O Dedo é um livro de artista e obra de poesia experimental e poesia visual do artista português Fernando Aguiar, publicado em Lisboa em 1981.
Fernando Aguiar- Portugal
Categoria: Poesia Visual
Acervo: 04532
Data: 1981
Dimensões: 31 x 11 cm
O Dedo é um livro de artista e obra de poesia experimental e poesia visual do artista português Fernando Aguiar, publicado em Lisboa em 1981. Concebido como poema em 22 andamentos, o trabalho ocupa uma posição importante na produção inicial de Aguiar e na história da poesia experimental portuguesa, articulando palavra, tipografia, desenho gráfico, forma física do livro, leitura e participação do leitor. Fontes bibliográficas registram a publicação com 22 partes e destacam sua singular construção material, na qual o próprio volume assume uma forma alongada com extremidade superior arredondada, evocando diretamente a anatomia de um dedo.O projeto nasceu de um trabalho realizado por Fernando Aguiar para a disciplina de Estética na Escola de Belas Artes de Lisboa. Segundo depoimento do artista, seu objetivo era desenvolver visual e literariamente um único tema, o dedo e os dedos, privilegiando a dimensão estética. O projeto acadêmico foi posteriormente reelaborado e ampliado com outros poemas até assumir a forma de livro. O conjunto reúne 22 poemas relacionados ao mesmo campo semântico e corporal, transformando o dedo simultaneamente em palavra, imagem, signo, objeto, parte do corpo e elemento de comunicação.A estrutura de O Dedo rompe com a leitura exclusivamente linear. Os poemas alternam procedimentos verbais e visuais, jogos semânticos, repetições, variações tipográficas, mudanças de escala e distribuição espacial das palavras sobre a página. Pesquisa acadêmica dedicada à obra caracteriza o volume como uma brochura em forma de dedo e observa que seus 22 andamentos transitam entre composição discursiva e composição visual, fazendo do próprio ato de manipular o livro uma extensão da experiência poética.No exemplar documentado na Coleção Poema Processo, a capa apresenta o título O Dedo e o nome Fernando Aguiar impressos sobre uma área branca arredondada que emerge de um revestimento castanho. A solução gráfica reforça a relação entre conteúdo e suporte, pois a configuração física do objeto remete imediatamente ao dedo que constitui o assunto de toda a publicação.As páginas internas fotografadas mostram os andamentos 11 e 12. No 11º andamento aparece uma composição extremamente reduzida, formada pela expressão o dedo e pela palavra ZÁS, isoladas em amplo campo branco. A economia verbal e a grande quantidade de espaço vazio enfatizam ação, interrupção, gesto e ritmo visual.O 12º andamento apresenta o título impressões digitais e organiza verticalmente sucessivas aparições da palavra dedo em diferentes tipos de letra. Paralelamente, à direita, aparece a letra o transformada segundo características gráficas correspondentes. A página funciona como inventário tipográfico e visual no qual identidade e diferença são produzidas através da mudança da forma das letras. A expressão impressões digitais adquire assim um duplo sentido, associando as marcas únicas produzidas pelos dedos às diferentes impressões tipográficas da palavra dedo.Esse procedimento demonstra uma característica central de Fernando Aguiar, a exploração da materialidade da linguagem. Em O Dedo, ler não significa apenas interpretar palavras, mas perceber tipos, formatos, intervalos, posições, superfícies e relações entre corpo e objeto. O signo verbal adquire condição visual e espacial e o livro deixa de funcionar somente como recipiente de poemas para participar ativamente da construção do significado.O livro inclui ainda Dois Dedos de Conversa, poema que Fernando Aguiar identificou posteriormente como um de seus trabalhos mais difundidos e reproduzido em numerosas publicações. Essa circulação contribuiu para tornar O Dedo uma referência recorrente nos estudos sobre poesia experimental, poesia visual e relações entre corpo, linguagem e materialidade do livro.Uma notícia publicada em 1981 na revista ArteOpinião descreveu O Dedo como um poema em 22 andamentos e destacou a utilização conjunta da palavra, da imagem e da imagem da palavra. A publicação contemporânea constitui uma importante evidência da recepção do livro no próprio período de sua edição.O Dedo encontra se também representado em importantes arquivos especializados. O Ruth and Marvin Sackner Archive of Concrete and Visual Poetry, preservado pela University of Iowa, possui exemplar catalogado da obra e registra tanto sua data de 1981 quanto sua característica física de livro em forma de dedo. A presença da publicação nesse arquivo internacional demonstra sua inserção documental na história da poesia concreta e visual.O Arquivo Digital da PO.EX inclui O Dedo entre os livros de artista de Fernando Aguiar e documenta também uma versão de 1981 associada posteriormente a 1986, com edição de autor, capa castanha e intervenções relacionadas a impressões digitais. A existência dessas variantes ou exemplares deve ser tratada separadamente na catalogação, sem presumir que correspondam exatamente ao exemplar aqui apresentado.Dentro da trajetória de Fernando Aguiar, O Dedo antecipa procedimentos que se tornariam fundamentais em sua produção posterior, principalmente a transformação da escrita em objeto visual, a exploração física do suporte, a participação corporal do leitor e a aproximação entre poesia, performance, arte conceptual e livro de artista. A obra constitui documento relevante para compreender a expansão do poema para além da página convencional e sua integração às práticas experimentais portuguesas e internacionais das décadas de 1970 e 1980.Palavras chave para indexação semântica: Fernando Aguiar, O Dedo, O Dedo poema em 22 andamentos, Fernando Aguiar O Dedo 1981, poesia experimental portuguesa, poesia visual portuguesa, livro de artista português, poesia visual, poesia experimental, arte conceptual, tipografia experimental, poema visual, poesia concreta, Escola de Belas Artes de Lisboa, livro objeto, escrita visual, performance poética, Mail Art, arte postal, PO.EX, poesia experimental Portugal, Coleção Poema Processo.SALSA TEXT IN ENGLISHO Dedo is an artists book and a work of experimental and visual poetry by Portuguese artist Fernando Aguiar, published in Lisbon in 1981. Conceived as a poem in 22 movements, the work occupies an important position in Aguiars early production and in the history of Portuguese experimental poetry. It combines language, typography, graphic design, the physical form of the book, reading and reader participation. Bibliographical sources record the publication as consisting of 22 parts and emphasize its distinctive material construction, in which the elongated book with a rounded upper edge visually evokes the anatomy of a finger.The project originated in an assignment developed by Fernando Aguiar for an Aesthetics course at the Lisbon School of Fine Arts. Aguiar later explained that his objective was to explore a single subject, the finger and fingers, both visually and literarily while emphasizing the aesthetic dimension. The academic project was subsequently reworked and expanded with additional poems until it became a book. The resulting sequence contains 22 poems centered on the same bodily and semantic field, transforming the finger simultaneously into word, image, sign, object, body part and instrument of communication.The structure of O Dedo challenges exclusively linear reading. Its poems alternate verbal and visual procedures, semantic games, repetition, typographic variation, changes of scale and spatial arrangements of words across the page. Academic research devoted to the work describes it as a finger shaped booklet whose 22 movements move between discursive and visual compositions, making the physical handling of the book part of the poetic experience.In the copy documented in the Poema Processo Collection, the cover bears the title O Dedo and the name Fernando Aguiar within a rounded white area emerging above a brown covering. This graphic construction strengthens the relationship between content and support because the physical configuration of the object immediately recalls the finger that constitutes the subject of the publication.The photographed interior pages show movements 11 and 12. Movement 11 contains an extremely reduced composition consisting of the expression o dedo and the word ZÁS placed within a large area of blank space. The verbal economy and extensive use of empty space emphasize action, interruption, gesture and visual rhythm.Movement 12 bears the heading impressões digitais and vertically arranges repeated versions of the word dedo in different typefaces. On the right, the letter o appears in corresponding graphic variations. The page functions as a typographic and visual inventory in which identity and difference are created through changes in letterform. The Portuguese expression impressões digitais acquires a double meaning, referring both to fingerprints and to printed typographic versions of the word dedo.This procedure demonstrates a central characteristic of Fernando Aguiars practice, the investigation of the materiality of language. In O Dedo, reading involves not only interpreting words but also perceiving typefaces, formats, intervals, positions, surfaces and relationships between the body and the object. The verbal sign acquires a visual and spatial condition, while the book ceases to function merely as a container for poems and becomes an active component of meaning.The book also contains Dois Dedos de Conversa, which Fernando Aguiar later identified as one of his most widely circulated poems and a work reproduced in numerous publications. This circulation contributed to making O Dedo a recurring reference in studies of experimental poetry, visual poetry and the relationship between the body, language and the material form of the book.A contemporary notice published in the Portuguese magazine ArteOpinião in 1981 described O Dedo as a poem in 22 movements and emphasized its combined use of word, image and the image of the word. This contemporary record provides significant evidence of the books reception at the time of publication.O Dedo is also represented in major specialist archives. The Ruth and Marvin Sackner Archive of Concrete and Visual Poetry at the University of Iowa preserves a catalogued copy and records both the 1981 date and the distinctive finger shaped format of the book. Its presence in this international archive confirms the works documentary position within the history of concrete and visual poetry.The PO.EX Digital Archive includes O Dedo among Fernando Aguiars artists books and also documents a 1981 version later associated with 1986, described as self published and featuring a brown cover and interventions involving fingerprints. These variants or copies should be catalogued separately and should not automatically be assumed to correspond exactly to the copy documented here.Within Fernando Aguiars career, O Dedo anticipates methods that became fundamental to his later practice, especially the transformation of writing into visual object, the physical exploration of the support, bodily participation by the reader and the convergence of poetry, performance, conceptual art and the artists book. The work is an important document for understanding the expansion of poetry beyond the conventional page and its integration into Portuguese and international experimental practices of the 1970s and 1980s.Semantic indexing terms: Fernando Aguiar, O Dedo, O Dedo poem in 22 movements, Fernando Aguiar O Dedo 1981, Portuguese experimental poetry, Portuguese visual poetry, Portuguese artists book, visual poetry, experimental poetry, conceptual art, experimental typography, visual poem, concrete poetry, Lisbon School of Fine Arts, book object, visual writing, poetic performance, Mail Art, postal art, PO.EX, experimental poetry Portugal, Poema Processo Collection.
TEXTO DE OBSERVAÇÃO EM PORTUGUÊSLivro de artista O Dedo, de Fernando Aguiar, Lisboa, 1981. Obra de poesia experimental e poesia visual concebida como poema em 22 andamentos. O projeto teve origem num trabalho realizado pelo artista para a disciplina de Estética na Escola de Belas Artes de Lisboa e foi posteriormente reelaborado e ampliado para publicação. Todos os 22 poemas desenvolvem diferentes relações verbais, visuais, semânticas e materiais com o dedo e os dedos.O exemplar apresenta formato vertical alongado e extremidade superior arredondada, fazendo com que o próprio objeto livro evoque visualmente um dedo. A capa combina revestimento castanho com área branca onde aparecem o título O Dedo e o nome Fernando Aguiar.Nas páginas reproduzidas encontram se os andamentos 11 e 12. O 11º andamento utiliza apenas a expressão o dedo e a palavra ZÁS em amplo espaço branco, enfatizando gesto, silêncio, intervalo e ação. O 12º andamento, intitulado impressões digitais, apresenta sucessivas versões tipográficas da palavra dedo acompanhadas à direita por diferentes configurações da letra o. A composição relaciona impressão tipográfica e impressão digital, explorando visualmente identidade, diferença, repetição e singularidade.O conteúdo e o formato físico são inseparáveis. A obra deve ser catalogada simultaneamente como livro de artista, poesia experimental, poesia visual, publicação de artista e experiência de tipografia experimental. Sua estrutura permite ainda aproximações com a arte conceptual e com a posterior prática performativa de Fernando Aguiar, pois a manipulação do objeto e a presença física das mãos e dos dedos do leitor participam da experiência de leitura.Uma fonte bibliográfica especializada registra O Dedo com 31 centímetros, ilustrações em preto e branco e corte superior circular. O Ruth and Marvin Sackner Archive of Concrete and Visual Poetry também preserva exemplar de 1981 e o identifica como livro em forma de dedo.O exemplar fotografado integra a Coleção Poema Processo e amplia a documentação das relações entre a produção experimental portuguesa e o conjunto internacional de poesia visual, livro de artista, arte conceptual e redes de circulação preservado pela coleção.OBSERVATION TEXT IN ENGLISHArtists book O Dedo by Fernando Aguiar, Lisbon, 1981. A work of experimental and visual poetry conceived as a poem in 22 movements. The project originated in an assignment developed by Aguiar for an Aesthetics course at the Lisbon School of Fine Arts and was subsequently revised and expanded for publication. All 22 poems develop different verbal, visual, semantic and material relationships with the finger and fingers.The documented copy has an elongated vertical format with a rounded upper edge, causing the physical book itself to visually evoke a finger. The cover combines a brown covering with a white area containing the title O Dedo and the name Fernando Aguiar.The reproduced pages show movements 11 and 12. Movement 11 uses only the expression o dedo and the word ZÁS within a large blank field, emphasizing gesture, silence, interval and action. Movement 12, entitled impressões digitais, presents successive typographic versions of the word dedo accompanied on the right by different graphic configurations of the letter o. The composition connects typographic printing with fingerprints and visually explores identity, difference, repetition and singularity.Content and physical format are inseparable in this publication. The work should be catalogued simultaneously as an artists book, experimental poetry, visual poetry, artists publication and experimental typography. Its structure also permits connections with conceptual art and with Fernando Aguiars later performative practice, since the manipulation of the object and the physical presence of the readers hands and fingers become part of the reading experience.A specialist bibliographical source records O Dedo as measuring 31 centimetres, containing black and white illustrations and having a circular upper cut. The Ruth and Marvin Sackner Archive of Concrete and Visual Poetry also preserves a 1981 copy and identifies it as a finger shaped book.The photographed copy belongs to the Poema Processo Collection and expands its documentation of relationships between Portuguese experimental production and the international fields of visual poetry, artists books, conceptual art and alternative circulation networks preserved by the collection.
Inglês
O Dedo is an artists book and a work of experimental and visual poetry by Portuguese artist Fernando Aguiar, published in Lisbon in 1981.
Dimensions: 12,2 x 4,3 in


