Poema objeto em formato de correspondência privada e cartão de Natal de Ian Hamilton Finlay destinado ao poeta brasileiro Augusto de Campos e sua família.
Ian Hamilton Finlay - Reino Unido
03759 - Dezembro de 1964 - Cartão Manuscrito
15,3 x 15,2 cm
Poema objeto em formato de correspondência privada e cartão de Natal de Ian Hamilton Finlay destinado ao poeta brasileiro Augusto de Campos e sua família. A peça pertence à produção inicial de poesia concreta de Finlay e está vinculada à Wild Hawthorn Press, identificada no próprio impresso pelas iniciais w.h.p., enquanto i.h.f. corresponde a Ian Hamilton Finlay. O exemplar apresenta ainda uma dedicatória manuscrita do poeta escocês a Augusto de Campos, estabelecendo evidência material de uma relação direta entre dois dos principais protagonistas internacionais da poesia concreta na década de 1960.\n\nO cartão é constituído como uma obra verbal e visual de extrema economia. Em uma das faces aparece em francês o poema l
étoile dans son étable de lumière. Em outra face encontra se sua formulação em inglês, the star in its stable of light. As palavras são impressas em letras minúsculas, espaçadas e organizadas em um pequeno bloco vertical aproximadamente no centro do papel, cercado por uma ampla área vazia. Essa disposição transforma a página em campo visual e faz com que tipografia, espaçamento, centralização, silêncio gráfico e vazio participem diretamente da construção poética.\n\nA expressão francesa l
étoile dans son étable de lumière pode ser compreendida como a estrela em seu estábulo de luz. A versão inglesa the star in its stable of light mantém a mesma associação. O poema estabelece uma relação entre a estrela e o estábulo, acionando imediatamente a iconografia cristã da Natividade, especialmente a estrela de Belém e o local do nascimento de Cristo. Ao mesmo tempo, a formulação cria uma imagem poética independente na qual a própria luminosidade funciona como abrigo da estrela.\n\nA proximidade verbal entre étoile e étable na versão francesa contribui para o efeito sonoro e visual do poema. Em inglês, star e stable também estabelecem uma aproximação semântica e gráfica. Finlay reduz a mensagem natalina a poucas palavras e transforma elementos tradicionais do Natal em uma estrutura verbal condensada. Não há ilustração convencional da Natividade. A estrela, o estábulo e a luz existem através das próprias palavras e da organização espacial da tipografia.\n\nO caráter de poema concreto torna se particularmente evidente porque o sentido não depende apenas da frase. A localização central do pequeno conjunto tipográfico dentro de uma superfície quase inteiramente vazia produz uma relação entre palavra e espaço. O branco ao redor pode ser percebido como silêncio, distância, noite, atmosfera ou espaço luminoso. A leitura passa portanto pela dimensão material do cartão e não exclusivamente pela sequência linguística.\n\nNa parte inferior esquerda de uma das faces aparecem as iniciais i.h.f. e w.h.p. A primeira identifica Ian Hamilton Finlay e a segunda a Wild Hawthorn Press, editora criada por Finlay com Jessie McGuffie em 1961. A Wild Hawthorn Press tornou se um instrumento central para sua produção e para a circulação internacional da poesia concreta, publicando livros, poemas, cartões, folders, impressos e trabalhos de outros poetas e artistas. Fontes bibliográficas especializadas registram The Star in its Stable of Light entre os primeiros cartões dobráveis publicados por Ian Hamilton Finlay e pela Wild Hawthorn Press.\n\nA datação desta obra exige atenção documental. Bibliografias baseadas no catálogo raisonné de Graeme Murray registram The Star in its Stable of Light como trabalho de 1964 e o identificam como um dos primeiros cartões de Finlay. Uma fonte especializada em cartões de artista também registra a obra com essa data, embora apresente a hipótese de que determinados exemplares possam ter circulado postalmente em 1965. Como o exemplar destinado a Augusto de Campos não apresenta, nas imagens fornecidas, carimbo postal datável, a data de 1964 fornecida pela documentação de proveniência deve ser preservada no cadastro, com a observação de que existe divergência bibliográfica sobre a circulação de alguns exemplares.\n\nA maior importância histórica deste exemplar está na dedicatória manuscrita de Ian Hamilton Finlay. Em uma das faces internas o poeta escreveu uma saudação natalina dirigida pessoalmente a Augusto de Campos e a sua família, assinando como Ian e encerrando a mensagem de forma afetiva. A inscrição manuscrita pode ser transcrita como Happy Christmas to Augusto and all his family, from Ian with love. Por solicitação de catalogação, a transcrição é apresentada sem sinais de aspas. A mensagem transforma um impresso editorial da Wild Hawthorn Press em correspondência privada individualizada e comprova que o objeto efetivamente integrou uma relação pessoal entre Finlay e Augusto de Campos.\n\nEssa proveniência é especialmente importante porque a relação de Ian Hamilton Finlay com a poesia concreta brasileira teve papel decisivo em sua própria aproximação à poesia concreta internacional. A Poetry Foundation registra que Finlay estabeleceu contato em 1962 com os poetas concretos brasileiros ligados ao grupo Noigandres de São Paulo. Sua revista Poor. Old. Tired. Horse. passou a publicar trabalhos de autores brasileiros, entre eles Augusto de Campos e Pedro Xisto, enquanto Finlay aprofundava suas próprias experiências com a página como campo visual e gráfico.\n\nO ano de 1964 é particularmente significativo nessa relação. A Wild Hawthorn Press publicou naquele ano Cidade City Cité, de Augusto de Campos. A bibliografia da editora registra de Campos Augusto, CIDADE / CITY / CITE, 1964, como uma de suas primeiras publicações, e exemplares bibliográficos identificam o trabalho como primeira edição publicada em Edimburgo pela Wild Hawthorn Press de Ian Hamilton Finlay.\n\nEssa informação confere ao cartão destinado a Augusto de Campos uma relevância histórica excepcional. Ele não é apenas uma saudação entre dois poetas. O documento pertence ao mesmo período em que Finlay atuava diretamente na divulgação internacional da poesia concreta brasileira e publicava uma obra de Augusto de Campos em sua própria editora. A correspondência revela portanto a dimensão pessoal de uma relação que também possuía consequências editoriais, poéticas e internacionais.\n\nIan Hamilton Finlay nasceu em Nassau, Bahamas, em 1925, filho de pais escoceses, e morreu em Edimburgo em 2006. Foi poeta, artista, editor e uma das figuras centrais da poesia concreta britânica. Depois de atuar inicialmente como escritor de contos, peças e poesia, aproximou se da poesia concreta no início da década de 1960. Sua produção passou a explorar intensamente as relações entre palavra, tipografia, imagem, objeto, suporte e espaço. Posteriormente essa investigação ultrapassaria a página e alcançaria esculturas, inscrições arquitetônicas e seu conhecido jardim Little Sparta.\n\nA Wild Hawthorn Press foi fundamental nesse processo. Fundada em 1961, permitiu que Finlay criasse e distribuísse impressos em formatos que ultrapassavam as convenções do livro de poesia. Cartões, folhas dobradas, poemas visuais, pequenos livros e objetos impressos passaram a funcionar como suportes autônomos. Bibliografias da editora demonstram que em 1964 a Wild Hawthorn Press publicava não apenas Finlay, mas também autores de diferentes países, incluindo Augusto de Campos, Stephen Bann, Franz Mon e Pierre Albert Birot, evidenciando sua inserção em uma rede internacional de poesia experimental.\n\nThe Star in its Stable of Light pertence exatamente a essa fase inicial e experimental. Fontes especializadas o identificam como um dos primeiros cartões dobráveis de Finlay. O formato de cartão de Natal cria uma sobreposição entre publicação de artista, poema concreto e comunicação privada. Diferentemente de uma obra destinada exclusivamente a uma exposição ou livro, o trabalho foi concebido para circular entre amigos e interlocutores, mantendo simultaneamente as funções de poema e mensagem natalina.\n\nA existência de outros exemplares com dedicatórias pessoais reforça essa interpretação. Há documentação de exemplares semelhantes enviados por Finlay a pessoas de seu círculo artístico, inclusive Victor Vasarely e Fred Hunter. Isso demonstra uma prática de utilização de cartões poéticos como veículos de relacionamento intelectual e afetivo, transformando a correspondência privada em espaço de circulação da poesia concreta.\n\nO exemplar enviado a Augusto de Campos possui importância adicional pela posição histórica do destinatário. Augusto de Campos, ao lado de Haroldo de Campos e Décio Pignatari, foi fundador do grupo Noigandres e um dos principais formuladores da poesia concreta brasileira. A circulação internacional de textos, traduções, revistas, livros e correspondências foi fundamental para a constituição da poesia concreta como fenômeno transnacional. O relacionamento documentado entre Finlay e os brasileiros mostra como as experiências desenvolvidas no Brasil se conectaram diretamente a poetas britânicos e europeus.\n\nA correspondência também ajuda a reconstruir a cronologia dessas relações. Em 1962 Finlay já estava em contato com os concretistas brasileiros. Em 1964 sua editora publicou Cidade City Cité, de Augusto de Campos. No mesmo período, este cartão de Natal é pessoalmente dedicado a Augusto e sua família. Portanto, publicação, correspondência e amizade aparecem articuladas dentro de uma mesma rede internacional de intercâmbio poético.\n\nO documento possui ainda importância para a história da circulação da poesia concreta entre Brasil e Reino Unido. Em vez de depender apenas de exposições institucionais, a rede internacional funcionava por cartas, revistas, pequenos impressos, traduções e edições independentes. Este exemplar demonstra como um poema concreto podia simultaneamente ser obra publicada, cartão de Natal, correspondência privada, presente e veículo de circulação internacional.\n\nA escolha de apresentar o poema em francês e inglês reforça sua vocação internacional. As duas versões não funcionam apenas como traduções informativas. Cada língua reorganiza as relações sonoras, visuais e semânticas entre estrela, estábulo e luz. A utilização de diferentes idiomas também dialoga com a característica transnacional da poesia concreta, na qual poemas frequentemente atravessavam fronteiras linguísticas através de estruturas visuais capazes de produzir sentidos além da sintaxe convencional.\n\nO estado físico do exemplar apresenta sinais naturais de envelhecimento do papel, pequenas manchas e alterações cromáticas, elementos compatíveis com um objeto de circulação e guarda privada desde a década de 1960. Essas marcas não diminuem seu valor documental. Ao contrário, integram sua história material e devem ser preservadas no registro catalográfico como evidências de temporalidade e proveniência.\n\nPara um acervo dedicado à história do Poema Processo e da poesia experimental brasileira, este documento possui importância comparativa e genealógica. Ele é anterior ao lançamento público do Poema Processo em 1967 e não constitui uma obra desse movimento. Sua relevância está em documentar a rede internacional da poesia concreta que antecedeu e dialogou com as transformações posteriores da poesia visual e experimental no Brasil. A correspondência entre Ian Hamilton Finlay e Augusto de Campos oferece uma fonte primária para estudar a circulação transatlântica da poesia concreta, as relações entre Brasil e Reino Unido, a Wild Hawthorn Press e os sistemas editoriais independentes que ajudaram a internacionalizar as experiências poéticas dos anos 1960.\n\nPalavras chave para indexação: Ian Hamilton Finlay, Ian Hamilton Finlay Augusto de Campos, Augusto de Campos, Ian Hamilton Finlay correspondence, Augusto de Campos correspondence, The Star in its Stable of Light, l
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s concrete poetry and is associated with the Wild Hawthorn Press, identified on the printed card by the initials w.h.p., while i.h.f. identifies Ian Hamilton Finlay. This particular copy also contains a handwritten dedication from the Scottish poet to Augusto de Campos, providing material evidence of a direct relationship between two major international figures in concrete poetry during the 1960s.\n\nThe card is constructed as an extremely economical verbal and visual work. One side presents the French poem l
étoile dans son étable de lumière. Another presents its English formulation, the star in its stable of light. The words are printed in lowercase letters, widely spaced and arranged as a small vertical block approximately at the centre of the sheet, surrounded by a large field of empty paper. Typography, spacing, central placement, graphic silence and blank space consequently participate directly in the poetic construction.\n\nThe French phrase l
étoile dans son étable de lumière can be understood as the star in its stable of light. The English version retains the same association. The poem connects the star and the stable, immediately activating Christian imagery of the Nativity, particularly the Star of Bethlehem and the place of Christ
s birth. At the same time, the formulation produces an autonomous poetic image in which luminosity itself becomes the star
s shelter.\n\nThe verbal proximity between étoile and étable in the French version contributes to the sonic and visual construction of the poem. In English, star and stable establish another relationship through meaning and graphic proximity. Finlay reduces the traditional Christmas message to a few words and transforms familiar elements of the Nativity into a concentrated verbal structure. There is no conventional illustration of the Christmas scene. The star, stable and light are created through language itself and through the spatial organization of typography.\n\nIts status as concrete poetry is particularly evident because meaning does not depend on the sentence alone. The placement of the small typographic composition within an almost entirely blank surface creates a relationship between language and space. The surrounding white field may be perceived as silence, distance, night, atmosphere or luminous space. Reading therefore involves the material and visual dimensions of the card as well as its linguistic sequence.\n\nThe lower left corner of one side contains the initials i.h.f. and w.h.p. The first identifies Ian Hamilton Finlay and the second identifies the Wild Hawthorn Press, founded by Finlay with Jessie McGuffie in 1961. The press became central to Finlay
s production and to the international circulation of concrete poetry, issuing books, poems, cards, folders, printed matter and works by other poets and artists. Specialist bibliographies record The Star in its Stable of Light among the earliest folding cards produced by Ian Hamilton Finlay and the Wild Hawthorn Press.\n\nThe dating of the work requires documentary care. Bibliographies based on Graeme Murray
s catalogue record The Star in its Stable of Light as a 1964 work and identify it as one of Finlay
s earliest cards. A specialist source devoted to artists postcards also records the work in this context while suggesting that certain surviving copies may actually have circulated through the post in 1965. Since the copy addressed to Augusto de Campos shows no datable postal cancellation in the supplied images, the 1964 date established through provenance should be retained in the catalogue record, together with a note concerning the bibliographic discrepancy affecting some known examples.\n\nThe principal historical importance of this copy lies in Ian Hamilton Finlay
s handwritten dedication. On one of the inner surfaces Finlay personally addressed a Christmas greeting to Augusto de Campos and his family, signing simply as Ian and closing the message affectionately. The inscription can be transcribed as Happy Christmas to Augusto and all his family, from Ian with love. In accordance with the catalogue requirements, the transcription is presented without quotation marks. The handwritten message transforms a Wild Hawthorn Press printed work into individualized private correspondence and establishes that the object formed part of a direct personal relationship between Finlay and Augusto de Campos.\n\nThis provenance is especially significant because Ian Hamilton Finlay
s relationship with Brazilian concrete poetry played an important role in his own involvement with the international concrete poetry movement. The Poetry Foundation records that in 1962 Finlay established contact with Brazilian concrete poets associated with the São Paulo Noigandres group. His magazine Poor. Old. Tired. Horse. subsequently published work by Brazilian poets including Augusto de Campos and Pedro Xisto, while Finlay increasingly explored the page as a visual and graphic field.\n\nThe year 1964 is especially important within this relationship. In that year the Wild Hawthorn Press published Cidade City Cité by Augusto de Campos. The bibliography of the press records de Campos Augusto, CIDADE / CITY / CITE, 1964, among its early publications, while bibliographic examples identify the work as a first edition issued in Edinburgh by Ian Hamilton Finlay
s Wild Hawthorn Press.\n\nThis fact gives the Christmas card addressed to Augusto de Campos exceptional documentary importance. It is not simply a seasonal greeting between two poets. The document belongs to the same period in which Finlay was actively contributing to the international circulation of Brazilian concrete poetry and publishing a work by Augusto de Campos through his own press. The correspondence therefore reveals the personal dimension of a relationship that also had editorial, poetic and international consequences.\n\nIan Hamilton Finlay was born in Nassau, Bahamas, in 1925 to Scottish parents and died in Edinburgh in 2006. He was a poet, artist and publisher and became one of the central figures of British concrete poetry. After initially working as a writer of stories, plays and poetry, he became increasingly engaged with concrete poetry during the early 1960s. His work began to investigate the relationships among words, typography, image, object, support and spatial environment. These investigations would later move beyond the printed page into sculpture, architectural inscriptions and his celebrated garden Little Sparta.\n\nThe Wild Hawthorn Press was fundamental to this development. Established in 1961, it allowed Finlay to produce and distribute works in formats extending beyond conventional poetry books. Cards, folded sheets, visual poems, small books and printed objects became autonomous artistic supports. Bibliographies of the press demonstrate that in 1964 Wild Hawthorn Press was publishing not only Finlay but also writers and artists from several countries, including Augusto de Campos, Stephen Bann, Franz Mon and Pierre Albert Birot, demonstrating its place within an international experimental poetry network.\n\nThe Star in its Stable of Light belongs precisely to this early experimental phase. Specialist bibliographies identify it as one of Finlay
s earliest folding cards. The Christmas card format creates an overlap among artists publication, concrete poem and private communication. Rather than being created solely for display in an exhibition or reproduction in a book, the work was designed to circulate among friends and correspondents while retaining simultaneously the functions of poem and seasonal greeting.\n\nThe existence of other surviving copies bearing personal inscriptions reinforces this interpretation. Documentation records comparable early Christmas cards sent by Finlay to members of his artistic circle, including Victor Vasarely and Fred Hunter. This demonstrates a practice in which poetic cards functioned as instruments of intellectual and personal exchange, turning private correspondence into a medium for the circulation of concrete poetry.\n\nThe copy addressed to Augusto de Campos is additionally important because of the historical position of its recipient. Augusto de Campos, together with Haroldo de Campos and Décio Pignatari, was a founder of the Noigandres group and one of the principal theorists and practitioners of Brazilian concrete poetry. The international circulation of texts, translations, magazines, books and correspondence was fundamental to the development of concrete poetry as a transnational phenomenon. The documented relationship between Finlay and the Brazilian poets demonstrates how experimental practices developed in Brazil became directly connected with British and European writers.\n\nThe correspondence also contributes to the chronology of these relationships. By 1962 Finlay was already in contact with Brazilian concrete poets. In 1964 his press published Cidade City Cité by Augusto de Campos. During the same period this Christmas card was personally dedicated to Augusto and his family. Publication, correspondence and friendship can therefore be understood as interconnected elements within a single international network of poetic exchange.\n\nThe document is also significant for the history of concrete poetry circulation between Brazil and the United Kingdom. Rather than depending exclusively upon institutional exhibitions, the international network operated through letters, magazines, small printed works, translations and independent editions. This copy demonstrates how a concrete poem could simultaneously function as published artwork, Christmas card, private correspondence, gift and vehicle of international circulation.\n\nThe decision to present the poem in French and English further reinforces its international character. The two versions do not operate merely as informational translations. Each language reorganizes the sonic, visual and semantic relationships among star, stable and light. The multilingual structure also corresponds to the transnational character of concrete poetry, in which works frequently crossed linguistic boundaries through visual structures capable of producing meaning beyond conventional syntax.\n\nThe physical condition of the copy shows natural evidence of ageing, including minor stains and tonal changes to the paper. These elements are consistent with an object that has been circulated and privately preserved since the 1960s. Such traces do not diminish its documentary significance. They form part of its material history and should be recorded as evidence of age and provenance.\n\nWithin an archive devoted to the history of Poema Processo and Brazilian experimental poetry, this document has major comparative and genealogical importance. It predates the public launch of Poema Processo in 1967 and should not be classified as a work of that movement. Its relevance lies in documenting the international concrete poetry network that preceded and interacted with later transformations of visual and experimental poetry in Brazil. The correspondence between Ian Hamilton Finlay and Augusto de Campos constitutes a primary source for the study of the transatlantic circulation of concrete poetry, relations between Brazil and Britain, the Wild Hawthorn Press and the independent editorial systems that contributed to the internationalization of experimental poetry during the 1960s.\n\nKeywords for indexing: Ian Hamilton Finlay, Ian Hamilton Finlay Augusto de Campos, Augusto de Campos, Ian Hamilton Finlay correspondence, Augusto de Campos correspondence, The Star in its Stable of Light, l
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