Home Acervo Publicação periódica experimental de 1980 vinculada ao ambiente editorial e à rede internacional de Mail Art de John M. Bennett, poeta, poeta visual, editor e artista postal norte americano radicado em Columbus, Ohio.

Publicação periódica experimental de 1980 vinculada ao ambiente editorial e à rede internacional de Mail Art de John M. Bennett, poeta, poeta visual, editor e artista postal norte americano radicado em Columbus, Ohio.

John M. Bennett - USA

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03784 - 1980s - Publicação conceitual

14,5 x 10,8 cm

Publicação periódica experimental de 1980 vinculada ao ambiente editorial e à rede internacional de Mail Art de John M. Bennett, poeta, poeta visual, editor e artista postal norte americano radicado em Columbus, Ohio. As páginas apresentadas integram um contexto de circulação independente característico das pequenas revistas, publicações de montagem, poesia visual e arte postal do final da década de 1970 e início da década de 1980. Segundo as informações associadas ao exemplar, esta edição reúne colaborações de John M. Bennett, Richard Kostelanetz, Rich Parker, Hammond, Weiss, Lifshin, Chen, Hoppmans e outros participantes ligados à poesia experimental e à Mail Art. O título exato do periódico não aparece nas duas páginas reproduzidas e, portanto, não deve ser atribuído sem documentação adicional.

A primeira página apresenta um retrato gráfico frontal executado com linhas negras simples e identificado com a assinatura Hammond. A figura ocupa quase toda a página e utiliza uma economia de meios próxima do desenho linear, da ilustração independente e da poesia visual. Abaixo da imagem aparece a frase Flourish a banner bearing the word engagement, seguida da atribuição a Robert S. de Ropp. A combinação entre retrato, frase textual e disposição tipográfica transforma a página em uma composição híbrida na qual imagem, citação e impressão gráfica possuem pesos equivalentes.

Robert S. de Ropp, mencionado nessa página, foi um autor conhecido por escritos relacionados à consciência, comportamento humano e experiências culturais alternativas. Sua presença textual em uma publicação desse ambiente não implica participação direta na edição. O que a página comprova é a incorporação de uma frase atribuída a ele dentro de uma composição visual assinada por Hammond. Essa distinção é importante para a catalogação museológica, pois evita transformar uma referência textual em autoria ou colaboração editorial não comprovada.

A segunda página apresenta um poema manuscrito em inglês, assinado Bullet. O texto utiliza caligrafia cursiva, rasuras, alterações e distribuição irregular das linhas, preservando a materialidade da escrita manual. Entre os elementos legíveis aparecem imagens relacionadas a fogo, ferro, aço, vento, espinhos, prisão, dor, direitos e liberdade. A linguagem associa violência física e repressão a uma imagem sonora construída em torno do arame cortante.

Na parte inferior dessa página aparece uma explicação manuscrita sobre Razor Wire. O texto informa que o chamado arame cortante ou arame farpado de aço inoxidável é utilizado em perímetros de instalações militares, zoológicos e prisões. Quando esticado em longas extensões, o material produz um som particular quando o vento passa por ele. Esse fenômeno é denominado no texto Song of the Razor Wire e é apresentado como a música destinada à peça. O documento aproxima poesia, descrição conceitual, ambiente sonoro e crítica aos dispositivos de confinamento.

A associação entre Razor Wire, prisão, instalações militares e wind of freedom cria uma tensão conceitual particularmente significativa. O mesmo material utilizado para restringir movimento torna se instrumento sonoro quando atravessado pelo vento. A página converte um elemento de controle físico em matéria poética e acústica. Trata se de procedimento próximo das práticas intermedia e da poesia experimental, nas quais som, objeto, linguagem escrita e significado político podem ser articulados em uma única proposição.

A materialidade das duas folhas revela características próprias das publicações experimentais de pequena circulação do período. A reprodução em preto e branco, o emprego de desenhos e textos manuscritos, a ausência de acabamento editorial convencional e a convivência entre autores e linguagens diferentes correspondem à estética das small presses e das redes postais. Nessas publicações, a página frequentemente funciona como espaço autônomo oferecido a cada colaborador.

John M. Bennett ocupa posição importante nesse contexto. Desde os anos 1970 desenvolveu uma produção que combina poesia verbal, poesia visual, poesia sonora, performance, desenho, carimbos, colagem, filme, áudio e Mail Art. A Ohio State University registra sua atuação em diferentes meios e sua colaboração com escritores e artistas de numerosos países. A mesma instituição preserva um dos conjuntos documentais fundamentais para o estudo de sua produção e das redes alternativas de poesia e arte postal.

Em 1974 Bennett criou Luna Bisonte Prods e, em 1975, iniciou Lost and Found Times. Essa publicação surgiu inicialmente como uma ação ligada a Fluxus e Mail Art, concebida por Bennett e Douglas Landies. Os primeiros números utilizavam falsos anúncios de achados e perdidos distribuídos pelo correio e colocados em automóveis. Posteriormente, Lost and Found Times desenvolveu se como revista internacional de literatura experimental, arte visual e materiais difíceis de classificar, permanecendo ativa até 2005.

A documentação de 1980 preservada pela Ohio State University demonstra a intensidade da produção editorial de Bennett naquele ano. Lost and Found Times número 8, publicado em fevereiro de 1980 com o título especial Bore Shoot, reuniu Bennett, C. Mehrl, Al Ackerman, Peter Frank, Karl Kempton e diversos outros participantes. No final do mesmo ano, Lost and Found Times número 9 incluiu trabalhos de Al Ackerman, K. S. Ernst, Robin Crozier, Guy R. Beining, Dick Higgins, Richard Kostelanetz, Pawel Petasz, Bern Porter, Marilyn Rosenberg, Jud Yalkut e Bennett.

A presença documentada de Richard Kostelanetz em Lost and Found Times número 9 estabelece uma conexão verificável entre Kostelanetz e o ambiente editorial de Bennett em 1980. Entretanto, com base apenas nas duas páginas apresentadas, não é possível afirmar que o exemplar atual corresponda especificamente ao número 8, ao número 9 ou a outra publicação do mesmo circuito. A identificação precisa do periódico exige a capa, página de créditos, colofão ou outra folha contendo título e numeração.

Essa cautela é particularmente importante porque Bennett participou simultaneamente de muitas publicações próprias e de terceiros. Em 1980, seu arquivo registra também Sans Titre números 7 e 8, The Small Press Review, Puking Horse, Main Road, Motel Moods, Meat Click e numerosos catálogos e projetos de Mail Art. A simples presença de Bennett e Richard Kostelanetz, portanto, não é suficiente para identificar definitivamente uma revista.

O ambiente de produção ao qual estas páginas pertencem deve ser compreendido como uma rede transnacional de circulação alternativa. Bennett declarou posteriormente que entrou de maneira sistemática na Mail Art por volta de 1974 e que uma das primeiras edições de Lost and Found Times já funcionava como projeto postal. A publicação continuou incorporando materiais derivados da arte postal ao longo de sua trajetória.

Nesse sistema, nomes como Richard Kostelanetz, Irving Weiss, Hammond, Lifshin e outros colaboradores não formavam necessariamente um grupo formal. Eles participavam de uma ecologia editorial baseada em correspondência, intercâmbio de obras, pequenas tiragens, colaboração, publicação descentralizada e circulação internacional. Autores podiam aparecer simultaneamente em periódicos, livros, cartões, catálogos, convocatórias e projetos de Mail Art de diferentes países.

Richard Kostelanetz possui relevância particular nesse universo por sua atuação na poesia experimental, poesia visual, literatura conceitual e exploração de estruturas verbais não convencionais. Sua presença em publicações relacionadas a Bennett demonstra o diálogo entre a tradição da literatura experimental norte americana e circuitos internacionais de Mail Art. A Ohio State University registra explicitamente sua participação em Lost and Found Times número 9, de 1980.

Irving Weiss também pertence ao campo ampliado da poesia experimental e visual. Décadas depois, seu nome aparece ao lado de John M. Bennett e Richard Kostelanetz em The Last Vispo Anthology, dedicada à poesia visual produzida entre 1998 e 2008, demonstrando a continuidade histórica de alguns desses artistas dentro das práticas de escrita visual.

As páginas aqui apresentadas são relevantes porque preservam a lógica heterogênea dessas publicações. O retrato de Hammond, a frase atribuída a Robert S. de Ropp, o poema manuscrito de Bullet e a descrição de Song of the Razor Wire mostram que o periódico não separava rigidamente desenho, poesia, reflexão conceitual e experimentação sonora. Essa interdisciplinaridade corresponde ao campo de atuação de Bennett e de muitas publicações associadas às redes internacionais de Mail Art.

O documento também contribui para compreender como uma revista podia funcionar como extensão da correspondência. Em vez de depender de estruturas editoriais centralizadas, materiais enviados por diferentes colaboradores podiam ser reunidos, fotocopiados, impressos e redistribuídos a participantes de uma rede. A publicação passava a registrar temporariamente as conexões existentes entre artistas, poetas e editores de diferentes cidades e países.

No contexto do acervo ligado ao Poema Processo e à arte experimental brasileira, o exemplar possui interesse por documentar o ambiente internacional do qual John M. Bennett participou. Bennett manteve contatos com artistas da América Latina, participou de projetos brasileiros de poesia visual e Mail Art e publicou autores de diversos países. Embora não tenha sido integrante histórico do Poema Processo, sua trajetória pertence à rede internacional posterior que aproximou poesia visual, poesia sonora, arte postal, publicações alternativas e artistas vinculados às vanguardas brasileiras.

Para fins de indexação, este documento deve ser relacionado a John M. Bennett, Mail Art, arte postal, poesia visual, poesia experimental, poesia sonora, small press, publicação experimental, periódico alternativo, Luna Bisonte Prods, Lost and Found Times, Richard Kostelanetz, Hammond, Weiss, Lifshin, Rich Parker, Chen, Hoppmans, Robert S. de Ropp, Razor Wire, Song of the Razor Wire, Columbus, Ohio e redes internacionais de arte postal da década de 1980. A atribuição do título específico da revista deve permanecer em aberto até que uma página identificadora do exemplar seja localizada.

Experimental periodical publication from 1980 associated with the editorial environment and international Mail Art network of John M. Bennett, American poet, visual poet, publisher and mail artist based in Columbus, Ohio. The surviving pages belong to the independent circulation context characteristic of small magazines, assembling publications, visual poetry and correspondence art during the late 1970s and early 1980s. According to the information associated with the present copy, this issue includes contributions by John M. Bennett, Richard Kostelanetz, Rich Parker, Hammond, Weiss, Lifshin, Chen, Hoppmans and other participants connected with experimental poetry and Mail Art. The precise title of the periodical is not visible on the two reproduced pages and therefore should not be assigned without additional documentary evidence.

The first page presents a frontal graphic portrait executed with simple black lines and identified by the signature Hammond. The figure occupies almost the entire page and uses a reduced visual language associated with linear drawing, independent illustration and visual poetry. Beneath the image appears the phrase Flourish a banner bearing the word engagement, followed by an attribution to Robert S. de Ropp. The combination of portrait, textual statement and typography transforms the page into a hybrid composition in which image, verbal reference and printed matter carry comparable visual weight.

Robert S. de Ropp, mentioned on the page, was an author known for writings concerning consciousness, human behavior and alternative cultural experience. His textual presence on this page does not by itself demonstrate his direct participation in the periodical. What the surviving page establishes is the incorporation of a statement attributed to him into a visual composition signed by Hammond. This distinction is important for museum cataloguing because it prevents a textual reference from being converted into undocumented editorial authorship.

The second page contains a handwritten English poem signed Bullet. The composition preserves cursive handwriting, corrections, substitutions and irregular line spacing, emphasizing the physical presence of the manuscript. Legible elements evoke fire, iron, steel, wind, spikes, imprisonment, pain, rights and freedom. The text connects physical violence and confinement with a sonic image based on razor wire.

At the bottom of the page appears a handwritten explanation concerning Razor Wire. The text explains that coiled stainless steel barbed or razor wire is used around military installations, zoos and prisons. When extended into long sections, the material produces a peculiar sound as wind passes through it. This phenomenon is identified as Song of the Razor Wire and described as the music for the piece. The document therefore brings together poetry, conceptual description, environmental sound and a critical image of confinement.

The relationship among Razor Wire, prisons, military installations and wind of freedom creates a significant conceptual tension. A material designed to restrict movement becomes a sound producing structure when activated by wind. The page transforms an instrument of physical control into poetic and acoustic material. This approach corresponds to intermedia and experimental poetry practices in which sound, object, written language and political meaning can operate within the same proposition.

The physical character of the surviving sheets reflects features commonly associated with experimental small circulation publications of the period. Black and white reproduction, handmade drawing, handwritten texts, unconventional editorial finish and the coexistence of multiple contributors and media correspond to the aesthetics of small presses and postal networks. In such publications, individual pages frequently functioned as autonomous spaces assigned to different contributors.

John M. Bennett occupies an important position within this environment. Since the 1970s he has developed work combining verbal poetry, visual poetry, sound poetry, performance, drawing, rubber stamps, collage, film, audio and Mail Art. The Ohio State University documents his activity across these media and his collaborations with writers and artists throughout the world. The institution also preserves a major documentary collection for the study of Bennett and international alternative poetry and correspondence networks.

In 1974 Bennett established Luna Bisonte Prods, and in 1975 he initiated Lost and Found Times. The publication originated as a project connected with Fluxus and Mail Art conceived by Bennett and painter Douglas Landies. Its first issues consisted of fictitious lost and found notices distributed through the mail and placed on automobiles. Lost and Found Times subsequently developed into an international magazine for experimental literature, visual work and otherwise difficult to classify materials, continuing until 2005.

Documentation from 1980 preserved by The Ohio State University demonstrates the intensity of Bennett's publishing activity during that year. Lost and Found Times number 8, issued in February 1980 under the special title Bore Shoot, contained work by Bennett, C. Mehrl, Al Ackerman, Peter Frank, Karl Kempton and numerous other contributors. Later that year Lost and Found Times number 9 included work by Al Ackerman, K. S. Ernst, Robin Crozier, Guy R. Beining, Dick Higgins, Richard Kostelanetz, Pawel Petasz, Bern Porter, Marilyn Rosenberg, Jud Yalkut and Bennett.

The documented presence of Richard Kostelanetz in Lost and Found Times number 9 establishes a verifiable connection between Kostelanetz and Bennett's publishing environment in 1980. However, the two pages presented here do not provide sufficient evidence to identify the present copy specifically as issue 8, issue 9 or another publication circulating within the same network. Precise identification requires a cover, credits page, colophon or another page bearing the title and issue number.

Such caution is especially important because Bennett was simultaneously involved in numerous publications of his own and of other publishers. His 1980 archive also records Sans Titre numbers 7 and 8, The Small Press Review, Puking Horse, Main Road, Motel Moods, Meat Click and many Mail Art catalogues and projects. The presence of Bennett and Richard Kostelanetz alone is therefore insufficient to establish the exact title of the periodical.

The publishing environment represented by these pages should be understood as a transnational network of alternative circulation. Bennett later stated that he became systematically involved with Mail Art around 1974 and that one of the earliest issues of Lost and Found Times functioned as a Mail Art project. Postal art material continued to enter the publication during its later development.

Within this system, figures such as Richard Kostelanetz, Irving Weiss, Hammond, Lifshin and other contributors did not necessarily constitute a formal artistic group. They participated instead in an editorial ecology based on correspondence, exchange of work, small print runs, collaboration, decentralized publishing and international circulation. Writers and artists could appear simultaneously in periodicals, books, postcards, catalogues, calls for participation and Mail Art projects produced in several countries.

Richard Kostelanetz is especially relevant to this context because of his sustained work in experimental poetry, visual poetry, conceptual literature and unconventional verbal structures. His presence in publications connected with Bennett demonstrates an intersection between American experimental literature and international Mail Art networks. The Ohio State University specifically documents his contribution to Lost and Found Times number 9 in 1980.

Irving Weiss also belongs to the expanded history of experimental and visual writing. Decades later, his name appears together with John M. Bennett and Richard Kostelanetz in The Last Vispo Anthology, devoted to visual poetry produced between 1998 and 2008, demonstrating the continuing involvement of several of these artists in visual writing practices.

The surviving pages are significant because they preserve the heterogeneous logic of such publications. Hammond's portrait, the statement attributed to Robert S. de Ropp, the handwritten poem signed Bullet and the explanation of Song of the Razor Wire demonstrate that the periodical did not rigidly separate drawing, poetry, conceptual reflection and sound experimentation. This interdisciplinarity corresponds closely to Bennett's own practice and to many publications circulating through international Mail Art networks.

The document also helps explain how an experimental magazine could operate as an extension of correspondence. Instead of depending on centralized publishing structures, materials submitted by different contributors could be assembled, photocopied, printed and redistributed to participants in the network. The publication became a temporary material record of connections among artists, poets and publishers living in different cities and countries.

Within an archive concerned with the Process Poem Movement and Brazilian experimental art, the publication is significant because it documents the international environment in which John M. Bennett participated. Bennett maintained relationships with Latin American artists, took part in Brazilian visual poetry and Mail Art projects and published writers from numerous countries. Although he was not a historical member of the Process Poem Movement, his career belongs to the later international network that brought visual poetry, sound poetry, postal art, alternative publishing and artists associated with Brazilian avant gardes into sustained contact.

For indexing purposes, the document should be connected with John M. Bennett, Mail Art, postal art, visual poetry, experimental poetry, sound poetry, small press, experimental periodicals, Luna Bisonte Prods, Lost and Found Times, Richard Kostelanetz, Hammond, Weiss, Lifshin, Rich Parker, Chen, Hoppmans, Robert S. de Ropp, Razor Wire, Song of the Razor Wire, Columbus, Ohio and international Mail Art networks of the 1980s. The exact title of the periodical should remain unidentified until a title page, cover, colophon or equivalent documentary element from the same copy becomes available.

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