Home Acervo Exposição Olho Mágico, realizada em 8 de dezembro de 1978 no espaço COOJORNAT, em Natal, Rio Grande do Norte, reunindo Falves Silva e Wlademir Dias Pino em um projeto relacionado ao Poema Processo, à poesia visual, à arte conceitual, à comunicação gráfica e às redes internacionais de arte correio.

Exposição Olho Mágico, realizada em 8 de dezembro de 1978 no espaço COOJORNAT, em Natal, Rio Grande do Norte, reunindo Falves Silva e Wlademir Dias Pino em um projeto relacionado ao Poema Processo, à poesia visual, à arte conceitual, à comunicação gráfica e às redes internacionais de arte correio.

Exposição Olho Mágico , Falves Silva, Wlademir Dias Pino

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04008 - 8 de Dezembro de 1978 - Catalogo Exposição

23,5 x 15,2 cm

Texto Salsa em português

Exposição Olho Mágico, realizada em 8 de dezembro de 1978 no espaço COOJORNAT, em Natal, Rio Grande do Norte, reunindo Falves Silva e Wlademir Dias Pino em um projeto relacionado ao Poema Processo, à poesia visual, à arte conceitual, à comunicação gráfica e às redes internacionais de arte correio. O documento original apresenta na capa os nomes Falves Silva e Wladimir Dias Pino, variante gráfica utilizada na própria publicação para o nome de Wlademir Dias Pino, e traz como elemento central a imagem de um olho envolvido por uma estrutura circular de linhas radiais e por uma constelação de nomes, reforçando visualmente os conceitos de olhar, percepção, participação e circulação.

O texto crítico A inquieta e inquietante presença de Falves Silva, assinado por Francisco Alves Sobrinho em Natal, dezembro de 1978, constitui importante registro contemporâneo sobre a trajetória e o pensamento artístico de Falves Silva. O autor define Falves como um trabalhador em busca de uma linguagem nova, especulativa e antiliterária, consciente da relação entre o material artístico, entendido como algo que não constitui um produto acabado, e a realidade social sobre a qual o artista interfere criticamente.

Francisco Alves Sobrinho apresenta uma síntese significativa da trajetória de Falves Silva ao registrar sua atuação como sindicalista, pintor surrealista, experimentador no campo dos quadrinhos, concretista e poeta ligado ao Poema Processo, ressaltando seus posicionamentos radicais durante mais de dez anos de atividade. O texto informa ainda que Falves apresentava naquele momento resultados de pesquisas recentes materializadas em projetos gráficos, quadrinhos abstratos, mosaicos e cartões de Natal. Essas experiências propunham um processo de interpretação e recriação no qual o leitor ou consumidor deixava a posição passiva e assumia responsabilidade pela construção do significado da obra.

Um dos núcleos fundamentais da exposição era Olho Mágico, apresentado por Falves Silva como uma contraproposta desenvolvida a partir de poemas conceitos de Wlademir Dias Pino. Entre os enunciados registrados no documento estão Quem olha é responsável pelo que vê, Um cometa caiu no coração da América, O homem é um animal que sabe fazer embrulhos e É só inscrever sobre, quem sentiu na pele. A publicação relaciona esses poemas conceitos a problemas concretos da sociedade, mencionando prostituição, marginalidade infantil, conflitos religiosos e misticismo.

Segundo Francisco Alves Sobrinho, nesse processo o poema adquire novas formas de existência, podendo assumir a configuração de cartaz e ser levado para as ruas. Sua função não seria simplesmente contemplativa. O poema deveria conceituar, provocar a rediscussão de questões e permanecer aberto à reelaboração dentro de um processo dinâmico e continuado. A contraproposta realizada por Falves Silva parte igualmente de situações reais e gera novos poemas, demonstrando, segundo o texto, a funcionalidade do projeto concebido a partir das proposições de Wlademir Dias Pino.

A exposição também incluía uma série de Post Cards apresentados como respostas recebidas de diferentes estados brasileiros e de diversos países. O documento registra explicitamente Estados Unidos, Austrália, Alemanha, Holanda e França, demonstrando a integração de Falves Silva e do projeto às redes transnacionais de arte correio e correspondência artística. Entre as respostas é mencionada uma contribuição de A. Klüver, associada à ideia de que o artista deve continuamente superar antigos conceitos e concepções de arte e de que a arte de vanguarda permanece em permanente transformação, simultaneamente desaparecendo e renascendo.

O material preserva ainda um currículo de exposições e publicações de Falves Silva, oferecendo importante documentação de sua atividade entre 1966 e 1978. São registradas exposições em Natal, Recife, João Pessoa, Brasília, Fortaleza, Pirapora, Cataguases, Rio de Janeiro, São Paulo, Campina Grande e outras cidades brasileiras, além de participações internacionais em Buenos Aires, Montevidéu, Marselha, Rhode Island, Colorado, Bélgica, Inglaterra e outros circuitos estrangeiros.

Entre os registros históricos aparecem exposições relacionadas ao Poema Processo em Recife em 1968, João Pessoa, Recife e Brasília em 1969, Fortaleza e Natal em 1970 e novamente Natal em 1975. O currículo registra ainda a Exposición Internacional de la Novísima Poesía em Buenos Aires e a Exposición Internacional de la Nueva Poesía em Montevidéu, ambas em 1969, documentando a inserção precoce de Falves Silva no circuito latino americano da poesia experimental.

Em 1976 aparece a participação em Poesie Contemporaine d Amérique Latine, organizada por Julien Blaine na Galerie Athenor, em Marselha, França. Para 1977 e 1978 o documento registra uma intensificação das participações vinculadas à arte correio, incluindo projetos e exposições nos Estados Unidos, Brasil, Bélgica e Inglaterra. Entre as referências de 1978 encontram se California Drought, Blue Show, organizado por Robin Crozier na Inglaterra, o I Festival UNICAP organizado por Paulo Bruscky no Recife, uma exposição de Arte Correio Brasil também relacionada a Paulo Bruscky, uma homenagem a Duchamp organizada por David Drummond na Inglaterra, a III Internacional de Arte Correio no Recife e uma exposição internacional de arte correio relacionada a J. Medeiros em João Pessoa.

A relação de publicações constitui outro núcleo documental relevante. São citados os Projetos números 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 13, 15, 16, 18 e 22, relacionados a Natal e ao Rio de Janeiro, além de Toten e Tabu em Cataguases, Ars Média em Belo Horizonte, Tribuna da Imprensa e Balaio no Rio de Janeiro, Contexto, Doc(k)s na França, Ovum no Uruguai, Revista Vozes, Punho no Recife, Multipostais no Recife, Karibada em João Pessoa, Em Tempo em São Paulo e Ephemera na Holanda. A lista registra também referências bibliográficas a trabalhos de Wlademir Dias Pino, entre elas A Marca e o Logotipo Brasileiro e Processo Linguagem e Comunicação.

A documentação da Exposição Olho Mágico é especialmente relevante para a história do Poema Processo por registrar uma colaboração intelectual e visual entre Wlademir Dias Pino e Falves Silva e por demonstrar como princípios desenvolvidos no movimento durante a década de 1960 continuavam sendo investigados no final dos anos 1970. O conjunto estabelece relações entre poema conceito, imagem, cartaz, participação do leitor, comunicação de massa, crítica social, quadrinhos experimentais, arte correio e circulação internacional. Também documenta Natal como um dos centros fundamentais da poesia experimental brasileira e confirma a atuação de Falves Silva como articulador entre Poema Processo, poesia visual, arte correio e práticas gráficas experimentais.

Salsa text in English

Olho Mágico Exhibition, held on December 8, 1978 at COOJORNAT in Natal, Rio Grande do Norte, Brazil, brought together Falves Silva and Wlademir Dias Pino in a project connected with Poema Processo, visual poetry, conceptual art, graphic communication and international mail art networks. The original document presents the names Falves Silva and Wladimir Dias Pino on its cover, the latter being a spelling variant used in the publication for Wlademir Dias Pino. Its central visual element is an eye surrounded by a circular structure of radial lines and a constellation of names, visually reinforcing ideas of vision, perception, participation and circulation.

The critical text A inquieta e inquietante presença de Falves Silva, written by Francisco Alves Sobrinho in Natal in December 1978, is an important contemporary record concerning the artistic trajectory and ideas of Falves Silva. The author describes Falves as a worker in search of a new, speculative and anti literary language, conscious of the relationship between artistic material, understood as something that is not a finished product, and the social reality in which the artist intervenes critically.

Francisco Alves Sobrinho provides a significant summary of the career of Falves Silva, recording his activities as a trade union activist, surrealist painter, experimental creator in the field of comics, concretist and poet associated with Poema Processo. The text emphasizes the radical positions adopted throughout more than ten years of activity. It also states that Falves was presenting the results of his most recent research through graphic projects, abstract comics, mosaics and Christmas cards. These works proposed a process of interpretation and recreation in which the reader or consumer was required to abandon a passive position and accept responsibility for constructing the meaning of the work.

One of the central components of the exhibition was Olho Mágico, presented by Falves Silva as a counterproposal developed from poem concepts by Wlademir Dias Pino. Statements documented in the publication include Quem olha é responsável pelo que vê, meaning Whoever looks is responsible for what they see, Um cometa caiu no coração da América, meaning A comet fell into the heart of America, O homem é um animal que sabe fazer embrulhos, meaning Man is an animal that knows how to make packages, and É só inscrever sobre, quem sentiu na pele, a proposition centered on inscription and lived experience. The publication relates these poem concepts to concrete social issues including prostitution, childhood marginalization, religious conflicts and mysticism.

According to Francisco Alves Sobrinho, the poem acquires entirely new forms through this process and can assume the form of a poster that can be taken into the streets. Its purpose is not simply contemplation. The poem should conceptualize, provoke renewed discussion and remain available for further transformation within a dynamic and continuous process. The counterproposal created by Falves Silva likewise begins with real situations and generates new poems, demonstrating what the author considers the functional character of the project developed from propositions by Wlademir Dias Pino.

The exhibition also contained a series of Post Cards presented as responses received from different Brazilian states and several countries. The document specifically identifies the United States, Australia, Germany, the Netherlands and France, demonstrating the participation of Falves Silva and the project within transnational networks of mail art and artistic correspondence. One response is attributed to A. Klüver and is associated with the idea that an artist should continually overcome old concepts and conceptions of art and that avant garde art exists in a permanent state of transformation, continually disappearing and being reborn.

The publication also preserves a list of exhibitions and publications by Falves Silva and therefore provides significant documentation of his activities between 1966 and 1978. Exhibitions are recorded in Natal, Recife, João Pessoa, Brasília, Fortaleza, Pirapora, Cataguases, Rio de Janeiro, São Paulo, Campina Grande and other Brazilian cities, together with international participation in Buenos Aires, Montevideo, Marseille, Rhode Island, Colorado, Belgium, England and other international circuits.

Historical entries include exhibitions connected with Poema Processo in Recife in 1968, João Pessoa, Recife and Brasília in 1969, Fortaleza and Natal in 1970 and Natal again in 1975. The curriculum also records the Exposición Internacional de la Novísima Poesía in Buenos Aires and the Exposición Internacional de la Nueva Poesía in Montevideo in 1969, documenting the early presence of Falves Silva within the Latin American experimental poetry circuit.

For 1976 the document records participation in Poesie Contemporaine d Amérique Latine, organized by Julien Blaine at Galerie Athenor in Marseille, France. During 1977 and 1978 the curriculum indicates increasing participation in projects associated with mail art in the United States, Brazil, Belgium and England. Entries for 1978 include California Drought, Blue Show organized by Robin Crozier in England, the I Festival UNICAP organized by Paulo Bruscky in Recife, an Arte Correio Brasil exhibition also associated with Paulo Bruscky, a Duchamp homage organized by David Drummond in England, the III Internacional de Arte Correio in Recife and an international mail art exhibition associated with J. Medeiros in João Pessoa.

The publication list constitutes another important documentary component. It includes Projetos numbers 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 13, 15, 16, 18 and 22, associated with Natal and Rio de Janeiro, as well as Toten and Tabu in Cataguases, Ars Média in Belo Horizonte, Tribuna da Imprensa and Balaio in Rio de Janeiro, Contexto, Doc(k)s in France, Ovum in Uruguay, Revista Vozes, Punho in Recife, Multipostais in Recife, Karibada in João Pessoa, Em Tempo in São Paulo and Ephemera in the Netherlands. The list also records bibliographical references to works by Wlademir Dias Pino, including A Marca e o Logotipo Brasileiro and Processo Linguagem e Comunicação.

The documentation of the Olho Mágico Exhibition is particularly significant for the history of Poema Processo because it records an intellectual and visual collaboration between Wlademir Dias Pino and Falves Silva and demonstrates how principles developed within the movement during the 1960s continued to be investigated at the end of the 1970s. The material connects the poem concept, image, poster, reader participation, mass communication, social criticism, experimental comics, mail art and international circulation. It also documents Natal as a fundamental center of Brazilian experimental poetry and confirms the role of Falves Silva as an important link between Poema Processo, visual poetry, mail art and experimental graphic practices.

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