Cartaz e programa gráfico da exposição Olho Mágico, projeto de Falves Silva relacionado aos poemas conceitos de Wladimir Dias Pino, realizado em Natal, Rio Grande do Norte, em dezembro de 1978.
Exposição Olho Mágico , Falves Silva, Wlademir Dias Pino
04016 - Dezembro de 1978 - Cartaz
32 x 21,8 cm
Texto para o Salsa em português
Cartaz e programa gráfico da exposição Olho Mágico, projeto de Falves Silva relacionado aos poemas conceitos de Wladimir Dias Pino, realizado em Natal, Rio Grande do Norte, em dezembro de 1978. O documento constitui uma fonte primária de grande relevância para a história do Poema Processo, da poesia visual brasileira, da Arte Postal e das redes internacionais de Mail Art, pois reúne em um mesmo impresso a identidade visual da exposição, proposições conceituais, programação cultural, lista internacional de participantes, informações sobre a circulação posterior do projeto e declaração do próprio Falves Silva sobre o funcionamento da mostra.
Na parte principal do cartaz aparece em destaque a proposição QUEM OLHA É RESPONSÁVEL PELO QUE VÊ, atribuída no próprio documento a WLADIMIR DIAS PINO. A frase ocupa posição dominante e funciona como uma das chaves conceituais de Olho Mágico. O ato de olhar é deslocado da contemplação passiva para uma relação de responsabilidade, interpretação e participação do observador.
A identidade visual da exposição é formada por uma sucessão de grandes círculos ou anéis coloridos sobrepostos, dentro dos quais aparecem as letras de OLHO MÁGICO. Verde, vermelho, azul, preto, amarelo e magenta se cruzam e produzem novas áreas de interseção. A palavra deixa de ser apenas texto e passa a integrar a estrutura visual da composição, articulando tipografia, cor, repetição e movimento.
Na região superior direita aparecem as indicações POEMA CARTAZ, POEMA VISUAL e ARTE POSTAL, classificações importantes porque são apresentadas pelo próprio material histórico. A exposição se posiciona, portanto, na convergência entre poema transformado em cartaz, poesia construída visualmente e circulação por meio do sistema postal.
Também aparece o nome Falves Silva em posição de destaque. O documento identifica ainda a expressão EXPO, utilizada verticalmente, reforçando a função simultânea de cartaz expositivo e composição visual.
Na parte inferior esquerda encontra se a formulação A ARTE NO HORIZONTE DO PROVÁVEL, atribuída a HAROLDO DE CAMPOS. A presença conjunta de referências a Wladimir Dias Pino e Haroldo de Campos insere o cartaz num campo ampliado de discussão sobre poesia experimental, visualidade e transformação das linguagens poéticas brasileiras.
O cartaz divulga ainda o SHOW FRUTOS DA MEMÓRIA, com ENOCK DOMINGOS, VON LIMA, MARCIO TASSINO e PEREIRINHA, programado para os dias 4 e 5 de dezembro no TEATRINHO DO CENTRO DE TURISMO, às 21 horas. Essa informação demonstra que o impresso integrava uma programação cultural mais ampla e não se limitava à divulgação isolada de Olho Mágico.
No verso, a exposição é identificada como OLHO MÁGICO, MOSTRA INTERNACIONAL DE ARTE POSTAL. Essa denominação confirma documentalmente o caráter internacional e postal do projeto. A relação de artistas organiza os participantes por países e registra Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, França, Holanda, Inglaterra, México e U.S.A.
Entre os participantes legíveis aparecem h. romeyke, da Alemanha, luis catriel, da Argentina, pat larter, da Austrália, gifrey e henry niotou, da França, artmonod e ulisses carrión, da Holanda, robin crozier, da Inglaterra e aaron flores, do México.
A relação brasileira é extensa e inclui nomes como ana carolina, a. de araújo, a. harrigan, alm andrade, aluizio matta, anchieta fernandes, aristides klafke, bené fonteles, carlos humberto dantas, falves silva, fátima pombo, gilmar cardoso, gutemberg martins, j. medeiros, joaquim branco, leonhard frank duch, moacy cirne, neide sá, nicolas behr, paulo bruscky, pedro osmar e venâncio pinheiro, entre outros nomes parcialmente legíveis no exemplar apresentado.
Na relação dos Estados Unidos aparecem alex torriozone igloo, berne boyle, donald kochi associado a grifa press, john bennett, la rose station, mario lara, pat fish, poster brigade, robot vegetable, stevem durland e s. hitchcock, além de outros registros cuja leitura se encontra prejudicada pela qualidade da reprodução.
O documento registra ainda uma categoria denominada PARTICIPAÇÃO ESPECIAL, seguida dos nomes picasso, modigliani, rivera e cavellini. A natureza exata dessa participação especial não é explicada no cartaz. Portanto, esses nomes não devem ser automaticamente tratados como participantes presenciais ou remetentes de trabalhos sem documentação complementar.
Falves Silva apresenta uma formulação curatorial particularmente importante ao definir o olho como elemento catalizador de sintomas sociais, morais, políticos, estéticos e existenciais. Em seguida, define a Arte correio, Mail Art, como meio de transmissão e a interferência do artista como participação. Essas três ideias oferecem uma síntese conceitual do funcionamento de Olho Mágico.
O olho deixa de ser apenas motivo iconográfico e passa a funcionar como dispositivo de observação e análise. A Arte Postal constitui o meio pelo qual o trabalho circula, enquanto a interferência realizada pelo artista sobre o postal convite estabelece o mecanismo participativo. Assim, tema, suporte, circulação e intervenção tornam se partes integradas de um mesmo processo.
O próprio Falves Silva informa que convidou os artistas mencionados para interferirem nos postais convite. Esse dado é fundamental para compreender os cartões de Olho Mágico preservados no conjunto documental. As peças não constituíam simplesmente cartões promocionais. Eram suportes enviados aos participantes para receber intervenções e posteriormente retornar ao organizador.
O documento registra ainda a circulação histórica do material postal em diferentes cidades e anos. Segundo Falves Silva, o material foi exposto em 1978 em Natal, na cooperativa dos jornalistas, identificada no texto como coojornate. Em 1979 foi apresentado em Recife, no segundo festival de inverno da UNICAP. Em 1980 foi apresentado em João Pessoa, no núcleo de arte contemporânea identificado pela sigla NAC.
Essa informação é excepcionalmente importante para a catalogação da exposição porque estabelece uma sequência de circulação do projeto entre 1978 e 1980. Olho Mágico não deve ser compreendido apenas como uma exposição pontual em Natal, mas como um projeto de Arte Postal capaz de ser reorganizado e reapresentado em diferentes contextos institucionais.
Na parte inferior do documento aparece PROGRAMAÇÃO VISUAL FALVES SILVA, confirmando a responsabilidade do artista pelo projeto gráfico do impresso. Também existem informações técnicas relativas à impressão e composição tipográfica, embora parte desses dados esteja pouco legível na reprodução disponível.
O verso contém ainda uma programação musical e textual relacionada ao evento. Entre os títulos legíveis aparecem No cio do Rio, Latinidad, Blues, Beco sem saída, Balada alada, Frutos da memória, Beira Mar 5½, Doce Flor da Borborema, Para Lennon e Roque Alado. Também são relacionados nomes como Enock, Mario Tassino, Daliner Enock, New Riders, Pereira, Marcelo Tassino, Fon e outros registros de interpretação, voz e instrumentos.
Na área textual do programa reaparecem elementos associados a Olho Mágico e à proposição Quem olha é responsável pelo que vê. Também podem ser lidas referências como Responsabilidade do ver, Ditadura do sentir, Hoje Aqui, Ontem Ali o homem é um animal que sabe fazer embrulhos, Um cometa caiu no coração da América e O olho é responsável pelo que vê, evidenciando a circulação das formulações conceituais de Wladimir Dias Pino dentro da construção gráfica e programática do evento.
O conjunto estabelece uma conexão documental direta entre Falves Silva, Wladimir Dias Pino, Poema Processo, Arte Postal e poesia visual. A participação de nomes como Moacy Cirne, Neide Sá, Paulo Bruscky, J. Medeiros, Joaquim Branco, Robin Crozier, Ulisses Carrión, Pat Larter e John Bennett amplia o documento para uma rede que conecta produção experimental brasileira, latino americana, europeia, australiana e norte americana.
Para indexação em buscadores, sistemas de inteligência artificial, arquivos e bases acadêmicas, este documento deve ser relacionado a Falves Silva, Wladimir Dias Pino, Wlademir Dias Pino, Olho Mágico, Mostra Internacional de Arte Postal, Poema Processo, Arte Postal, Mail Art, poema cartaz, poema visual, poesia experimental, arte conceitual, Quem olha é responsável pelo que vê, Haroldo de Campos, Moacy Cirne, Neide Sá, Paulo Bruscky, J. Medeiros, Ulisses Carrión, Robin Crozier, John Bennett, Natal, Recife, João Pessoa, COOJORNAT, UNICAP, NAC, 1978, 1979 e 1980.
Salsa text in English
Poster and graphic program for the Olho Mágico exhibition, a project by Falves Silva related to poem concepts by Wladimir Dias Pino and presented in Natal, Rio Grande do Norte, in December 1978. The document is a major primary source for the history of Poema Processo, Brazilian visual poetry, Postal Art and international Mail Art networks because it combines the visual identity of the exhibition, conceptual propositions, cultural programming, an international participant list, information about the later circulation of the project and a statement by Falves Silva explaining how the exhibition operated.
The main section prominently displays the proposition QUEM OLHA É RESPONSÁVEL PELO QUE VÊ, attributed directly in the document to WLADIMIR DIAS PINO. The statement occupies a dominant position and functions as one of the conceptual keys to Olho Mágico. Looking is shifted away from passive contemplation toward responsibility, interpretation and viewer participation.
The visual identity of the exhibition is built from a sequence of large overlapping colored circles or rings containing the letters of OLHO MÁGICO. Green, red, blue, black, yellow and magenta intersect and generate new areas of color. The word ceases to function only as text and becomes part of the visual structure, integrating typography, color, repetition and movement.
The upper right area includes the classifications POEMA CARTAZ, POEMA VISUAL and ARTE POSTAL. These terms are especially significant because they appear directly in the historical material. The exhibition therefore positions itself at the convergence of poetry transformed into poster form, visually constructed poetry and circulation through postal systems.
The name Falves Silva also appears prominently. The abbreviation EXPO is printed vertically, reinforcing the dual function of the object as exhibition poster and visual composition.
The lower left area contains the formulation A ARTE NO HORIZONTE DO PROVÁVEL attributed to HAROLDO DE CAMPOS. The joint presence of references to Wladimir Dias Pino and Haroldo de Campos places the poster within a broader field of discussion concerning experimental poetry, visuality and the transformation of poetic language in Brazil.
The poster also announces the SHOW FRUTOS DA MEMÓRIA with ENOCK DOMINGOS, VON LIMA, MARCIO TASSINO and PEREIRINHA, scheduled for December 4 and 5 at TEATRINHO DO CENTRO DE TURISMO at 9 PM. This information demonstrates that the printed material belonged to a wider cultural program rather than serving exclusively as publicity for Olho Mágico.
On the reverse, the exhibition is identified as OLHO MÁGICO, MOSTRA INTERNACIONAL DE ARTE POSTAL. This title provides direct documentary confirmation of the international and postal character of the project. Participants are organized by country, including Germany, Argentina, Australia, Brazil, France, the Netherlands, England, Mexico and the U.S.A.
Legible participants include h. romeyke from Germany, luis catriel from Argentina, pat larter from Australia, gifrey and henry niotou from France, artmonod and ulisses carrión from the Netherlands, robin crozier from England and aaron flores from Mexico.
The Brazilian list is extensive and includes ana carolina, a. de araújo, a. harrigan, alm andrade, aluizio matta, anchieta fernandes, aristides klafke, bené fonteles, carlos humberto dantas, falves silva, fátima pombo, gilmar cardoso, gutemberg martins, j. medeiros, joaquim branco, leonhard frank duch, moacy cirne, neide sá, nicolas behr, paulo bruscky, pedro osmar and venâncio pinheiro, together with additional names whose reading is partially obscured in the surviving reproduction.
The United States section includes alex torriozone igloo, berne boyle, donald kochi associated with grifa press, john bennett, la rose station, mario lara, pat fish, poster brigade, robot vegetable, stevem durland and s. hitchcock, as well as other entries that cannot be read with complete confidence.
The document also records a category called PARTICIPAÇÃO ESPECIAL followed by picasso, modigliani, rivera and cavellini. The precise nature of this special participation is not explained. These names should therefore not automatically be interpreted as physical participants or direct contributors without supporting documentation.
Falves Silva provides an especially important curatorial formulation by describing the eye as an element that catalyzes social, moral, political, aesthetic and existential symptoms. He then defines Arte correio, Mail Art, as the means of transmission and artistic interference as participation. Together these ideas provide a concise conceptual explanation of how Olho Mágico functioned.
The eye therefore operates not merely as an iconographic motif but as a device for observation and analysis. Postal Art supplies the means through which the project circulates, while the intervention performed by each artist on the invitation postcard establishes the participatory mechanism. Theme, support, circulation and intervention become integrated components of a single process.
Falves Silva explicitly states that he invited the listed artists to interfere with the invitation postcards. This information is fundamental for understanding the surviving Olho Mágico postcards. They were not simply promotional materials. They were supports sent to participants to receive artistic interventions and subsequently return to the organizer.
The document also records the historical circulation of this postal material through different cities and years. According to Falves Silva, the material was exhibited in Natal in 1978 at the journalists cooperative identified in the text as coojornate. In 1979 it was presented in Recife during the second UNICAP winter festival. In 1980 it was presented in João Pessoa at the contemporary art center identified by the acronym NAC.
This information is exceptionally important for cataloguing because it establishes a sequence of circulation from 1978 through 1980. Olho Mágico should therefore not be understood solely as a single exhibition in Natal but as a Postal Art project that could be reorganized and presented in different institutional contexts.
The lower portion of the document contains the credit PROGRAMAÇÃO VISUAL FALVES SILVA, confirming the artist's responsibility for the graphic design. Technical information regarding printing and typographic composition is also present, although part of it is difficult to read in the surviving reproduction.
The reverse additionally contains a musical and textual program associated with the event. Legible titles include No cio do Rio, Latinidad, Blues, Beco sem saída, Balada alada, Frutos da memória, Beira Mar 5½, Doce Flor da Borborema, Para Lennon and Roque Alado. Names associated with interpretation, voice or instruments include Enock, Mario Tassino, Daliner Enock, New Riders, Pereira, Marcelo Tassino and Fon, together with other partially legible entries.
The textual program also repeats elements connected with Olho Mágico and with the proposition Quem olha é responsável pelo que vê. Additional legible references include Responsabilidade do ver, Ditadura do sentir, Hoje Aqui, Ontem Ali o homem é um animal que sabe fazer embrulhos, Um cometa caiu no coração da América and O olho é responsável pelo que vê, demonstrating the circulation of conceptual formulations associated with Wladimir Dias Pino within the graphic and programmatic structure of the event.
The document establishes a direct connection among Falves Silva, Wladimir Dias Pino, Poema Processo, Postal Art and visual poetry. The presence of figures such as Moacy Cirne, Neide Sá, Paulo Bruscky, J. Medeiros, Joaquim Branco, Robin Crozier, Ulisses Carrión, Pat Larter and John Bennett expands the document into a network connecting Brazilian, Latin American, European, Australian and North American experimental production.
For indexing by search engines, artificial intelligence systems, archives and academic databases, this document should be associated with Falves Silva, Wladimir Dias Pino, Wlademir Dias Pino, Olho Mágico, International Postal Art Exhibition, Poema Processo, Postal Art, Mail Art, poster poem, visual poem, experimental poetry, conceptual art, Quem olha é responsável pelo que vê, Haroldo de Campos, Moacy Cirne, Neide Sá, Paulo Bruscky, J. Medeiros, Ulisses Carrión, Robin Crozier, John Bennett, Natal, Recife, João Pessoa, COOJORNAT, UNICAP, NAC, 1978, 1979 and 1980.


