obra de Amélia Toledo realizada em 1973 como contribuição para On Off 1, primeira edição da publicação de artista organizada por Julio Plaza e Regina Silveira.
Projeto On / Off - Julio Plaza e Regina Silveira
03665 - 1973 - Envelope Carta Convite para Exposição
20,7 x 29,4 cm
Sem título é uma obra de Amélia Toledo realizada em 1973 como contribuição para On Off 1, primeira edição da publicação de artista organizada por Julio Plaza e Regina Silveira. A composição reúne uma imagem fotográfica ampliada de uma marca de calçado impressa sobre uma superfície de terra ou areia e, na região inferior esquerda, uma ficha de identificação com impressões dos pés descalços. O contraste entre a pegada produzida por um calçado e as marcas corporais dos pés estabelece relações entre presença, ausência, identidade, vestígio, corpo, território e sistemas de reconhecimento.\n\nO Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo registra duas obras sem título de Amélia Toledo datadas de 1973. Uma delas aparece na sequência institucional de trabalhos vinculados a On Off 1, ao lado de contribuições de Mário Ishikawa, Claudio Tozzi, Julio Plaza, Cláudio Ferlauto, Flavio Pons, Guta e Donato Chiarella. A obra apresentada deve ser cadastrada provisoriamente como Sem título, 1973, On Off 1, até que uma ficha institucional ou documento de edição confirme um título específico.\n\nA imagem principal apresenta uma marca profunda e irregular, produzida por uma sola com relevos longitudinais. A pegada ocupa grande parte da superfície e aparece cercada por texturas, pequenas depressões e variações de tonalidade. A ausência da pessoa que produziu a marca transforma o vestígio em substituto do corpo. O indivíduo não está representado diretamente, mas sua passagem permanece registrada no terreno.\n\nNa ficha inserida na parte inferior aparecem duas impressões plantares identificadas como pé esquerdo e pé direito. Entre as duas imagens encontra se a palavra reconhecido. A combinação remete a documentos médicos, policiais, antropométricos, administrativos ou escolares empregados para registrar características físicas e estabelecer identidades. A obra desloca esse tipo de documentação para o campo artístico, transformando procedimentos de reconhecimento corporal em matéria visual e conceitual.\n\nNa faixa inferior da ficha é possível ler a palavra IDENTIFICAÇÃO. A linha seguinte contém a inscrição Materna, seguida do nome Amelia Toledo e de uma sequência numérica que parece incluir 17/2/1951 e 73. A leitura integral não pode ser confirmada apenas pela fotografia. A sequência deve ser registrada como inscrição visível e não utilizada automaticamente como data biográfica, data de nascimento, data de produção ou número de documento sem comprovação complementar.\n\nA justaposição confronta duas formas de vestígio. A primeira é a pegada calçada, produzida pelo contato entre objeto, corpo e solo. A segunda é a impressão direta dos pés, utilizada como registro anatômico. Uma marca resulta do deslocamento no espaço e a outra de um procedimento deliberado de identificação. Em ambas, o corpo está ausente, mas permanece presente por meio de seus efeitos materiais.\n\nA obra questiona a estabilidade dos sistemas de reconhecimento. Uma impressão pode parecer singular e comprobatória, mas depende de contexto, legenda, arquivo e interpretação para adquirir significado. A palavra identificação promete determinar quem é o indivíduo, enquanto as imagens oferecem apenas fragmentos corporais e rastros. Essa tensão aproxima o trabalho de discussões conceituais sobre identidade, documento, memória, classificação e controle institucional.\n\nA diferença de escala também é significativa. A marca do calçado domina a composição e transforma um vestígio cotidiano em paisagem visual. A ficha de pés descalços aparece reduzida, como documento anexado à imagem maior. Essa relação pode sugerir que sistemas burocráticos tentam conter, organizar ou nomear uma experiência corporal e espacial muito mais ampla.\n\nA fotografia e a reprodução impressa permitem que um vestígio originalmente ligado a um lugar específico seja separado de seu contexto e colocado em circulação. A pegada deixa de permanecer apenas no solo e passa a existir como imagem transportável. Esse deslocamento corresponde às práticas editoriais de On Off, nas quais diferentes contribuições eram reunidas em envelope e circulavam entre artistas e destinatários.\n\nOn Off foi uma publicação editada por Julio Plaza e Regina Silveira entre 1972 e 1974. O projeto reuniu contribuições de artistas como Amélia Toledo, Claudio Tozzi, Cláudio Ferlauto, Donato Chiarela, Evandro Carlos Jardim, Flávio Pons, Fred Forest, Gabriel Borba, Gerson Zanini, Guta, Mário Ishikawa, Miriam Chiaverini, Roberto Keppler, Ubirajara Ribeiro e Vera Chaves Barcellos.\n\nA participação de Amélia Toledo aproxima a obra de uma trajetória marcada pela investigação do corpo, da matéria, da percepção, da natureza, do espaço e da experiência sensorial. Neste trabalho, porém, esses elementos aparecem mediados por fotografia, impressão, ficha documental e linguagem administrativa. O corpo não é apresentado como volume escultórico, mas como vestígio que deve ser observado, comparado e reconhecido.\n\nA obra pode ser relacionada à arte conceitual, à fotografia experimental, à publicação de artista e à arte postal. Sua condição de folha integrante de um envelope coletivo permite que seja compreendida simultaneamente como obra autônoma e como parte de um sistema editorial. A circulação da publicação transformava cada contribuição em elemento de uma rede de comunicação, intercâmbio e preservação documental.\n\nSem título constitui um documento relevante da experimentação artística brasileira da década de 1970. A obra articula pegada, corpo, ausência, presença, fotografia, identificação, documento, arquivo, território e circulação editorial. Sua inclusão em On Off 1 amplia seu significado ao inseri la em uma rede coletiva de produção e comunicação desenvolvida por Julio Plaza, Regina Silveira e os demais participantes da publicação.\n\nText for the Salsa program in English\n\nUntitled is a work created by Amélia Toledo in 1973 as a contribution to On Off 1, the first issue of the artists publication organized by Julio Plaza and Regina Silveira. The composition combines an enlarged photographic image of a shoeprint impressed into soil or sand with an identification form containing prints of two bare feet in the lower left area. The contrast between the trace produced by footwear and the direct bodily impressions establishes relationships among presence, absence, identity, evidence, body, territory and systems of recognition.\n\nThe Museum of Contemporary Art of the University of São Paulo records two untitled works by Amélia Toledo dated 1973. One appears within the institutional sequence of works associated with On Off 1, together with contributions by Mário Ishikawa, Claudio Tozzi, Julio Plaza, Cláudio Ferlauto, Flavio Pons, Guta and Donato Chiarella. The work shown should therefore be provisionally catalogued as Untitled, 1973, On Off 1, until an institutional record or edition document confirms a more specific title.\n\nThe principal image presents a deep and irregular mark produced by a sole with longitudinal ridges. The footprint occupies a large part of the surface and is surrounded by textures, depressions and tonal variations. The person who produced the trace is absent, allowing the mark to function as a substitute for the body. The individual is not directly represented, but the evidence of passage remains recorded in the ground.\n\nThe form inserted in the lower section contains two plantar impressions identified as left foot and right foot. The word recognized appears between them. This arrangement recalls medical, police, anthropometric, administrative or educational documents used to record physical characteristics and establish identity. The work transfers this documentary procedure into an artistic context, transforming systems of bodily recognition into visual and conceptual material.\n\nThe word IDENTIFICAÇÃO appears in the lower band of the form. The following line contains an inscription that seems to include Materna, the name Amelia Toledo and a numerical sequence apparently containing 17/2/1951 and 73. The complete wording cannot be securely established from the photograph. The sequence should be recorded as a visible inscription and should not automatically be interpreted as a birth date, production date or document number without additional evidence.\n\nThe juxtaposition confronts two different forms of bodily trace. The first is a shoeprint created through contact among object, body and ground. The second is the direct impression of bare feet produced through a deliberate identification procedure. In both cases, the body is absent but remains materially present through its effects.\n\nThe work questions the stability of systems of recognition. An impression may appear singular and evidential, yet it depends on context, captions, archives and interpretation in order to acquire meaning. The word identification promises to determine who the individual is, while the images provide only bodily fragments and traces. This tension connects the work with conceptual discussions concerning identity, documentation, memory, classification and institutional control.\n\nThe difference in scale is also significant. The shoeprint dominates the composition and transforms an ordinary trace into a visual landscape. The smaller form containing the bare footprints appears as a document attached to the larger image. This relationship may suggest that bureaucratic systems attempt to contain, organize or name a bodily and spatial experience that exceeds the limits of the form.\n\nPhotography and printed reproduction allow a trace originally connected to a particular place to be separated from its context and placed into circulation. The footprint no longer remains exclusively in the ground but becomes a transportable image. This displacement corresponds with the editorial practices of On Off, in which independent contributions were assembled inside an envelope and circulated among artists and recipients.\n\nOn Off was a publication edited by Julio Plaza and Regina Silveira between 1972 and 1974. The project included contributions by Amélia Toledo, Claudio Tozzi, Cláudio Ferlauto, Donato Chiarela, Evandro Carlos Jardim, Flávio Pons, Fred Forest, Gabriel Borba, Gerson Zanini, Guta, Mário Ishikawa, Miriam Chiaverini, Roberto Keppler, Ubirajara Ribeiro and Vera Chaves Barcellos.\n\nAmélia Toledo is known for investigations involving the body, matter, perception, nature, space and sensory experience. In this work, however, these concerns are mediated through photography, printed reproduction, a documentary form and administrative language. The body is not presented as a sculptural volume but as a trace that must be observed, compared and recognized.\n\nThe work may be connected with conceptual art, experimental photography, artists publications and mail art. Its status as a sheet belonging to a collective envelope allows it to be understood both as an autonomous work and as part of an editorial system. The circulation of the publication transformed each contribution into an element within a network of communication, exchange and documentary preservation.\n\nUntitled is a relevant document of Brazilian artistic experimentation during the 1970s. It combines footprint, body, absence, presence, photography, identification, documentation, archive, territory and editorial circulation. Its inclusion in On Off 1 expands its meaning by placing it within a collective network of production and communication developed by Julio Plaza, Regina Silveira and the other contributors to the publication.
