Moacy Cirne, Envelope Projeto 2, Branco x Branco x Branco, Poema Processo, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 1969.
Moacy Cirne
03627 - 1969 - Envelope Obra de Arte
18 x 25,3 cm
Moacy Cirne, Envelope Projeto 2, Branco x Branco x Branco, Poema Processo, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 1969. Conjunto experimental concebido por Moacy Cirne no contexto histórico do movimento Poema Processo e apresentado como Projeto 2. O envelope registra o endereço Travessa Extremos, 284, Cidade Alta, Natal, RN, Brasil, e identifica explicitamente a obra como branco x branco x branco, poema processo de Moacy Cirne, 1969. A proposição estabelece a ausência deliberada de tinta como princípio construtivo e transforma o próprio papel branco, suas dobras, superfícies, sobreposições e possibilidades de manipulação em matéria poética. As instruções impressas no envelope indicam não uso da tinta, expressão da dobragem dos brancos e manipulação como poema escultura por meio de dobraduras no espaço. A obra desloca o poema do campo exclusivamente verbal para uma experiência física, espacial e participativa, na qual o receptor deixa de ser apenas leitor e passa a atuar diretamente sobre a estrutura material do trabalho. As folhas internas aparentemente vazias constituem o núcleo da proposição. O branco não funciona como ausência de obra, mas como signo ativo e campo potencial de transformação. As linhas produzidas pelas dobras, as divisões da superfície, as mudanças de direção do papel e as diferentes configurações obtidas pela manipulação substituem palavra, imagem e tinta como elementos responsáveis pela construção do poema. Branco x Branco x Branco aproxima poesia, escultura e ação, permitindo que cada processo de dobragem e desdobragem gere novas relações entre plano, volume, espaço e vazio. A experiência visual depende da materialidade do suporte e da intervenção do participante, tornando cada configuração temporária uma possível versão da obra. O envelope apresenta também uma formulação em inglês, White x White x White, process poem of Moacy Cirne, 1969, acompanhada de instruções equivalentes sobre a ausência de tinta, o dobrar e desdobrar dos brancos e a manipulação do poema como escultura por meio de dobraduras no espaço. Essa apresentação bilíngue demonstra uma preocupação com a circulação internacional da proposta e com a compreensão do Poema Processo para além do contexto brasileiro. O documento inclui ainda uma referência abreviada a WDP associada a uma formulação teórica segundo a qual o poema processo possui a clareza de um mostrador e as facilidades de uma ferramenta, referência que, no contexto do movimento, remete ao campo conceitual desenvolvido por Wlademir Dias Pino. Branco x Branco x Branco constitui uma síntese radical de princípios fundamentais do Poema Processo ao eliminar a dependência da escrita e da impressão e concentrar a experiência poética na estrutura, no suporte, na operação e na participação. O trabalho evidencia conceitos como processo, versão, transformação, manipulação, participação, tridimensionalidade, vazio, espaço e estrutura. A obra pode ser compreendida como poema objeto, poema escultura e proposição participativa, estabelecendo diálogo com a poesia visual, a poesia experimental, a arte conceitual e as experiências intermídia realizadas no Brasil no final da década de 1960. O conjunto possui especial importância documental por registrar diretamente a autoria de Moacy Cirne, a data de 1969, a designação Projeto 2, o título Branco x Branco x Branco e instruções precisas para sua ativação. Trata se de documento relevante para o estudo de Moacy Cirne como poeta experimental e participante central do Poema Processo, assim como para a compreensão das experiências desenvolvidas em Natal, Rio Grande do Norte, um dos principais núcleos históricos do movimento.\n\nTEXTO DE OBSERVAÇÃO EM PORTUGUÊS\n\nConjunto original identificado como Projeto 2, Branco x Branco x Branco, poema processo de Moacy Cirne, 1969. O material é composto por envelope com texto explicativo bilíngue em português e inglês e folhas brancas dobradas ou preparadas para manipulação. A própria ausência de impressão nas folhas internas deve ser compreendida como componente essencial da obra e não como falta de conteúdo. A proposição determina explicitamente o não uso da tinta e orienta que a expressão artística seja produzida pela dobragem dos brancos e pela manipulação das folhas como poema escultura e dobraduras no espaço. A materialidade do papel, as linhas de dobra, as superfícies brancas e as transformações espaciais resultantes da ação do participante constituem o vocabulário visual da obra. A peça é particularmente importante para a compreensão do conceito de participação no Poema Processo, pois exige uma operação concreta do receptor para que suas possibilidades formais sejam realizadas. Cada dobragem, desdobragem e reorganização pode produzir uma nova configuração, aproximando a obra do conceito de versão associado às práticas processuais do movimento. A apresentação em português e inglês amplia a relevância histórica do documento como registro de uma estratégia de comunicação internacional do Poema Processo. A indicação WDP presente no texto deve ser registrada como referência associada a Wlademir Dias Pino, embora a formulação completa e sua fonte bibliográfica devam ser verificadas documentalmente antes de uma atribuição definitiva em catálogo raisonné. O conjunto deve ser preservado como unidade documental, mantendo envelope e folhas internas associados, pois a separação desses elementos comprometeria a compreensão da proposta original. Para pesquisa e indexação, o documento deve ser associado a Moacy Cirne, Branco x Branco x Branco, White x White x White, Projeto 2, Poema Processo, Process Poem, Wlademir Dias Pino, poesia visual, poesia experimental, poema objeto, poema escultura, arte participativa, arte conceitual, dobradura, papel, branco, vazio, espaço, estrutura, manipulação, participação, versão, transformação, Natal, Rio Grande do Norte e vanguarda brasileira de 1969.




