Home Acervo Cabaret Voltaire No 3, The Drawing Completion Test, publicação experimental de Mail Art editada por Steve Hitchcock em San Diego, Califórnia, Estados Unidos, na primavera de 1978. O exemplar apresentado pertence a uma edição de 250 exemplares e está numerado manualmente como número 20.

Cabaret Voltaire No 3, The Drawing Completion Test, publicação experimental de Mail Art editada por Steve Hitchcock em San Diego, Califórnia, Estados Unidos, na primavera de 1978. O exemplar apresentado pertence a uma edição de 250 exemplares e está numerado manualmente como número 20.

Cabaret Voltaire - Steve Hitchcock - California USA

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03806 - Spring 1978 - Livro de Artista

14 x 10 cm

Cabaret Voltaire No 3, The Drawing Completion Test, publicação experimental de Mail Art editada por Steve Hitchcock em San Diego, Califórnia, Estados Unidos, na primavera de 1978. O exemplar apresentado pertence a uma edição de 250 exemplares e está numerado manualmente como número 20. A publicação constitui um dos projetos mais importantes do Cabaret Voltaire e documenta uma ampla rede internacional de artistas ligados à arte postal, poesia visual, arte conceitual, Neo Dada, Fluxus e práticas experimentais de colaboração por correspondência.

A capa apresenta o título manuscrito Cabaret Voltaire No 3 e a identificação The Drawing Completion Test. À esquerda aparece a informação Edition of 250 e, abaixo, o número 20 escrito manualmente em vermelho, indicando este exemplar específico dentro da tiragem. À direita aparece Spring 1978. Na parte inferior encontra se o endereço editorial CABARET VOLTAIRE, 6266 Madeline Street, Apt. 97, San Diego, California 92115.

No centro da capa aparece uma matriz dividida em doze campos contendo formas gráficas mínimas e incompletas. Sobre a matriz encontra se a palavra COMPLETED em grande carimbo diagonal. O próprio título esclarece o princípio da publicação. The Drawing Completion Test era um teste de completar desenhos transformado por Steve Hitchcock em projeto coletivo de Mail Art.

A página interna reproduz a matriz original utilizada no projeto. Ela contém doze campos com pequenos traços, linhas, ângulos, curvas e formas incompletas. A instrução impressa solicita ao participante que utilize um lápis para desenvolver essas figuras simples da maneira que desejar e, depois de terminar, prossiga para outra página da publicação. A estrutura do teste oferece apenas um estímulo mínimo e transfere ao participante a responsabilidade pela conclusão visual.

Essa dinâmica estabelece uma das características fundamentais da obra. O desenho inicial não é apresentado como criação acabada. Ele funciona como dispositivo, instrução e gatilho para múltiplas respostas. Cada participante recebe exatamente ou aproximadamente a mesma estrutura gráfica, mas produz uma solução diferente. A autoria deixa assim de residir apenas no editor ou no criador da matriz e passa a existir na relação entre proposta, resposta individual e publicação coletiva.

Documentação institucional da Ohio State University confirma Cabaret Voltaire No 3 como publicação de 1978 editada por Steve Hitchcock e baseada no conceito de The Drawing Completion Test. O arquivo de John M. Bennett registra que cada colaborador completava uma grade inicialmente incompleta e que os resultados eram reunidos na publicação.

Fontes especializadas registram a edição na primavera de 1978 e confirmam uma tiragem de 250 exemplares. Uma resenha publicada no período informa que Cabaret Voltaire 3 havia sido lançado em edição de 250 exemplares utilizando The Drawing Completion Test como contribuição de numerosos artistas.

A edição conservada pelo Lomholt Mail Art Archive é datada de abril de 1978 e descrita como material impresso em formato de aproximadamente 14 por 11 centímetros, com 104 páginas. O arquivo apresenta uma extensa relação de participantes da rede internacional de arte postal incorporados à publicação.

Entre os participantes documentados estão Anna Banana, John M. Bennett, Paulo Bruscky, Paul Carter, Ulises Carrión, Guglielmo Achille Cavellini, Robin Crozier, Leonhard Frank Duch, Steve Durland, Frank Ferguson, Pat Fish, Cees Francke, Ken Friedman, Bill Gaglione, Klaus Groh, Steven Hitchcock, Ray Johnson, J. Medeiros, Clemente Padín, Michele Perfetti, Pawel Petasz, Robert Rehfeldt, Falves Silva, Al Souza, Chuck Stake, Miroljub Todorovi

, Endre Tót, Edgardo Antonio Vigo, Ruth Wolf Rehfeldt e Horacio Zabala, entre muitos outros.

A presença de J. Medeiros e Falves Silva é especialmente relevante para a história da arte experimental brasileira e do circuito de Natal, Rio Grande do Norte. Ambos aparecem documentados entre os participantes de The Drawing Completion Test, demonstrando que suas relações com Steve Hitchcock e Cabaret Voltaire ultrapassavam a simples troca ocasional de cartões. Eles participaram de um projeto editorial internacional coletivo ao lado de importantes artistas da Mail Art da Europa, América do Norte e América Latina.

Esse dado ganha ainda maior importância quando relacionado às correspondências preservadas entre Steve Hitchcock e J. Medeiros em 1977 e 1978. Em agosto de 1977 Hitchcock havia solicitado a J. Medeiros que completasse e devolvesse um teste para futura publicação. O exemplar de Cabaret Voltaire No 3 permite identificar o resultado editorial dessa proposta. A correspondência inicial, o teste enviado aos artistas, as respostas devolvidas e a edição publicada constituem diferentes etapas de um mesmo processo colaborativo.

The Drawing Completion Test funciona assim como obra processual. O percurso é tão importante quanto o resultado impresso. Primeiro existe a matriz incompleta. Depois ocorre a distribuição postal. Em seguida cada artista intervém individualmente. As respostas retornam a San Diego. Finalmente Hitchcock reúne e reproduz as diferentes soluções no terceiro número de Cabaret Voltaire.

Essa estrutura aproxima a publicação de práticas participativas, conceituais e processuais desenvolvidas internacionalmente durante as décadas de 1960 e 1970. A obra não depende de uma estética uniforme. Seu elemento comum é a regra inicial. A diferença produzida por cada participante torna se o verdadeiro conteúdo do projeto.

A transformação de um teste psicológico ou gráfico em dispositivo artístico também introduz uma reflexão sobre criatividade e interpretação. Formas aparentemente neutras são submetidas à imaginação individual. A mesma linha pode converter se em figura, letra, signo, paisagem, corpo, objeto ou composição abstrata dependendo do participante.

A publicação questiona ainda a distinção entre original e reprodução. Cada desenho respondido possuía uma dimensão individual, mas a publicação os transformava em material impresso reproduzido em uma edição de 250 exemplares. Assim, gesto único e reprodução múltipla coexistem dentro do mesmo projeto.

Cabaret Voltaire No 3 pertence à sequência editorial desenvolvida por Steve Hitchcock em San Diego. Fontes bibliográficas especializadas registram Cabaret Voltaire como revista com materiais de Neo Dada e Mail Art, em pequeno formato, com aproximadamente cem páginas por edição. Os números temáticos conhecidos incluem No 2 Mistakes and Errata, No 3 The Drawing Completion Test, No 4 New Music Internationale e No 5 Decadence.

O próprio nome Cabaret Voltaire estabelecia uma referência histórica ao espaço de Zurique associado ao nascimento do Dada em 1916. Entretanto, a iniciativa de Hitchcock não pretendia simplesmente reproduzir o Dada histórico. Ela reelaborava sua atitude experimental dentro da cultura postal, xerográfica e editorial independente dos anos 1970.

Estudos sobre a história das publicações alternativas destacam The Drawing Completion Test como exemplo significativo da criatividade editorial da Mail Art. O projeto é descrito como envio de um desenho constituído por poucos traços incompletos a vários artistas, acompanhado de instruções para completar a imagem. O número posterior reunia as respostas recebidas, identificadas com os nomes e endereços postais dos participantes.

Essa presença dos endereços postais tinha função fundamental. A publicação não atuava apenas como catálogo de resultados. Ela possibilitava que os participantes entrassem em contato uns com os outros, expandindo continuamente a rede. O livro tornava se simultaneamente obra coletiva, arquivo de respostas e diretório internacional de artistas.

O exemplar número 20 da edição de 250 possui por isso valor documental específico. Ele conserva fisicamente a materialidade de uma publicação produzida em pequena tiragem dentro de uma rede descentralizada e demonstra como práticas artísticas podiam circular internacionalmente sem depender dos grandes sistemas institucionais de museus, galerias ou editoras comerciais.

A participação de J. Medeiros, Falves Silva, Paulo Bruscky e Leonhard Frank Duch permite ainda situar o Brasil dentro dessa cartografia. Artistas brasileiros não aparecem como observadores periféricos, mas como participantes efetivos de um projeto coletivo internacional publicado nos Estados Unidos.

É importante distinguir essa relação do Poema Processo. Steve Hitchcock e Cabaret Voltaire não foram integrantes do movimento brasileiro. Entretanto, alguns participantes brasileiros de The Drawing Completion Test haviam atuado em contextos relacionados ao Poema Processo, poesia visual e arte experimental. A publicação demonstra portanto intersecções entre diferentes redes de vanguarda e permite investigar como ideias de participação, processo, visualidade e comunicação circularam internacionalmente.

Cabaret Voltaire No 3, The Drawing Completion Test, Spring 1978, edição de 250 exemplares, exemplar número 20, constitui assim documento importante para pesquisas sobre Steve Hitchcock, Cabaret Voltaire, Cabvolt, Mail Art, correspondence art, Neo Dada, poesia visual, arte conceitual, publicações de artista, xerografia, participação, arte processual, J. Medeiros, Falves Silva, Paulo Bruscky, Leonhard Frank Duch e as conexões entre redes experimentais brasileiras e internacionais durante a década de 1970.

ENGLISH

Text for the Salsa program

Cabaret Voltaire No 3, The Drawing Completion Test, an experimental Mail Art publication edited by Steve Hitchcock in San Diego, California, United States, in Spring 1978. The surviving copy belongs to a declared edition of 250 and is manually numbered 20. The publication is one of the most significant projects produced by Cabaret Voltaire and documents a broad international network of artists associated with Mail Art, visual poetry, conceptual art, Neo Dada, Fluxus and experimental correspondence based practices.

The cover bears the handwritten identification Cabaret Voltaire No 3 and the title The Drawing Completion Test. On the left appears Edition of 250 with the individual copy number 20 added manually in red. On the right appears Spring 1978. The lower portion identifies CABARET VOLTAIRE, 6266 Madeline Street, Apt. 97, San Diego, California 92115.

At the center of the cover is a matrix divided into twelve compartments containing minimal unfinished graphic forms. The large diagonal stamp COMPLETED is superimposed across the matrix. The title directly explains the conceptual structure of the publication. The Drawing Completion Test transformed a drawing completion exercise into a collective Mail Art project organized by Steve Hitchcock.

An internal page reproduces the original matrix distributed through the project. It contains twelve compartments with small lines, angles, curves and incomplete shapes. The printed instruction asks participants to use a pencil to elaborate on these simple figures in any way they wish and then continue to another page after finishing. The structure offers only a minimal stimulus and transfers the actual visual completion to each participant.

This procedure establishes one of the fundamental characteristics of the project. The initial drawing is not presented as a finished artwork. It functions as a device, instruction and trigger for multiple responses. Each participant receives the same or approximately the same graphic structure but produces a different solution. Authorship therefore emerges through the relationship among the initial proposition, the individual response and the collective publication.

Institutional documentation at The Ohio State University confirms Cabaret Voltaire No 3 as a 1978 publication edited by Steve Hitchcock and based on the concept of The Drawing Completion Test. The John M. Bennett archive describes the project as one in which each contributor completed an initially blank or incomplete grid and the resulting responses were gathered in the issue.

Contemporary documentation also confirms that Cabaret Voltaire 3 was issued in an edition of 250 copies and used The Drawing Completion Test as the basis for contributions from participating artists.

The copy documented by the Lomholt Mail Art Archive is dated April 1978 and described as printed matter measuring approximately 14 by 11 centimeters with 104 pages. The archive records an extensive international group of participants.

Documented contributors include Anna Banana, John M. Bennett, Paulo Bruscky, Paul Carter, Ulises Carrión, Guglielmo Achille Cavellini, Robin Crozier, Leonhard Frank Duch, Steve Durland, Frank Ferguson, Pat Fish, Cees Francke, Ken Friedman, Bill Gaglione, Klaus Groh, Steven Hitchcock, Ray Johnson, J. Medeiros, Clemente Padín, Michele Perfetti, Pawel Petasz, Robert Rehfeldt, Falves Silva, Al Souza, Chuck Stake, Miroljub Todorovi

, Endre Tót, Edgardo Antonio Vigo, Ruth Wolf Rehfeldt and Horacio Zabala among many others.

The documented participation of J. Medeiros and Falves Silva is especially important for the history of Brazilian experimental art and the artistic network of Natal, Rio Grande do Norte. Their inclusion demonstrates that their relationship with Steve Hitchcock and Cabaret Voltaire extended beyond occasional correspondence. Both participated in an international editorial project together with important Mail Art figures from Europe, North America and Latin America.

This information becomes even more significant when considered together with surviving correspondence between Steve Hitchcock and J. Medeiros from 1977 and 1978. In August 1977 Hitchcock had asked J. Medeiros to complete and return a test intended for later publication. Cabaret Voltaire No 3 identifies the editorial result of that process. The initial correspondence, the test mailed to artists, the completed responses and the published issue represent successive stages of the same collaborative project.

The Drawing Completion Test therefore functions as process based art. The path of the work is as important as the printed result. First there is an incomplete matrix. It is then distributed through the postal system. Individual artists intervene on it. Their responses travel back to San Diego. Finally Hitchcock gathers and reproduces the different solutions in the third issue of Cabaret Voltaire.

This structure connects the publication with participatory, conceptual and process based practices developed internationally during the 1960s and 1970s. The project does not depend on a uniform aesthetic. Its shared element is the original rule. The differences generated by each participant become the actual content of the work.

Transforming a psychological or graphic completion test into an artistic device also creates a reflection on creativity and interpretation. Apparently neutral shapes are submitted to individual imagination. The same line may become a figure, letter, sign, landscape, body, object or abstract composition depending on the participant.

The publication also challenges distinctions between original and reproduction. Each completed drawing possessed an individual dimension, yet the publication transformed those responses into printed material reproduced across an edition of 250 copies. Unique gesture and multiple reproduction therefore coexist within the same project.

Cabaret Voltaire No 3 belongs to the editorial sequence developed by Steve Hitchcock in San Diego. Specialized bibliographic sources describe Cabaret Voltaire as a small format magazine containing Neo Dada and Mail Art material, generally approximately one hundred pages per issue. Documented thematic numbers include No 2 Mistakes and Errata, No 3 The Drawing Completion Test, No 4 New Music Internationale and No 5 Decadence.

The name Cabaret Voltaire deliberately referenced the historical Zurich venue associated with the emergence of Dada in 1916. Hitchcock's publication, however, did not merely reproduce historical Dada. It reactivated an experimental attitude within the postal, Xerox and independent publishing culture of the late 1970s.

Studies of alternative publishing history identify The Drawing Completion Test as a notable example of the editorial creativity of Mail Art. The project is described as the distribution of an image containing only a small number of unfinished lines to multiple Mail artists with instructions inviting them to complete the drawing. The subsequent publication gathered the returned responses together with the artists identities and postal addresses.

The inclusion of postal addresses had an important network function. The publication was not simply a catalogue of finished responses. It allowed participants to establish new correspondence with one another and thus contributed directly to the continuing expansion of the Mail Art network. The book operated simultaneously as collective artwork, archive of responses and international directory of artists.

Copy number 20 from the edition of 250 therefore possesses specific documentary significance. It preserves the physical character of a small edition publication produced within a decentralized network and demonstrates how artistic practices could circulate internationally without depending on established museums, commercial galleries or conventional publishing structures.

The participation of J. Medeiros, Falves Silva, Paulo Bruscky and Leonhard Frank Duch also places Brazil directly within this international cartography. Brazilian artists appear not as peripheral observers but as active contributors to a collective project edited and published in the United States.

This relationship should be distinguished from formal membership in the Brazilian Process Poem Movement. Steve Hitchcock and Cabaret Voltaire were not members of that movement. Several Brazilian participants, however, were connected with Process Poem, visual poetry and other experimental practices. The publication therefore documents intersections among distinct avant garde networks and provides evidence of the international circulation of ideas involving participation, process, visuality and communication.

Cabaret Voltaire No 3, The Drawing Completion Test, Spring 1978, edition of 250, copy number 20, is therefore an important document for research concerning Steve Hitchcock, Cabaret Voltaire, Cabvolt, Mail Art, correspondence art, Neo Dada, visual poetry, conceptual art, artists publications, Xerox culture, participation, process art, J. Medeiros, Falves Silva, Paulo Bruscky, Leonhard Frank Duch and the connections between Brazilian and international experimental networks during the 1970s.

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