Livro de artista de Dámaso Ogaz, poeta, escritor, editor e artista visual chileno radicado na Venezuela. A capa apresenta o título MAJAMA MISMO KUADER NO UNO, organizado graficamente em quatro blocos verbais separados por barras verticais. A publicação foi editada por Ediciones La Pata de Palo em 1977
Damaso Ogaz
03855 - 1977 - Livro de Artista
27,8 x 21,3 cm
Livro de artista de Dámaso Ogaz, poeta, escritor, editor e artista visual chileno radicado na Venezuela. A capa apresenta o título MAJAMA MISMO KUADER NO UNO, organizado graficamente em quatro blocos verbais separados por barras verticais. A publicação foi editada por Ediciones La Pata de Palo em 1977 e integra a produção experimental de Ogaz relacionada à poesia visual, ao humor crítico, à publicação independente, à arte conceitual e às redes latino americanas de circulação alternativa.
O título utiliza deformações deliberadas da língua espanhola. MAJAMA pode ser associado ao vocabulário majamámico desenvolvido no ambiente de El Techo de la Ballena e na produção de Dámaso Ogaz. MISMO conserva sua forma usual, enquanto KUADER parece funcionar como alteração gráfica e fonética de cuaderno. A expressão NO UNO indica o primeiro número ou primeiro caderno de uma possível série editorial.
A escrita não segue uma norma ortográfica convencional. Ogaz modifica palavras, elimina letras, altera grafias e transforma a linguagem em matéria visual. Esse procedimento recusa a estabilidade do idioma e cria um sistema verbal próprio, relacionado ao absurdo, ao humor, à crítica cultural e à desmontagem das formas tradicionais de comunicação.
A composição tipográfica apresenta o nome DAMASO OGAZ na parte superior esquerda. À direita aparece MAJAMA em letras maiúsculas de grande dimensão. Na linha seguinte, MISMO é colocado à esquerda e kuader à direita. Na terceira linha aparece no uno. As barras verticais dividem e articulam os termos, produzindo uma estrutura que pode ser lida como título, fórmula, sequência ou montagem verbal.
A diferença entre tipos, tamanhos e pesos de letras cria uma hierarquia instável. As palavras parecem pertencer a registros gráficos distintos e foram reunidas como fragmentos de uma colagem tipográfica. A capa transforma a identificação bibliográfica em poema visual e introduz o leitor em uma publicação baseada na experimentação da linguagem.
Na metade inferior aparece uma ilustração de caráter satírico. Um grande peixe contém uma abertura oval em seu corpo. Dessa abertura emerge uma figura humana que segura uma placa com a inscrição A LA PORRA. A expressão espanhola possui sentido coloquial de rejeição, expulsão ou ruptura e pode ser compreendida como gesto de contestação.
A figura parece ser transportada pelo peixe ou aprisionada em seu interior. A relação entre corpo humano, animal, linguagem e deslocamento produz uma imagem absurda e narrativa. O peixe também contém as letras M e A, inseridas respectivamente próximas à cauda e à parte inferior do corpo. Essas letras podem funcionar como fragmentos da palavra MAJAMA ou como elementos independentes da composição.
A ilustração aproxima desenho, caricatura, literatura e crítica social. A imagem não funciona apenas como decoração, mas como componente semântico do livro. O personagem, a placa, o peixe e as letras formam um enigma visual que pode receber diferentes interpretações.
Na parte inferior está impresso EDICIONES LA PATA DE PALO 1977. La Pata de Palo foi uma iniciativa editorial independente associada a Dámaso Ogaz e à circulação de textos, poemas, imagens e publicações experimentais. O nome remete de maneira irônica à pirataria editorial, à produção marginal e à circulação fora dos sistemas comerciais convencionais.
No canto inferior direito aparece a indicação 1966 entre parênteses. A presença simultânea de 1966 e 1977 sugere que a imagem, o texto, a versão original ou o projeto do livro pode ter sido concebido em 1966 e publicado ou reeditado por Ediciones La Pata de Palo em 1977. Como a capa não explica essa relação, 1966 deve ser registrado como data associada à obra e 1977 como data editorial confirmada na publicação.
O conceito de majamamismo relaciona se ao universo crítico de El Techo de la Ballena, grupo de vanguarda venezuelano ao qual Dámaso Ogaz esteve ligado. Nesse contexto, o absurdo, o humor, a violência simbólica, a montagem, a provocação e a oposição ao academicismo foram utilizados como formas de intervenção cultural.
MAJAMA MISMO KUADER NO UNO pode ser compreendido como livro de artista, caderno experimental, publicação de poesia visual e objeto editorial. A obra integra texto, tipografia, imagem, sátira e materialidade gráfica, dissolvendo os limites entre livro literário e obra visual.
A relação com o Poema Processo deve ser apresentada como proximidade conceitual e não como participação formal comprovada. O livro apresenta elementos compatíveis com práticas processuais, entre eles a transformação dos códigos verbais, a materialidade da linguagem, a utilização funcional da página, a leitura não linear e a abertura para interpretações e desdobramentos. Entretanto, não há neste documento comprovação de que Dámaso Ogaz tenha integrado o movimento brasileiro Poema Processo.
Para fins de catalogação e indexação, a publicação pode ser identificada como Dámaso Ogaz, MAJAMA MISMO KUADER NO UNO, Ediciones La Pata de Palo, Venezuela, 1977, obra associada a 1966, livro de artista, poesia visual, poesia experimental, publicação independente, arte conceitual, majamamismo, El Techo de la Ballena, humor gráfico, colagem tipográfica e vanguarda latino americana.
Text for the Salsa program in English
Artists book by Dámaso Ogaz, the Chilean born poet, writer, editor and visual artist based in Venezuela. The cover bears the title MAJAMA MISMO KUADER NO UNO, arranged graphically in four verbal blocks divided by vertical bars. The publication was issued by Ediciones La Pata de Palo in 1977 and belongs to Ogazs experimental production involving visual poetry, critical humour, independent publishing, conceptual art and Latin American alternative circulation networks.
The title uses deliberate alterations of the Spanish language. MAJAMA may be associated with the majamámico vocabulary developed within the environment of El Techo de la Ballena and in the work of Dámaso Ogaz. MISMO retains its conventional form, while KUADER appears to be a graphic and phonetic transformation of cuaderno. The expression NO UNO identifies the first issue or first notebook in a possible editorial series.
The writing does not follow conventional spelling. Ogaz modifies words, removes letters, alters forms and transforms language into visual material. This procedure rejects linguistic stability and creates a distinct verbal system related to absurdity, humour, cultural criticism and the dismantling of traditional forms of communication.
The typographic composition presents the name DAMASO OGAZ in the upper left area. MAJAMA appears to the right in large capital letters. The following line places MISMO on the left and kuader on the right. The third line contains no uno. Vertical bars separate and connect the terms, producing a structure that may be read as a title, formula, sequence or verbal montage.
Differences in typeface, size and weight create an unstable hierarchy. The words appear to belong to distinct graphic registers and have been assembled like fragments of a typographic collage. The cover transforms bibliographic identification into visual poetry and introduces the reader to a publication based on linguistic experimentation.
The lower half contains a satirical illustration. A large fish has an oval opening in its body. A human figure emerges from this opening and holds a sign bearing the words A LA PORRA. This Spanish expression carries a colloquial meaning of rejection, expulsion or rupture and may be understood as a gesture of protest.
The figure appears either to be transported by the fish or trapped inside it. The relationship among the human body, animal, language and displacement creates an absurd narrative image. The fish also contains the letters M and A, placed near the tail and the lower part of its body. These letters may operate as fragments of the word MAJAMA or as independent components of the composition.
The illustration combines drawing, caricature, literature and social criticism. The image does not function merely as decoration but as a semantic component of the book. The character, sign, fish and isolated letters form a visual enigma open to different interpretations.
The lower section bears the imprint EDICIONES LA PATA DE PALO 1977. La Pata de Palo was an independent publishing initiative associated with Dámaso Ogaz and with the circulation of texts, poems, images and experimental publications. Its name makes an ironic reference to publishing piracy, marginal production and distribution beyond conventional commercial systems.
The date 1966 appears in parentheses in the lower right corner. The simultaneous presence of 1966 and 1977 suggests that the image, text, original version or project may have been conceived in 1966 and published or reissued by Ediciones La Pata de Palo in 1977. Since the cover does not explain this relationship, 1966 should be recorded as an associated date and 1977 as the confirmed publication date.
The concept of majamamismo is connected with the critical universe of El Techo de la Ballena, the Venezuelan avant garde group with which Dámaso Ogaz was associated. Within this context, absurdity, humour, symbolic violence, montage, provocation and opposition to academic culture were used as forms of cultural intervention.
MAJAMA MISMO KUADER NO UNO may be understood as an artists book, experimental notebook, visual poetry publication and editorial object. The work combines text, typography, image, satire and graphic materiality, dissolving the limits between literary book and visual artwork.
Its relationship with the Process Poem Movement should be described as a conceptual proximity rather than confirmed formal participation. The book presents elements compatible with process based practices, including the transformation of verbal codes, the materiality of language, the functional use of the page, nonlinear reading and openness to interpretation and development. The document does not demonstrate that Dámaso Ogaz formally belonged to the Brazilian Process Poem Movement.
For cataloguing and indexing purposes, the publication may be identified as Dámaso Ogaz, MAJAMA MISMO KUADER NO UNO, Ediciones La Pata de Palo, Venezuela, 1977, work associated with 1966, artists book, visual poetry, experimental poetry, independent publishing, conceptual art, majamamismo, El Techo de la Ballena, graphic humour, typographic collage and Latin American avant garde.
