Obra de Falves Silva realizada em 1978, concebida como livro objeto e estrutura visual manipulável baseada no princípio de revelação progressiva.
Falves Silva
Categoria: Poema Processo
Acervo: 04558
Data: 1978
Dimensões: 30 x 30 x 21,5 cm
Obra de Falves Silva realizada em 1978, concebida como livro objeto e estrutura visual manipulável baseada no princípio de revelação progressiva. O trabalho estabelece um diálogo direto com A Ave, de Wlademir Dias Pino, referência fundamental para experiências brasileiras em que a leitura deixa de ser apenas verbal e passa a depender da ação física do leitor sobre o objeto. Na obra de Falves Silva, cada prancha retirada ou deslocada modifica a configuração visual do conjunto e revela uma nova combinação de formas, cores, imagens e relações espaciais.O trabalho é constituído por uma série de placas ou pranchas verticais montadas sobre uma base preta. Cada prancha apresenta composições formadas principalmente por círculos, discos, semicírculos, anéis e campos cromáticos. A estrutura permite que essas pranchas sejam vistas isoladamente ou em diferentes combinações. Conforme uma delas é retirada, a composição imediatamente posterior aparece e altera a leitura do conjunto. Dessa maneira, o objeto nunca possui apenas uma imagem definitiva. Ele existe como sucessão de estados visuais.As formas circulares constituem o principal vocabulário da obra. Elas aparecem divididas horizontalmente ou verticalmente, preenchidas por cores contrastantes, cercadas por anéis cromáticos ou atravessadas por pequenos círculos centrais. Entre as cores observáveis encontram se vermelho, azul, verde, amarelo, laranja, rosa, preto, branco, cinza, marrom e diferentes tonalidades claras utilizadas como fundos.Em determinadas pranchas surgem três círculos alinhados verticalmente. Cada unidade apresenta uma configuração diferente. Algumas possuem divisão entre duas cores, outras são compostas por círculo externo, área interna e núcleo central. Há também grandes círculos brancos que funcionam como pausas ou vazios dentro da sequência. A repetição não produz identidade, mas variação. O mesmo modelo geométrico é continuamente transformado pela cor, pela divisão interna, pelo preenchimento e pela posição.Quando várias pranchas são colocadas lado a lado, formam uma espécie de gramática visual baseada na repetição e na diferença. O espectador pode comparar os sinais circulares entre si e perceber equivalências, oposições e transformações. Quando as pranchas são reunidas na estrutura vertical, essas mesmas relações passam a acontecer no tempo, pois cada retirada revela uma configuração anteriormente escondida.Entre os elementos figurativos destaca se a imagem de uma figura demoníaca ou fantástica, representada com corpo humanoide, cauda, asas e instrumento semelhante a uma trombeta. Essa imagem introduz uma ruptura deliberada no sistema predominantemente geométrico. O elemento figurativo passa a conviver com os signos circulares abstratos, ampliando a tensão entre imagem reconhecível e linguagem construída.Outra prancha apresenta a inscrição O HOMEM É UM ANIMAL QUE SABE LUTAR. O texto aparece disposto diagonalmente sobre um campo amarelo ou ocre e funciona como uma unidade verbal inserida no sistema visual da obra. A frase acrescenta uma dimensão antropológica, política e comportamental ao conjunto, relacionando a condição humana à ideia de conflito, resistência e ação.A presença dessa frase, da figura fantástica e dos elementos geométricos demonstra que o trabalho não se limita a uma investigação formal de cor e composição. Falves Silva combina diferentes sistemas de comunicação, incluindo palavra, imagem figurativa, forma abstrata, cor e manipulação física. Cada sistema fornece uma maneira diferente de produzir informação.A lógica do trabalho está diretamente vinculada à sequência e à descoberta. Tal como ocorre nas experiências de leitura espacial associadas a A Ave de Wlademir Dias Pino, a totalidade não é oferecida imediatamente. O observador precisa agir sobre a obra para conhecer suas diferentes configurações. Retirar uma prancha significa simultaneamente eliminar uma informação e revelar outra. A leitura acontece através dessa sucessão de presença e ausência.O suporte deixa portanto de ser passivo. As próprias pranchas, sua ordenação, sua transparência ou sobreposição visual e sua possibilidade de retirada constituem elementos da linguagem artística. O tempo necessário para manipular a obra passa a integrar o processo de leitura.A obra também possui ligação significativa com a trajetória de Falves Silva no Poema Processo, na poesia visual, na arte postal, no poema objeto e nas experiências de comunicação experimental. Sua produção investigou frequentemente sistemas gráficos capazes de substituir ou ampliar a linguagem verbal, utilizando símbolos, módulos, formas geométricas, cores, sinais, palavras e estruturas seriadas.Uma das imagens do verso apresenta inscrição manuscrita com o nome Falves Silva e a data 1978. No mesmo suporte aparece um carimbo de Mail Art com o nome Falves Silva e endereço em Candelária, Rio Grande do Norte, Brasil. Esse elemento possui importante valor documental porque relaciona fisicamente o objeto à rede internacional de arte postal e à circulação de trabalhos de Falves Silva durante a década de 1970.O carimbo reforça a conexão entre obra única, livro objeto, comunicação experimental e rede postal. Mesmo quando o objeto ultrapassa o formato convencional de carta ou cartão, permanece presente a ideia de circulação e comunicação que marcou grande parte da produção de Falves Silva.Concebida em 1978, esta obra constitui importante exemplo da expansão do livro para além da encadernação tradicional. A leitura acontece pela retirada, combinação, comparação e reorganização das pranchas. Cada ação produz uma nova situação visual e uma nova surpresa. Assim, o trabalho transforma o espectador em participante e aproxima livro, poema, objeto, jogo visual e experiência temporal.Para indexação, a obra deve ser relacionada a Falves Silva, 1978, Wlademir Dias Pino, A Ave, Poema Processo, poesia visual brasileira, livro de artista, livro objeto, poema objeto, arte postal, Mail Art, arte conceitual brasileira, poesia experimental, comunicação visual, semiótica, signos geométricos, círculos, cor, participação do espectador, leitura não linear, estrutura manipulável, arte brasileira dos anos 1970, Candelária, Rio Grande do Norte e redes internacionais de arte postal.Salsa text in EnglishWork by Falves Silva created in 1978 and conceived as an artist book and manipulable visual structure based on the principle of progressive revelation. The work establishes a direct dialogue with A Ave by Wlademir Dias Pino, an important reference for Brazilian experiments in which reading ceases to be exclusively verbal and begins to depend upon the physical action of the reader upon the object. In the work by Falves Silva, each panel that is removed or displaced changes the visual configuration of the ensemble and reveals a new combination of forms, colors, images and spatial relationships.The work consists of a series of vertical plates or panels mounted on a black base. Each panel contains compositions constructed primarily from circles, discs, semicircles, rings and colored fields. The structure allows the panels to be viewed independently or through different combinations. As one panel is removed, the composition immediately behind it is revealed and the meaning of the ensemble changes. The object therefore never possesses only one definitive image. It exists as a succession of visual states.Circular forms constitute the principal vocabulary of the work. They appear divided horizontally or vertically, filled with contrasting colors, surrounded by colored rings or crossed by small central circles. Visible colors include red, blue, green, yellow, orange, pink, black, white, gray, brown and several pale background tones.Several panels contain three circles arranged vertically. Each unit presents a different configuration. Some are divided between two colors, while others consist of an external ring, an internal field and a central nucleus. Large white circles also appear as visual pauses or empty intervals within the sequence. Repetition does not produce identity but variation. The same geometric model is continuously transformed through color, internal division, filling and position.When several panels are arranged beside one another, they form a kind of visual grammar based on repetition and difference. The viewer can compare the circular signs and recognize equivalences, oppositions and transformations. When the panels are assembled vertically within the structure, these relationships begin to operate through time because each removal reveals a previously concealed configuration.Among the figurative elements is the image of a demonic or fantastic figure represented with a humanoid body, tail, wings and an instrument resembling a trumpet. This image introduces a deliberate interruption into the predominantly geometric system. The figurative element coexists with abstract circular signs, expanding the tension between recognizable imagery and constructed visual language.Another panel contains the Portuguese inscription O HOMEM É UM ANIMAL QUE SABE LUTAR, meaning man is an animal that knows how to fight. The text is arranged diagonally on a yellow or ochre field and functions as a verbal unit inserted into the visual system of the work. The phrase adds anthropological, political and behavioral dimensions to the ensemble by relating the human condition to conflict, resistance and action.The presence of this statement, the fantastic figure and the geometric elements demonstrates that the work is not limited to a formal investigation of color and composition. Falves Silva combines several systems of communication including word, figurative image, abstract form, color and physical manipulation. Each system provides a different method of producing information.The logic of the work is directly connected to sequence and discovery. As in spatial reading experiments associated with A Ave by Wlademir Dias Pino, the complete work is not presented immediately. The viewer must act upon the object in order to encounter its different configurations. Removing a panel means simultaneously eliminating one piece of information and revealing another. Reading occurs through this succession of presence and absence.The support therefore ceases to be passive. The panels themselves, their order, their visual overlap and their possibility of removal become elements of artistic language. The time required to manipulate the work becomes part of the reading process.The object also has a significant relationship with Falves Silva's trajectory within Poema Processo, visual poetry, postal art, object poetry and experimental communication. His production frequently investigated graphic systems capable of replacing or expanding verbal language through symbols, modules, geometric forms, colors, signs, words and serial structures.One photograph of the reverse shows a handwritten inscription with the name Falves Silva and the date 1978. The same surface contains a Mail Art stamp bearing the name Falves Silva and an address in Candelária, Rio Grande do Norte, Brazil. This element has significant documentary value because it physically connects the object with the international postal art network and with the circulation of works by Falves Silva during the 1970s.The stamp reinforces the relationship between unique object, artist book, experimental communication and the postal network. Even when the object exceeds the conventional format of a letter or postcard, the concept of circulation and communication that characterized much of Falves Silva's production remains present.Created in 1978, this work represents an important example of the expansion of the book beyond conventional binding. Reading occurs through the removal, combination, comparison and reorganization of panels. Each action produces a new visual situation and a new surprise. The work therefore transforms the viewer into a participant and connects book, poem, object, visual game and temporal experience.For indexing purposes, the work should be associated with Falves Silva, 1978, Wlademir Dias Pino, A Ave, Poema Processo, Brazilian visual poetry, artist book, book object, object poetry, postal art, Mail Art, Brazilian conceptual art, experimental poetry, visual communication, semiotics, geometric signs, circles, color, viewer participation, nonlinear reading, manipulable structure, Brazilian art of the 1970s, Candelária, Rio Grande do Norte and international postal art networks.
Texto de observação em portuguêsObra original de Falves Silva datada de 1978, constituída por conjunto de pranchas ou placas verticais coloridas montadas em estrutura apoiada sobre base preta. O objeto foi concebido para ser manipulado, permitindo que as pranchas sejam sucessivamente retiradas e recolocadas. Cada retirada revela a composição existente na prancha seguinte, produzindo novas combinações visuais e fazendo da sequência de descoberta parte essencial da obra.As imagens documentam várias pranchas com fundos em verde claro, vermelho, rosa, bege, amarelo e outras tonalidades. Sobre esses campos aparecem conjuntos de círculos e formas circulares construídos por recortes ou áreas de cores diferentes.Alguns círculos são divididos verticalmente em duas metades. Outros são divididos horizontalmente. Há composições com anéis externos, círculos centrais, áreas semicirculares e núcleos em cinza ou tons neutros. As combinações empregam azul, vermelho, verde, amarelo, laranja, rosa, preto, branco, marrom e cinza.A repetição dos círculos em séries verticais de três elementos cria um sistema modular. Embora a estrutura básica permaneça semelhante, cada signo possui variações de cor e organização interna. Em certas pranchas o círculo central permanece inteiramente branco, funcionando como intervalo visual entre sinais mais complexos.Uma das pranchas apresenta uma figura fantástica com características demoníacas, dotada de cauda, asas e instrumento semelhante a uma trombeta. Essa imagem figurativa contrasta com o sistema abstrato predominante e introduz outra camada de informação no processo de descoberta.Outra prancha apresenta a inscrição O HOMEM É UM ANIMAL QUE SABE LUTAR, distribuída diagonalmente sobre campo amarelo ou ocre. A frase constitui importante elemento verbal da obra e deve ser registrada integralmente na catalogação.Quando as pranchas são organizadas em conjuntos maiores, os círculos formam sequências horizontais e verticais. A alteração da ordem ou a retirada de uma prancha muda essas relações, demonstrando que a obra depende da manipulação para completar sua experiência visual.A concepção foi desenvolvida segundo um princípio semelhante ao de A Ave, de Wlademir Dias Pino, no qual a leitura é construída pela transformação física do suporte. No trabalho de Falves Silva, cada prancha retirada produz uma surpresa e uma nova configuração. Essa relação deve ser entendida como referência conceitual e estrutural, sem reduzir a obra de Falves Silva a uma simples reprodução do trabalho de Dias Pino.No verso de uma das peças observa se inscrição manuscrita com o nome Falves Silva e a data 1978. Há ainda carimbo de Mail Art com o nome Falves Silva e endereço em Candelária, Rio Grande do Norte, Brasil. O carimbo apresenta setas orientadas para diferentes direções, reforçando visualmente ideias de circulação, envio e comunicação em rede.Esse dado material é especialmente relevante para relacionar o objeto à atividade de Falves Silva no circuito de arte postal. O verso deve ser preservado fotograficamente juntamente com as faces principais, pois contém informações de autoria, data, procedência e contexto de circulação.O conjunto possui importância documental para o estudo do Poema Processo e das expansões posteriores da poesia visual brasileira durante os anos 1970. Também estabelece conexões com livro objeto, poema objeto, arte postal, arte conceitual, linguagem semiótica, sistemas visuais, participação e produção experimental no Nordeste brasileiro.Por sua natureza manipulável, recomenda se que a catalogação registre tanto cada prancha individualmente quanto o conjunto montado. Também é importante documentar a ordem física original das placas, caso seja possível determiná la, pois a sequência de revelação pode constituir parte fundamental da intenção do artista.Para indexação institucional e digital devem ser utilizados Falves Silva, 1978, A Ave, Wlademir Dias Pino, Poema Processo, livro de artista, livro objeto, poesia visual, arte postal, Mail Art, poema objeto, poesia experimental, comunicação visual, semiótica, círculos, geometria, cor, manipulação, participação, leitura sequencial, leitura não linear, Candelária, Natal, Rio Grande do Norte, Nordeste brasileiro e arte brasileira contemporânea.Observation text in EnglishOriginal work by Falves Silva dated 1978, consisting of a group of colored vertical panels or plates mounted within a structure supported by a black base. The object was conceived for manipulation, allowing the panels to be successively removed and replaced. Each removal reveals the composition on the following panel, producing new visual combinations and making the sequence of discovery an essential part of the work.The photographs document several panels with pale green, red, pink, beige, yellow and other colored backgrounds. Upon these fields appear groups of circles and circular forms constructed through areas or cut sections of different colors.Some circles are vertically divided into two halves. Others are horizontally divided. Several compositions contain external rings, central circles, semicircular fields and nuclei in gray or other neutral tones. The combinations include blue, red, green, yellow, orange, pink, black, white, brown and gray.The repetition of circles in vertical series of three elements creates a modular system. Although the basic structure remains similar, each sign presents variations of color and internal organization. On certain panels the central circle remains completely white, functioning as a visual interval between more complex signs.One panel contains a fantastic figure with demonic characteristics, including a tail, wings and an instrument resembling a trumpet. This figurative image contrasts with the predominantly abstract system and introduces another layer of information into the process of discovery.Another panel presents the Portuguese inscription O HOMEM É UM ANIMAL QUE SABE LUTAR, arranged diagonally across a yellow or ochre field. The phrase is an important verbal element of the work and should be recorded in full within the catalogue documentation.When the panels are organized into larger groups, the circles create horizontal and vertical sequences. Changing the order or removing one of the panels modifies these relationships, demonstrating that manipulation is necessary for the complete visual experience of the work.The work was conceived according to a principle comparable to A Ave by Wlademir Dias Pino, in which reading is constructed through the physical transformation of the support. In the work by Falves Silva, each removed panel produces a surprise and a new configuration. This relationship should be understood as a conceptual and structural reference without reducing Falves Silva's work to a reproduction of the work by Dias Pino.The reverse of one element contains a handwritten inscription with the name Falves Silva and the date 1978. A Mail Art stamp is also visible with the name Falves Silva and an address in Candelária, Rio Grande do Norte, Brazil. The stamp incorporates arrows pointing in several directions, visually reinforcing concepts of circulation, transmission and networked communication.This material evidence is particularly important for connecting the object with the activity of Falves Silva within the postal art circuit. The reverse should therefore be photographed and preserved in the documentation together with the principal faces because it contains information concerning authorship, date, provenance and circulation context.The ensemble has significant documentary importance for the study of Poema Processo and the later expansion of Brazilian visual poetry during the 1970s. It also establishes connections with the book object, object poetry, postal art, conceptual art, semiotic language, visual systems, participation and experimental artistic production in northeastern Brazil.Because of its manipulable character, cataloguing should document both each individual panel and the assembled ensemble. It is also important to record the original physical order of the plates whenever this can be determined, since the sequence of revelation may constitute a fundamental component of the artist's intention.For institutional and digital indexing, the principal associated terms are Falves Silva, 1978, A Ave, Wlademir Dias Pino, Poema Processo, artist book, book object, visual poetry, postal art, Mail Art, object poetry, experimental poetry, visual communication, semiotics, circles, geometry, color, manipulation, participation, sequential reading, nonlinear reading, Candelária, Natal, Rio Grande do Norte, northeastern Brazil and contemporary Brazilian art.
Inglês
Work by Falves Silva created in 1978 and conceived as an artist book and manipulable visual structure based on the principle of progressive revelation.
Dimensions: 11,8 x 11,8 x 8,5 in
