Álvaro de Sá. A AVE, SÓLIDA. Datiloscrito original de texto crítico dedicado a Wlademir Dias Pino, composto por três folhas com correções e intervenções manuscritas.
Álvaro de Sá
04022 - - Texto Datiluscrito
33 x 22 cm
Texto para o Salsa em português
Álvaro de Sá. A AVE, SÓLIDA. Datiloscrito original de texto crítico dedicado a Wlademir Dias Pino, composto por três folhas com correções e intervenções manuscritas. O documento analisa a trajetória poética, gráfica e intelectual de Wlademir Dias Pino a partir de duas obras fundamentais, A AVE e SÓLIDA, situando o autor dentro da história da vanguarda brasileira e destacando sua contribuição para a transformação da poesia em estrutura visual, espacial, participativa e processual.
Álvaro de Sá estabelece desde o início uma relação entre A AVE e SÓLIDA como um arco da produção de Wlademir Dias Pino. A AVE aparece associada a uma dimensão vertical e cardinal, enquanto SÓLIDA se relaciona a uma dimensão ordinal e horizontal. O texto sugere que esse percurso cobre mais de vinte anos de investigação e que a coerência da produção de Wlademir se sustenta não na repetição formal, mas na capacidade constante de romper com fórmulas estabelecidas e de avançar conceitualmente.
O autor caracteriza Wlademir Dias Pino como poeta radical e produtor de obra igualmente radical. Destaca sua independência diante das lideranças de vanguarda e das influências estrangeiras, enfatizando uma contribuição pessoal construída em relação direta com o espaço e o tempo de sua experiência brasileira e matogrossense.
O texto aproxima a atuação de Wlademir Dias Pino de diferentes campos de criação e conhecimento. São mencionadas experiências ligadas ao gráfico, à arquitetura, à estatística, à codificação, aos computadores, à documentação, à pesquisa visual, à poesia e à organização do espaço. Álvaro de Sá observa que determinadas experiências desenvolvidas por Wlademir poderiam parecer antecipações de procedimentos computacionais, ainda que tenham surgido muito antes da disseminação dessas tecnologias.
O documento também registra aspectos biográficos e profissionais relevantes. Álvaro de Sá menciona que Wlademir Dias Pino teria escolhido um colega de infância para dirigir a Revista da UNE e posteriormente teria trabalhado no antigo Serviço de Documentação do antigo Ministério da Viação. Segundo o texto, nesse ambiente Wlademir teve contato e participou da produção de publicações e de procedimentos envolvendo codificações e estatísticas.
Essa referência é particularmente significativa porque Álvaro de Sá associa essas experiências de documentação e organização de informações às pesquisas posteriores de Wlademir Dias Pino. A relação entre sistemas, códigos, classificação, estatística e visualidade aparece como parte de uma continuidade intelectual que ultrapassa os limites convencionais da poesia.
Outro ponto importante do texto é a referência à documentação de formas artísticas e ao engajamento de Wlademir em relação ao tema indígena. Álvaro de Sá menciona uma atividade de documentação realizada em momento no qual a questão indígena enfrentava censura e repressão, apresentando Wlademir como intelectual atento às questões culturais e políticas de seu tempo.
Antes de concentrar a análise em A AVE e SÓLIDA, o autor menciona duas outras obras de Wlademir Dias Pino, OS CORCUNDAS e A MÁQUINA. Essas referências ajudam a construir uma cronologia interna da produção do poeta e demonstram que a pesquisa visual e estrutural de Wlademir não se restringe aos dois livros mais conhecidos.
Sobre OS CORCUNDAS, Álvaro de Sá observa deformações linguísticas, soluções tipográficas, reminiscências matogrossenses, gráficos, sínteses ópticas e procedimentos visuais. O texto identifica ainda referências à paisagem urbana de Cuiabá, indicando a persistência de uma memória visual e cultural matogrossense na constituição gráfica da obra.
A MÁQUINA é apresentada como obra de grande intensidade poética. Álvaro de Sá define o poema como uma escultura móvel de palavras dobráveis. A formulação demonstra uma compreensão do poema como objeto espacial e manipulável. Linhas, espaços vazios e articulações verbais passam a funcionar como propostas arquiteturais.
Ao chegar a A AVE, Álvaro de Sá organiza a análise em cinco pontos principais. O primeiro refere se à importância da obra como livro cuiabano. O segundo examina a arquitetura do branco e dos espaços vazios como higiene da visão. O terceiro aborda as cores reguláveis. O quarto analisa o espaço perfurado. O quinto identifica uma nova tipologia construída por meio da caligrafia de esquadro.
A AVE é interpretada como obra em que o branco deixa de ser simples ausência e passa a funcionar como propriedade estrutural do espaço. O vazio torna se componente ativo da leitura. A organização visual da página, as perfurações, as cores, os cortes e as direções de leitura participam diretamente da construção do poema.
Álvaro de Sá destaca igualmente o caráter participativo da obra. A articulação dos caracteres encontra se associada ao gesto de ler e à participação ativa do leitor. A leitura não é concebida como percurso único e linear. Os elementos gráficos substituem a estrutura tradicional da circulação do texto e produzem direções variáveis.
A análise ressalta que o branco funciona como força dentro do programa visual da obra. Espaço, cortes e sínteses visuais revelam uma construção em que a ausência aparente possui função positiva. Essa concepção aproxima a poesia de Wlademir Dias Pino de princípios de programação visual, design, arquitetura do livro e participação do leitor.
No terceiro ponto, Álvaro de Sá analisa a utilização das cores escuras. Ele reconhece a presença de tradições europeias, mas argumenta que o uso monocromático realizado por Wlademir possui força própria e produz choques visuais inesperados. O texto rejeita assim uma leitura puramente derivativa e enfatiza a autonomia estética do poeta.
No quarto ponto, o autor relaciona o espaço perfurado de A AVE a procedimentos anteriores às lacerações de Lucio Fontana. Contudo, ressalta que Wlademir Dias Pino não trabalha com a simples aleatoriedade do rasgo. As perfurações integram um sistema, orientam possibilidades de leitura e contribuem para a ideia de espaço infinito da obra.
A referência a Fontana é importante porque situa A AVE dentro de uma discussão internacional sobre superfície, perfuração, espaço e ruptura do suporte. Álvaro de Sá diferencia, porém, o procedimento de Wlademir por sua dimensão programada e estrutural.
No quinto ponto, o texto afirma que as palavras abandonam progressivamente uma condição convencional e recuperam uma forma gráfica primitiva. Essa transformação demonstra como a escrita pode converter se em sinal, desenho, configuração e estrutura visual.
Após analisar A AVE, Álvaro de Sá passa a SÓLIDA. O texto apresenta SÓLIDA como continuidade e simultaneamente como novo estágio na investigação de Wlademir Dias Pino. A obra mantém a coerência da pesquisa, mas altera radicalmente a problemática da codificação, do espaço e do suporte.
Em SÓLIDA, Álvaro de Sá destaca as gradações da superposição, o sentido do cortado, as possibilidades do dobrável e os distanciamentos entre elementos. Essas características transformam a leitura em uma operação espacial e demonstram a aproximação do poema com processos construtivos, gráficos e arquitetônicos.
O texto menciona ainda gráficos estatísticos presentes na obra e considera surpreendente a clareza obtida por esses recursos. Esse aspecto reforça a aproximação entre poesia, estatística, sistema visual e processamento de informação que atravessa a produção de Wlademir Dias Pino.
As correções manuscritas presentes no documento registram a elaboração do próprio texto crítico. Expressões são revistas, substituídas ou acrescentadas, permitindo acompanhar parte do processo intelectual de Álvaro de Sá enquanto analisa Wlademir Dias Pino. O conjunto possui, portanto, valor não apenas como crítica literária e artística, mas também como documento de trabalho e fonte primária.
A AVE, SÓLIDA revela uma leitura de Wlademir Dias Pino feita por um dos principais participantes do Poema Processo. Álvaro de Sá não apresenta Wlademir apenas como poeta visual, mas como pesquisador de sistemas, programador visual, criador de estruturas, articulador de códigos e investigador das relações entre palavra, imagem, espaço, movimento, suporte e participação.
O documento possui grande importância para pesquisas sobre Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, A AVE, SÓLIDA, Poema Processo, poesia concreta, poesia visual, livro poema, livro de artista, arte experimental brasileira, vanguardas, design gráfico, tipografia, arquitetura do livro, espaço vazio, perfuração, dobra, estatística, codificação, programação visual, participação do leitor e relações entre poesia e computação.
Palavras chave para pesquisa e indexação: Álvaro de Sá, Wlademir Dias Pino, A AVE, SÓLIDA, A AVE SÓLIDA, OS CORCUNDAS, A MÁQUINA, Poema Processo, poesia visual, poesia concreta, poesia experimental, livro poema, livro de artista, poesia brasileira, vanguarda brasileira, Cuiabá, Mato Grosso, literatura matogrossense, tipografia experimental, programação visual, arquitetura do branco, espaço vazio, espaço perfurado, perfuração, cores reguláveis, caligrafia de esquadro, participação do leitor, leitura visual, estrutura gráfica, codificação, estatística, computadores, comunicação visual, Lucio Fontana, arte conceitual, poesia semiótica, poema objeto, palavra imagem, espaço tempo, arte experimental brasileira.
Salsa text in English
Álvaro de Sá. A AVE, SÓLIDA. Original typewritten critical text devoted to Wlademir Dias Pino, consisting of three sheets with handwritten corrections and interventions. The document examines the poetic, graphic and intellectual trajectory of Wlademir Dias Pino through two fundamental works, A AVE and SÓLIDA, placing the author within the history of the Brazilian avant garde and emphasizing his contribution to the transformation of poetry into a visual, spatial, participatory and process based structure.
Álvaro de Sá establishes from the beginning a relationship between A AVE and SÓLIDA as an arc within the production of Wlademir Dias Pino. A AVE is associated with a vertical and cardinal dimension, while SÓLIDA is connected to an ordinal and horizontal dimension. The text suggests that this trajectory spans more than twenty years of investigation and that the coherence of Wlademir's work resides not in formal repetition but in his constant capacity to break with established formulas and advance conceptually.
The author characterizes Wlademir Dias Pino as a radical poet and the producer of an equally radical body of work. He emphasizes Wlademir's independence from avant garde leadership and foreign influences, identifying a personal contribution constructed through his Brazilian and Mato Grosso experience in space and time.
The text connects the activities of Wlademir Dias Pino with several fields of creation and knowledge. It refers to graphic practice, architecture, statistics, coding, computers, documentation, visual research, poetry and spatial organization. Álvaro de Sá notes that some of the experiments created by Wlademir could appear to anticipate computational procedures even though they emerged before the widespread development of such technologies.
The document also records relevant biographical and professional information. Álvaro de Sá mentions that Wlademir Dias Pino selected a childhood colleague to direct the Revista da UNE and subsequently worked at the former Documentation Service of the Brazilian Ministry of Transportation. According to the text, this environment placed Wlademir in contact with publications and procedures involving coding and statistics.
This reference is particularly significant because Álvaro de Sá connects these experiences of documentation and information organization with the later research of Wlademir Dias Pino. Systems, codes, classification, statistics and visuality appear as part of an intellectual continuity extending beyond conventional definitions of poetry.
Another important element is the reference to the documentation of artistic forms and to Wlademir's engagement with Indigenous themes. Álvaro de Sá mentions documentary activity developed during a period when Indigenous issues faced censorship and repression, presenting Wlademir as an intellectual attentive to the cultural and political questions of his time.
Before concentrating his analysis on A AVE and SÓLIDA, the author refers to two other works by Wlademir Dias Pino, OS CORCUNDAS and A MÁQUINA. These references help establish an internal chronology of the poet's production and demonstrate that Wlademir's visual and structural investigations were not limited to his two most widely discussed books.
Regarding OS CORCUNDAS, Álvaro de Sá identifies linguistic deformation, typographic experimentation, Mato Grosso reminiscences, graphic structures, optical synthesis and visual procedures. The text also identifies references to the urban landscape of Cuiabá, suggesting the persistence of Mato Grosso visual and cultural memory within the graphic construction of the work.
A MÁQUINA is presented as a work of remarkable poetic intensity. Álvaro de Sá defines the poem as a mobile sculpture of foldable words. This formulation reveals an understanding of the poem as a spatial and manipulable object. Lines, empty spaces and verbal articulations function as architectural propositions.
In his analysis of A AVE, Álvaro de Sá organizes his discussion around five main points. The first concerns the importance of the work as a book connected to Cuiabá. The second examines the architecture of white and empty spaces as a form of visual hygiene. The third addresses adjustable colors. The fourth examines perforated space. The fifth identifies a new typography produced through drafting style calligraphy.
A AVE is interpreted as a work in which white ceases to be simple absence and becomes a structural property of space. The void becomes an active component of reading. The visual organization of the page, perforations, colors, cuts and reading directions participate directly in the construction of the poem.
Álvaro de Sá also emphasizes the participatory nature of the work. The articulation of characters is connected with the gesture of reading and with the active participation of the reader. Reading is no longer understood as a single linear route. Graphic elements replace the traditional textual structure and create variable directions.
The analysis stresses that white operates as a force within the visual program of the work. Space, cuts and visual synthesis reveal a construction in which apparent absence performs a positive function. This conception connects Wlademir Dias Pino's poetry with principles of visual programming, design, book architecture and reader participation.
In the third point, Álvaro de Sá examines the use of dark colors. He recognizes the presence of European traditions but argues that Wlademir's monochromatic use of color possesses an independent force capable of producing unexpected visual shocks. The text therefore rejects a purely derivative interpretation and emphasizes the aesthetic autonomy of the poet.
In the fourth point, the author relates the perforated space of A AVE to procedures preceding the lacerations of Lucio Fontana. However, he stresses that Wlademir Dias Pino does not work through the simple randomness of tearing. The perforations belong to a system, direct reading possibilities and contribute to the conception of an infinite space within the work.
The reference to Fontana is important because it places A AVE within an international discussion concerning surface, perforation, space and the rupture of the support. Álvaro de Sá nevertheless distinguishes Wlademir's procedure through its programmed and structural character.
In the fifth point, the text argues that words progressively abandon conventional linguistic conditions and recover a primitive graphic form. Writing can therefore become sign, drawing, configuration and visual structure.
After examining A AVE, Álvaro de Sá moves to SÓLIDA. The text presents SÓLIDA as both a continuation and a new stage in the investigations of Wlademir Dias Pino. The work maintains the coherence of the research while radically modifying questions of coding, space and support.
In SÓLIDA, Álvaro de Sá highlights gradations of superimposition, the meaning of cutting, the possibilities of folding and the distances between elements. These characteristics transform reading into a spatial operation and demonstrate the proximity of poetry to constructive, graphic and architectural processes.
The text also refers to statistical graphics within the work and considers the clarity produced by these resources remarkable. This reinforces the connection among poetry, statistics, visual systems and information processing throughout the production of Wlademir Dias Pino.
The handwritten corrections present in the document record the elaboration of the critical text itself. Expressions are revised, replaced or expanded, allowing part of Álvaro de Sá's intellectual process to be followed while he analyzes Wlademir Dias Pino. The group therefore possesses value not only as literary and artistic criticism but also as a working document and primary source.
A AVE, SÓLIDA provides an interpretation of Wlademir Dias Pino by one of the principal participants in Poema Processo. Álvaro de Sá presents Wlademir not merely as a visual poet but as a researcher of systems, visual programmer, creator of structures, organizer of codes and investigator of relationships among word, image, space, movement, support and participation.
The document is highly relevant to research on Wlademir Dias Pino, Álvaro de Sá, A AVE, SÓLIDA, Poema Processo, Concrete Poetry, visual poetry, poem books, artist books, Brazilian experimental art, avant garde movements, graphic design, typography, book architecture, empty space, perforation, folding, statistics, coding, visual programming, reader participation and relationships between poetry and computation.
Research and indexing terms: Álvaro de Sá, Wlademir Dias Pino, A AVE, SÓLIDA, A AVE SÓLIDA, OS CORCUNDAS, A MÁQUINA, Poema Processo, Process Poem, visual poetry, Concrete Poetry, experimental poetry, poem book, artist book, Brazilian poetry, Brazilian avant garde, Cuiabá, Mato Grosso, Mato Grosso literature, experimental typography, visual programming, architecture of white space, empty space, perforated space, perforation, adjustable colors, drafting calligraphy, reader participation, visual reading, graphic structure, coding, statistics, computers, visual communication, Lucio Fontana, conceptual art, semiotic poetry, object poem, word image, space time, Brazilian experimental art.



