Home Acervo Livro de artista e publicação de poesia experimental de Antonio Gómez, poeta visual e artista postal espanhol, publicado em Sevilha pela Arrayán Ediciones. A obra possui o título Todo lo que se hace queda hecho e integra a Colección Escritura 80.

Livro de artista e publicação de poesia experimental de Antonio Gómez, poeta visual e artista postal espanhol, publicado em Sevilha pela Arrayán Ediciones. A obra possui o título Todo lo que se hace queda hecho e integra a Colección Escritura 80.

Antonio Gomez - Espanha

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03835 - 1981 - Livro de Artista

7 x 10,4 cm

Livro de artista e publicação de poesia experimental de Antonio Gómez, poeta visual e artista postal espanhol, publicado em Sevilha pela Arrayán Ediciones. A obra possui o título Todo lo que se hace queda hecho e integra a Colección Escritura 80. As fontes institucionais consultadas registram sua publicação em 1981, embora outro depoimento relacionado à história do projeto mencione uma edição posterior em 1984. O exemplar deve ser catalogado inicialmente com a data de 1981, preservando a divergência bibliográfica até que o colofão completo seja examinado.

A publicação foi concebida graficamente pelo próprio Antonio Gómez. A informação diseño y portada del autor confirma que o artista foi responsável pelo desenho e pela capa. A impressão editorial identifica Arrayán Ediciones, apartado postal 30, Sevilha, Espanha. A presença de uma referência à Colección Escritura 80 situa o trabalho em um programa editorial voltado à experimentação com escrita, página, tipografia e material impresso.

A capa utiliza como base uma tabela de conjugação do verbo espanhol hacer. Sobre as formas verbais aparecem o título Todo lo que se hace queda hecho e o nome Antonio Gómez. A expressão principal ocupa a página em letras grandes e escuras, interferindo diretamente sobre o conteúdo gramatical preexistente.

A escolha do verbo hacer estabelece o núcleo conceitual da obra. Em espanhol, hacer pode significar fazer, produzir, construir, realizar ou causar. A conjugação apresenta as diversas possibilidades temporais e pessoais da ação, enquanto o título afirma que tudo aquilo que se faz permanece feito. A publicação transforma uma estrutura didática destinada ao ensino da língua em reflexão sobre ação, consequência, memória e permanência.

O verbo aparece em formas simples e compostas, incluindo construções relacionadas ao presente, passado, futuro, possibilidade, ordem e desejo. Ao sobrepor o título a essa variedade temporal, Antonio Gómez aproxima gramática e existência. O que foi realizado pertence ao passado, mas seus efeitos permanecem no presente e podem interferir no futuro.

A palavra hecho possui dupla função. Ela corresponde ao particípio do verbo hacer e também pode significar fato, acontecimento ou realidade consumada. O título produz, portanto, uma relação entre aquilo que foi feito e aquilo que se converteu em fato. A ação deixa uma marca e passa a integrar a história do indivíduo, do objeto ou da sociedade.

O livro utiliza a apropriação de materiais impressos como procedimento artístico. A tabela gramatical não é reproduzida apenas como ilustração. Ela constitui parte estrutural do poema e fornece ao leitor as palavras, os tempos e as relações necessárias para compreender a proposição central.

Uma das páginas reproduzidas apresenta um cartão postal enviado da Alemanha para Antonio Gómez quando o artista estava vinculado a um endereço em Cuenca, Espanha. O cartão possui um grande algarismo zero, selo postal alemão, carimbo de 26 de março de 1976 e mensagem de campanha postal em língua alemã. A incorporação desse documento aproxima o livro de artista da arte postal e da preservação de correspondências recebidas.

A presença do zero pode sugerir origem, vazio, ausência, reinício, neutralidade ou contagem. O documento não determina uma interpretação única. Seu significado surge da relação entre imagem, circulação postal, destinatário e inclusão posterior no livro.

A utilização de um cartão efetivamente enviado demonstra que a obra se relaciona com a rede internacional de arte postal frequentada por Antonio Gómez desde a década de 1970. Correspondências, cartões e materiais recebidos podiam deixar de funcionar apenas como mensagens privadas e passar a integrar arquivos, publicações, exposições e novas obras.

O texto de Pablo del Barco incluído na publicação amplia a reflexão sobre fazer, escrever e deixar marcas. Três frases iniciais são organizadas pelas letras H, E e C. Essa construção conduz visualmente à palavra hecho e utiliza a estrutura verbal como procedimento de poesia experimental.

O texto de Pablo del Barco afirma que o realizado permanece e relaciona a história de Antonio Gómez às cartas enviadas, recebidas, supostas ou permitidas. Também apresenta a escrita como gesto que percorre o universo. A palavra feito é tratada simultaneamente como ação concluída, fato histórico e vestígio preservado pela circulação postal.

As páginas formam uma sequência em que linguagem gramatical, proposição conceitual, documento postal e comentário crítico se complementam. O livro não se limita a reunir poemas independentes. Sua estrutura constrói uma investigação sobre a ação humana, a responsabilidade pelo que se produz e a capacidade dos documentos de preservar gestos depois de sua realização.

Todo lo que se hace queda hecho relaciona poesia visual, arte conceitual, livro de artista, apropriação, tipografia, arquivo e arte postal. A página funciona como campo visual, mas também como espaço de raciocínio. O leitor precisa observar a disposição gráfica, reconhecer as formas verbais e reconstruir as relações entre texto, imagem e documento.

A economia dos elementos reforça a força da proposição. Uma frase cotidiana transforma se em princípio poético e ético. Todo gesto deixa uma consequência, toda correspondência cria uma relação e toda obra passa a integrar uma memória material.

A publicação pertence ao período inicial de consolidação da produção experimental de Antonio Gómez. Em 1981, o artista também organizou em Mérida a exposição coletiva Lo experimental en lo poético, apresentada na Sala Alcandoria. Esse contexto demonstra sua atuação simultânea como poeta, artista, editor e articulador de redes dedicadas à poesia visual e à experimentação editorial.

Fontes dedicadas à trajetória de Antonio Gómez incluem Todo lo que se hace queda hecho entre seus livros representativos e identificam a publicação como obra experimental lançada pela Arrayán Ediciones em Sevilha.

A presença do exemplar no acervo relacionado a J. Medeiros documenta a circulação da publicação entre a Espanha e o Brasil. Essa proveniência aproxima a produção de Antonio Gómez do ambiente da poesia visual, da arte postal e das práticas experimentais desenvolvidas em Natal, Rio Grande do Norte.

Não foi localizada evidência de que Antonio Gómez tenha pertencido formalmente ao movimento Poema Processo. A relação ocorre pela afinidade entre suas investigações com palavra, imagem, objeto, participação e circulação postal e pelas conexões documentais com artistas e agentes culturais brasileiros. O livro constitui uma fonte relevante para compreender esse campo internacional compartilhado.

TEXT FOR THE SALSA PROGRAM IN ENGLISH

Artists book and experimental poetry publication by Antonio Gómez, a Spanish visual poet and mail artist, published in Seville by Arrayán Ediciones. The work is titled Todo lo que se hace queda hecho and forms part of Colección Escritura 80. Institutional sources record its publication in 1981, although another account concerning the history of the project mentions a later edition in 1984. The example should initially be catalogued with the date 1981, while the bibliographical divergence should be preserved until the complete colophon can be examined.

The publication was graphically conceived by Antonio Gómez himself. The statement diseño y portada del autor confirms that the artist was responsible for the design and cover. The editorial information identifies Arrayán Ediciones at Post Office Box 30 in Seville, Spain. Its inclusion in Colección Escritura 80 places the work within an editorial program concerned with experimentation involving writing, the page, typography and printed material.

The cover uses a Spanish conjugation table for the verb hacer as its underlying structure. The title Todo lo que se hace queda hecho and the name Antonio Gómez are superimposed on the verbal forms. The principal sentence occupies the page in large dark letters and directly interferes with the existing grammatical content.

The selection of the verb hacer establishes the conceptual center of the work. In Spanish, hacer can mean to make, produce, construct, perform or cause. The conjugation presents numerous personal and temporal possibilities of action, while the title states that everything done remains done. The publication transforms an educational language chart into a reflection on action, consequence, memory and permanence.

The verb appears in simple and compound forms related to the present, past, future, possibility, command and desire. By placing the title over this temporal variety, Antonio Gómez brings grammar into contact with existence. What has been performed belongs to the past, but its effects remain in the present and may influence the future.

The Spanish word hecho performs a double function. It is the past participle of hacer and may also mean fact, event or accomplished reality. The title therefore connects what has been done with what has become a fact. An action leaves a mark and enters the history of an individual, object or society.

The book uses the appropriation of printed material as an artistic procedure. The grammatical table does not function merely as an illustration. It becomes a structural component of the poem and provides the reader with the words, temporal forms and relationships necessary to understand the central proposition.

One of the reproduced pages contains a postcard mailed from Germany to Antonio Gómez when the artist was connected with an address in Cuenca, Spain. The card bears a large numeral zero, German postage, a cancellation dated 26 March 1976 and a German postal campaign message. The incorporation of this document connects the artists book with mail art and the preservation of received correspondence.

The zero may suggest origin, emptiness, absence, renewal, neutrality or counting. The document does not establish a single interpretation. Its meaning emerges from the relationship among image, postal circulation, recipient and subsequent inclusion in the book.

The use of an actually circulated postcard demonstrates the relationship between the publication and the international mail art network in which Antonio Gómez participated from the 1970s onward. Correspondence, postcards and received material could cease to function only as private messages and become part of archives, publications, exhibitions and new artworks.

A text by Pablo del Barco included in the publication expands the reflection on making, writing and leaving traces. Three opening sentences are organized around the letters H, E and C. This construction visually leads toward the word hecho and uses verbal structure as a procedure of experimental poetry.

Pablo del Barco states that what has been done remains and connects the history of Antonio Gómez with cards sent, received, supposed or permitted. He also presents writing as a gesture that travels around the universe. The idea of the completed act is treated simultaneously as concluded action, historical fact and trace preserved by postal circulation.

The pages create a sequence in which grammatical language, conceptual proposition, postal document and critical commentary complement one another. The book does not merely assemble independent poems. Its structure constructs an investigation into human action, responsibility for what is produced and the ability of documents to preserve gestures after their completion.

Todo lo que se hace queda hecho connects visual poetry, conceptual art, artists books, appropriation, typography, archives and mail art. The page functions as a visual field and as a space of reasoning. Readers must observe the graphic arrangement, recognize the verbal forms and reconstruct the relationships among text, image and document.

The economy of elements strengthens the proposition. An ordinary sentence becomes a poetic and ethical principle. Every gesture leaves a consequence, every correspondence creates a relationship and every artwork enters material memory.

The publication belongs to the early period in which Antonio Gómez consolidated his experimental practice. In 1981, he also organized the group exhibition Lo experimental en lo poético at Sala Alcandoria in Mérida. This context demonstrates his simultaneous activity as poet, artist, editor and organizer of networks dedicated to visual poetry and experimental publishing.

Sources devoted to Antonio Gómez identify Todo lo que se hace queda hecho as one of his representative books and record it as an experimental publication issued by Arrayán Ediciones in Seville.

The presence of this example in the archive associated with J. Medeiros documents the circulation of the publication between Spain and Brazil. This provenance connects the work of Antonio Gómez with the environment of visual poetry, mail art and experimental practice in Natal, Rio Grande do Norte.

No evidence was located indicating that Antonio Gómez formally belonged to the Process Poem Movement. The connection developed through affinities involving word, image, object, participation and postal circulation and through documentary relationships with Brazilian artists and cultural agents. The book is an important source for understanding this shared international field.

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