo, Brazilian visual poetry, experimental poetry, avant garde art, semiotics, visual communication and Brazilian and Latin American cultural networks of the 1960s and 1970s. The document records artists, works, theoretical concepts, historical events and interpretations produced close to the movement itself and is especially relevant to research on Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Dailor Varela, Moacy Cirne, Nei Leandro, Ronaldo Werneck, José de Arimatheia, Joaquim Branco, Pedro Lyra and the international history of experimental poetry.

Texto de observação em português

Recorte original do Jornal de Letras, janeiro de 1978, página 4, contendo o artigo Nos dez anos do Poema Processo, assinado por Pedro Lyra. O documento é composto por duas partes preservadas em folhas de arquivo e apresenta marcas manuscritas de identificação com referência ao Jornal de Letras, janeiro de 1978 e página 4.

O texto foi publicado aproximadamente dez anos após o surgimento do Poema Processo em 1967 e possui especial valor documental por representar uma avaliação produzida ainda durante o ciclo histórico imediato do movimento. Pedro Lyra escreve simultaneamente como crítico, poeta, testemunha e interlocutor das experiências processuais, recuperando episódios dos anos finais da década de 1960 e do começo da década de 1970.

O artigo registra contatos entre Rio de Janeiro, Natal, Fortaleza e outras redes culturais, revelando a importância do Nordeste brasileiro para a circulação do Poema Processo. São mencionados acontecimentos, contatos pessoais, happenings, circulação postal, publicações experimentais e exposições internacionais de vanguarda, oferecendo elementos para reconstruir a geografia cultural do movimento.

Entre os nomes registrados no documento encontram se Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Dailor Varela, Nei Leandro de Castro, Moacy Cirne, Ronaldo Werneck, José de Arimatheia e Joaquim Branco. O artigo menciona obras como Ave, Não ao Não, 1822, Poema para ser queimado, 12x9, Liberdade, Fome e trabalhos associados ao livro Consumito.

Especialmente importante para a documentação teórica do Poema Processo é a apresentação dos conceitos de processo, versão, projeto e contra estilo. O texto relaciona processo ao núcleo da criação, versão à possibilidade de realização e consumo da proposição, projeto à matriz capaz de gerar versões e contra estilo a uma estratégia aberta de soluções. Esses conceitos ajudam a compreender o caráter participativo, transformável e não definitivo da obra processual.

Pedro Lyra discute também o abandono da palavra como elemento obrigatório do poema e a incorporação de diferentes sistemas de signos. Dessa perspectiva, o Poema Processo aparece como ponto de encontro entre poesia visual, artes visuais, semiótica, comunicação, design experimental, performance, edição independente e práticas conceituais.

Outro aspecto documental relevante é a referência ao contexto político da ditadura militar brasileira e à censura postal, além da discussão sobre obras que incorporavam posicionamentos políticos e sociais. O artigo demonstra que a dimensão política do movimento não estava separada de sua experimentação formal, mas podia ser construída através da própria organização visual e comunicacional da obra.

O artigo dialoga ainda com o livro Vanguarda Europeia e Modernismo Brasileiro, de Pedro Lyra, publicado pela Editora Vozes em 1972, constituindo uma ponte entre a crítica literária brasileira, os estudos sobre vanguarda e a interpretação histórica do Poema Processo.

A parte final registra a percepção de que o Poema Processo chegava ao encerramento de uma fase de aproximadamente dez anos como movimento organizado. Essa informação é particularmente significativa para a cronologia do movimento, pois documenta uma avaliação contemporânea de seu ciclo histórico e de sua passagem de experiência coletiva ativa para objeto de reflexão crítica, memória e historiografia.

Documento relevante para pesquisa, catalogação, proveniência e construção de cronologias relacionadas ao Poema Processo, poesia visual brasileira, poesia experimental, arte conceitual, comunicação visual, semiótica, mail art, publicações de vanguarda e redes culturais latino americanas das décadas de 1960 e 1970.

Observation text in English

Original clipping from Jornal de Letras, January 1978, page 4, containing the article Nos dez anos do Poema Processo by Pedro Lyra. The document is preserved in two parts mounted on archival sheets and includes handwritten identification referring to Jornal de Letras, January 1978 and page 4.

The article was published approximately ten years after the emergence of Poema Processo in 1967 and has particular documentary importance because it represents an assessment produced during the immediate historical period of the movement. Pedro Lyra writes as critic, poet, witness and interlocutor of process based experimentation, recalling events from the end of the 1960s and the beginning of the 1970s.

The document records connections between Rio de Janeiro, Natal, Fortaleza and other cultural networks, demonstrating the important role of northeastern Brazil in the circulation of Poema Processo. It refers to personal contacts, happenings, postal exchanges, experimental publications and international exhibitions of avant garde material, providing valuable evidence for reconstructing the cultural geography of the movement.

Figures documented in the article include Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, Dailor Varela, Nei Leandro de Castro, Moacy Cirne, Ronaldo Werneck, José de Arimatheia and Joaquim Branco. Works mentioned include Ave, Não ao Não, 1822, Poema para ser queimado, 12x9, Liberdade, Fome and works connected with Consumito.

Of particular importance for the theoretical documentation of Poema Processo is Pedro Lyra's discussion of the concepts of process, version, project and counter style. Process is related to the nucleus of creation, version to the realization and circulation of the proposition, project to the matrix capable of generating versions and counter style to an open strategy for producing solutions. These principles are central to understanding the participatory, transformable and non definitive character of process based works.

Pedro Lyra also discusses the rejection of the word as a compulsory element of the poem and the incorporation of different systems of signs. From this perspective, Poema Processo becomes a meeting point for visual poetry, visual arts, semiotics, communication, experimental design, performance, independent publishing and conceptual practices.

Another significant documentary element is the reference to the political context of the Brazilian military dictatorship and postal censorship, together with a discussion of works incorporating political and social positions. The article demonstrates that the political dimension of the movement was not necessarily separate from its formal experimentation but could be constructed through the visual, structural and communicational organization of the work itself.

The article also connects with Pedro Lyra's book Vanguarda Europeia e Modernismo Brasileiro, published by Editora Vozes in 1972, establishing a link between Brazilian literary criticism, studies of the avant garde and the historical interpretation of Poema Processo.

The final section records the perception that Poema Processo was reaching the end of an approximately ten year period as an organized movement. This is especially relevant to the chronology of Poema Processo because it preserves a contemporary assessment of the conclusion of its historical cycle and its transition from an active collective experiment into an object of critical study, memory and historiography.

This clipping is an important primary document for research, cataloguing, provenance studies and chronology relating to Poema Processo, Brazilian visual poetry, experimental poetry, conceptual art, visual communication, semiotics, mail art, avant garde publishing and Latin American cultural networks of the 1960s and 1970s.


Inglês

Jornal de Letras, January 1978, page 4, article Nos dez anos do Poema Processo by Pedro Lyra.

Dimensions: 11,7 x 15,6 in