Home Acervo Artigo de Clemente Padín intitulado Metalinguagem e Criação, publicado na revista Abertura Cultural, ano 2, número 24, e preservado em recorte colado sobre folha original do Arquivo Poema Processo.

Artigo de Clemente Padín intitulado Metalinguagem e Criação, publicado na revista Abertura Cultural, ano 2, número 24, e preservado em recorte colado sobre folha original do Arquivo Poema Processo.

Clemente Padín

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03499 - 1969-1970 - Revista

29,8 x 21 cm

Artigo de Clemente Padín intitulado Metalinguagem e Criação, publicado na revista Abertura Cultural, ano 2, número 24, e preservado em recorte colado sobre folha original do Arquivo Poema Processo. O texto desenvolve uma reflexão teórica sobre metalinguagem, linguagem objeto, criação artística, poesia visual, arte conceitual e participação do público. Padín parte da própria denominação da revista Abertura Cultural para explicar a diferença entre linguagem objeto e metalinguagem. Quando uma expressão se refere diretamente a uma realidade, pessoa, objeto ou acontecimento, ela funciona como linguagem objeto. Quando essa mesma expressão passa a comentar, explicar ou analisar outra linguagem, transforma se em metalinguagem. O autor relaciona esse princípio à lógica escolástica, à lógica simbólica, à teoria dos estudos estruturais e à semiótica. Menciona Roland Barthes para explicar que a linguagem objeto corresponde à matéria submetida à investigação lógica, enquanto a metalinguagem constitui o sistema pelo qual o processo de investigação se torna possível. Padín observa que esse mecanismo também está presente nas artes plásticas, na música, na literatura e em outras formas de expressão. Uma obra pode referir se a outra obra, a um gênero, a um código, a um estilo ou aos próprios processos de criação artística. São citados exemplos como organogramas, diagramas, quadros sintéticos, esquematizações e expressões não verbais destinadas a comentar ou explicar relações complexas de significado. O texto ressalta que a metalinguagem não se restringe à reflexão abstrata sobre os signos. Quando aplicada criativamente, ela pode converter se em instrumento de produção artística, crítica cultural e comunicação. Clemente Padín diferencia a metalinguagem empregada apenas para comentar ou descrever qualidades de um objeto daquela que participa diretamente da criação. No primeiro caso, o discurso organiza informações sobre a obra. No segundo, os próprios meios de expressão tornam se componentes ativos da obra, revelando os códigos, as estruturas, os suportes, os procedimentos e os mecanismos de produção de sentido. O artigo apresenta a linguagem objeto como aquilo que possui caráter, origem, meios de expressão e funcionamento próprios. A metalinguagem permite conhecer essa linguagem, compreender seus elementos constitutivos e analisar a maneira pela qual ela produz significados. Quando aplicada à criação, a metalinguagem revela os recursos empregados pelo artista e transforma a própria estrutura da comunicação em conteúdo da obra. Padín relaciona essa operação à poesia visual, à poesia concreta, à arte conceitual e às experiências que recusam a separação rígida entre forma e significado. O texto critica a arte concebida como objeto distante, inacessível ou colocado em um pedestal. O autor defende uma função criadora que ultrapassa o objeto isolado e considera a arte como processo, estrutura de comunicação e experiência participativa. Nessa perspectiva, o público deixa de ser consumidor passivo e passa a exercer uma participação ativa e criativa. O artigo propõe ainda meios inéditos de comunicação e uma reorganização das relações entre artista, obra, linguagem e espectador. A metalinguagem artística não se limita a informar sobre a obra. Ela pode revelar seu funcionamento interno, suas convenções, seus limites e suas possibilidades de transformação. O texto aproxima essas ideias da arte conceitual, cujo princípio fundamental é apresentado como a prioridade da informação e da ideia sobre a forma tradicional da obra. Padín observa, porém, que essa informação não pode ser separada dos meios utilizados para comunicá la. O conceito, o suporte, o processo e a participação integram uma mesma estrutura criativa. O artigo reproduz duas obras como exemplos de aplicação artística da metalinguagem. A primeira é atribuída a Joseph Kosuth e aparece com a legenda Quadrado, Vidro, Inclinado, descrita como metalinguagem do óbvio. A obra apresenta palavras correspondentes a qualidades ou categorias visuais e demonstra como a linguagem verbal pode nomear, analisar e expor propriedades intrínsecas de objetos artísticos. O texto menciona também a obra Clear, square, glass, leaning, de Kosuth, relacionando palavras e propriedades materiais como claro, quadrado, vidro e inclinado. Padín observa que esse procedimento aproxima a obra de correntes do conceitualismo e evidencia as relações entre palavra, objeto e definição. A segunda reprodução é a obra 12 x 9 de Álvaro de Sá, apresentada como metalinguagem enquanto auto informação. A composição reúne nove quadrinhos organizados em sequência, com padrões gráficos, texturas, linhas, áreas escuras e uma forma semelhante a uma pena ou marcador que se desloca entre os módulos. A legenda informa que a obra descreve as relações possíveis entre quadrinhos de histórias. O próprio sistema visual da obra revela seu modo de organização, suas combinações e seus mecanismos narrativos. Padín interpreta essa estrutura como exemplo de obra que comenta e informa sobre o próprio código utilizado. O artigo menciona ainda uma experiência de Álvaro de Sá relacionada ao poema auditivo de Jean Claude Moineau. Nessa ação, o som produzido por uma máquina de escrever era gravado e apresentado como elemento poético, evidenciando a matriz técnica e sonora do processo de escrita. O registro do ruído da máquina transforma o meio de produção em matéria artística e amplia as possibilidades auto informativas das linguagens objeto. O documento é relevante para o estudo do pensamento teórico de Clemente Padín, das conexões entre Poema Processo, arte conceitual, semiótica, poesia visual e história em quadrinhos, bem como das relações entre o artista uruguaio e Álvaro de Sá. O artigo demonstra que Padín compreendia a arte como um sistema de comunicação capaz de analisar a si próprio, expor seus códigos e estimular formas participativas de leitura e criação. Título: Metalinguagem e Criação. Autor: Clemente Padín. Publicação: Abertura Cultural. Ano da publicação: ano 2. Número da publicação: 24. Data exata: não identificada nas imagens. Artistas e teóricos mencionados: Clemente Padín, Roland Barthes, Joseph Kosuth, Álvaro de Sá e Jean Claude Moineau. Obras reproduzidas: Quadrado, Vidro, Inclinado, de Joseph Kosuth, e 12 x 9, de Álvaro de Sá. Movimentos e campos relacionados: Poema Processo, poesia visual, poesia concreta, arte conceitual, metalinguagem, linguagem objeto, semiótica, estruturalismo, histórias em quadrinhos, poesia auditiva e comunicação experimental. Tipologia documental: artigo teórico, recorte de revista, ensaio de crítica de arte, reprodução de obras, documento de poesia experimental e documento de arquivo. Suporte: páginas impressas coladas sobre folhas originais do Arquivo Poema Processo. Proveniência: Arquivo Poema Processo. Idioma original: português. Palavras chave: Clemente Padín, Metalinguagem e Criação, Abertura Cultural, ano 2, número 24, Arquivo Poema Processo, Álvaro de Sá, Joseph Kosuth, Jean Claude Moineau, Roland Barthes, 12 x 9, Quadrado Vidro Inclinado, metalinguagem do óbvio, auto informação, arte conceitual, poesia visual, poema processo, linguagem objeto, semiótica, estruturalismo, histórias em quadrinhos, comunicação artística, participação criativa, arte e informação e vanguarda latino americana.\n\nENGLISH TEXT FOR THE SALSA PROGRAM: Article by Clemente Padín titled Metalanguage and Creation, published in the magazine Abertura Cultural, year 2, issue 24, and preserved as a clipping mounted on an original sheet from the Poema Processo Archive. The text develops a theoretical reflection on metalanguage, object language, artistic creation, visual poetry, conceptual art and public participation. Padín begins with the title of the magazine Abertura Cultural to explain the distinction between object language and metalanguage. When an expression refers directly to a reality, person, object or event, it functions as object language. When the same expression comments upon, explains or analyzes another language, it becomes metalanguage. The author connects this principle with scholastic logic, symbolic logic, structural studies and semiotics. He refers to Roland Barthes to explain that object language corresponds to the material submitted to logical investigation, while metalanguage constitutes the system through which investigation becomes possible. Padín observes that the same mechanism is present in visual art, music, literature and other forms of expression. A work may refer to another work, a genre, a code, a style or its own artistic production processes. Examples include organizational charts, diagrams, synthetic tables, schematizations and nonverbal expressions intended to comment upon or explain complex relations of meaning. The text emphasizes that metalanguage is not restricted to abstract reflection upon signs. When applied creatively, it may become an instrument of artistic production, cultural criticism and communication. Clemente Padín distinguishes metalanguage used merely to comment upon or describe the qualities of an object from metalanguage that participates directly in creation. In the first case, discourse organizes information about the work. In the second, the means of expression themselves become active components of the work, revealing codes, structures, supports, procedures and mechanisms of meaning production. The article presents object language as that which possesses its own character, origin, means of expression and functioning. Metalanguage allows this language to be known, its constituent elements to be understood and the manner in which it produces meaning to be analyzed. When applied to creation, metalanguage reveals the resources employed by the artist and transforms the structure of communication itself into the content of the work. Padín relates this operation to visual poetry, concrete poetry, conceptual art and experiments that reject a rigid separation between form and meaning. The article criticizes art conceived as a distant or inaccessible object placed upon a pedestal. The author argues for a creative function that extends beyond the isolated object and understands art as process, communication structure and participatory experience. From this perspective, the public ceases to be a passive consumer and assumes an active and creative role. The article also proposes unprecedented means of communication and a reorganization of relations among artist, work, language and spectator. Artistic metalanguage does not merely provide information about the work. It may reveal its internal operation, conventions, limits and possibilities of transformation. The text connects these ideas with conceptual art, whose basic principle is presented as the priority of information and idea over the traditional form of the work. Padín notes, however, that this information cannot be separated from the means used to communicate it. Concept, support, process and participation belong to the same creative structure. The article reproduces two works as examples of the artistic use of metalanguage. The first is attributed to Joseph Kosuth and appears with the caption Square, Glass, Leaning, described as a metalanguage of the obvious. The work presents words corresponding to visual qualities or categories and demonstrates how verbal language may name, analyze and expose intrinsic properties of artistic objects. The text also mentions the work Clear, square, glass, leaning by Kosuth, connecting words with material properties such as clear, square, glass and leaning. Padín observes that this procedure relates the work to conceptual art and reveals the connections among word, object and definition. The second reproduction is the work 12 x 9 by Álvaro de Sá, presented as metalanguage functioning as self information. The composition contains nine panels arranged in sequence, with graphic patterns, textures, lines, dark areas and a form resembling a pen or marker moving between the modules. The caption states that the work describes possible relations among comic strip panels. The visual system of the work reveals its own organization, combinations and narrative mechanisms. Padín interprets this structure as an example of a work that comments upon and informs about the code it employs. The article also mentions an experiment by Álvaro de Sá related to an audio poem by Jean Claude Moineau. In this action, the sound produced by a typewriter was recorded and presented as a poetic element, revealing the technical and sonic matrix of the writing process. The recording of the machine noise transforms the means of production into artistic material and expands the self informative possibilities of object languages. The document is relevant to the study of Clemente Padín's theoretical thought, the connections among Poema Processo, conceptual art, semiotics, visual poetry and comics and the relationship between the Uruguayan artist and Álvaro de Sá. The article demonstrates that Padín understood art as a communication system capable of analyzing itself, exposing its codes and stimulating participatory forms of reading and creation. Title: Metalanguage and Creation. Author: Clemente Padín. Publication: Abertura Cultural. Publication year designation: year 2. Issue number: 24. Exact date: not identified in the images. Artists and theorists mentioned: Clemente Padín, Roland Barthes, Joseph Kosuth, Álvaro de Sá and Jean Claude Moineau. Reproduced works: Square, Glass, Leaning by Joseph Kosuth and 12 x 9 by Álvaro de Sá. Related movements and fields: Poema Processo, visual poetry, concrete poetry, conceptual art, metalanguage, object language, semiotics, structuralism, comics, audio poetry and experimental communication. Document type: theoretical article, magazine clipping, art criticism essay, artwork reproduction, experimental poetry document and archival record. Medium: printed pages mounted on original sheets from the Poema Processo Archive. Provenance: Poema Processo Archive. Original language: Portuguese. Keywords: Clemente Padín, Metalanguage and Creation, Abertura Cultural, year 2, issue 24, Poema Processo Archive, Álvaro de Sá, Joseph Kosuth, Jean Claude Moineau, Roland Barthes, 12 x 9, Square Glass Leaning, metalanguage of the obvious, self information, conceptual art, visual poetry, process poem, object language, semiotics, structuralism, comics, artistic communication, creative participation, art and information and Latin American avant garde.

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