Poema Objeto de Almandrade, realizado em 1974, concebido como uma estrutura tridimensional articulável em papel e cartão, construída por sucessivas dobras, aberturas, imagens, palavras, fragmentos gráficos e colagens.
Almandrade - Antonio Luiz M Andrade
Categoria: Poema Processo
Acervo: 04555
Data: 1974
Dimensões: 9,8 x 15,5 x 11 cm
Poema Objeto de Almandrade, realizado em 1974, concebido como uma estrutura tridimensional articulável em papel e cartão, construída por sucessivas dobras, aberturas, imagens, palavras, fragmentos gráficos e colagens. A obra estabelece diálogo direto com as experiências do livro objeto, da poesia visual, da arte conceitual e da participação do leitor, aproximando se especialmente das propostas desenvolvidas por Wlademir Dias Pino em A Ave. Nesse livro experimental, a leitura não depende apenas da sequência verbal, mas também do movimento das páginas, das transparências, dos percursos gráficos e da participação física do leitor na produção do significado.Partindo desse princípio, Almandrade transforma a caixa em um dispositivo de leitura espacial. Fechada, a obra apresenta uma forma cúbica revestida por grandes sinais tipográficos negros que fragmentam palavras e dificultam uma leitura imediata. A abertura modifica progressivamente sua configuração. Cada dobra deslocada revela uma nova camada de informação, fazendo aparecer fotografias, recortes de imprensa, padrões geométricos, palavras e frases. O ato de abrir deixa de ser apenas uma operação funcional e passa a constituir parte essencial da obra. Cada movimento produz uma nova composição e uma nova possibilidade de leitura.Entre os elementos visíveis encontram se as palavras comportamento, atividades e comunicação, esta última repetida em diferentes posições sobre a imagem de um rosto feminino de boca aberta. Também aparecem fragmentos relacionados à tecnologia e outros recortes provenientes do universo dos meios de comunicação impressos. Imagem, palavra, tipografia e estrutura material são reorganizadas de maneira descontínua, colocando o espectador diante de relações entre comunicação, comportamento, informação, tecnologia, mídia e vida cotidiana.A obra pode ser compreendida como uma sequência de revelações. O conteúdo não está disponível de uma única vez. Ele precisa ser descoberto pela manipulação do objeto. A cada abertura a forma anterior desaparece ou é parcialmente ocultada e outra situação visual surge. Assim, não existe apenas frente, verso ou página, mas um sistema de estados sucessivos produzido pelo próprio participante. Essa característica aproxima o trabalho das investigações experimentais brasileiras que transformaram o livro, o poema e o objeto em estruturas abertas à intervenção do leitor.O trabalho integra a produção experimental inicial de Almandrade na década de 1970, período em que o artista investigava relações entre linguagem, signo, comunicação, poesia visual e estruturas geométricas. Pesquisa acadêmica sobre sua produção registra um Poema Objeto de 1974 e reproduz imagens fornecidas pelo próprio artista, confirmando a presença desse tipo de experiência tridimensional em sua trajetória. Sua produção de 1974 também inclui poesia visual, cartões e arte postal, demonstrando a amplitude de suas experiências com palavra, imagem e sistemas de comunicação.Mais do que uma caixa contendo imagens, a obra funciona como um poema espacial manipulável. Forma, conteúdo e gesto são inseparáveis. O espectador precisa tocar, abrir, virar, desdobrar e reconstruir o objeto para ter acesso às diferentes informações. A leitura acontece no tempo e depende da sequência escolhida por quem manipula a peça. Concebida em 1974, esta obra de Almandrade constitui um importante exemplo brasileiro de poema objeto, livro objeto, poesia visual e arte conceitual participativa, relacionando a experiência física da leitura às transformações da linguagem e da comunicação contemporânea.Salsa text in EnglishPoem Object by Almandrade, created in 1974, conceived as an articulated three dimensional structure made of paper and cardboard and constructed through successive folds, openings, images, words, graphic fragments and collages. The work establishes a direct dialogue with experiments involving the artist book, visual poetry, conceptual art and reader participation, particularly with the propositions developed by Wlademir Dias Pino in A Ave. In this experimental book, reading does not depend exclusively on verbal sequence but also on the movement of pages, transparency, graphic pathways and the physical participation of the reader in the production of meaning.Starting from this principle, Almandrade transforms the box into a spatial reading device. When closed, the work assumes a cubic form covered with large black typographic signs that fragment words and prevent immediate conventional reading. As the structure is opened, its configuration progressively changes. Each displaced fold reveals another layer of information, exposing photographs, press clippings, geometric patterns, words and phrases. Opening therefore ceases to be merely a functional action and becomes an essential component of the artwork. Every movement creates a new composition and a new possibility of interpretation.Among the visible textual elements are the Portuguese words comportamento, atividades and comunicação, with comunicação appearing repeatedly in different positions over the photograph of a woman with her mouth open. Fragments associated with technology and other material taken from the visual universe of printed mass communication are also incorporated. Image, word, typography and material structure are reorganized discontinuously, confronting the viewer with relationships involving communication, behavior, information, technology, media and everyday life.The work can be understood as a sequence of revelations. Its content is not available all at once and must instead be discovered through manipulation. With every opening, the previous configuration disappears or becomes partially concealed while another visual situation emerges. There is therefore no single front, back or page, but rather a system of successive states generated through the participant's actions. This characteristic connects the piece with Brazilian experimental practices that transformed the book, the poem and the object into structures open to reader intervention.The work belongs to Almandrade's early experimental production during the 1970s, when he investigated relationships among language, sign, communication, visual poetry and geometric structures. Academic research on his work records a Poem Object dated 1974 and reproduces photographs supplied by the artist himself, confirming this type of three dimensional experiment within his artistic trajectory. His production from 1974 also includes visual poetry, postcards and mail art, demonstrating the breadth of his investigations into words, images and communication systems.More than a box containing images, the work functions as a manipulable spatial poem. Form, content and gesture are inseparable. The viewer must touch, open, turn, unfold and reconstruct the object in order to gain access to its different layers of information. Reading takes place through time and depends upon the sequence chosen by the person manipulating the piece. Created in 1974, this work by Almandrade represents an important Brazilian example of object poetry, artist book practice, visual poetry and participatory conceptual art, connecting the physical experience of reading with transformations in contemporary language and communication.
Texto de observação em portuguêsObra tridimensional original de Almandrade datada de 1974, concebida como poema objeto e estrutura articulável em forma de caixa. Quando fechada apresenta superfície predominantemente clara com grandes elementos tipográficos negros distribuídos pelas diferentes faces. A estrutura pode ser aberta e sucessivamente desdobrada, revelando diversas composições internas constituídas por colagens, fotografias, fragmentos de material gráfico, palavras impressas e elementos geométricos.Nas imagens do exemplar são identificáveis palavras como comportamento, atividades e comunicação. A palavra comunicação aparece repetidamente associada à fotografia de um rosto feminino com a boca aberta, enquanto outras áreas apresentam recortes tipográficos e referências visuais relacionadas à tecnologia, informação e meios de comunicação. A composição muda conforme as partes do objeto são abertas, dobradas ou reposicionadas.A concepção do trabalho relaciona se ao princípio de leitura participativa presente em A Ave de Wlademir Dias Pino, obra experimental na qual o sentido é produzido pela relação entre palavra, imagem, estrutura gráfica, movimento e intervenção física do leitor. No objeto de Almandrade, cada movimento de abertura revela novas informações e simultaneamente modifica ou oculta as anteriores, fazendo da manipulação uma dimensão constitutiva da leitura.Pesquisa acadêmica dedicada à produção de Almandrade documenta um Poema Objeto de 1974 por meio de fotografias cedidas pelo próprio artista. O trabalho deve ser relacionado à produção experimental brasileira da década de 1970 e aos campos da poesia visual, poema objeto, livro objeto, arte conceitual, comunicação experimental, participação do espectador e investigação semiótica. A peça possui especial interesse documental por registrar uma experiência precoce de Almandrade com estruturas tridimensionais transformáveis e com a leitura entendida como ação física e processo de descoberta.Observation text in EnglishOriginal three dimensional work by Almandrade dated 1974, conceived as an object poem and articulated box structure. When closed, it presents a predominantly light colored surface carrying large black typographic elements distributed across its different faces. The structure can be opened and successively unfolded, revealing several internal compositions made from collage, photographs, fragments of printed graphic material, words and geometric elements.Words visible in the photographed example include comportamento, atividades and comunicação. The word comunicação appears repeatedly in association with the photograph of a woman with her mouth open, while other areas contain typographic fragments and visual references associated with technology, information and mass communication. The composition changes according to the way different sections of the object are opened, folded and repositioned.The conception of the work relates to the participatory reading principle found in A Ave by Wlademir Dias Pino, an experimental work in which meaning emerges through the relationship between word, image, graphic structure, movement and the reader's physical intervention. In Almandrade's object, each opening movement reveals new information while simultaneously changing or concealing previous elements, making physical manipulation a constitutive dimension of reading.Academic research devoted to Almandrade's production documents a Poem Object from 1974 through photographs supplied by the artist himself. The work should be situated within Brazilian experimental production of the 1970s and in relation to visual poetry, object poetry, artist books, conceptual art, experimental communication, viewer participation and semiotic investigation. The piece has particular documentary importance as an early example of Almandrade's experimentation with transformable three dimensional structures and with reading understood as physical action and a process of discovery.
Inglês
Poem Object by Almandrade, created in 1974, conceived as an articulated three dimensional structure made of paper and cardboard and constructed through successive folds, openings, images, words, graphic fragments and collages.
Dimensions: 3,9 x 6,1 x 4,3 in




