Verona International, exposição coletiva realizada na Galleria d Arte Cinquetti, em Verona, Itália, com Patrizia Guerresi, Eugenio Miccini e Sarenco. A inauguração ocorreu em 16 de abril de 1986, às 18 horas.
Sarenco - Italia
04242 - 16 de abril de 1986 - Carta Convite
29,7 x 21 cm
Texto Salsa em português
Verona International, exposição coletiva realizada na Galleria d Arte Cinquetti, em Verona, Itália, com Patrizia Guerresi, Eugenio Miccini e Sarenco. A inauguração ocorreu em 16 de abril de 1986, às 18 horas. O conjunto documental é formado pelo convite da exposição e pelo texto crítico de Filiberto Menna intitulado Trittico Veronese, Il filosofo, il capitano di ventura e la zingara, dedicado aos três artistas.
O convite informa que a Biennale di Venezia e a Quadriennale di Roma haviam escolhido para 1986 obras de três artistas residentes em Verona que não eram originalmente veroneses. Patrizia Guerresi é identificada como originária de Vicenza, Eugenio Miccini como florentino e Sarenco como bresciano. A Galleria Cinquetti apresenta as obras dos três artistas em uma espécie de antecipação, ressaltando que já eram conhecidos internacionalmente.
A exposição foi realizada na Galleria d Arte Cinquetti, Via Carlo Cattaneo 1, 37121 Verona, telefone 045 595696. O convite informa também a disponibilidade na galeria de catálogo com texto de Filiberto Menna. Na composição gráfica aparecem impressões digitais associadas individualmente aos nomes Patrizia Guerresi, Eugenio Miccini e Sarenco, recurso visual que enfatiza identidade, autoria e presença física dos artistas.
O ensaio de Filiberto Menna apresenta os três participantes como um tríptico veronês formado por artistas vindos de outros lugares e estabelecidos em Verona. Menna descreve Guerresi, Miccini e Sarenco como artistas de aventura, cada um dotado de fisionomia própria, história própria e trajetória independente.
O subtítulo do texto distribui aos artistas três figuras simbólicas. Eugenio Miccini corresponde ao filósofo, Sarenco ao capitão de aventura e Patrizia Guerresi à cigana. Menna caracteriza Miccini como figura lógica, filosófica e retórica, capaz de envolver o observador por meio de sua linguagem irônica. Sarenco aparece como combatente e lutador poético, figura de confronto permanente, associada pelo crítico a uma combinação simbólica entre Savonarola e Dom Quixote. Guerresi é apresentada como artista nômade, imprevisível em seus deslocamentos e em sua produção.
Na análise dedicada a Patrizia Guerresi, Menna destaca processos de citação, memória, analogia e metamorfose. O crítico menciona referências a imagens de caráter barroco e ao Apolo e Dafne de Bernini, observando que a artista não procura simplesmente reescrever a história da arte, mas utilizar imagens existentes como ponto de partida para processos imaginativos. O texto menciona relações entre árvore e corpo, masculino e feminino, além de esculturas realizadas com resinas sintéticas, terracota e procedimentos tradicionais como a fusão em bronze. Sua obra é apresentada como um campo de encontro entre tradição, forma plástica, figuração, narrativa e simbolismo.
Eugenio Miccini e Sarenco são aproximados por Menna no campo da escrita e da arte como escrita. Segundo o crítico, ambos realizam uma insubordinação em relação à posição tradicional da imagem, atribuindo à escrita uma função autônoma. Em suas obras ocorre um deslocamento entre código verbal e código visual, criando uma zona intermediária em que poesia, palavra e imagem passam a compartilhar o mesmo espaço de significação.
Na interpretação de Menna, a pesquisa de Miccini mantém forte relação com estruturas sintáticas, linguística, estruturalismo e semiótica. Sua poesia visual desenvolve processos de desconstrução das mensagens dos meios de comunicação de massa e de construção de um contradiscurso inserido em circuitos de significação diferentes daqueles produzidos pela sociedade de consumo. A poesia aparece simultaneamente como autorreflexão linguística e como pensamento sobre o mundo.
Ao tratar de Sarenco, Filiberto Menna identifica uma dimensão ideológica ainda mais explícita. A arte transforma se em instrumento de luta e de luta poética, destinado a revelar os automatismos da vida cotidiana e a desmontar uma ordem discursiva aparentemente normal, natural e previamente organizada pelos centros de poder. A poesia de Sarenco surge como atuação em primeira pessoa, envolvendo integralmente a presença e a corporeidade do artista.
Menna observa que Sarenco procura romper os mecanismos da comunicação corrente e colocar em desordem a coerência da ordem estabelecida. Em lugar de uma mensagem unilateral, sua poesia visual trabalha com mensagens compostas, resultantes de aproximações inesperadas entre imagens e palavras. O crítico associa esse procedimento a uma atitude de desencanto e a um humor negro relacionado à tradição surrealista.
O ensaio termina propondo uma leitura mais sombria da produção recente de Sarenco. Menna identifica nessas obras referências recorrentes à arte, ao artista, à poesia, ao poeta e à palavra, porém dentro de uma encenação marcada por atmosfera grave e noturna. O crítico chega a perguntar se Sarenco estaria pronunciando uma espécie de reflexão profunda sobre o próprio destino da poesia.
Verona International constitui documento relevante para a história da poesia visual italiana e para o estudo das relações entre escrita, imagem, escultura, comunicação e crítica institucional nos anos 1980. A presença simultânea de Sarenco e Eugenio Miccini aproxima a exposição da história da poesia visual italiana, da poesia experimental, da escrita visual e das pesquisas internacionais que transformaram a palavra em matéria plástica, política e comunicacional.
O conjunto permite relacionar Sarenco, Eugenio Miccini, Patrizia Guerresi, Filiberto Menna, Galleria d Arte Cinquetti, Verona International, Verona, Biennale di Venezia, Quadriennale di Roma, poesia visual italiana, poesia experimental, arte conceitual, escrita visual, intercode, semiótica, comunicação de massa, crítica da sociedade de consumo, escultura, performance, imagem, palavra e vanguarda internacional.
Salsa text in English
Verona International was a group exhibition held at Galleria d Arte Cinquetti in Verona, Italy, featuring Patrizia Guerresi, Eugenio Miccini and Sarenco. The opening took place on April 16, 1986 at 6 PM. The documentary group consists of the exhibition invitation and a critical essay by Filiberto Menna entitled Trittico Veronese, Il filosofo, il capitano di ventura e la zingara, devoted to the three artists.
The invitation states that the Biennale di Venezia and the Quadriennale di Roma had selected works by three Verona based artists for 1986, although none of them was originally from Verona. Patrizia Guerresi is identified as originating from Vicenza, Eugenio Miccini as Florentine and Sarenco as originating from Brescia. Galleria Cinquetti presents the works of these three internationally known artists in advance.
The exhibition was held at Galleria d Arte Cinquetti, Via Carlo Cattaneo 1, 37121 Verona, telephone 045 595696. The invitation also announces a catalogue available at the gallery with a text by Filiberto Menna. The graphic composition includes fingerprints individually associated with the names Patrizia Guerresi, Eugenio Miccini and Sarenco, emphasizing identity, authorship and the physical presence of the artists.
Filiberto Menna presents the participants as a Veronese triptych composed of artists arriving from elsewhere and establishing themselves in Verona. Guerresi, Miccini and Sarenco are described as artists of adventure, each possessing an individual character, history and artistic trajectory.
The subtitle assigns three symbolic roles to the artists. Eugenio Miccini corresponds to the philosopher, Sarenco to the captain of adventure and Patrizia Guerresi to the gypsy. Menna characterizes Miccini as a logical, philosophical and rhetorically sophisticated figure whose ironic language draws the viewer into its structure. Sarenco appears as a fighter and poetic combatant, a permanently confrontational figure whom Menna symbolically places somewhere between Savonarola and Don Quixote. Guerresi is presented as a nomadic artist whose movements and artistic production are marked by unpredictability.
In his analysis of Patrizia Guerresi, Menna emphasizes quotation, memory, analogy and metamorphosis. He refers to Baroque imagery and to Bernini Apollo and Daphne, observing that the artist does not simply rewrite art history but uses existing images as starting points for imaginative processes. The essay discusses relationships between tree and body, masculine and feminine, as well as sculptures produced using synthetic resins, terracotta and traditional procedures such as bronze casting. Her work becomes a field in which tradition, plastic form, figuration, narrative and symbolism interact.
Eugenio Miccini and Sarenco are connected by Menna through the fields of writing and art as writing. According to the critic, both artists challenge the traditional hierarchy of the image by assigning writing an autonomous role. Their works produce movement between verbal and visual codes, creating an intermediate space in which poetry, word and image participate together in the construction of meaning.
In Menna interpretation, Miccini research is strongly connected with syntactic structures, linguistics, structuralism and semiotics. His visual poetry develops processes for deconstructing messages produced by mass communication and constructing a counter discourse operating within systems of meaning different from those established by consumer society. Poetry becomes simultaneously linguistic self reflection and thought about the world.
When discussing Sarenco, Filiberto Menna identifies an even more explicit ideological dimension. Art becomes an instrument of struggle and poetic struggle, capable of exposing the automatisms of everyday life and dismantling a discursive order presented as normal and natural but organized by centers of power. Sarenco poetry operates in the first person and involves the complete physical presence of the artist.
Menna observes that Sarenco seeks to break the mechanisms of conventional communication and disrupt the coherence of an imposed order. Rather than transmitting a unilateral message, his visual poetry employs composite messages created through unexpected combinations of images and words. The critic associates this strategy with disenchantment and with a form of black humor related to the Surrealist tradition.
The essay concludes with a darker interpretation of Sarenco recent production. Menna identifies recurring references to art, the artist, poetry, the poet and the word, but within a staging marked by a grave and nocturnal atmosphere. The critic ultimately asks whether Sarenco might be articulating a profound meditation on the destiny of poetry itself.
Verona International is an important document for the history of Italian visual poetry and for research into relationships among writing, image, sculpture, communication and institutional criticism during the 1980s. The simultaneous presence of Sarenco and Eugenio Miccini connects the exhibition directly with the history of Italian visual poetry, experimental poetry, visual writing and international investigations that transformed the word into plastic, political and communicative material.
The documentary group establishes connections among Sarenco, Eugenio Miccini, Patrizia Guerresi, Filiberto Menna, Galleria d Arte Cinquetti, Verona International, Verona, Biennale di Venezia, Quadriennale di Roma, Italian visual poetry, experimental poetry, conceptual art, visual writing, intercode, semiotics, mass communication, criticism of consumer society, sculpture, performance, image, word and international avant garde practices.




