Punto ambiguo é um livro de artista e livro objeto de Mirella Bentivoglio, publicado em Torino, Itália, em 1973, como número 25 da série Geiger Sperimentale.
Mirella Bentivoglio - Austria -Italia
04188 - 1973 - Livro de Artista
18 x 18 cm
TEXTO SALSA EM PORTUGUÊS
Punto ambiguo é um livro de artista e livro objeto de Mirella Bentivoglio, publicado em Torino, Itália, em 1973, como número 25 da série Geiger Sperimentale. A obra pertence ao campo da poesia visual, poesia concreta, escrita verbo visual, experimentação tipográfica e livro de artista. A edição original apresenta capa preta com o título punto ambiguo disposto verticalmente em branco e, no verso, a identificação mirella bentivoglio, geiger sperimentale 25, torino italy 1973. Fontes bibliográficas especializadas descrevem o objeto com aproximadamente 18 por 18 centímetros, quatro páginas não numeradas, impressão serigráfica sobre cartoncino e abertura vertical que transforma a estrutura plana do livro em uma construção espacial.
O núcleo verbal da obra é a expressão italiana Essere sul punto di. Bentivoglio explora simultaneamente o significado linguístico da frase e sua presença física sobre a página. Em italiano, essere sul punto di indica estar prestes a fazer alguma coisa, mas a artista converte a expressão em problema visual e espacial. As palavras são distribuídas por folhas dobradas de maneira que a leitura depende da abertura e da manipulação do objeto. O livro não é apenas lido, mas construído temporariamente pelo gesto do leitor.
Quando aberto, Punto ambiguo desenvolve se em três dimensões e forma uma estrutura semelhante a um cubo de três faces. A Fondazione Berardelli descreve explicitamente essa transformação espacial e identifica a publicação como livro de artista realizado para Geiger Sperimentale número 25, em Torino, em 1973. A passagem da superfície bidimensional para o volume corresponde a uma questão central da obra de Bentivoglio nesse período, quando palavra, página e objeto passam a atuar conjuntamente.
A ambiguidade do título é construída também por um jogo tipográfico com a própria palavra punto. Em uma nota da artista relacionada à obra, Bentivoglio explicou que o trabalho questiona a ideia de estarmos sobre um ponto determinado no tempo ou no espaço. Sua reflexão associa o movimento contínuo do presente, a Terra como esfera suspensa e a linguagem como produtora da ilusão de localização. A artista chama atenção ainda para uma operação gráfica na palavra punto, na qual o ponto da letra i é relacionado formalmente à letra o.
Essa operação aproxima Punto ambiguo da série de pesquisas que Bentivoglio desenvolveu em torno da frase Essere sul punto di e da tridimensionalidade da escrita. Fontes biográficas relacionam essa investigação a I trucchi della scrittura, de 1972, trabalho no qual a mesma expressão é explorada espacialmente. Punto ambiguo pode portanto ser entendido como aprofundamento editorial e objetual dessa pesquisa, no qual o idioma se transforma em estrutura concreta.
O exemplar documentado pelas imagens preserva a capa preta, a identificação editorial e a composição interna com a expressão Essere sul punto di. A organização visual utiliza tipografia preta de grande escala sobre fundo branco e linhas geométricas que prolongam e alteram determinadas letras, criando formas que oscilam entre escrita e desenho. A dobra central e a possibilidade de abertura vertical fazem com que palavras e sinais mudem de posição relativa de acordo com a manipulação do livro.
A publicação foi realizada pela Geiger, experiência editorial ligada à poesia experimental italiana, e integra a série Geiger Sperimentale. A identificação Geiger Sperimentale 25 é parte essencial da catalogação, pois situa Punto ambiguo dentro de uma produção editorial voltada à experimentação poética e visual. Registros bibliográficos italianos confirmam a edição Torino, Geiger, 1973 e o identificador bibliográfico do título.
Punto ambiguo encontra se também representado em coleções museológicas. O Archivio RAAM registra um exemplar na GAM, Galleria Civica d Arte Moderna e Contemporanea di Torino, pertencente à Fondazione Torino Musei, datado de 1973, com dimensões de 179 por 179 por 2 milímetros e inventário de 2003. Essa presença institucional confirma a relevância da obra para a história italiana do livro de artista e da poesia visual.
A obra deve ser compreendida como exemplo importante da transformação do livro em dispositivo semântico e espacial. Bentivoglio não utiliza o suporte apenas para registrar um poema. Ela constrói uma situação na qual sentido verbal, forma tipográfica, dobra, sequência, volume e participação do leitor constituem conjuntamente a obra. O significado permanece deliberadamente instável, coerente com o próprio título Punto ambiguo.
No contexto mais amplo de Mirella Bentivoglio, o trabalho antecede sua consolidação internacional como uma das principais pesquisadoras da poesia verbo visual, livro de artista e materialização da linguagem. Embora Punto ambiguo não seja propriamente uma obra de Mail Art, a artista participou posteriormente de importantes redes internacionais de arte postal. A obra deve portanto ser indexada prioritariamente como livro de artista, livro objeto, poesia visual, poesia concreta, escrita verbo visual, serigrafia, Geiger Sperimentale, Torino, Itália, 1973 e experimentação espacial da linguagem, mantendo Mail Art como contexto posterior da trajetória de Bentivoglio e não como classificação principal deste objeto.
SALSA TEXT IN ENGLISH
Punto ambiguo is an artist book and book object by Mirella Bentivoglio, published in Turin, Italy, in 1973 as number 25 of the Geiger Sperimentale series. The work belongs to the fields of Visual Poetry, Concrete Poetry, verbo visual writing, typographic experimentation and artists books. The original edition has a black cover with the title punto ambiguo arranged vertically in white, while the reverse identifies mirella bentivoglio, geiger sperimentale 25, torino italy 1973. Specialized bibliographical sources describe the object as measuring approximately 18 by 18 centimeters, consisting of four unnumbered pages, with silkscreen printing on card and a vertical opening that transforms the flat book into a spatial construction.
The verbal core of the work is the Italian expression Essere sul punto di. Bentivoglio simultaneously explores its linguistic meaning and its physical presence on the page. In Italian, essere sul punto di indicates being about to do something, but the artist transforms the expression into a visual and spatial problem. The words are distributed across folded sheets so that reading depends upon opening and manipulating the object. The book is not simply read but temporarily constructed through the reader's gesture.
When opened, Punto ambiguo develops into three dimensions and forms a structure resembling a three sided cube. Fondazione Berardelli explicitly describes this spatial transformation and identifies the publication as an artist book produced for Geiger Sperimentale number 25 in Turin in 1973. The shift from two dimensional surface to volume corresponds to a central concern in Bentivoglio's work of this period, when word, page and object increasingly functioned together.
The ambiguity of the title is also constructed through a typographic play involving the word punto itself. In a note connected with the work, Bentivoglio explained that the piece questions the idea that we occupy any fixed point in time or space. Her reflection links the continuous movement of the present, the Earth as a sphere suspended in space and language as a producer of the illusion of fixed location. She also draws attention to a graphic operation within the word punto in which the dot of the letter i becomes formally related to the letter o.
This operation connects Punto ambiguo with a group of investigations Bentivoglio developed around the expression Essere sul punto di and the three dimensional potential of writing. Biographical sources associate this research with I trucchi della scrittura from 1972, in which the same phrase was explored spatially. Punto ambiguo can therefore be understood as an editorial and object based extension of this investigation, transforming language into concrete structure.
The copy documented in the supplied images preserves the black cover, editorial identification and internal composition containing the expression Essere sul punto di. The visual organization uses large black typography against a white ground together with geometric lines that extend or alter particular letters, producing forms that oscillate between writing and drawing. The central folds and vertical opening cause words and signs to change their relative positions as the book is manipulated.
The publication was issued by Geiger within the Geiger Sperimentale series, an important context for Italian experimental poetry and publishing. The identification Geiger Sperimentale 25 is therefore essential to cataloguing because it situates Punto ambiguo within an editorial program devoted to poetic and visual experimentation. Italian bibliographical records confirm the publication information Turin, Geiger, 1973.
Punto ambiguo is also represented in museum collections. Archivio RAAM records an example at GAM, Galleria Civica d Arte Moderna e Contemporanea di Torino, part of Fondazione Torino Musei, dated 1973, measuring 179 by 179 by 2 millimeters and entered into the collection in 2003. This institutional presence confirms the importance of the work within the Italian histories of Visual Poetry and the artist book.
The work should be understood as an important example of the transformation of the book into a semantic and spatial device. Bentivoglio does not use the support merely to contain a poem. She constructs a situation in which verbal meaning, typographic form, folding, sequence, volume and reader participation jointly constitute the work. Meaning remains deliberately unstable, in keeping with the title Punto ambiguo.
Within the broader trajectory of Mirella Bentivoglio, the work precedes her international consolidation as one of the major researchers and practitioners of verbo visual poetry, artists books and the materialization of language. Although Punto ambiguo is not primarily a Mail Art work, Bentivoglio later participated in major international postal art networks. The object should therefore be indexed primarily as artist book, book object, Visual Poetry, Concrete Poetry, verbo visual writing, silkscreen, Geiger Sperimentale, Turin, Italy, 1973 and spatial experimentation with language, while Mail Art should remain a broader context within Bentivoglio's later career rather than the principal classification of this object.



