Home Acervo Expoética, Expoesia, texto de J. Medeiros concebido como apresentação histórica, crítica e curatorial de uma exposição dedicada à poesia, à poesia visual e às experiências intersemióticas desenvolvidas no Rio Grande do Norte, especialmente em torno da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Expoética, Expoesia, texto de J. Medeiros concebido como apresentação histórica, crítica e curatorial de uma exposição dedicada à poesia, à poesia visual e às experiências intersemióticas desenvolvidas no Rio Grande do Norte, especialmente em torno da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Expoetica 77 - Natal RN

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Categoria: Poema Processo

Acervo: 04635

Data: 1996

Dimensões: 29,5 x 21 cm

Expoética, Expoesia, texto de J. Medeiros concebido como apresentação histórica, crítica e curatorial de uma exposição dedicada à poesia, à poesia visual e às experiências intersemióticas desenvolvidas no Rio Grande do Norte, especialmente em torno da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O documento propõe comunicar aos leitores, inicialmente ao público universitário, um panorama de autores, tendências, movimentos e experiências poéticas relacionados direta ou indiretamente à memória cultural da UFRN. J. Medeiros articula parnasianismo, simbolismo, poesia concreta, Poesia Processo, poesia visual, arte correio, performance, vídeo arte, xerografia, poesia por telefone e práticas multimídia em uma trajetória histórica marcada pela invenção, pela experimentação e pelo trânsito entre diferentes linguagens.

O percurso apresentado recua ao início do século XX e relaciona o ambiente cultural de Natal ao Manifesto Futurista de Filippo Tommaso Marinetti e à conferência Natal daqui a cinquenta anos, realizada por Manoel Dantas em 21 de março de 1909. A exposição é aberta com o poema Banzé, de Luís da Câmara Cascudo, publicado em 1929 no número 10 da Revista de Antropofagia. J. Medeiros ressalta que o percurso não pretende obedecer a uma cronologia rígida, preferindo atravessar interseções, simultaneidades e relações intersemióticas entre diferentes momentos da poesia.

O texto destaca Jorge Fernandes como presença fundamental na invenção poética potiguar e menciona Cassiano Ricardo e sua relação crítica com a poesia concreta e com a revista Invenção ligada ao grupo Noigandres. No Rio Grande do Norte, são citados Luís Carlos Guimarães, Sanderson Negreiros, Diógenes da Cunha Lima e Jorban Martins, associados às experiências que culminaram na publicação Poesia Concreta no Rio Grande do Norte em 1966. O documento estabelece conexões entre lirismos utópicos e pós utópicos, influências, aproximações formais e procedimentos de caráter estrutural e intersemiótico.

Entre os antecedentes da poesia visual, J. Medeiros destaca o poema Lâmina, de Luiz Rabelo, de 1957, relacionando sua exploração do branco ao suprematismo de Kazimir Malevich. O percurso segue do Grupo Dês ao Poema Processo e destaca 1822, de Nei Leandro de Castro, de 1966, como obra especialmente significativa da década de 1960. Segundo o texto, essa experiência contribuiu para instaurar uma concepção não formalista de versão que seria posteriormente explorada pelos poetas do Poema Processo e por outros artistas concretos e experimentais. A multiplicidade de versões, a colagem e a transformação do poema são relacionadas às manifestações inaugurais do Poema Processo realizadas em Natal, no Museu do Sobradinho, e no Rio de Janeiro, na Escola Superior de Desenho Industrial, em 1967.

A narrativa avança para os anos 1970, período de intensas transformações na poesia brasileira. J. Medeiros destaca a EXPOÉTICA de 1977, exposição comemorativa dos dez anos do Poema Processo, como momento de nova expansão da experimentação, associada à arte correio, à Mail Art e à arte a distância. O texto menciona ainda a realização de uma Exposição Internacional de Arte por Correspondência no Restaurante Universitário da UFRN, inserindo Natal nas redes internacionais de comunicação artística.

Nos anos seguintes, o documento registra a criação da Associação Brasileira de Semiótica do Rio Grande do Norte, em 1982, acompanhada por seminário dedicado à relação entre Semiótica e Arte, e a realização da Primeira Multimídia UFRN em 1983. J. Medeiros aparece também como participante de experiências em art door, performance, vídeo arte, poesia por telefone e xerografia, ao lado de nomes como Avelino Araújo, Falves Silva e Carlos Humberto Dantas.

A trajetória chega aos anos 1990 com eventos considerados fundamentais para a consolidação desse repertório, entre eles a Primeira Mostra Nacional de Poesia Visual na Galeria Convivart em 1995 e uma mostra internacional realizada em 1996. O texto menciona ainda seminários de Semiótica e Arte, a presença de Décio Pignatari, a publicação Geração Alternativa, Antilogia Poética Potiguar, dedicada à poesia experimental e marginal das décadas de 1970 e 1980, e a criação do mestrado em Estudos da Linguagem da UFRN.

Na produção contemporânea abordada por J. Medeiros aparecem práticas transmidiais e multimídia, vídeo poema, poesia eletroacústica, poesia visual e outras formas híbridas. São mencionados Joel Carvalho, Haroldo de Campos e Fragmento de Galáxias, além de numerosos autores ligados ao cenário potiguar e universitário. O texto termina esclarecendo que o objetivo da exposição é despertar o interesse pela poesia e pelo texto visual em seu contexto histórico, dentro e fora da universidade. Expoética, Expoesia constitui assim um importante documento para a história da poesia visual brasileira, do Poema Processo, da arte correio, da experimentação intersemiótica e das vanguardas poéticas no Rio Grande do Norte.

Salsa text in English

Expoética, Expoesia is a text by J. Medeiros conceived as a historical, critical and curatorial presentation of an exhibition devoted to poetry, visual poetry and intersemiotic experimentation developed in Rio Grande do Norte, particularly within the cultural environment of the Federal University of Rio Grande do Norte. The document seeks to communicate to readers, initially to a university audience, a panorama of authors, tendencies, movements and poetic experiences directly or indirectly connected with the cultural memory of UFRN. J. Medeiros brings together Parnassianism, Symbolism, Concrete Poetry, Poesia Processo, visual poetry, Mail Art, performance, video art, xerography, poetry by telephone and multimedia practices within a historical trajectory defined by invention, experimentation and movement between different languages.

The historical narrative reaches back to the beginning of the twentieth century and connects the cultural environment of Natal with Filippo Tommaso Marinetti and the Futurist Manifesto, as well as with the conference Natal daqui a cinquenta anos presented by Manoel Dantas on March 21, 1909. The exhibition opens with Banzé by Luís da Câmara Cascudo, published in 1929 in issue 10 of Revista de Antropofagia. J. Medeiros emphasizes that the exhibition does not follow a rigid chronological sequence but instead moves through intersections, simultaneities and intersemiotic relationships among different periods of poetry.

The text identifies Jorge Fernandes as an important figure in poetic invention in Rio Grande do Norte and mentions Cassiano Ricardo in connection with Concrete Poetry and the journal Invenção associated with the Noigandres group. Within Rio Grande do Norte, Luís Carlos Guimarães, Sanderson Negreiros, Diógenes da Cunha Lima and Jorban Martins are cited in relation to experiments that culminated in Poesia Concreta no Rio Grande do Norte in 1966. The document establishes relationships among utopian and post utopian lyricisms, influences, formal affinities and structural and intersemiotic procedures.

Among the precedents of visual poetry, J. Medeiros highlights Lâmina by Luiz Rabelo, dated 1957, relating its exploration of white space to the Suprematism of Kazimir Malevich. The trajectory continues from Grupo Dês toward Poesia Processo and emphasizes 1822 by Nei Leandro de Castro, dated 1966, as an especially significant work of the decade. According to the text, this experience contributed to the establishment of a non formalist concept of version that would later be explored by process poets and other concrete and experimental artists. Multiplicity of versions, collage and transformation of the poem are connected with the inaugural manifestations of Poesia Processo held in Natal at Museu do Sobradinho and in Rio de Janeiro at Escola Superior de Desenho Industrial in 1967.

The narrative then moves into the 1970s, a period of major transformations in Brazilian poetry. J. Medeiros highlights EXPOÉTICA in 1977, commemorating ten years of Poesia Processo, as a moment of renewed experimental expansion associated with postal art, Mail Art and art at a distance. The text also records an International Art by Correspondence Exhibition at the University Restaurant of UFRN, positioning Natal within international networks of artistic communication.

For the following years, the document records the establishment of the Brazilian Association of Semiotics in Rio Grande do Norte in 1982, together with a seminar dedicated to Semiotics and Art, and the realization of the First Multimedia UFRN event in 1983. J. Medeiros is also identified as a participant in practices involving art door, performance, video art, poetry by telephone and xerography, alongside figures including Avelino Araújo, Falves Silva and Carlos Humberto Dantas.

The trajectory reaches the 1990s with events considered fundamental to the consolidation of this experimental repertoire, including the First National Exhibition of Visual Poetry at Galeria Convivart in 1995 and an international exhibition in 1996. The text also mentions seminars on Semiotics and Art, the presence of Décio Pignatari, the publication Geração Alternativa, Antilogia Poética Potiguar devoted to experimental and marginal poetry of the 1970s and 1980s, and the creation of the graduate program in Language Studies at UFRN.

Contemporary production discussed by J. Medeiros includes transmedia and multimedia practices, video poetry, electroacoustic poetry, visual poetry and other hybrid forms. Joel Carvalho, Haroldo de Campos and Fragmento de Galáxias are mentioned together with numerous authors connected with the cultural and university environment of Rio Grande do Norte. The document concludes by stating that the purpose of the exhibition is to stimulate interest in poetry and visual text within their historical context, both inside and outside the university. Expoética, Expoesia is therefore an important document for the history of Brazilian visual poetry, Poesia Processo, Mail Art, intersemiotic experimentation and poetic avant garde practices in Rio Grande do Norte.

Texto de observação em português

Documento impresso assinado por J. Medeiros e intitulado Expoética, Expoesia. O texto funciona como apresentação curatorial e síntese histórica de uma exposição dedicada à produção poética e visual relacionada ao Rio Grande do Norte e à Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Seu objetivo declarado é comunicar aos leitores um conjunto amplo de autores e experiências poéticas, reunindo diferentes gerações e evitando uma organização exclusivamente cronológica.

J. Medeiros apresenta a poesia como território de invenção e enfatiza seu caráter extralinguístico, visual, estrutural e intersemiótico. O percurso histórico começa com referências ao Manifesto Futurista de Marinetti e à conferência Natal daqui a cinquenta anos de Manoel Dantas, realizada em 21 de março de 1909. Em seguida aparece Banzé, poema de Luís da Câmara Cascudo publicado em 1929 na Revista de Antropofagia, estabelecendo uma relação direta entre a produção potiguar e o ambiente modernista brasileiro.

O documento cita Jorge Fernandes e Cassiano Ricardo e aborda a presença da poesia concreta no Rio Grande do Norte por meio de Luís Carlos Guimarães, Sanderson Negreiros, Diógenes da Cunha Lima e Jorban Martins. Também registra o Grupo Dês e a publicação Poesia Concreta no Rio Grande do Norte em 1966.

Outro núcleo fundamental é formado por Luiz Rabelo e seu poema Lâmina de 1957, associado pelo autor ao branco e ao suprematismo de Malevich. J. Medeiros destaca ainda 1822, poema de Nei Leandro de Castro de 1966, relacionando a obra ao desenvolvimento do conceito de versão e à passagem para o Poema Processo. O texto menciona explicitamente as manifestações de 1967 realizadas no Museu do Sobradinho em Natal e na Escola Superior de Desenho Industrial no Rio de Janeiro durante a mostra inaugural do Poema Processo.

A década de 1970 aparece como momento de transformação e expansão. A EXPOÉTICA de 1977 é identificada como mostra comemorativa dos dez anos do Poema Processo e como marco de uma nova explosão experimental. Nesse contexto aparecem arte correio, Mail Art e arte a distância, além de uma Exposição Internacional de Arte por Correspondência realizada no Restaurante Universitário da UFRN.

A continuidade institucional e experimental é registrada pela criação da Associação Brasileira de Semiótica no Rio Grande do Norte em 1982, por um seminário de Semiótica e Arte e pela Primeira Multimídia UFRN em 1983. O próprio J. Medeiros é relacionado a experiências em art door, performance, vídeo arte, poesia por telefone e xerografia. Avelino Araújo, Falves Silva e Carlos Humberto Dantas também são mencionados nesse circuito.

Para os anos 1990, o documento registra a Primeira Mostra Nacional de Poesia Visual realizada na Galeria Convivart em 1995 e uma exposição internacional em 1996. Menciona também Décio Pignatari, seminários de Semiótica e Arte, a publicação Geração Alternativa, Antilogia Poética Potiguar, que reuniu poesia experimental e marginal dos anos 1970 e 1980, e a criação do mestrado em Estudos da Linguagem na UFRN.

Na parte dedicada às práticas mais recentes aparecem propostas de informação, neoromantismo, poética transmidial, vídeo poema, poesia eletroacústica e multimídia. O documento cita Joel Carvalho e Fragmento de Galáxias de Haroldo de Campos, além de autores como Sayonara Pinheiro, Guaraci Gabriel, Cícero Cunha, Civone Enovic Medeiros, Carito, Edu Gomes, Elke Beatriz, Pablo Capistrano, Iracema Macedo, Eli Celso, José Bezerra Gomes, Franco Jasiello, Socorro Trindade, Franklin Capistrano, Humberto Hermenegildo, Carlos Magno e Arlene Isabel.

Expoética, Expoesia constitui uma fonte documental de grande interesse para reconstruir a história da poesia visual e experimental no Rio Grande do Norte. O texto conecta modernismo, antropofagia, concretismo, Poema Processo, arte correio, Mail Art, semiótica, performance, vídeo arte, xerografia, multimedia e produção universitária, preservando nomes, obras, eventos, instituições e relações essenciais para pesquisas sobre J. Medeiros, UFRN e as vanguardas poéticas brasileiras.

Observation text in English

Printed document signed by J. Medeiros and entitled Expoética, Expoesia. The text functions as a curatorial presentation and historical synthesis of an exhibition devoted to poetic and visual production connected with Rio Grande do Norte and the Federal University of Rio Grande do Norte. Its stated purpose is to communicate to readers a broad constellation of authors and poetic experiences, bringing together different generations without relying exclusively on chronological organization.

J. Medeiros presents poetry as a territory of invention and emphasizes its extralinguistic, visual, structural and intersemiotic character. The historical trajectory begins with references to Marinetti and the Futurist Manifesto and to the conference Natal daqui a cinquenta anos by Manoel Dantas, presented on March 21, 1909. The text then introduces Banzé by Luís da Câmara Cascudo, published in 1929 in Revista de Antropofagia, establishing a direct connection between cultural production in Rio Grande do Norte and Brazilian Modernism.

The document cites Jorge Fernandes and Cassiano Ricardo and discusses Concrete Poetry in Rio Grande do Norte through Luís Carlos Guimarães, Sanderson Negreiros, Diógenes da Cunha Lima and Jorban Martins. It also records Grupo Dês and the publication Poesia Concreta no Rio Grande do Norte in 1966.

Another important nucleus is formed by Luiz Rabelo and his 1957 poem Lâmina, associated by J. Medeiros with white space and the Suprematism of Malevich. The text also highlights 1822 by Nei Leandro de Castro, dated 1966, connecting the work with the development of the concept of version and the transition toward Poesia Processo. It explicitly mentions the 1967 manifestations held at Museu do Sobradinho in Natal and at Escola Superior de Desenho Industrial in Rio de Janeiro during the inaugural exhibition of Poesia Processo.

The 1970s are presented as a period of transformation and expansion. EXPOÉTICA in 1977 is identified as an exhibition commemorating ten years of Poesia Processo and as a landmark of renewed experimental activity. Mail Art, postal art and art at a distance emerge in this context, together with an International Art by Correspondence Exhibition held at the University Restaurant of UFRN.

Institutional and experimental continuity is documented through the establishment of the Brazilian Association of Semiotics in Rio Grande do Norte in 1982, a seminar devoted to Semiotics and Art and the First Multimedia UFRN event in 1983. J. Medeiros himself is associated with art door, performance, video art, poetry by telephone and xerography. Avelino Araújo, Falves Silva and Carlos Humberto Dantas are also mentioned within this experimental circuit.

For the 1990s, the document records the First National Exhibition of Visual Poetry at Galeria Convivart in 1995 and an international exhibition in 1996. It also mentions Décio Pignatari, seminars on Semiotics and Art, the publication Geração Alternativa, Antilogia Poética Potiguar, which brought together experimental and marginal poetry from the 1970s and 1980s, and the establishment of graduate studies in Language at UFRN.

The section devoted to more recent practices includes transmedia poetics, video poetry, electroacoustic poetry and multimedia production. The document refers to Joel Carvalho and Fragmento de Galáxias by Haroldo de Campos, together with authors including Sayonara Pinheiro, Guaraci Gabriel, Cícero Cunha, Civone Enovic Medeiros, Carito, Edu Gomes, Elke Beatriz, Pablo Capistrano, Iracema Macedo, Eli Celso, José Bezerra Gomes, Franco Jasiello, Socorro Trindade, Franklin Capistrano, Humberto Hermenegildo, Carlos Magno and Arlene Isabel.

Expoética, Expoesia is an important documentary source for reconstructing the history of visual and experimental poetry in Rio Grande do Norte. The text connects Modernism, Anthropophagy, Concrete Poetry, Poesia Processo, Mail Art, Semiotics, performance, video art, xerography, multimedia and university based artistic production while preserving names, works, events, institutions and relationships essential to research on J. Medeiros, UFRN and Brazilian poetic avant garde movements.


Inglês

Expoética, Expoesia is a text by J. Medeiros conceived as a historical, critical and curatorial presentation of an exhibition devoted to poetry, visual poetry and intersemiotic experimentation developed in Rio Grande do Norte, particularly within the cultural environment of the Federal University of Rio Grande do Norte.

Dimensions: 11,6 x 8,3 in