Home Acervo Cambios del ideograma, poemas de defloracion é um conjunto de poesia visual e poesia concreta de Ji í Valoch concebido entre 1967 e 1968 na então Tchecoslováquia.

Cambios del ideograma, poemas de defloracion é um conjunto de poesia visual e poesia concreta de Ji í Valoch concebido entre 1967 e 1968 na então Tchecoslováquia.

Jiri Valoch - Tchecoslováquia

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00563 - 1967/1968 - Poesia Original Manuscrita

12 x 17,5 cm

TEXTO PARA O SALSA EM PORTUGUÊS

Cambios del ideograma, poemas de defloracion é um conjunto de poesia visual e poesia concreta de Ji

í Valoch concebido entre 1967 e 1968 na então Tchecoslováquia. O conjunto apresentado é composto por envelope de acondicionamento e dez cartões, reunindo uma folha de identificação e uma sequência de composições gráficas realizadas predominantemente em vermelho sobre cartões de papel de tonalidade parda. A folha de abertura apresenta datilografados os títulos cambios del ideograma e poemas de defloracion, seguidos do nome ji

í valoch e da data 1967/1968. Abaixo encontra se assinatura manuscrita do artista em vermelho. O acervo Poema Processo registra Cambios del ideograma poemas de defloracion sob o número 00563, autoria de Jiri Valoch, Tchecoslováquia, datação 1967/1968, técnica impressão e dimensões de 15 x 10,6 cm.

O próprio título fornece uma chave importante para a compreensão da obra. A expressão cambios del ideograma pode ser compreendida como mudanças do ideograma, enquanto poemas de defloracion associa o conjunto a uma ideia de transformação, abertura ou passagem de um estado visual a outro. A sequência não utiliza o poema como texto discursivo. Valoch trabalha com signos extremamente simples e reconhecíveis, modificando progressivamente sua forma e seu valor semântico.

Os cartões apresentados permitem reconstruir uma sequência de transformações. Entre os signos claramente visíveis encontram se a palavra manuscrita go, um traço horizontal, uma cruz formada pela interseção de linhas, um ponto de exclamação, a palavra nevermore escrita verticalmente, um ponto de interrogação, o símbolo do infinito e um sinal de dólar. Cada elemento aparece isolado dentro de um losango desenhado em vermelho, criando uma unidade gráfica recorrente que funciona como campo ou moldura para as sucessivas alterações do ideograma.

Os versos dos cartões conservam numeração manuscrita em vermelho. As imagens permitem reconhecer uma sequência de números relacionada à ordem dos elementos, evidenciando que os cartões não constituem desenhos independentes reunidos casualmente, mas componentes de uma organização serial concebida pelo artista. A sequência deve ser preservada fisicamente e digitalmente porque a passagem de um cartão ao seguinte constitui parte do conteúdo poético.

O primeiro grupo estabelece uma progressão entre palavra, linha e sinais de pontuação. Go introduz uma palavra associada a ação e movimento. Em seguida aparece uma linha horizontal isolada. Essa linha é posteriormente atravessada por uma linha vertical, originando uma cruz. No cartão seguinte a verticalidade permanece dominante e é transformada em ponto de exclamação. A sequência demonstra como pequenas modificações gráficas podem alterar completamente a identidade do signo.

Outro grupo apresenta nevermore, ponto de interrogação, infinito e símbolo monetário. A palavra nevermore introduz uma dimensão verbal que pode ser traduzida como nunca mais. O ponto de interrogação substitui a afirmação lexical por dúvida. O símbolo do infinito introduz uma ideia visual de continuidade ilimitada. O sinal de dólar desloca novamente o campo semântico para dinheiro, valor e economia. O interesse da série encontra se justamente na passagem entre categorias diferentes de signo, palavra, pontuação, símbolo matemático e símbolo monetário.

Um cartão adicional apresenta uma construção gráfica maior na qual curvas semelhantes a elementos do símbolo monetário são combinadas com linhas verticais. A forma pode evocar simultaneamente coração, infinito e cifrão, sem poder ser reduzida com segurança a um único símbolo convencional. Essa ambiguidade é coerente com o princípio indicado pelo título Cambios del ideograma, pois o signo encontra se em processo de transformação e pode acumular diferentes possibilidades de reconhecimento.

No verso ou em cartão associado a essa composição aparece manuscrito em vermelho oh love, seguido de uma anotação que pela imagem parece ser in memoriam che guevara, além da assinatura de Ji

í Valoch e do ano 1968. A leitura da linha memorial deve ser confirmada diretamente no original antes de uma transcrição catalográfica definitiva. Entretanto, essa hipótese ganha relevância histórica porque existe documentação independente de que Valoch produziu posteriormente uma obra intitulada Hommage à Che Guevara, datada de 1969, preservada no Statens Museum for Kunst, na Dinamarca.

A possível referência a Che Guevara deve ser tratada com especial cautela e importância. Ernesto Che Guevara morreu na Bolívia em outubro de 1967, exatamente dentro do intervalo cronológico indicado para Cambios del ideograma, poemas de defloracion. A proximidade entre a data histórica, a inscrição aparentemente memorial e a posterior produção de Valoch dedicada a Che torna plausível interpretar esse núcleo como parte de um interesse efetivo do artista pela figura de Guevara. A documentação não permite, porém, concluir automaticamente que todos os cartões do conjunto constituam uma homenagem política direta.

A inscrição oh love também possui relação documental com outra obra de Valoch preservada pelo acervo Poema Processo. O arquivo registra separadamente oh-love!, número 00564, datada de 1968, realizada com caneta sobre papel e medindo 10,6 x 15 cm. A proximidade entre a inscrição visível no conjunto e esse registro deve ser considerada em futura revisão catalográfica para determinar se o cartão corresponde exatamente ao item 00564, se constitui parte integrante de Cambios del ideograma, poemas de defloracion, ou se recebeu registro independente posteriormente.

A série apresenta características centrais da produção de Ji

í Valoch no final dos anos 1960. A palavra é tratada como forma, o sinal gráfico como linguagem e a passagem entre imagens como processo poético. A estrutura serial exige que o observador não considere apenas cada cartão isoladamente, mas acompanhe as mutações entre um signo e o seguinte. Essa lógica aproxima o conjunto da poesia concreta, poesia visual, poesia experimental, poesia conceitual, arte conceitual, semiótica visual, livro de artista e práticas intermídia.

A utilização do espanhol nos títulos cambios del ideograma e poemas de defloracion é igualmente significativa para a dimensão internacional da obra. Em um conjunto criado por um artista tcheco, a escolha do espanhol amplia o campo linguístico para além da língua nacional e aproxima a produção de uma rede internacional de poesia experimental na qual diferentes idiomas funcionavam como materiais intercambiáveis. O conjunto preservado no Brasil acrescenta outra camada a essa circulação.

A presença desse material no acervo ligado a Álvaro de Sá possui valor especial para a história das relações entre Ji

í Valoch e o ambiente do Poema Processo. O acervo brasileiro preserva Cambios del ideograma poemas de defloracion juntamente com um conjunto amplo de obras de Valoch das décadas de 1960 e 1970. Quando confirmada pela proveniência física do conjunto, sua associação ao arquivo de Álvaro de Sá deve ser registrada como evidência de circulação e contato internacional entre a poesia experimental da Tchecoslováquia e o núcleo brasileiro do Poema Processo, sem transformar essa relação em afirmação de que Valoch tenha sido integrante formal do movimento.

Cambios del ideograma, poemas de defloracion é, portanto, um conjunto particularmente importante para compreender Ji

í Valoch como artista interessado na transformação dos signos. Palavra, linha, cruz, pontuação, infinito, dinheiro, amor e possivelmente memória política deixam de funcionar como categorias isoladas e tornam se estágios de um processo visual. A sequência transforma o ideograma em acontecimento temporal e faz do ato de passar de um cartão a outro uma parte constitutiva da poesia.

TEXTO PARA O SALSA EM INGLÊS

Cambios del ideograma, poemas de defloracion is a visual and concrete poetry set by Ji

í Valoch conceived between 1967 and 1968 in what was then Czechoslovakia. The group presented here consists of a protective envelope and ten cards, including an identification sheet and a sequence of graphic compositions executed predominantly in red on brown toned card stock. The introductory card carries the typewritten titles cambios del ideograma and poemas de defloracion, followed by ji

í valoch and the date 1967/1968. Beneath this information is the artists handwritten signature in red. The Poema Processo archive records Cambios del ideograma poemas de defloracion under registration number 00563, by Jiri Valoch, Czechoslovakia, dated 1967/1968, printed, measuring 15 x 10.6 cm.

The title itself provides an important key to the work. Cambios del ideograma can be understood as changes of the ideogram, while poemas de defloracion associates the group with ideas of transformation, opening and transition from one visual state to another. Valoch does not construct a discursive poem. Instead, he employs highly reduced and recognizable signs and progressively changes their visual and semantic identity.

The supplied cards make it possible to reconstruct a sequence of transformations. Clearly visible signs include the handwritten word go, a horizontal line, a cross formed by intersecting lines, an exclamation mark, the word nevermore written vertically, a question mark, the infinity symbol and a dollar sign. Each element is isolated within a red diamond shaped outline, establishing a recurring graphic field for successive modifications of the ideogram.

The reverse sides preserve handwritten numbering in red. The visible numbers demonstrate that the cards were conceived within a sequence rather than as unrelated drawings. Their original order should therefore be preserved in physical and digital cataloguing because the passage from one card to another forms part of the poetic content.

The first group establishes a progression between word, line and punctuation. Go introduces a verbal unit associated with action and movement. It is followed by an isolated horizontal line. A vertical line is subsequently added, creating a cross. In the following card verticality remains dominant but is transformed into an exclamation mark. Minimal graphic modifications therefore generate radically different signs.

Another group presents nevermore, a question mark, the infinity symbol and a monetary sign. Nevermore introduces verbal meaning. The question mark replaces lexical assertion with uncertainty. Infinity introduces the visual idea of unlimited continuity. The dollar sign shifts the semantic field toward money, value and economy. The poetic operation resides in movement across different categories of signs, including word, punctuation, mathematical symbol and monetary symbol.

An additional card presents a larger graphic construction in which curved forms resembling elements of a monetary sign are combined with vertical lines. The resulting image may evoke a heart, infinity and a dollar sign simultaneously, although it cannot securely be reduced to any single conventional symbol. This ambiguity is consistent with Cambios del ideograma because the sign itself is shown as unstable and capable of accumulating multiple possibilities of recognition.

On the reverse or on a card associated with this composition appears the handwritten expression oh love, followed by a line that appears from the supplied image to read in memoriam che guevara, together with Ji

í Valochs autograph signature and the year 1968. The memorial line should be checked directly against the original before definitive catalogue transcription. The possible reading is historically significant because independent documentation confirms that Valoch subsequently produced a work titled Hommage à Che Guevara in 1969, now represented in the collection of the Statens Museum for Kunst in Denmark.

Any connection with Che Guevara should be treated carefully but not ignored. Guevara died in Bolivia in October 1967, within the chronological period indicated for Cambios del ideograma, poemas de defloracion. The combination of this historical date, the apparently memorial inscription and Valochs documented later work devoted to Guevara makes a connection plausible, but available evidence does not justify interpreting every card in the set as a direct political statement.

The phrase oh love also has an important documentary connection with another Valoch work recorded by the Poema Processo archive. The collection separately lists oh-love!, registration number 00564, dated 1968, pen on paper, measuring 10.6 x 15 cm. Future catalogue research should determine whether the card visible in this group corresponds exactly to item 00564, whether it originally formed part of Cambios del ideograma, poemas de defloracion, or whether it was later catalogued independently.

The series exemplifies central aspects of Ji

í Valochs practice at the end of the 1960s. Words become forms, graphic marks become language and transformations between images become the poetic process itself. The serial structure requires the viewer to consider not merely the individual cards but the mutations that occur from one sign to the next. This procedure connects the work with concrete poetry, visual poetry, experimental poetry, conceptual poetry, conceptual art, visual semiotics, artists publications and intermedia practices.

The use of Spanish in the titles cambios del ideograma and poemas de defloracion is also significant to the international character of the work. In a group produced by a Czech artist, Spanish expands the linguistic field beyond the artists national language and situates language itself as transferable material within international experimental poetry networks. Its preservation in Brazil adds another layer to this transnational history.

The presence of the material within a collection associated with Álvaro de Sá is especially relevant to the history of relationships between Ji

í Valoch and the environment of the Process Poem Movement. The Brazilian Poema Processo archive preserves Cambios del ideograma poemas de defloracion together with a substantial body of works by Valoch from the 1960s and 1970s. When supported by physical provenance, the association with Álvaro de Sá should be recorded as evidence of circulation and international contact between Czechoslovak experimental poetry and the Brazilian Process Poem network, rather than as proof that Valoch formally belonged to the movement.

Cambios del ideograma, poemas de defloracion is therefore a particularly important group for understanding Ji

í Valochs investigation of transforming signs. Word, line, cross, punctuation, infinity, money, love and possibly political memory cease to function as isolated categories and become stages within a visual process. The sequence turns the ideogram into a temporal event and makes movement from one card to another part of the poem itself.

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